{"id":192967,"date":"2017-05-12T10:51:49","date_gmt":"2017-05-12T13:51:49","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=192967"},"modified":"2017-05-12T10:51:49","modified_gmt":"2017-05-12T13:51:49","slug":"morre-o-critico-literario-antonio-candido-aos-98-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/morre-o-critico-literario-antonio-candido-aos-98-anos\/","title":{"rendered":"Morre o cr\u00edtico liter\u00e1rio Antonio Candido, aos 98 anos"},"content":{"rendered":"<div class=\"large-16\">\n<div class=\"head-materia\">\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><em>Vencedor de pr\u00eamios como o Jabuti e o Cam\u00f5es estava internado em S\u00e3o Paulo<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"large-16 columns\">\n<div class=\"corpo novo large-16 columns ctx_content\">\n<div class=\"meta\">\n<div id=\"compartilharInline\" class=\"compartilhamento-angular sharing ng-scope\" data-ng-controller=\"compartilhamentoController\" data-ng-init=\"init();\"><\/div>\n<p id=\"autor\">POR <span class=\"autor\">O GLOBO<\/span><\/p>\n<div class=\"meta-data\"><span class=\"data-cadastro\"><time datetime=\"2017-05-12T9:55\">12\/05\/2017 9:55<\/time> \/ <span class=\"data-atualizacao\">atualizado <time datetime=\"2017-05-12T10:38\">12\/05\/2017 10:38<\/time><\/span><\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"foto\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/4957933-a07-afe\/FT1086A\/420\/x04camoes.jpg.pagespeed.ic.JL7rE57OKt.jpg\" width=\"700\" height=\"420\" data-pagespeed-high-res-src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/4957933-a07-afe\/FT1086A\/420\/x04camoes.jpg.pagespeed.ic.JL7rE57OKt.jpg\" \/><figcaption>O estudioso e cr\u00edtico Antonio Candido de Mello e Souza <b>&#8211; Andr\u00e9 Gomes de Melo \/ Reprodu\u00e7\u00e3o Minist\u00e9rio da Cultura<\/b><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div id=\"pub-retangulo-1\" class=\"arroba publicidade clearfix\" data-google-query-id=\"CKazhdS_6tMCFVURkQodpfIHpA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/95377733\/info.web.oglobo\/cultura\/livros\/materia_5__container__\">Morreu na madrugada desta sexta-feira, aos 98 anos, o escritor Antonio Candido. O mais influente cr\u00edtico liter\u00e1rio do Brasil no s\u00e9culo XX estava internado no hospital Albert Einstein, em S\u00e3o Paulo. Segundo comunicado da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas (FFLCH) da Universidade de S\u00e3o Paulo, o vel\u00f3rio ser\u00e1 realizado nesta sexta no Hospital Albert Einstein, das 9h \u00e0s 17h.<\/div>\n<\/div>\n<p>Por sua obra, Candido venceu quatro vezes o Jabuti, principal pr\u00eamio liter\u00e1rio do Brasil, por &#8220;Forma\u00e7\u00e3o da literatura brasileira&#8221; (1960), &#8220;Os parceiros do Rio Bonito&#8221; (1965), de poesias, e &#8220;Brigada ligeira e outros escritos&#8221; (1993), reunindo ensaios. Em 1966, recebeu o Jabuti de personalidade do ano. Em 1998, venceu o pr\u00eamio Cam\u00f5es.<\/p>\n<div class=\"teads-inread\"><\/div>\n<p>Nascido 24 de julho de 1918, Antonio Candido de Mello e Souza era filho do m\u00e9dico Aristides Candido de Mello e Souza e de Clarisse Tolentino de Mello e Souza. Natural do Rio de Janeiro, pouco tempo viveu na ent\u00e3o capital federal. Neto de bar\u00f5es do Imp\u00e9rio, descendente de uma tradicional fam\u00edlia do interior de Minas Gerais, morou dos 3 aos 10 anos de idade na mineira Santa Rita de C\u00e1ssia. Dos 10 aos 12 anos, viveu na Fran\u00e7a e, passando um ver\u00e3o em Berlim, p\u00f4de sentir, atrav\u00e9s de seu olhar de menino, a ascens\u00e3o das for\u00e7as nazistas.<\/p>\n<p>Chegou a prestar exame para a faculdade de medicina antes de ingressar, em 1939, nos cursos de Direito e Ci\u00eancias Sociais na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Nessa mesma \u00e9poca, em 1940, estreou na imprensa no exerc\u00edcio da cr\u00edtica liter\u00e1ria, na revista &#8220;Clima&#8221;.