{"id":200094,"date":"2017-06-19T14:55:23","date_gmt":"2017-06-19T17:55:23","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=200094"},"modified":"2017-06-19T14:55:23","modified_gmt":"2017-06-19T17:55:23","slug":"sertanejo-e-ate-musica-eletronica-invadem-festas-juninas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/sertanejo-e-ate-musica-eletronica-invadem-festas-juninas\/","title":{"rendered":"Sertanejo e at\u00e9 m\u00fasica eletr\u00f4nica invadem festas juninas"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"blog-post-title\"><\/h2>\n<p><strong><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2017\/06\/17\/692498-970x600-1.jpeg\" alt=\"\" \/>Da Folha de S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto as fogueiras arderem em homenagem ao santo mais importante da tradi\u00e7\u00e3o nordestina, sanfona, tri\u00e2ngulo e zabumba estar\u00e3o em sil\u00eancio.<\/p>\n<p>No lugar do trio de forrozeiros, a &#8220;banda de um homem s\u00f3&#8221; comandar\u00e1 a festa de Caruaru (PE) em 24 de junho, dia de S\u00e3o Jo\u00e3o. Atr\u00e1s das suas pick-ups, o DJ Alok, com os seus beats eletr\u00f4nicos, ser\u00e1 a atra\u00e7\u00e3o principal da capital do forr\u00f3.<\/p>\n<p>A novidade tamb\u00e9m chegou em Concei\u00e7\u00e3o de Almeida (BA), cidade de 20 mil habitantes do rec\u00f4ncavo baiano. Sob bandeirinhas e bal\u00f5es coloridos, e mediante um cach\u00ea de R$ 180 mil, a cantora Anitta transformar\u00e1 o arraial em um baile funk carioca.<\/p>\n<p>A &#8220;invas\u00e3o&#8221; de ritmos sem familiaridade com os festejos juninos do Nordeste, incluindo o sertanejo universit\u00e1rio, vem mudando a cara do S\u00e3o Jo\u00e3o da regi\u00e3o. O que por d\u00e9cadas foi uma celebra\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es da zona rural, aos poucos est\u00e1 se tornando um festival de ritmos variados.<\/p>\n<p>A amea\u00e7a ao &#8220;S\u00e3o Jo\u00e3o raiz&#8221; provocou a rea\u00e7\u00e3o de artistas, produtores e admiradores da cultura que ganhou o mundo a partir do trabalho de Luiz Gonzaga (1912-1989). Com a hashtag #DevolvaMeuS\u00e3oJo\u00e3o, eles pedem, nas redes sociais, que xaxado e bai\u00e3o voltem a ser destaque.<\/p>\n<p>&#8220;A realidade \u00e9 que est\u00e3o silenciando os artistas e aos poucos acabando com a cultura do Nordeste&#8221;, diz Chambinho do Acordeon, que em 2016 deu vida a um sanfoneiro em &#8220;Velho Chico&#8221;, da Globo. O personagem se deparava com a falta de oportunidades nas festas de S\u00e3o Jo\u00e3o.<\/p>\n<p>O cantor J. Sobrinho sentiu na pele a perda de espa\u00e7o. Em 2016, depois de 23 anos de carreira, pela primeira vez n\u00e3o tocou sua sanfona na noite de S\u00e3o Jo\u00e3o de Feira de Santana (BA). &#8220;Fiz uma fogueira e fiquei em casa&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Com mais de 20 discos, o paraibano Fl\u00e1vio Jos\u00e9 tamb\u00e9m est\u00e1 vendo a agenda de shows minguar a cada ano. H\u00e1 pelo menos cinco, contabiliza o cantor, eram 25 apresenta\u00e7\u00f5es em todo o Nordeste -esse ano n\u00e3o passar\u00e3o de 15.<\/p>\n<p>Sertanejos chegam perto disso. No per\u00edodo entre 15 de junho e 5 de julho, ponto alto das festas, a goiana Mar\u00edlia Mendon\u00e7a far\u00e1 nove shows no Nordeste. O cantor Luan Santana far\u00e1 dez, mesmo n\u00famero de Maiara e Mara\u00edsa.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 um desequil\u00edbrio, a grade n\u00e3o pode ser 18 sertanejos e dois forrozeiros, porque n\u00e3o \u00e9 festa do pe\u00e3o, \u00e9 S\u00e3o Jo\u00e3o&#8221;, diz a cantora Elba Ramalho.<\/p>\n<p>Atra\u00e7\u00e3o principal da noite de S\u00e3o Jo\u00e3o em Campina Grande (PB), Mar\u00edlia Mendon\u00e7a rebateu: &#8220;Vai ter sertanejo no S\u00e3o Jo\u00e3o, sim&#8221;. A declara\u00e7\u00e3o dada durante um evento privado no Recife gerou um embate com os forrozeiros.<\/p>\n<p>A ciranda continuou com o cantor Alcymar Monteiro. Para ele, Mar\u00edlia &#8220;canta para cachaceiros e n\u00e3o tem autoridade para falar nada&#8221;. Procurada pela reportagem, Mar\u00edlia n\u00e3o retornou.