{"id":202334,"date":"2017-07-03T08:21:54","date_gmt":"2017-07-03T11:21:54","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=202334"},"modified":"2017-07-03T08:21:54","modified_gmt":"2017-07-03T11:21:54","slug":"terrivel-e-maravilhosa-saga-da-arvore-australiana-que-encontrou-o-habitat-perfeito-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/terrivel-e-maravilhosa-saga-da-arvore-australiana-que-encontrou-o-habitat-perfeito-no-brasil\/","title":{"rendered":"&#8216;Terr\u00edvel&#8217; e &#8216;maravilhosa&#8217;: a saga da \u00e1rvore australiana que encontrou o habitat perfeito no Brasil"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__name\">Jo\u00e3o Fellet\u00a0<\/span><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\"><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/DF88\/production\/_96742275_wikimedia_commons_eucalipto_californiano.png\" alt=\"Eucalipto californiano\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Conhecido como invasor por uns e vers\u00e1til por outros, eucalipto tem muitos usos comerciais<\/span><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">Para alguns, ele \u00e9 perigoso e deve ser tratado como um invasor. Para outros, um exemplo de versatilidade e resili\u00eancia.<\/p>\n<p>Acusado de facilitar a propaga\u00e7\u00e3o do inc\u00eandio que causou 64 mortes em Portugal neste m\u00eas, o eucalipto desperta paix\u00f5es desde que deixou a Austr\u00e1lia para se tornar uma das \u00e1rvores mais (im)populares do mundo.<\/p>\n<p>Criticada por ambientalistas e temida por guardas florestais, a planta \u00e9 ao mesmo tempo exaltada por suas crescentes aplica\u00e7\u00f5es comerciais, que v\u00e3o da medicina popular \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de tecidos.<\/p>\n<p>No Brasil, onde encontrou habitat ainda mais favor\u00e1vel que o de sua terra natal, a \u00e1rvore j\u00e1 ocupa \u00e1rea equivalente a quase tr\u00eas Estados de Alagoas &#8211; e continua a se expandir.<\/p>\n<p><strong>Grandes navega\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Os portugueses foram o primeiro povo ocidental a conhecer o eucalipto, desde que exploradores lusos chegaram no s\u00e9culo 16 a Timor-Leste, no Sudeste Asi\u00e1tico. O territ\u00f3rio abriga tr\u00eas esp\u00e9cies nativas desse g\u00eanero de plantas.<\/p>\n<p>Mas as \u00e1rvores s\u00f3 se popularizaram no Ocidente alguns s\u00e9culos depois, durante a coloniza\u00e7\u00e3o da Austr\u00e1lia, origem de cerca de 700 tipos de eucaliptos.<\/p>\n<p>Ao longo de v\u00e1rios milh\u00f5es de anos, a \u00e1rvore se adaptou tanto \u00e0 Austr\u00e1lia que se tornou dominante em quase todos os biomas do pa\u00eds &#8211; e inc\u00eandios tiveram um papel central nesse processo.<\/p>\n<p>V\u00e1rias esp\u00e9cies de eucaliptos produzem \u00f3leos inflam\u00e1veis e trocam casca, galhos e folhas com frequ\u00eancia. O ac\u00famulo desse material ao p\u00e9 das \u00e1rvores facilita a propaga\u00e7\u00e3o de inc\u00eandios.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17BC8\/production\/_96742279_eucalipto_embrapa.jpg\" alt=\"Floresta de eucaliptos\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">No Brasil, eucaliptos j\u00e1 ocupam \u00e1rea equivalente a tr\u00eas Estados de Alagoas<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Quando as chamas alcan\u00e7am o tronco, sobem at\u00e9 os galhos mais altos, formando grandes bolas de fogo. O calor pode fazer com que a \u00e1rvore exploda, lan\u00e7ando labaredas em m\u00faltiplas dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que inc\u00eandios em \u00e1reas com muitos eucaliptos &#8211; como os ocorridos em Portugal neste m\u00eas &#8211; s\u00e3o t\u00e3o destrutivos e dif\u00edceis de conter. E \u00e9 por isso que, na Austr\u00e1lia, uma das esp\u00e9cies mais comuns do g\u00eanero \u00e9 tamb\u00e9m chamada de &#8220;\u00e1rvore-gasolina&#8221;.<\/p>\n<p>O fogo num eucaliptal pode destruir tudo, inclusive os eucaliptos, mas n\u00e3o as sementes dessas \u00e1rvores, que s\u00e3o as primeiras a germinar quando a chama se apaga.<\/p>\n<p>As mudas rapidamente substituem os eucaliptos mortos e ocupam tamb\u00e9m o espa\u00e7o de outras esp\u00e9cies queimadas.