<\/p>\n<p>A linguagem fluente e a vis\u00e3o aguda fizeram com que rapidamente, somente tr\u00eas anos depois, fosse contratado para assinar cr\u00edticas \u201cde rodap\u00e9\u201d na \u201cFolha da Manh\u00e3\u201d (atual \u201cFolha de S. Paulo\u201d) e, em seguida, no \u201cDi\u00e1rio de S. Paulo\u201d. Desde o in\u00edcio, seus textos se caracterizaram pela clareza \u2014 assim como o dos modernistas do per\u00edodo, que cultivavam o coloquialismo \u2014, embora, diferentemente destes, Candido pertencesse \u00e0s primeiras gera\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria na \u00e1rea de ci\u00eancias humanas no pa\u00eds, identificado com um estilo de racioc\u00ednio est\u00e9tico ent\u00e3o novo no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Foi um intelectual que transitou, como poucos no pa\u00eds, entre esses dois universos \u2014 o da clareza exigida no cotidiano jornal\u00edstico e o da profundidade acad\u00eamica \u2014, tendo consolidado em sua obra, sobretudo no cl\u00e1ssico \u201cA forma\u00e7\u00e3o da literatura brasileira\u201d, de 1957, conceitos fundamentais para se entender n\u00e3o apenas a literatura brasileira, como para aprofundar as interpreta\u00e7\u00f5es sobre a cultura nacional. A cr\u00edtica e o trabalho te\u00f3rico de Candido se beneficiaram de sua dupla forma\u00e7\u00e3o, na \u00e1rea de Ci\u00eancias Sociais e na de Letras.<\/p>\n<div id=\"pub-retangulo-2\" class=\"arroba publicidade clearfix\" data-google-query-id=\"CJvM8tO_6tMCFcoOkQod6lUL-g\"><\/div>\n<p>Em 1936, foi estudar em S\u00e3o Paulo e, nos anos 1940, os primeiros de sua carreira, formou um primeiro conjunto de estudos nos quais, de acordo com o cr\u00edtico Roberto Schwarz, os mais de 150 trabalhos publicados na imprensa \u201cs\u00e3o unidos pelo prop\u00f3sito militante de ampliar a compreens\u00e3o da atualidade\u201d.<\/p>\n<p>Em 1945, publica o seu primeiro livro, \u201cBrigada ligeira\u201d, no qual re\u00fane artigos da coluna semanal Notas de Cr\u00edtica Liter\u00e1ria, da \u201cFolha da Manh\u00e3\u201d. A colet\u00e2nea retrata a literatura brasileira daquela d\u00e9cada, com, entre outros, um ensaio sobre Oswald de Andrade e artigos sobre autores ent\u00e3o desconhecidos, a quem Candido saudou a estreia, como Clarice Lispector, com \u201cPerto do cora\u00e7\u00e3o selvagem\u201d, Fernando Sabino, com \u201cA marca\u201d, e o poeta Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto.<\/p>\n<p>A d\u00e9cada de 1940 foi o per\u00edodo de maior engajamento na vida do cr\u00edtico, que j\u00e1 trabalhava, ent\u00e3o, como professor assistente de Sociologia na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Na primeira metade daquela d\u00e9cada, Candido se empenhou na oposi\u00e7\u00e3o ao Estado Novo e foi segundo secret\u00e1rio da sess\u00e3o paulista da primeira diretoria da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Escritores, fundada em 1942. A organiza\u00e7\u00e3o arregimentou intelectuais contra a ditadura e, em 1945, realizou o hist\u00f3rico 1\u00ba Congresso Brasileiro de Escritores, em S\u00e3o Paulo, marcando posi\u00e7\u00e3o contra o governo vigente. Candido era o membro mais jovem da delega\u00e7\u00e3o paulista.<\/p>\n<p>Paralelamente \u00e0s atividades jornal\u00edstica e pol\u00edtica, defendeu em 1945 a tese \u201cO m\u00e9todo cr\u00edtico em S\u00edlvio Romero\u201d, sobre o cr\u00edtico liter\u00e1rio que estabeleceu, em sua monumental obra, segundo Candido, \u201co c\u00e2non\u201d da literarura brasileira. Com o trabalho, obteve o t\u00edtulo de livre-docente e come\u00e7ou a abrir caminho para sua transfer\u00eancia para ser aceito como professor do curso de Letras, que era o seu objetivo. Mas n\u00e3o deixou de colaborar com a imprensa e, nos anos 1950 \u2014 decisivos em sua carreira \u2014, elaborou o projeto do Suplemento Liter\u00e1rio lan\u00e7ado pelo jornal \u201cO Estado de S. Paulo\u201d.