{"id":191859,"date":"2017-05-06T15:28:07","date_gmt":"2017-05-06T18:28:07","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=191859"},"modified":"2017-05-06T15:28:07","modified_gmt":"2017-05-06T18:28:07","slug":"o-relacionamento-obscuro-de-aecio-com-odebrecht","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-relacionamento-obscuro-de-aecio-com-odebrecht\/","title":{"rendered":"O relacionamento obscuro de A\u00e9cio com a Odebrecht"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"blog-post-title\"><\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/vPp36J0CxQ0-7JcY91Yo96Z7aVs=\/560x430\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2017\/05\/05\/01la587.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><strong>UNI\u00c3O &#8211; A Cidade Administrativa. A Odebrecht pagou 3% de propina pela obra. Osvaldinho recebia dinheiro em nome de A\u00e9cio. (Foto &#8211; Luca Atalla-Pulsar Images, reprodu\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Empresa diz que pagou propina a A\u00e9cio e, em troca, conseguiu obras em Minas e no setor el\u00e9trico<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c9poca \u2013 Hudson Corr\u00eaa<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/tudo-sobre\/noticia\/2017\/02\/aecio-neves.html\">A\u00e9cio Neves<\/a>\u00a0acabara de perder a elei\u00e7\u00e3o para presidente da Rep\u00fablica. Mesmo assim, a Odebrecht honrou o pagamento da \u00faltima parcela de sua campanha, em novembro de 2014 \u2013 em caixa dois, como mandava a regra. Eram R$ 500 mil, derradeira fatia de um acerto de R$ 6 milh\u00f5es. O executivo S\u00e9rgio Neves conta que pegou o dinheiro numa mochila preta no escrit\u00f3rio da empreiteira em Belo Horizonte, colocou no porta-\u00admalas do carro e dirigiu por meia hora at\u00e9 a Minasm\u00e1quinas, concession\u00e1ria Mercedes-Benz localizada na sa\u00edda da cidade. Encontrou-se no estacionamento com o dono da loja, Oswaldo Borges da Costa, o Oswaldinho, tesoureiro informal de A\u00e9cio. \u201cEle\u00a0[Oswaldo] pegou a mochila e colocou no porta-malas do carro\u201d, diz S\u00e9rgio Neves em seu depoimento. Pronto, mais uma entrega de propina da Odebrecht para A\u00e9cio era conclu\u00edda com sucesso. Oswaldinho convidou S\u00e9rgio Neves para almo\u00e7ar no escrit\u00f3rio. Na despedida, mostrou sua cole\u00e7\u00e3o de mais de 100 carros antigos, guardados em dois galp\u00f5es. Entre as raridades figurava um Rolls-Royce Silver Wraith 1953, a bordo do qual A\u00e9cio Neves desfilou na posse como governador de Minas Gerais em 2007. Por pouco, o investimento da Odebrecht n\u00e3o levou o tucano a passear em outro Rolls-Royce da d\u00e9cada de 1950, que o levaria ao Pal\u00e1cio do Planalto. Seria o terceiro presidente da Rep\u00fablica ligado \u00e0 Odebrecht.<\/p>\n<p>Presidente do PSDB e senador, A\u00e9cio Neves \u00e9 um dos personagens mais frequentes nas\u00a0<a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/politica\/noticia\/2017\/05\/lava-jato-delacoes.html\">dela\u00e7\u00f5es dos 77 executivos da Odebrecht<\/a>. N\u00e3o \u00e0 toa, divide com o senador\u00a0<a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/tudo-sobre\/noticia\/2016\/05\/romero-juca-senador.html\">Romero Juc\u00e1<\/a>, do PMDB, o t\u00edtulo de campe\u00e3o no n\u00famero de inqu\u00e9ritos derivados da dela\u00e7\u00e3o, abertos pelo