{"id":19994,"date":"2013-09-30T09:37:36","date_gmt":"2013-09-30T12:37:36","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=19994"},"modified":"2013-09-30T09:37:36","modified_gmt":"2013-09-30T12:37:36","slug":"a-adolescencia-acaba-aos-25-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-adolescencia-acaba-aos-25-anos\/","title":{"rendered":"A adolesc\u00eancia acaba aos 25 anos?"},"content":{"rendered":"<p>Psic\u00f3logos brit\u00e2nicos especializados no tratamento de jovens est\u00e3o sendo orientados a considerar que hoje a adolesc\u00eancia vai at\u00e9 os 25 anos.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos nos tornando mais conscientes e valorizando o desenvolvimento que vai al\u00e9m (de 18 anos) e eu acho que \u00e9 uma boa iniciativa&#8221;, diz a psic\u00f3loga infantil Laverne Antrobus, da Cl\u00ednica Tavistock de Londres.<\/p>\n<p>&#8220;A ideia de que de repente aos 18 anos voc\u00ea \u00e9 adulto n\u00e3o parece real,&#8221; diz Antrobus.<\/p>\n<p>&#8220;Na minha experi\u00eancia com jovens eu percebi que mesmo depois dos 18 anos eles ainda precisam de muito apoio e ajuda.&#8221;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-19995\" alt=\"ImageProxy3\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/ImageProxy31-300x168.jpg\" width=\"300\" height=\"168\" \/><\/p>\n<p>Psic\u00f3logos infantis est\u00e3o trabalhando com uma nova faixa et\u00e1ria, que vai de 0 a 25 anos, e n\u00e3o mais de 0 a 18 anos.<br \/>\nDesenvolvimento cont\u00ednuo<\/p>\n<p>A ideia por tr\u00e1s da nova orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 ajudar a garantir que, ao completar 18 anos, os jovens possam usufruir do mesmo amparo e tratamento que vinham tendo dos sistemas p\u00fablicos de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a acompanha os desenvolvimentos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa compreens\u00e3o sobre maturidade emocional, desenvolvimento hormonal e atividades espec\u00edficas do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>&#8220;A neuroci\u00eancia tem feito esses enormes avan\u00e7os que mostram que o desenvolvimento n\u00e3o para em uma determinada idade, e que h\u00e1 evid\u00eancia de evolu\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro al\u00e9m dos vinte e poucos anos e que, na verdade, essa pausa no desenvolvimento acontece muito mais tarde do que pens\u00e1vamos&#8221;, diz Antrobus.<\/p>\n<p>Existem tr\u00eas fases da adolesc\u00eancia \u2014 a adolesc\u00eancia inicial, que vai dos 12 ao14 anos; a adolesc\u00eancia intermedi\u00e1ria, dos 15 ao17 anos; e adolesc\u00eancia final, dos 18 anos para cima.<\/p>\n<p>A neuroci\u00eancia tem mostrado que o desenvolvimento cognitivo de um jovem segue adiante neste \u00faltimo est\u00e1gio, e que sua maturidade emocional, autoimagem e julgamento ser\u00e3o afetados at\u00e9 o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal do c\u00e9rebro se desenvolver totalmente.<\/p>\n<p>Juntamente com o desenvolvimento do c\u00e9rebro, a atividade hormonal tamb\u00e9m continua at\u00e9 os vinte e poucos anos, diz Antrobus.<\/p>\n<p>&#8220;Eu encontro crian\u00e7as e jovens entre 16 e 18 anos com uma atividade hormonal t\u00e3o grande que \u00e9 imposs\u00edvel imaginar que esta v\u00e1 se estabelecer no momento em que completarem 18 anos&#8221;, diz Antrobus.<\/p>\n<p>Ela diz que alguns adolescentes podem querer ficar mais tempo com suas fam\u00edlias porque eles precisam de mais apoio durante esses anos de forma\u00e7\u00e3o, e que \u00e9 importante que os pais percebam que nem todos os jovens se desenvolvem no mesmo ritmo.