{"id":195121,"date":"2017-05-23T07:56:44","date_gmt":"2017-05-23T10:56:44","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=195121"},"modified":"2017-05-23T07:57:56","modified_gmt":"2017-05-23T10:57:56","slug":"comovente-historia-da-menor-vedete-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/comovente-historia-da-menor-vedete-do-mundo\/","title":{"rendered":"A comovente hist\u00f3ria da menor vedete do mundo"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Jordi Soler relata em \u2018El Cuerpo El\u00e9ctrico\u2019 a impressionante trajet\u00f3ria de Luc\u00eda Z\u00e1rate<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto izquierda foto_w360\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/comovente-historia-da-menor-vedete-do-mundo\/crianca-preta\/\" rel=\"attachment wp-att-195122\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-195122 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/crian\u00e7a-preta.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"1153\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/crian\u00e7a-preta.jpg 720w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/crian\u00e7a-preta-187x300.jpg 187w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/crian\u00e7a-preta-312x500.jpg 312w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/crian\u00e7a-preta-160x256.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/crian\u00e7a-preta-640x1025.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><\/a><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">A vedete mexicana Luzia Z\u00e1rate (e), junto a uma mulher de estatura m\u00e9dia.<\/span> <span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">JORDI SOLER<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 met\u00e1fora nem inven\u00e7\u00e3o: a mexicana Luc\u00eda Z\u00e1rate, de 51 cent\u00edmetros, a menor vedete do mundo, existiu, percorreu o mundo, embora mal se movesse. Arrancada de seu pa\u00eds por um negociante esperto e sem escr\u00fapulos, fez sua carreira em teatros de segunda categoria nos <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/estados_unidos\/a\">Estados Unidos<\/a>, at\u00e9 que se juntou com outro promotor norte-americano que agenciava nos mundos bizarros, de an\u00f5es ou de gigantes, seus artistas geniais ou briguentos, e que transformou Luc\u00eda em um enorme neg\u00f3cio.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CPuJyIHthdQCFVArHwod-VUJWQ\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa trupe atingiu a gl\u00f3ria econ\u00f4mica quando seus promotores descobriram o tr\u00e1fego, embarcaram em um trem para conquistar a Am\u00e9rica com o circo e mercado e mandaram Luc\u00eda Z\u00e1rate para conquistar, com desigual sucesso, <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/paris\/a\">Paris<\/a> e, portanto, a Europa. Ela nasceu perto de Veracruz, em 1864, e morreu nos Estados Unidos, em 1890. Sua casa foi aberta ao p\u00fablico em 2011 como museu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta comovente hist\u00f3ria (agora transformada em fic\u00e7\u00e3o por Jordi Soler, escritor mexicano e catal\u00e3o, nascido em Veracruz em 1963) come\u00e7ou em 1876, quando o protagonista aproveitador, o deputado mexicano Cristino Lobat\u00f3n, descobriu os talentos da liliputiana e a levou, na hora errada, \u00e0 Exposi\u00e7\u00e3o Universal de Filad\u00e9lfia. Havia nessa mulher um magnetismo irreal, quase afrodis\u00edaco; apenas sua presen\u00e7a era um \u00edm\u00e3 capaz de atrair milhares e milhares de traficantes em busca do m\u00f3rbido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta impressionante hist\u00f3ria ficou enterrada at\u00e9 parecer t\u00e3o impressionante como um canto de cegos. E foi justamente Jordi Soler que se atreveu a contar em um romance a realidade (e a fic\u00e7\u00e3o) da opressora vida da liliputiana. Seu amigo, Sergi P\u00e0mies, tamb\u00e9m escritor, foi quem lhe revelou \u201co dado da liliputiana mexicana\u201d. Soler, que est\u00e1 morando temporariamente no <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/canada\/a\">Canad\u00e1<\/a> (agora tem resid\u00eancia fixa em Barcelona), relembra: \u201cSergi me disse: voc\u00ea, que gosta tanto de hist\u00f3rias desafortunadas, tem aqui uma de primeira magnitude\u201d.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2017\/05\/11\/actualidad\/1494518857_991256_1494519614_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2017\/05\/11\/actualidad\/1494518857_991256_1494519614_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2017\/05\/11\/actualidad\/1494518857_991256_1494519614_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Cartaz em que se anunciava Luzia Z\u00e1rate como \" width=\"360\" height=\"589\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Cartaz em que se anunciava Luzia Z\u00e1rate como &#8220;a maior maravilha da \u00e9poca&#8221;.