<\/p>\n<p>A passagem para a \u00e1rea de Letras s\u00f3 viria a acontecer em 1958, quando se tornou professor de literatura brasileira da Faculdade de Assis, atualmente parte da Universidade Estadual Paulista, no interior do estado de S\u00e3o Paulo, e j\u00e1 tinha publicado sua obra m\u00e1xima, \u201cForma\u00e7\u00e3o da literatura brasileira\u201d.<\/p>\n<p>No pref\u00e1cio do cl\u00e1ssico, Candido faz uma c\u00e9lebre declara\u00e7\u00e3o sobre a literatura brasileira, que, segundo disse, \u201c\u00e9 galho secund\u00e1rio da portuguesa, por sua vez arbusto de segunda ordem no jardim das Musas&#8230; Os que se nutrem apenas delas s\u00e3o reconhec\u00edveis \u00e0 primeira vista, mesmo quando eruditos e inteligentes, pelo gosto provinciano e falta de senso de propor\u00e7\u00f5es. Estamos fadados, pois, a depender da experi\u00eancia de outras letras, o que pode levar ao desinteresse e at\u00e9 menoscabo das nossas. Este livro procura apresent\u00e1-las, nas fases normativas, de modo a combater semelhante erro\u201d.<\/p>\n<p>Diz ele ainda: \u201cComparada \u00e0s grandes, a nossa literatura \u00e9 pobre e fraca. Mas \u00e9 ela, n\u00e3o outra, que nos exprime. Se n\u00e3o for amada, n\u00e3o revelar\u00e1 a sua mensagem\u201d.<\/p>\n<div id=\"pub-retangulo-3\" class=\"arroba publicidade clearfix\" data-google-query-id=\"CK_g9dO_6tMCFc0OkQodrsIJkQ\"><\/div>\n<p>A obra \u00e9 t\u00e3o profunda em sua tentativa de revelar os caminhos de forma\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria do Brasil quanto os cl\u00e1ssicos de Gilberto Freyre e S\u00e9rgio Buarque de Holanda na busca das ra\u00edzes da brasilidade. De acordo com Candido, o livro busca reconstituir a hist\u00f3ria dos brasileiros no seu desejo de terem uma literatura. A cr\u00edtica, ao observar a alian\u00e7a entre esfor\u00e7o art\u00edstico e miss\u00e3o nacional, realiza a an\u00e1lise interna das obras liter\u00e1rias, assim como salienta seu papel do ponto de vista da cultural nacional.<\/p>\n<p>Para Candido, a cr\u00edtica equilibrada era a que atenta aos aspectos est\u00e9ticos, assim como ao conte\u00fado do texto, levando em conta \u201co sistema\u201d, do qual fazem parte autor, obra e p\u00fablico. Ele mostrava como a originalidade \u00e9 \u201ca ilus\u00e3o dos parvos\u201d e identificava o car\u00e1ter empenhado da literatura brasileira, com um sentimento de miss\u00e3o que faz dos artistas brasileiros \u201cdelegados da realidade\u201d. Sua vis\u00e3o, por\u00e9m, segundo o pr\u00f3prio cr\u00edtico, n\u00e3o pretendia ser impositiva, \u201cmas apenas um dos modos poss\u00edveis de encarar a contradi\u00e7\u00e3o entre hist\u00f3rico e est\u00e9tico, fundindo-os dialeticamente no conceito de sistema\u201d.<\/p>\n<p>Candido foi casado com a fil\u00f3sofa, cr\u00edtica liter\u00e1ria e ensa\u00edsta Gilda de Mello e Souza (1919-2005), com quem teve tr\u00eas filhas, Ana Lu\u00edsa, Laura e Marina.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nstest<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vencedor de pr\u00eamios como o Jabuti e o Cam\u00f5es estava internado em S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":192968,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-192967","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/candido.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/192967","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=192967"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/192967\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/192968"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=192967"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=192967"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=192967"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}