<br \/>\nJovens infantilizados<\/p>\n<p>H\u00e1 algum ind\u00edcio de que poder\u00edamos estar criando uma na\u00e7\u00e3o de jovens que relutam em deixar a adolesc\u00eancia para tr\u00e1s?<\/p>\n<p>Programas de televis\u00e3o est\u00e3o repletos desses estere\u00f3tipos de jovens adultos que n\u00e3o querem assumir as responsabilidades da vida adulta.<\/p>\n<p>E h\u00e1 aqueles personagens que querem romper com seus pais ou respons\u00e1veis autorit\u00e1rios e super protetores e virar adultos, mas t\u00eam dificuldade em cortar os la\u00e7os familiares.<\/p>\n<p>Frank Furedi, professor de sociologia na Universidade de Kent, diz que temos jovens infantilizados e que isso levou a um n\u00famero crescente de homens e mulheres que aos vinte e poucos anos ainda vivem em casa.<\/p>\n<p>&#8220;Quest\u00f5es econ\u00f4micas s\u00e3o normalmente usadas como desculpa, mas na verdade n\u00e3o \u00e9 esse o real motivo&#8221;, disse Furedi.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma perda da aspira\u00e7\u00e3o por independ\u00eancia e um medo de viver sozinho. Na \u00e9poca em que fui para a faculdade, ser visto com os pais significava uma morte social, enquanto que hoje \u00e9 uma norma.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o temos hoje esse tipo de mudan\u00e7a cultural que significa, basicamente, que a adolesc\u00eancia se estende em seus vinte e tantos anos, e que isso pode prejudicar voc\u00ea de v\u00e1rias maneiras. Eu acho que o que a psicologia faz \u00e9, inadvertidamente, refor\u00e7ar esse tipo de passividade, impot\u00eancia e imaturidade e normaliza essa situa\u00e7\u00e3o. &#8221;<\/p>\n<p>A s\u00e9rie de TV americana &#8216;Girls&#8217; fala sobre as dificuldades do in\u00edcio da vida adulta<\/p>\n<p>Furedi diz que essa cultura infantilizada intensificou a sensa\u00e7\u00e3o de &#8220;depend\u00eancia passiva&#8221; que pode dificultar as rela\u00e7\u00f5es adultas.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 um crescente n\u00famero de adultos que est\u00e3o assistindo filmes infantis no cinema,&#8221; disse Furedi. &#8220;Se analisarmos os canais infantis de televis\u00e3o nos Estados Unidos, veremos que 25% da audi\u00eancia s\u00e3o adultos, e n\u00e3o crian\u00e7as.&#8221;<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o concorda que o mundo moderno seja mais dif\u00edcil para os jovens viverem.<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o acho que o mundo tenha se tornado mais cruel, mas a quest\u00e3o \u00e9 que temos protegido demais as nossas crian\u00e7as desde cedo. Quando elas t\u00eam 11, 12, 13 anos, n\u00e3o as deixamos sair sozinhos. Quando elas t\u00eam 14, 15 anos, nos metemos tanto na vida deles que os privamos de uma experi\u00eancia de vida real. Tratamos estudantes de universidade da mesma maneira que trat\u00e1vamos alunos de escola, e \u00e9 esse tipo de efeito cumulativo de infantiliza\u00e7\u00e3o que eu acho ser o respons\u00e1vel por isso.&#8221;<br \/>\nRito tradicional<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 que os pais devem realmente incentivar mais os adolescentes a tra\u00e7ar o seu pr\u00f3prio caminho no mundo? (BBC Brasil)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Psic\u00f3logos brit\u00e2nicos especializados no tratamento de jovens est\u00e3o sendo orientados a considerar que hoje a adolesc\u00eancia vai at\u00e9 os 25 anos. &#8220;Estamos nos tornando mais conscientes e valorizando o desenvolvimento que vai al\u00e9m (de 18 anos) e eu acho que \u00e9 uma boa iniciativa&#8221;, diz a psic\u00f3loga infantil Laverne Antrobus, da Cl\u00ednica Tavistock de Londres. 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