<\/p>\n<p>Alcymar critica as prefeituras, respons\u00e1veis por organizar as festas. &#8220;Dinheiro de cultura \u00e9 para cultura. Infelizmente, os prefeitos se venderam a esse modelo econ\u00f4mico perverso que trata o forr\u00f3 como m\u00fasica de segunda.&#8221;<\/p>\n<p><strong>TRADI\u00c7\u00c3O E NEG\u00d3CIO<\/strong><\/p>\n<p>O S\u00e3o Jo\u00e3o se tornou ponto alto da economia das cidades do Nordeste. De maior ou menor porte, acontecem em quase todos munic\u00edpios da regi\u00e3o. As tradicionais s\u00e3o em Caruaru (PE) e Campina Grande (PB). Na Bahia, Amargosa, Cruz das Almas e Senhor do Bonfim dividem o reinado.<\/p>\n<p>A prefeitura de Caruaru estima que 2,5 milh\u00f5es de pessoas passem pelos 17 palcos onde acontecem mais de 400 apresenta\u00e7\u00f5es neste m\u00eas. Em Campina Grande, hot\u00e9is j\u00e1 est\u00e3o lotados e casas de moradores alugadas para atender a demanda dos turistas.<\/p>\n<p>Diante da propor\u00e7\u00e3o que as festas ganharam, as prefeituras defendem a conviv\u00eancia de atra\u00e7\u00f5es tradicionais com outros artistas. O objetivo, segundo os gestores, \u00e9 atrair patrocinadores e garantir a sustentabilidade do S\u00e3o Jo\u00e3o, que chega a custar R$ 12 milh\u00f5es por cidade.<\/p>\n<p>&#8220;Precisamos ter atra\u00e7\u00f5es de sucesso que atraiam mais p\u00fablico e garantam o retorno financeiro. No final, s\u00e3o os grandes artistas que acabam bancando os pequenos&#8221;, disse o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB).<\/p>\n<p>Presidente da Funda\u00e7\u00e3o de Cultura de Caruaru (PE), L\u00facio Omena diz que, dos 400 artistas na programa\u00e7\u00e3o do S\u00e3o Jo\u00e3o, 75% s\u00e3o locais. Ele defende, por\u00e9m, que a cidade abrace outros ritmos. &#8220;A gente n\u00e3o pode ser inquisidor&#8221;, diz. Ele conta ter negociado com o DJ Alok para que parte de sua apresenta\u00e7\u00e3o seja com m\u00fasicas de forr\u00f3.<\/p>\n<p>O setor hoteleiro tamb\u00e9m defende o formato &#8220;festival de ritmos variados&#8221; para o S\u00e3o Jo\u00e3o e comemora os bons n\u00fameros em plena crise. Os hot\u00e9is de Pernambuco registram quase 90% de lota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;As atra\u00e7\u00f5es de renome nacional ajudam o setor. O jovem vem para assistir aos shows e os pais o acompanham&#8221;, observa Eduardo Cavalcanti, vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Hot\u00e9is em Pernambuco.<\/p>\n<p><strong>LEI LUIZ GONZAGA<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto a discuss\u00e3o perdura, um grupo de artistas prepara um projeto de lei que ser\u00e1 levado ao Congresso ainda este ano. A proposta, batizada de Lei Luiz Gonzaga, \u00e9 que munic\u00edpios e Estados que n\u00e3o priorizarem os artistas regionais no per\u00edodo junino n\u00e3o recebam verba federal.<\/p>\n<p>Uma lei semelhante, chamada &#8220;Lei da Zabumba&#8221;, foi aprovada na Bahia em 2016, prevendo que pelo menos 60% dos recursos estaduais sejam usados com artistas locais. O efeito pr\u00e1tico, contudo, se revelou limitado.<\/p>\n<p>A lei vale s\u00f3 para recursos aplicados diretamente pelo Estado, n\u00e3o se aplica aos conv\u00eanios com munic\u00edpios, para onde vai o grosso da verba. Para Paulo Vanderley Tomaz, que h\u00e1 20 anos pesquisa o legado de Luiz Gonzaga, a lei \u00e9 uma iniciativa v\u00e1lida. Mas o fundamental \u00e9 que os gestores que organizam o S\u00e3o Jo\u00e3o saibam valorizar o forr\u00f3 e as tradi\u00e7\u00f5es juninas.<\/p>\n<p>&#8220;Sem essa consci\u00eancia, estaremos condenados a perder nossa cultura&#8221;, diz. Seria um passo atr\u00e1s. Ou como se diz na quadrilha junina: anarri\u00ea.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alcymar critica as prefeituras, respons\u00e1veis por organizar as festas. &#8220;Dinheiro de cultura \u00e9 para cultura. 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