{"id":202175,"date":"2017-07-02T04:50:49","date_gmt":"2017-07-02T07:50:49","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=202175"},"modified":"2017-07-02T04:50:49","modified_gmt":"2017-07-02T07:50:49","slug":"estudantes-de-classe-media-vao-escola-publica-por-economia-e-para-sair-da-bolha-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/estudantes-de-classe-media-vao-escola-publica-por-economia-e-para-sair-da-bolha-social\/","title":{"rendered":"Estudantes de classe m\u00e9dia v\u00e3o \u00e0 escola p\u00fablica por economia e para sair da \u201cbolha\u201d social"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Busca por ambiente mais diverso faz fam\u00edlias de classe m\u00e9dia desistirem da rede privada<\/em><\/h2>\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Em SP, o n\u00famero de alunos que migrou para a rede p\u00fablica aumentou em 25% em cinco anos<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div class=\"compartir-varios\"><\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Talita Bedinelli\" href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/talita_bedinelli\/a\/\">TALITA BEDINELLI<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/06\/23\/politica\/1498232692_929257_1498244738_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/06\/23\/politica\/1498232692_929257_1498244738_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/06\/23\/politica\/1498232692_929257_1498244738_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/06\/23\/politica\/1498232692_929257_1498244738_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Pedro Nakawaga, de 15 anos, sempre estudou em escolas particulares, mas mudou para um col\u00e9gio p\u00fablico neste ano.  rn \" width=\"980\" height=\"605\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Pedro Nakawaga, de 15 anos, sempre estudou em escolas particulares, mas mudou para um col\u00e9gio p\u00fablico neste ano.\u00a0<\/span><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">FERNANDO CAVALCANTI<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<section id=\"sumario_1|apoyos\" class=\"sumario_apoyos izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\"><\/div>\n<\/section>\n<p><span class=\"st\">&#8220;\u00c9 preciso diminuir a dist\u00e2ncia entre o que se diz e o que se faz, at\u00e9 que num dado momento a tua fala seja a tua pr\u00e1tica&#8221;. Foi a frase do educador Paulo Freire que guiou a escolha da artista pl\u00e1stica Anne Rammi, de 37 anos, em meados do ano passado. Ativista, militante pela\u00a0<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/educacion\/a\">educa\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0e defensora da democracia e da igualdade, como se define, ela se pegou vivendo uma incoer\u00eancia: seus filhos viviam na &#8220;bolha da escola particular&#8221;, onde n\u00e3o conviviam com qualquer diversidade, num ambiente completamente desigual ao da maioria das crian\u00e7as brasileiras. &#8220;Como posso ter um discurso de somos todos iguais enquanto estou comprando o acesso dos meus filhos \u00e0 educa\u00e7\u00e3o?&#8221;, questionou-se. E o pagamento n\u00e3o era barato: cerca de 2.000 reais por cabe\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p>Em meio a essa reflex\u00e3o, a fam\u00edlia matriculou Joaquim, 7 anos, e Tom\u00e1s, de 5, na rede p\u00fablica. E aguarda uma vaga desde setembro para a pequena Iolanda, de um ano. O mesmo fez a renomada chef Bel Coelho, 37 anos. Dona de um restaurante na Vila Madalena, zona oeste de S\u00e3o Paulo, ela matriculou o filho Francisco, de tr\u00eas anos, em uma escola municipal por acreditar que l\u00e1 ele seria educado em um ambiente mais diverso e inclusivo, mais pr\u00f3ximo da realidade do pa\u00eds. &#8220;Eu queria que meu filho tivesse uma exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade diferente da que as escolas particulares promovem. Queria que ele convivesse com negros, brancos e com pessoas de distintas classes sociais&#8221;, explica ela, que se diz chocada ao lembrar que ao longo da sua vida escolar em tradicionais institui\u00e7\u00f5es privadas nunca teve um colega negro na sala.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<section id=\"sumario_3|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/06\/23\/politica\/1498232692_929257_1498252818_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/06\/23\/politica\/1498232692_929257_1498252818_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/06\/23\/politica\/1498232692_929257_1498252818_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"A chef de cozinha Bel Coelho e o filho Francisco.