<\/p>\n<p><strong>Viagem pelo Pac\u00edfico<\/strong><\/p>\n<p>A adaptabilidade e o r\u00e1pido crescimento do eucalipto chamaram a aten\u00e7\u00e3o de colonos da Calif\u00f3rnia, que a plantaram em larga escala a partir do s\u00e9culo 19 para fornecer madeira para as cidades em expans\u00e3o.<\/p>\n<p>At\u00e9 que, nos anos 1980, um besouro australiano cruzou o Pac\u00edfico e passou a parasitar os eucaliptais californianos. Sem predadores naturais do outro lado do oceano, as larvas do besouro devoravam rapidamente os troncos das \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Uma das hip\u00f3teses \u00e9 que o inseto tenha chegado aos EUA em toras de madeira importadas.<\/p>\n<p>Pesquisadores americanos, ent\u00e3o, buscaram na Austr\u00e1lia uma vespa min\u00fascula que parasitava os ovos do besouro. A praga foi controlada, embora eucaliptais californianos sigam vulner\u00e1veis a ataques &#8211; agora conduzidos por humanos.<\/p>\n<p>Vilanizada por ocupar o espa\u00e7o de plantas nativas e de ser hostil \u00e0 fauna local, a \u00e1rvore vem sendo erradicada de partes do Estado por \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>&#8220;Eucaliptos s\u00e3o terr\u00edveis&#8221;, disse um morador ao jornal Santa Cruz Sentinel numa reportagem sobre os transtornos gerados pela queda das \u00e1rvores, em 1996.<\/p>\n<p>&#8220;Eles s\u00e3o um perigo em inc\u00eandios, eles s\u00e3o um perigo quando chove, e eles expulsam \u00e1rvores locais.&#8221;<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de extirp\u00e1-los do Estado, por\u00e9m, n\u00e3o agradou a todos, e alguns acusaram os detratores dos eucaliptos de &#8220;xenofobia vegetal&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/AAEB\/production\/_96755734_hi040183850.jpg\" alt=\"Inc\u00eandio em Portugal\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Acusado de facilitar inc\u00eandio em Portugal, eucaplito \u00e9 uma das \u00e1rvores mais impopulares do mundo<\/span><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Inc\u00eandios mort\u00edferos<\/h2>\n<p>Apesar das ofensivas, o eucalipto sobreviveu na Calif\u00f3rnia, onde tamb\u00e9m protagonizou grandes inc\u00eandios. Em 1991, 25 pessoas morreram e 3 mil casas foram destru\u00eddas quando as chamas se espalharam por eucaliptais no sub\u00farbio de Oakland.<\/p>\n<p>Na Austr\u00e1lia, numa das maiores trag\u00e9dias do tipo da hist\u00f3ria, uma sequ\u00eancia de inc\u00eandios no Estado de Victoria deixou 173 mortos, em 2009.<\/p>\n<p>Mas nem sempre esses fen\u00f4menos foram t\u00e3o mort\u00edferos na terra m\u00e3e dos eucaliptos, segundo o historiador Bill Gammage, da Universidade Nacional da Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>Em 2012, Gammage foi premiado pelo governo australiano por um livro em que analisou pinturas da \u00e9poca da chegada dos europeus ao pa\u00eds. O historiador notou que raramente as imagens mostravam \u00e1reas muito extensas de floresta cont\u00ednua &#8211; costumava haver espa\u00e7os vazios, com vegeta\u00e7\u00e3o rasteira, entre os trechos de mata densa.<\/p>\n<p>Os povos abor\u00edgenes, que na \u00e9poca ainda se espalhavam por grande parte da Austr\u00e1lia, haviam moldado aqueles territ\u00f3rios. Ao criar clareiras nas matas, buscavam atrair animais que comiam plantas rasteiras para ca\u00e7\u00e1-los.<\/p>\n<p>Gammage percebeu ainda que as florestas daquela \u00e9poca intercalavam trechos de plantas jovens e outros de \u00e1rvores mais antigas. A diferen\u00e7a se devia ao fogo: as \u00e1rvores novas brotavam em \u00e1reas que haviam queimado n\u00e3o muito tempo antes.<\/p>\n<p>Os abor\u00edgenes, diz Gammage, usavam fogos controlados para abrir as clareiras e gerir o desenvolvimento da floresta. Quando notavam que o tapete formado por galhos e folhas secas come\u00e7ava a engrossar, ateavam fogo na mata.<\/p>\n<p>Assim, diz o historiador, eles for\u00e7avam os animais a fugir, indo de encontro aos ca\u00e7adores. E assim controlavam a quantidade de combust\u00edvel acumulado em qualquer ponto da floresta, impedindo a forma\u00e7\u00e3o de inc\u00eandios que escapassem do controle.