{"id":20092,"date":"2013-09-30T16:00:44","date_gmt":"2013-09-30T19:00:44","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=20092"},"modified":"2013-09-30T13:14:54","modified_gmt":"2013-09-30T16:14:54","slug":"o-catar-e-a-escravidao-moderna-na-copa-de-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-catar-e-a-escravidao-moderna-na-copa-de-2022\/","title":{"rendered":"O Catar e a escravid\u00e3o moderna na Copa de 2022"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-20093\" alt=\"estadio-catar\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/estadio-catar-300x203.jpg\" width=\"300\" height=\"203\" \/><\/p>\n<p>O Catar, sede da Copa do Mundo de futebol de 2022, voltou a ser alvo de cr\u00edticas devido ao mundial da Fifa. Ap\u00f3s a revistaFrance Football, tradicional publica\u00e7\u00e3o esportiva francesa, afirmar em janeiro deste ano que o pa\u00eds comprou o direito de hospedar o evento esportivo, a Confedera\u00e7\u00e3o Sindical Internacional (ITUC, sigla em ingl\u00eas) denunciou nesta semana que mais de 4 mil trabalhadores podem morrer no Catar antes mesmo de a competi\u00e7\u00e3o come\u00e7ar, devido a prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>No pa\u00eds, dono da maior renda per capita do mundo, \u00e9 comum que empresas relacionadas a obras da Copa &#8211; e outras constru\u00e7\u00f5es em geral &#8211; n\u00e3o respeitem leis trabalhistas internacionais, como as que estipulam a carga hor\u00e1ria di\u00e1ria do funcion\u00e1rio e o uso de equipamentos de seguran\u00e7a. Com as regras de lado, acumulam-se casos de acidentes no setor de constru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e de mortes de trabalhadores, em sua grande maioria imigrantes de pa\u00edses pobres da \u00c1sia e da \u00c1frica.<\/p>\n<p>Segundo a Confedera\u00e7\u00e3o Sindical Internacional, que representa representa 178 milh\u00f5es de filiados em 156 pa\u00edses, o n\u00famero de trabalhadores imigrantes mortos no Catar chega a 400 por ano. A maioria deles vem do Nepal e \u00cdndia, em meio a uma popula\u00e7\u00e3o de 1,2 milh\u00e3o de funcion\u00e1rios estrangeiros no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em uma carta aberta, Sharan Burrow, secret\u00e1ria-geral da Confedera\u00e7\u00e3o, destacou que as autoridades do Catar esperam trazer at\u00e9 mais 1 milh\u00e3o de trabalhadores estrangeiros para concluir toda a infraestrutura necess\u00e1ria \u00e0 Copa. Mas se n\u00e3o houver reformas trabalhistas, o n\u00famero de mortes aumentar\u00e1 concomitantemente \u00e0 quantidade de novos trabalhadores. &#8220;Mais de 4 mil vidas de trabalhadores correm risco nos pr\u00f3ximos sete anos conforme a constru\u00e7\u00e3o das obras da Copa do Mundo comece, se nada for feito para dar direitos trabalhistas aos imigrantes&#8221;, disse Burrow.<\/p>\n<p>Segundo a sindicalista, ap\u00f3s dois anos de conversas com a Fifa e o Catar nada foi feito para mudar o cen\u00e1rio no pa\u00eds que tem n\u00edvel de fatalidades no setor de constru\u00e7\u00e3o oito vezes maior que o registrado em pa\u00edses ricos. A carta ainda pede que o governo do Catar assuma a responsabilidade pelos trabalhadores imigrantes, associando-se a empresas de recrutamento respons\u00e1veis para garantir uma escolha \u00e9tica de funcion\u00e1rios para as obras da Copa.<\/p>\n<p>O Catar, destaca a ONG, n\u00e3o coleta ou publica dados relacionados a morte ou ferimentos de imigrantes.<\/p>\n<p>Os casos de viola\u00e7\u00f5es trabalhistas no pa\u00eds ganharam grande destaque nesta semana, ap\u00f3s uma reportagem do jornal brit\u00e2nico The Guardian revelar dezenas de casos de imigrantes em condi\u00e7\u00f5es de escravid\u00e3o moderna nos canteiros de obras da Copa. Segundo as apura\u00e7\u00f5es, ao menos 44 nepaleses morreram entre 4 de junho e 8 de agosto deste ano, cerca de 50% deles em acidentes de trabalho ou por problemas no cora\u00e7\u00e3o, acredita-se, causados pelas p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e pelo calor que costuma chegar a 50 graus no ver\u00e3o. Muitos eram jovens com cerca de 20 anos.<\/p>\n<p>A reportagem do jornal colheu relatos de imigrantes obrigados a trabalhar no calor elevado, pessoas com sal\u00e1rios retidos por diversos meses e passaportes presos para que n\u00e3o pudessem fugir. Al\u00e9m disso, eles n\u00e3o teriam acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel gratuita e muitos passavam fome.<\/p>\n<p>As fatalidades tamb\u00e9m atingem os indianos: ao menos 82 morreram nos primeiros cinco meses do ano. Entre 2010 e 2012, foram mais de 700.<\/p>\n<p>Com as den\u00fancias, a organiza\u00e7\u00e3o da Copa no Catar se disse preocupada com os casos de escravid\u00e3o moderna, mas ressaltou que a constru\u00e7\u00e3o dos est\u00e1dios ainda n\u00e3o come\u00e7ou. As obras com irregularidades, no entanto, fazem parte dos projetos de infraestrutura para o mundial. A Fifa comentou apenas que vai contatar a organiza\u00e7\u00e3o do evento para discutir as den\u00fancias do jornal. (Carta Capital)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Catar, sede da Copa do Mundo de futebol de 2022, voltou a ser alvo de cr\u00edticas devido ao mundial da Fifa. 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