<\/span> <span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">JORDI SOLER<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Soler, autor de <em>Los Rojos de Ultramar<\/em>(2004), a verdadeira hist\u00f3ria de seus antepassados, catal\u00e3es exilados da guerra civil na Fran\u00e7a e, depois, em uma selva de Veracruz, enfrentou a hist\u00f3ria de Luc\u00eda: naquela \u201cmis\u00e9ria hist\u00f3rica, vi um material fabuloso: uma pessoa arrebatadora em um contexto circense do s\u00e9culo XIX, que precisava urgentemente de um narrador para que, com os tr\u00eas dados que existiam sobre ela, lhe escrevesse uma hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o fez. Est\u00e1 no romance <em>El Cuerpo El\u00e9ctrico<\/em> (Alfaguara). \u201cFui um menino de cidade pequena, nasci no meio da selva e do cafezal; todo m\u00eas de setembro chegava um circo provinciano de ares russos, havia palha\u00e7os, um m\u00e1gico cujos truques eram percebidos, dois le\u00f5es velhos e uma desconcertante divis\u00e3o de <em>freaks<\/em>.\u201d As crian\u00e7as n\u00e3o tinham acesso a essa divis\u00e3o de \u201caberra\u00e7\u00f5es\u201d, por isso Jordi e seu irm\u00e3o (o tamb\u00e9m escritor \u00c1lvaro Enrigue) iam \u00e0 noite, levantavam a tenda e viam \u201cum espet\u00e1culo dantesco, havia um menino-lagarto, um homem com duas cabe\u00e7as e apenas duas pernas, como os siameses de meu romance. Meu irm\u00e3o e eu acab\u00e1vamos conversando com os an\u00f5es: eram o que havia de mais parecido conosco nessa tenda\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 de onde surge o \u201cdel\u00edrio pelos an\u00f5es e <em>freaks<\/em> em geral\u201d de Soler. Ele sabe que \u00e9 \u201cum del\u00edrio delituoso\u201d, \u201cmas no final do s\u00e9culo XIX, a \u00e9poca em que se passa meu romance, era bem visto que os <em>freaks<\/em> ganhassem a vida exibindo-se; de outra forma, se consumiam em suas casas enquanto arruinavam suas fam\u00edlias. Em minha cidade, embora eu seja da segunda metade do s\u00e9culo XX, seguiam-se os costumes do s\u00e9culo XIX\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Los Rojos de Ultramar<\/em>, seu livro mais famoso, \u00e9 um romance autobiogr\u00e1fico no qual convergem \u201cos dem\u00f4nios de minha fam\u00edlia e os fantasmas da Guerra Civil e do ex\u00edlio\u201d; h\u00e1 mais hist\u00f3rias verdadeiras do que em <em>El Cuerpo El\u00e9ctrico<\/em>. \u201cH\u00e1 dois ou tr\u00eas dados da liliputiana e, a partir da\u00ed, comecei a inventar uma hist\u00f3ria; a realidade, neste caso, n\u00e3o era suficiente.\u201d Cristino Lobat\u00f3n, o empres\u00e1rio, \u201ccome\u00e7ou como um recurso liter\u00e1rio e acabou se apropriando do romance. \u00c9 o elemento de fic\u00e7\u00e3o \u201cque faz resplandecer a realidade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O neg\u00f3cio da liliputiana cresceu, segundo diz Lobat\u00f3n no romance, porque \u201ca cada minuto nasce um idiota no mundo\u201d. Essa legi\u00e3o de indiv\u00edduos, conta Soler, \u201cera capaz de pagar por qualquer espet\u00e1culo apresentado\u201d. Tal racioc\u00ednio o leva at\u00e9 a \u00e9poca atual: \u201cPor que acreditamos, por exemplo, nas promessas de um pol\u00edtico? Por que acreditamos no que a internet ou a TV nos conta? Por que n\u00e3o acreditamos em nada que n\u00e3o apare\u00e7a no <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/google\/a\">Google<\/a>? Temo que Lobat\u00f3n tenha raz\u00e3o: porque somos idiotas\u201d. E Soler vai mais longe: esse Lobat\u00f3n que triunfa nos Estados Unidos \u00e9 uma transcri\u00e7\u00e3o da <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/donald_trump\/a\">ascens\u00e3o de Trump<\/a> ao poder, capaz de comprar com seu dinheiro at\u00e9 a presid\u00eancia dos EUA&#8230; \u201cIndependentemente de sua energia pol\u00edtica, \u00e9 um empres\u00e1rio do ramo imobili\u00e1rio que comprou, com seu dinheiro e o de amigos, a presid\u00eancia de seu pa\u00eds.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O neg\u00f3cio da liliputiana cresceu, segundo diz Lobat\u00f3n no romance, porque \u201ca cada minuto nasce um idiota no mundo\u201d. Essa legi\u00e3o de indiv\u00edduos, conta Soler, \u201cera capaz de pagar por qualquer espet\u00e1culo apresentado\u201d. 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