ministro\u00a0<a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/tudo-sobre\/noticia\/2017\/02\/edson-fachin.html\">Edson Fachin<\/a>, relator da Lava Jato no Supremo. \u00c9 investigado em cinco. Nesta semana, ele prestou seu primeiro depoimento \u00e0 Pol\u00edcia Federal, sobre a investiga\u00e7\u00e3o relacionada a irregularidades em Furnas. Reunidos os inqu\u00e9ritos, A\u00e9cio \u00e9 acusado de ter cometido os crimes de corrup\u00e7\u00e3o ativa e passiva, lavagem de dinheiro e fraude em licita\u00e7\u00e3o. A divulga\u00e7\u00e3o da dela\u00e7\u00e3o da Odebrecht mudou a perspectiva do senador tucano. A segunda candidatura \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica em 2018, que seria natural, soa muito distante, coisa do passado. Recentemente, A\u00e9cio comentou com amigos que pode ser candidato apenas a deputado federal, diante das dificuldades para obter votos at\u00e9 para manter-se no Senado.<\/p>\n<p>A\u00e9cio foi uma aposta antiga da Odebrecht, coisa de longo prazo. As dela\u00e7\u00f5es relatam propinas pagas desde que ele era governador de Minas Gerais, entre 2003 e 2010. \u201cN\u00f3s est\u00e1vamos investindo dinheiro numa pessoa que ia se constituir no mandat\u00e1rio do pa\u00eds\u201d, disse o executivo Benedicto Barbosa Junior, o BJ, chefe de S\u00e9rgio Neves. BJ cuidava das principais obras da empreiteira pelo Brasil \u2013 acima dele estava apenas Marcelo Odebrecht. Por isso, tinha tr\u00e2nsito com pol\u00edticos de variados partidos, entre eles A\u00e9cio. A rela\u00e7\u00e3o era t\u00e3o boa que BJ disse aos procuradores da Lava Jato que frequentava o apartamento do senador no Rio de Janeiro e o Pal\u00e1cio das Mangabeiras, resid\u00eancia oficial do governo em Minas Gerais. Possu\u00eda na agenda at\u00e9 o telefone da m\u00e3e de A\u00e9cio para encontrar o tucano quando seus assessores n\u00e3o o localizassem.<\/p>\n<p>No come\u00e7o de 2003, Marcelo Ode\u00adbrecht via o ninho tucano em Minas<br \/>\nGerais como um o\u00e1sis na selva do governo Lula. A\u00e9cio tinha influ\u00eancia na<br \/>\nestatal federal Furnas e controlava a Companhia Energ\u00e9tica de Minas Gerais (Cemig), duas gigantes com investimentos bilion\u00e1rios. \u201c[A\u00e9cio]\u00a0Passou a ser a grande interface nossa com o PSDB\u201d, diz Marcelo em sua dela\u00e7\u00e3o. Ele incentivava seus subordinados a manter a proximidade com A\u00e9cio, que \u201cia ser importante\u201d. Os interesses da Odebrecht estavam especialmente no setor el\u00e9trico. Marcelo recorria ao tucano para equilibrar a disputa com a concorrente Andrade Gutierrez nos projetos tocados pela Cemig.<\/p>\n<p>Marcelo Odebrecht combinou: pagaria R$ 30 milh\u00f5es para A\u00e9cio defender seus interesses no setor el\u00e9trico<\/p>\n<p>Em 2007, a Odebrecht se associou a Andrade, Cemig e Furnas\u00a0 num cons\u00f3rcio para construir as usinas hidrel\u00e9tricas desejadas pelo governo Lula no Rio Madeira, em Rond\u00f4nia. As contrapartidas est\u00e3o l\u00e1 nas planilhas do Departamento de Opera\u00e7\u00f5es Estruturadas, o setor de propina da Odebrecht: registros de pagamentos repetidos de R$ 1,05 milh\u00e3o ao \u201cMineirinho\u201d. As senhas para cada entrega eram nomes de leguminosas: \u201ctomate\u201d, \u201cagri\u00e3o\u201d etc. Em dezembro daquele ano, o cons\u00f3rcio venceu o leil\u00e3o para construir a Usina de Santo Ant\u00f4nio com des\u00e1gio de 35%. Poucos no setor el\u00e9trico