{"id":19987,"date":"2013-09-01T07:30:40","date_gmt":"2013-09-01T10:30:40","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=19987"},"modified":"2013-09-30T09:31:36","modified_gmt":"2013-09-30T12:31:36","slug":"os-40-anos-sem-josue-de-castro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/os-40-anos-sem-josue-de-castro\/","title":{"rendered":"Os 40 anos sem Josu\u00e9 de Castro"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-19988\" alt=\"images\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/images3.jpg\" width=\"213\" height=\"237\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Josu\u00e9 Apol\u00f4nio de Castro\u00a0nasceu em 5 de setembro de 1908, em Recife, e morreu em 24 de setembro de 1973, durante o seu ex\u00edlio em Paris. M\u00e9dico, ge\u00f3grafo, escritor, fil\u00f3sofo, soci\u00f3logo e pol\u00edtico. Estudou Medicina em Salvador e Filosofia na Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro,\u00a0foi uma das personalidades que mais se destacaram no cen\u00e1rio brasileiro e internacional n\u00e3o s\u00f3 por seus trabalhos cient\u00edficos sobre\u00a0a fome no mundo, mas tamb\u00e9m por sua atua\u00e7\u00e3o no plano pol\u00edtico e em organismos internacionais.<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo da fome, como era conhecido mundialmente, foi professor de Geografia Humana na Faculdade Nacional de Filosofia; pertenceu ao Servi\u00e7o T\u00e9cnico de Alimenta\u00e7\u00e3o Nacional; presidente do Conselho da Organiza\u00e7\u00e3o de Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura das Na\u00e7\u00f5es Unidas (FAO); do comit\u00ea governamental da Campanha de Luta contra a Fome, (ONU); do conselho do Comit\u00ea Intergovernamental para as Migra\u00e7\u00f5es Europ\u00e9ias; do Centro Internacional para o Desenvolvimento, em Paris, e do Comit\u00ea Mundial por uma Constitui\u00e7\u00e3o dos Povos, em Denver (EUA); al\u00e9m de vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Parlamentar Mundial em Londres, e professor da Sorbonne em Paris.<\/p>\n<p>Josu\u00e9 de Castro\u00a0<wbr \/>escreveu 29 livros, traduzidos em mais de 25 l\u00ednguas. Preocupado com o futuro,\u00a0\u00a0foi o pioneiro na defesa do meio ambiente, um semeador de id\u00e9ias que encantava o p\u00fablico com seus discursos. Darcy Ribeiro o considerava \u201cO homem mais inteligente e brilhante que eu conheci\u201d.<\/p>\n<p><b>GEOPOL\u00cdTICA DA FOME<\/b><\/p>\n<p>Era famoso nos EUA e Europa tamb\u00e9m como \u201cadvogado do Terceiro Mundo\u201d, depois do sucesso do livro \u201cGeopol\u00edtica da fome\u201d. Em 1971, foi indicado pela segunda vez ao Pr\u00eamio Nobel da Paz. Em 1958,\u00a0foi eleito deputado federal com 33.657 votos, o mais votado do PTB no Nordeste. Seu companheiro de chapa para deputado estadual era Francisco Juli\u00e3o, advogado e l\u00edder das Ligas Camponesas. E seria indicado para disputar o governo do Estado com apoio do ministro do Trabalho Jo\u00e3o Goulart.<\/p>\n<p>Josu\u00e9\u00a0 foi um dos fundadores da Academia Nacional de Cultura junto com os amigos M\u00e1rio de Andrade, Jorge Amado, Vin\u00edcius de Moraes, An\u00edsio Teixeira, Cec\u00edia Meireles, C\u00e2ndido Portinari, Darcy Ribeiro, Oscar Niemeyer, Barbosa Lima Sobrinho, Celso Furtado, entre outros.<\/p>\n<p>Quando o soci\u00f3logo Herbert de Souza, o Betinho, liderou a A\u00e7\u00e3o da Cidadania Contra e Fome, a Mis\u00e9ria e pela Vida, em 1992, teve a patente do pioneirismo de Josu\u00e9 de Castro. O ex-presidente da ABI Barbosa Lima Sobrinho, disse: \u201cO Brasil tem duas cartas de descobrimento. A primeira \u00e9 a de Pero Vaz de Caminha. A segunda \u00e9 Geografia da Fome, de Josu\u00e9 de Castro.<\/p>\n<p>Em 1955,\u00a0visitou a URSS em plena guerra fria, e conseguiu a fa\u00e7anha de ser reconhecido, por seus estudos, tanto pelos sovi\u00e9ticos como pelos norte-americanos. Os pa\u00edses inimigos consagraram o estudo de Josu\u00e9\u00a0como fundamental para se pensar a exist\u00eancia da humanidade na mancha subdesenvolvida \u2013 como produto do desenvolvimento e a mis\u00e9ria na \u00c1frica, parte de \u00c1sia e na Am\u00e9rica Latina. Na escola do MST, em Veran\u00f3polis (SP), os ensinamentos do soci\u00f3logo servem de base te\u00f3rica para a organiza\u00e7\u00e3o do movimento dos sem-terra.<\/p>\n<p>CASSADO NO AI-1<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s o golpe militar de 1964,\u00a0Josu\u00e9 teve os direitos pol\u00edticos cassados pelo Ato Institucional N\u00ba 1 juntamente com Miguel Arraes, Leonel Brizola, Celso Furtado, Darcy Ribeiro e outros, considerados perigosos agentes do comunismo.<\/p>\n<p>Seu crime: ter denunciado ao mundo a vergonha da fome como obra dos homens. Viveu exilado durante nove anos at\u00e9 a sua morte, aos 65 anos, em Paris. Quando o SNI autorizou a sua volta, em 28\/9\/1973,\u00a0 Josu\u00e9 de Castro\u00a0j\u00e1 estava morto desde o dia 24. Somente vestido de caix\u00e3o, para lembrar os versos de Jo\u00e3o Cabral de Mello Neto sobre\u00a0os camponeses pernambucanos, os militares permitiram a sua volta. Mas\u00a0era um homem grande demais para caber em sete palmos de terra. Enquanto houver fome, latif\u00fandio e subdesenvolvimento, ele estar\u00e1 vivo entre todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>A morte do soci\u00f3logo da fome foi manchete nos jornais do Brasil, e nos principais jornais da Europa e Estados Unidos.\u00a0E Josu\u00e9 havia confidenciado aos amigos no ex\u00edlio parisiense, em 1973: \u201cN\u00e3o se morre s\u00f3 de enfarte, ou de glomero-nefrite cr\u00f4nica\u2026 morre-se tamb\u00e9m de saudade\u201d.<\/p>\n<p>Fonte: Tribuna da Imprensa<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div align=\"center\"><span style=\"color: #366092;\"><b><a target=\"_blank\">\u00a0<\/a><\/b><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Josu\u00e9 Apol\u00f4nio de Castro\u00a0nasceu em 5 de setembro de 1908, em Recife, e morreu em 24 de setembro de 1973, durante o seu ex\u00edlio em Paris. M\u00e9dico, ge\u00f3grafo, escritor, fil\u00f3sofo, soci\u00f3logo e pol\u00edtico. 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