\" width=\"360\" height=\"240\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">A chef de cozinha Bel Coelho e o filho Francisco.<\/span><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">ARQUIVO PESSOAL<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Nos corredores da rede p\u00fablica, essas fam\u00edlias t\u00eam encontrado mais pais de classe m\u00e9dia que tomaram a mesma decis\u00e3o. Do final do ano passado para o in\u00edcio deste ano, 220.767 estudantes matriculados na rede estadual de S\u00e3o Paulo vieram da rede privada, um n\u00famero 25,8% maior do que os que fizeram a mudan\u00e7a h\u00e1 cinco anos (175.404). Alguns sa\u00edram por pura ideologia. Outros, tamb\u00e9m pela dificuldade de, em plena crise econ\u00f4mica, pagar mensalidades que podem beirar os 5.000 reais, especialmente quando a escola aparece no topo das melhores do Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (ENEM).<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Foi o que aconteceu com a empres\u00e1ria Gabriela Nakawaga, que no ano passado se viu obrigada a mudar radicalmente o estilo de vida da fam\u00edlia. Em meio \u00e0 maior recess\u00e3o econ\u00f4mica das \u00faltimas d\u00e9cadas, a empres\u00e1ria teve que fechar as portas de uma consultoria de neg\u00f3cios que empregava mais de cem funcion\u00e1rios e rever as contas de casa. A mensalidade da institui\u00e7\u00e3o de ensino progressista de S\u00e3o Paulo, na zona sul da cidade, em que estudava o filho\u00a0do filho Pedro, 15, era um dos gastos que mais pesava: 3.500 reais. Gabriela come\u00e7ou ent\u00e3o a procurar op\u00e7\u00f5es de escolas mais baratas, que se adequassem a seu or\u00e7amento. \u201cFoi quando percebi que muitas delas ensinam de forma desconectada com o mundo que vivemos. Por isso comecei a pensar na op\u00e7\u00e3o de uma escola p\u00fablica, onde meu filho estaria mais em contato com a realidade\u201d, explica.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Assim, Pedro saiu da Escola M\u00f3bile e foi para o col\u00e9gio estadual Aristides Castro. A decis\u00e3o de o foi bem aceita pelo garoto, mas causou estranhamento em algumas amigas da empres\u00e1ria, principalmente m\u00e3es de alunos de escolas particulares. \u201cMuita gente ficou com medo da quest\u00e3o da viol\u00eancia e das drogas, mas isso \u00e9 um preconceito, j\u00e1 que essas quest\u00f5es tamb\u00e9m est\u00e3o inseridas nos col\u00e9gios particulares\u201d. Ela ressalta que a escola em que o filho estuda fica localizada em um bairro nobre da cidade, o que a tranquiliza em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es de seguran\u00e7a. Ressalta, no entanto, que acredita que se ele estudasse em um col\u00e9gio estadual da periferia, a seguran\u00e7a poderia ser um problema.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/06\/23\/politica\/1498232692_929257_1498247164_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/06\/23\/politica\/1498232692_929257_1498247164_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/06\/23\/politica\/1498232692_929257_1498247164_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Helena Monteleone migrou para um col\u00e9gio p\u00fablico neste ano.\" width=\"360\" height=\"240\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Helena Monteleone migrou para um col\u00e9gio p\u00fablico neste ano.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p dir=\"ltr\">Outras pessoas tamb\u00e9m a questionaram sobre a qualidade de ensino das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Ap\u00f3s seis meses, entretanto, Gabriela est\u00e1 contente com a escolha, mas admite que tanto ela como o filho precisam lidar com uma estrutura escolar muito diferente da que estavam acostumados. &#8220;A turma tem um nivelamento muito heterog\u00eaneo, h\u00e1 uma discrep\u00e2ncia entre os alunos, alguns t\u00eam um desempenho bem fraco. Existe uma defici\u00eancia grande em termos de leitura. At\u00e9 agora, a escola n\u00e3o pediu a leitura de nenhum livro. Se fosse no col\u00e9gio anterior, o Pedro j\u00e1 teria obrigatoriamente lido uns cinco livros&#8221;, conta a empres\u00e1ria que se surpreendeu negativamente com o tamanho da biblioteca da escola. Al\u00e9m disso, outros pais tamb\u00e9m relatam problemas com os banheiros que, em muitos casos, est\u00e3o mal cuidados sem o assento das privadas e papel higi\u00eanico. Pedro est\u00e1 indo muito bem na escola e os professores o escolheram como monitor de sala nas aulas de matem\u00e1tica, portugu\u00eas e ingl\u00eas. Com isso, ele ajuda outros colegas com mais dificuldades nas mat\u00e9rias.