acreditavam na viabilidade da obra. Em sua dela\u00e7\u00e3o, o executivo Henrique Valladares disse que a estrat\u00e9gia da Odebrecht era ganhar tamb\u00e9m o leil\u00e3o de Jirau, a segunda usina, marcado para maio de 2008. Mas o cons\u00f3rcio come\u00e7ou a sofrer ataques do governo, com a ent\u00e3o chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na linha de frente. Assim, em fevereiro daquele ano, Valladares foi com Marcelo Odebrecht ao encontro de A\u00e9cio Neves no Pal\u00e1cio das Mangabeiras, sede do governo mineiro, em busca de ajuda. Segundo ele, falou-se de pol\u00edtica e economia, conversa trivial entre poderosos, sem men\u00e7\u00e3o a propina. Mas, na sa\u00edda, Valladares ouviu uma deixa de A\u00e9cio:\u00a0 \u201cHenrique, o Dimas, nosso amigo comum, vai te procurar\u201d. No carro, Valladares ouviu de Marcelo que havia um acerto com A\u00e9cio: pagamento de R$ 50 milh\u00f5es \u2013 R$ 30 milh\u00f5es dados pela Odebrecht, R$ 20 milh\u00f5es pela Andrade Gutierrez. Em troca, o governador defenderia os interesses do cons\u00f3rcio na quest\u00e3o das hidrel\u00e9tricas.<\/p>\n<p>Dimas Toledo, o \u201camigo\u201d de A\u00e9cio e Valladares, foi diretor de Furnas entre 2000 e 2005. Foi ao ostracismo porque, em 2006, a Pol\u00edcia Federal obteve uma c\u00f3pia de cinco p\u00e1ginas com nomes de 156 pol\u00edticos e pagamentos que somavam R$ 40 milh\u00f5es em caixa dois na elei\u00e7\u00e3o de 2002, com assinatura atribu\u00ed\u00adda a ele pela PF. Numa \u00e9poca sem Lava Jato, a investiga\u00e7\u00e3o da \u201clista de Furnas\u201d deu em nada. Toledo saiu do circuito oficial, mas manteve contatos frequentes com Valladares. Ap\u00f3s o encontro com A\u00e9cio, o amigo apareceu para bater papo como sempre, mas trouxe no bolso o cronograma de pagamento dos R$ 30 milh\u00f5es. As visitas se tornaram mais frequentes. Toledo apresentava \u201cpeda\u00e7os de papel\u201d. \u201cCom a indica\u00e7\u00e3o e nomes, empresas com sede no exterior, a grande maioria no exterior, para pagamentos no exterior\u201d, diz Valladares. Cada pagamento variava entre R$ 1,5 milh\u00e3o e R$ 2 milh\u00f5es.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/LUFoFbdyalorA8U9lqnp1JQOg_A=\/560x350\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2017\/05\/05\/310720141304253167.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Mas a vida n\u00e3o se resumia a energia. Em paralelo, A\u00e9cio e a Odebrecht estavam unido na maior obra de Minas Gerais. Benedicto Junior, o BJ, diz que numa reuni\u00e3o no in\u00edcio de 2007, A\u00e9cio anunciou que a Odebrecht participaria da constru\u00e7\u00e3o da Cidade Administrativa, um conjunto de pr\u00e9dios projetados por Oscar Niemeyer para reunir todos os 16 mil servidores estaduais espalhados em pr\u00e9dios em Belo Horizonte numa \u00e1rea fora da cidade. Seria um projeto de mais de R$ 1 bilh\u00e3o. Como nem havia licita\u00e7\u00e3o na pra\u00e7a, BJ entendeu que era jogo jogado. Para acertar o quinh\u00e3o da Odebrecht, ele deveria procurar <strong>Oswaldinho<\/strong>, na apar\u00eancia ent\u00e3o presidente da Codemig, a estatal \u00e0 frente do projeto, e, na pr\u00e1tica, tesoureiro informal de A\u00e9cio. Pela sistem\u00e1tica da Odebrecht, as conversas se davam \u201chomem a homem\u201d: BJ falava com A\u00e9cio, S\u00e9rgio Neves conversava com Oswaldinho. Assim, S\u00e9rgio Neves foi at\u00e9 Oswaldinho e voltou do encontro com a fatura: propina de 3% sobre o valor do contrato. N\u00e3o havia motivos para duvidar que Oswaldinho falava em nome de A\u00e9cio, disse BJ. Al\u00e9m de homem de confian\u00e7a, era contraparente, casado com uma filha do padrasto do governador. Parcelada entre 2007 e 2009, segundo afirmam os delatores, a propina de R$ 5,2 milh\u00f5es foi entregue em esp\u00e9cie, a maior parte na concession\u00e1ria de Oswaldinho.