{"id":19665,"date":"2013-09-28T14:00:21","date_gmt":"2013-09-28T17:00:21","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=19665"},"modified":"2013-09-27T19:48:22","modified_gmt":"2013-09-27T22:48:22","slug":"a-volta-de-007","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-volta-de-007\/","title":{"rendered":"A volta de 007"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-19667\" alt=\"8E77747495DE205260454B951269F7\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/8E77747495DE205260454B951269F7.jpg\" width=\"245\" height=\"175\" \/><\/p>\n<p>S\u00f3 faltou a famosa m\u00fasica-tema composta por Monty Norman para emoldurar a festa: diante do luxuoso hotel Dorchester, em Londres, o escritor William Boyd foi recepcionado na quarta-feira por sete aeromo\u00e7as da British Airways que, diante de um comboio de antigos carros esportivos Jensen, portavam uma maleta transparente tipo 007, que exibia o conte\u00fado: o livro Solo, escrito por Boyd e que ser\u00e1 lan\u00e7ado mundialmente hoje &#8211; no Brasil, sai pela Alfaguara.<\/p>\n<p>Trata-se de uma in\u00e9dita aventura de James Bond, o agente secreto mais conhecido do mundo, criado por Ian Fleming (1908-1964) e imortalizado na tela de cinema por uma fila de atores famosos, de Sean Connery a Daniel Craig. Nenhum dos detalhes era fortuito: \u00e9 no hotel Dorchester que se inicia Solo, com Bond se recuperando da festa de seu 45.\u00ba anivers\u00e1rio. E o n\u00famero de maletas indica a quantidade de cidades para as quais aqueles primeiros exemplares seriam enviados, localidades que possuem v\u00ednculo com Bond ou Boyd: Edimburgo, Amsterd\u00e3, Zurique, Nova D\u00e9lhi, Los Angeles, Cidade do Cabo e Sydney.<\/p>\n<p>&#8220;Foi uma tarefa arriscada, mas que me deu muito prazer em enfrentar&#8221;, disse Boyd ao Estado, em conversa por telefone. &#8220;Sou f\u00e3 de James Bond desde adolescente, quando meu pai me apresentou aos livros de Ian Fleming.&#8221; Essa devo\u00e7\u00e3o facilitou aceitar o convite (&#8220;Respondi na hora&#8221;) como tamb\u00e9m manter uma fidelidade ao estilo de Fleming.<\/p>\n<p>Boyd pertence agora ao seleto grupo de escritores convidados pelos detentores autorais da obra de Fleming. Mas, enquanto seus antecessores &#8211; Sebastian Faulks, que escreveu A Ess\u00eancia do Mal (Record) em 2008, e Jeffery Deaver, que publicou Carte Blanche em 2011 &#8211; seguiram a mesma linhas dos filmes e ambientaram suas hist\u00f3rias no presente, Boyd posicionou James Bond em 1969.<\/p>\n<p>Ele explica: &#8220;Fleming escreveu 12 aventuras de Bond, entre 1953 e 1964, quando morreu. Um romance por ano. Reli todos os livros em ordem cronol\u00f3gica. Assim, percebi que James Bond \u00e9 um homem daquela \u00e9poca, anos 1950 e 1960. E isso deveria ser respeitado&#8221;, argumenta. &#8220;Portanto, ao escrever uma nova aventura sobre o agente da rainha, eu jamais poderia incluir telefone celular, GPS e outras modernidades tecnol\u00f3gicas que marcam os filmes atuais &#8211; logicamente s\u00e3o interessantes, mas cada vez mais distantes do universo criado por Fleming, marcado pela Guerra Fria e suas implica\u00e7\u00f5es. Da\u00ed eu ter escolhido o ano de 1969, quando a sociedade estava mudando, o que afeta o comportamento do agente. \u00c9 importante lembrar que hoje, quando se pensa em James Bond, os filmes \u00e9 que s\u00e3o lembrados, n\u00e3o os livros de Fleming. Assim, retornar \u00e0 literatura implica uma nova descoberta pois, se pensarmos em Daniel Craig em Skyfall, n\u00e3o temos ali o Bond criado por Fleming, mas uma varia\u00e7\u00e3o atualizada do personagem, 50 anos depois.