<\/p>\n<h3 dir=\"ltr\">Preconceito<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">Luciano Mendes de Faria Filho, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenador do projeto\u00a0<a href=\"http:\/\/www.pensaraeducacao.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pensar a Educa\u00e7\u00e3o, Pensar o Brasil<\/a>, acredita que h\u00e1 um estigma de m\u00e1 qualidade que acompanha a rede p\u00fablica h\u00e1 d\u00e9cadas e que essa imagem n\u00e3o reflete, necessariamente, a realidade. \u201cQuando a imprensa falava de escola p\u00fablica na d\u00e9cada passada, falava de viol\u00eancia\u201d, afirma ele, que ressalta que a rede melhorou significativamente nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, com melhor qualidade no material did\u00e1tico e na forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dia dos professores. \u201cA grande quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a qualidade da escola p\u00fablica, mas a desigualdade social. \u00c9 a origem social dos alunos da rede p\u00fablica que faz a diferen\u00e7a no aprendizado. N\u00e3o \u00e9 a escola privada que \u00e9 melhor, mas o fato de que ela trabalha com os 10% mais ricos, com fam\u00edlias escolarizadas h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es\u201d, ressalta o professor.<\/p>\n<section id=\"sumario_4|html\" class=\"sumario_html izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<blockquote>\n<p class=\"texto_grande\"><em>N\u00e3o \u00e9 a escola privada que \u00e9 melhor, mas o fato que ela trabalha com os 10% mais ricos, com fam\u00edlias escolarizadas h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"autor_cita\">LUCIANO MENDES DE FARIA FILHO, PROFESSOR DA UFMG\u00a0 E COORDENADOR DO PROJETO PENSAR A EDUCA\u00c7\u00c3O, PENSAR O BRASIL,<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>\u201cBoa parte dos alunos da rede p\u00fablica que hoje est\u00e3o no ensino m\u00e9dio, n\u00e3o tiveram pais que frequentaram essa etapa do ensino e fica mais dif\u00edcil para eles discutirem e negociarem com os professores. Por isso \u00e9 fundamental que as camadas m\u00e9dias estejam na rede p\u00fablica. Estes pais est\u00e3o escolarizados h\u00e1 mais tempo, dominam o discurso da escola e podem interagir com mais qualidade com os pr\u00f3prios professores e exigir mais\u201d, diz o especialista.<\/p>\n<h3>Maior participa\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>A escolha da classe m\u00e9dia pela rede p\u00fablica, ainda que n\u00e3o seja representada por n\u00fameros massivos nos Censos Escolar, geralmente vem acompanhada de um impulso por uma maior participa\u00e7\u00e3o. A chef Bel Coelho, por exemplo, passou a acompanhar o que Francisco comia na hora do almo\u00e7o e resolveu dar algumas sugest\u00f5es para melhorar o card\u00e1pio da merenda. &#8220;Dei aula de culin\u00e1ria \u00e0s merendeiras utilizando os produtos que elas j\u00e1 costumam usar e acrescentei peixe tamb\u00e9m. A sugest\u00e3o de peixe j\u00e1 era da pr\u00f3pria prefeitura, mas consegui voltar nesta escola com a pr\u00e1tica de servi-lo pelo menos uma vez por semana&#8221;, conta. Ela tamb\u00e9m chegou a doar papel higi\u00eanico e material escolar para a institui\u00e7\u00e3o. &#8220;N\u00e3o tem como melhorar o sistema p\u00fablico se a gente n\u00e3o usar. A milit\u00e2ncia tamb\u00e9m precisa ser um papel da classe m\u00e9dia&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A jornalista e empreendedora social Cintia Rodrigues, de 36 anos, decidiu, mesmo antes de engravidar, que matricularia os futuros filhos na rede p\u00fablica. Em sua trajet\u00f3ria como rep\u00f3rter, cobriu por muitos anos a \u00e1rea e via essa melhoria citada pelo professor da UFMG acontecendo. \u201cOs espa\u00e7os de muitas escolas infantis p\u00fablicas s\u00e3o enormes, com p\u00e1tios com \u00e1rvores, parquinhos. E isso tem muito a ver com a concep\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica na qual acredito: nessa idade, pra mim, \u00e9 mais importante para a crian\u00e7a correr, ter movimento, brincar. E nas particulares \u00e9 muito comum a alfabetiza\u00e7\u00e3o precoce, com aulas de ingl\u00eas desde cedo\u201d, explica. Os g\u00eameos Heitor e L\u00e9o, de quatro anos, j\u00e1 passaram por tr\u00eas escolas municipais e, em todas, Cintia se envolveu no dia a dia da escola, fazendo parte do conselho escolar, formado por professores e pais, em paridade. Tamb\u00e9m criou um projeto, o\u00a0<a href=\"http:\/\/queronaescola.