<\/p>\n<p>Sem espa\u00e7o para disputar a Presid\u00eancia em 2010, A\u00e9cio organizou a casa mineira. Saiu candidato ao Senado e lan\u00e7ou o vice-governador, Antonio Anastasia, ao governo. \u201cO Benedicto Junior, a pedido do A\u00e9cio, definiu que a empresa ia fazer contribui\u00e7\u00f5es em caixa dois para A\u00e9cio e para o grupo pol\u00edtico do A\u00e9cio\u201d, diz S\u00e9rgio Neves. A Odebrecht diz que pagou R$ 5,5 milh\u00f5es em caixa dois para a campanha de Anastasia. Segundo os delatores, o dinheiro vivo foi entregue entre julho e setembro de 2010 em sua maior parte na concession\u00e1ria de Oswaldinho. Mas houve uma sofistica\u00e7\u00e3o. Assim como fizera com Jo\u00e3o Santana, o marqueteiro do PT, a Odebrecht fez neg\u00f3cio com Paulo Vasconcelos, marqueteiro de A\u00e9cio. Segundo delatores, a empresa dele recebeu R$ 1,8 milh\u00e3o, entre 2009 e 2010, e R$ 3 milh\u00f5es em 2014, sem prestar qualquer servi\u00e7o \u00e0 Odebrecht. S\u00f3 repassou o dinheiro \u00e0s campanhas de Anastasia e A\u00e9cio.<\/p>\n<p>Por meio de nota, A\u00e9cio Neves afirma que \u201cjamais se envolveu em atos il\u00edcitos\u201d. Ele diz que os delatores n\u00e3o apresentaram provas e, at\u00e9 pelo contr\u00e1rio, a dela\u00e7\u00e3o de Marcelo Odebrecht nega ter discutido \u201calguma contrapartida ou qualquer outro tipo de compromisso em troca dos apoios feitos\u201d. \u201cSobre pedidos \u00e0 Odebrecht, na condi\u00e7\u00e3o de dirigente partid\u00e1rio, para campanhas eleitorais, o delator BJ declarou que: o senador fazia o pedido de doa\u00e7\u00e3o, [mas]\u00a0n\u00e3o se envolvia se feita caixa um ou caixa dois.\u201d O senador tamb\u00e9m nega fraude na obra da Cidade Administrativa. \u201cTodas as etapas de execu\u00e7\u00e3o do complexo foram auditadas em tempo real por empresa independente, definida por licita\u00e7\u00e3o, e acompanhadas pelos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o do Estado.\u201d\u00a0 \u201c\u00c9 importante registrar que a licita\u00e7\u00e3o das obras j\u00e1 foi objeto de investiga\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico e, em 2014, foi decidido pelo arquivamento em raz\u00e3o da aus\u00eancia de irregularidades.\u201d Sobre o depoimento de A\u00e9cio \u00e0 Pol\u00edcia Federal, seu advogado, Alberto Zacharias Toron, disse que o senador \u201cfez quest\u00e3o absoluta de esclarecer tudo\u201d. O marqueteiro Vasconcelos diz que provar\u00e1 a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o \u00e0 Odebrecht. O senador Antonio Anastasia afirma que \u201cnunca tratou de qualquer assunto il\u00edcito com ningu\u00e9m\u201d. Dimas Toledo nega envolvimento no esquema e no caixa dois. Oswaldinho n\u00e3o se manifestou.<\/p>\n<div id=\"container_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por meio de nota, A\u00e9cio Neves afirma que \u201cjamais se envolveu em atos il\u00edcitos\u201d. 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