&#8221;<\/p>\n<p>Feita a introdu\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel degustar com mais facilidade a trama de Solo que, no Brasil, foi traduzido por C\u00e1ssio de Arantes Leite. Como j\u00e1 foi dito, o romance come\u00e7a com Bond curtindo uma ressaca da festa de seus 45 anos, em Londres. Apesar de marcado pelas incertezas de quem est\u00e1 atingindo a meia-idade, ele logo parte para a a\u00e7\u00e3o, enviado a uma miss\u00e3o em Zanzarim, fict\u00edcio pa\u00eds africano degredado pela guerra civil e que faz lembrar a Nig\u00e9ria dos anos 1960. De l\u00e1, Bond segue para Washington, onde finaliza seu trabalho.<\/p>\n<p>A escolha da \u00c1frica n\u00e3o \u00e9 fortuita: Boyd nasceu em Gana e passou parte de sua juventude no continente, o que lhe torna o ambiente familiar. &#8220;Eu sabia que estaria aprisionado a certas condi\u00e7\u00f5es, pois trabalharia com alguns personagens j\u00e1 existentes e muito bem definidos, como M e sua secret\u00e1ria, a senhorita Moneypenny, assim como Felix Leiter, amigo de Bond que trabalha na CIA. Mas descobri tamb\u00e9m que h\u00e1 liberdade para criar outros que interagem com aqueles. Assim, posso dizer que Solo tem 15% de material de Fleming e 85% meus.&#8221;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m diferentemente do agente secreto apresentado no cinema, o Bond do romance revela-se um homem maduro, experiente, mas sentindo as limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas. &#8220;Ele j\u00e1 viveu bastante e n\u00e3o consegue mais correr t\u00e3o r\u00e1pido como quando tinha 25 anos. Ao mesmo tempo, tornou-se mais observador e percebe que os tempos mudaram. Isso me possibilitou mostrar seu lado mais sombrio, gostos e desgostos, seus complexos &#8211; ele se revela um homem mais perturbado e, por isso, chora com mais frequ\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p>Boyd se apressa, por\u00e9m, em n\u00e3o decepcionar o leitor com uma imagem t\u00e3o fragilizada de um her\u00f3i cujas fa\u00e7anhas fariam inveja ao Super-homem. Em Solo, est\u00e3o presentes mulheres sexy, a boa comida e a conhecida predile\u00e7\u00e3o de Bond por u\u00edsque &#8211; ainda que Boyd ouse ao incluir, na trama, sua receita particular para um martini seco.<\/p>\n<p>O escritor ingl\u00eas tamb\u00e9m n\u00e3o abomina as vers\u00f5es cinematogr\u00e1ficas de 007, ainda que seja mais fiel aos primeiros filmes. &#8220;Como roteirista, j\u00e1 trabalhei Daniel Craig, Percy Brosnan e Sean Connery e tenho de confessar que prefiro o agente interpretado por Connery, especialmente por ser o mais fiel ao original criado por Fleming.&#8221;<\/p>\n<p>Como o famoso ator escoc\u00eas, aos 83 anos, j\u00e1 n\u00e3o tem mais condi\u00e7\u00f5es de interpretar o agente da rainha, Boyd n\u00e3o esconde que, em Solo, James Bond tem o perfil de Daniel Day-Lewis. Segundo o escritor, Fleming certa vez descreveu seu personagem como semelhante ao cantor e compositor americano Hoagy Carmichael. &#8220;E Day-Lewis me faz lembrar Carmichael. Ent\u00e3o&#8230;&#8221;, brincou o escritor, em entrevista \u00e0 ag\u00eancia de not\u00edcias AP. (Estad\u00e3o)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00f3 faltou a famosa m\u00fasica-tema composta por Monty Norman para emoldurar a festa: diante do luxuoso hotel Dorchester, em Londres, o escritor William Boyd foi recepcionado na quarta-feira por sete aeromo\u00e7as da British Airways que, diante de um comboio de antigos carros esportivos Jensen, portavam uma maleta transparente tipo 007, que exibia o conte\u00fado: o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":19667,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-19665","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/8E77747495DE205260454B951269F7.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19665","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19665"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19665\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19667"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19665"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19665"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19665"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}