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quero na Escola!<\/a>, que une volunt\u00e1rios a pedidos de estudantes da rede p\u00fablica, como palestras sobre racismo e feminismo e aulas de f\u00edsica qu\u00e2ntica.<\/p>\n<section id=\"sumario_5|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/06\/23\/politica\/1498232692_929257_1498263112_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/06\/23\/politica\/1498232692_929257_1498263112_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/06\/23\/politica\/1498232692_929257_1498263112_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Anne e os filhos Joaquim, 7, Tom\u00e1s, 5, Iolanda, 1 ano.\" width=\"360\" height=\"270\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Anne e os filhos Joaquim, 7, Tom\u00e1s, 5, Iolanda, 1 ano.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>A op\u00e7\u00e3o de migrar para a escola p\u00fablica tamb\u00e9m pode partir de um pedido dos pr\u00f3prios alunos. Ap\u00f3s anos estudando em uma mesma escola particular, Helena Monteleone, de 15 anos, sentiu a necessidade de vivenciar um novo ambiente escolar. &#8220;Ela queria um col\u00e9gio grande, com pessoas diferentes. Quando houve o movimento de ocupa\u00e7\u00e3o dos secundaristas, ela chegou a visitar uma\u00a0<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/movimiento_ocupa_escola\/a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">escola que estava ocupada<\/a>. Acho que a semente da mudan\u00e7a aconteceu nessa \u00e9poca&#8221;, conta a m\u00e3e de Helena, a historiadora Joana Monteleone. As duas conversaram bastante sobre o tema at\u00e9 chegar \u00e0 conclus\u00e3o que um col\u00e9gio estadual seria a melhor op\u00e7\u00e3o. Sem o peso da mensalidade, a m\u00e3e vai investir o dinheiro em um interc\u00e2mbio que Helena far\u00e1 no pr\u00f3ximo ano para a Inglaterra.\u00a0 &#8220;Claro que tive que me despir de mil preconceitos e rever meus pensamentos sobre escola e sobre aprender. Mas me surpreendi positivamente com o material did\u00e1tico. Era muito melhor do que ela estava acostumada e os professores parecem mais empenhados&#8221;, explica. Na vis\u00e3o da historiadora, a rela\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3prio corpo docente \u00e9 diferente, j\u00e1 que o professor n\u00e3o \u00e9 visto como um funcion\u00e1rio do aluno ou dos pais. Helena saiu do col\u00e9gio particular S\u00e3o Domingos e foi para a escola estadual Zuleika de Barros Martins Ferreira, ambos na zona oeste da capital.<\/p>\n<p><span id=\":hk.co\" class=\"tL8wMe EMoHub\" dir=\"ltr\">Ainda que a escola p\u00fablica esteja longe de um padr\u00e3o de qualidade exemplar e que a realidade enfrentada pela classe m\u00e9dia na rede p\u00fablica seja bastante distinta da dos alunos de periferia, na vis\u00e3o do professor da UFMG a diversidade nas escolas \u00e9 fundamental. \u201c\u00c9 um cen\u00e1rio em que ambos ganham, pois se retira o aluno de classe m\u00e9dia de uma\u00a0<em>socializa\u00e7\u00e3o de shopping<\/em>, de um gueto em que ele s\u00f3 convive com seu umbigo, com seu pr\u00f3ximo. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds muito diverso. \u00c9 fundamental que a gente possa fazer um pa\u00eds em que cada vez menos a diversidade se desdobre em desigualdade&#8221;.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Busca por ambiente mais diverso faz fam\u00edlias de classe m\u00e9dia desistirem da rede privada<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":202176,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1175,6],"tags":[],"class_list":["post-202175","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/estudante.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/202175","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=202175"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/202175\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/202176"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=202175"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=202175"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=202175"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}