<\/p>\n<p>Para os abor\u00edgenes, a maior arma contra o fogo era o pr\u00f3prio fogo.<\/p>\n<p>O historiador concluiu que, antes da chegada dos europeus, a Austr\u00e1lia era um imenso jardim abor\u00edgene &#8211; e n\u00e3o um territ\u00f3rio livre de interfer\u00eancias humanas, como muitos acreditam.<\/p>\n<p>Hoje, em v\u00e1rios dos lugares retratados pelos primeiros exploradores europeus, Gammage diz que h\u00e1 florestas fechadas e uniformes, plantadas ou naturais. V\u00e1rias clareiras sumiram, e os inc\u00eandios se tornaram mais perigosos.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/60B3\/production\/_96755742_eucalyptus_sherbrooke_forest_victoria_220rs.jpg\" alt=\"Sherbrooke Forest, nos Estados Unidos\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">No Brasil, planta\u00e7\u00f5es de eucaliptos se espalharam pelo Sudeste e Centro-Oeste do pa\u00eds.<\/span><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Das ferrovias \u00e0 farm\u00e1cia<\/h2>\n<p>No Brasil, n\u00e3o h\u00e1 registros de inc\u00eandios t\u00e3o mort\u00edferos em eucaliptais, embora o pa\u00eds tenha uma das maiores \u00e1reas ocupadas pela \u00e1rvore no mundo. Em 2015, segundo o IBGE, essas planta\u00e7\u00f5es alcan\u00e7aram 7,4 milh\u00f5es de hectares.<\/p>\n<p>Segundo Humberto Angelo, professor de engenharia florestal da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), inc\u00eandios s\u00e3o menos frequentes por aqui por tr\u00eas raz\u00f5es.<\/p>\n<p>Primeiro, os eucaliptos mais comuns no Brasil t\u00eam menos folhas e galhos que as esp\u00e9cies predominantes em outras partes do mundo. Segundo, porque a umidade dos solos brasileiros garante que microorganismos consumam grande parte do despojo das plantas, reduzindo o estoque de material inflam\u00e1vel. Terceiro, porque os donos das planta\u00e7\u00f5es costumam se precaver para evitar inc\u00eandios e preservar seu patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p>Angelo afirma que o uso comercial do eucalipto no Brasil se iniciou em 1904 em Rio Claro, no interior de S\u00e3o Paulo. Conforme as matas nativas rareavam, recorreu-se \u00e0 planta para a fabrica\u00e7\u00e3o de dormentes, pe\u00e7as que sustentam os trilhos dos trens.<\/p>\n<p>A partir dos anos 1960, com incentivos fiscais concedidos pela ditadura militar, planta\u00e7\u00f5es de eucaliptos se espalharam por boa parte do Sul, Sudeste e Centro-Oeste do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Segundo Angelo, hoje o principal destino da \u00e1rvore no Brasil \u00e9 a ind\u00fastria de papel e celulose. &#8220;Se voc\u00ea for a uma loja de m\u00f3veis e vir uma pe\u00e7a qualquer de MDF (fibra de madeira prensada), certamente haver\u00e1 eucalipto ali. O mesmo vale para as caixas de leite e muitas outras embalagens do supermercado&#8221;, ele afirma.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, eucaliptos transg\u00eanicos, com fibras ultraflex\u00edveis, passaram a ser empregados at\u00e9 na produ\u00e7\u00e3o de c\u00e1psulas de rem\u00e9dio e de tecidos tactel.<\/p>\n<p>O professor diz que o segundo maior destino da \u00e1rvore \u00e9 como carv\u00e3o vegetal na ind\u00fastria de a\u00e7o.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/F587\/production\/_96755826_eucalipto_boi_embrapa.jpg\" alt=\"Bois\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Muitos pecuaristas v\u00eam plantado a \u00e1rvore para ter outra fonte de renda e dar conforto ao gado<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Habitat ideal<\/h2>\n<p>Angelo afirma que, enquanto um eucalipto brasileiro est\u00e1 pronto para o corte a partir dos sete anos, no hemisf\u00e9rio Norte as \u00e1rvores que produzem celulose levam at\u00e9 cem anos para atingir a maturidade.<\/p>\n<p>Segundo ele, nem mesmo na Austr\u00e1lia os eucaliptos crescem t\u00e3o r\u00e1pido, pois l\u00e1 eles enfrentam inimigos naturais inexistentes por aqui.<\/p>\n<p>Angelo rebate uma das principais cr\u00edticas \u00e0 \u00e1rvore. &#8220;Propagou-se muito a ideia de que o eucalipto seca o solo, mas estudos mostram que ele consome tanta \u00e1gua quanto o milho, por exemplo.&#8221;<\/p>\n<p>Ele diz ainda que, ao abastecer a ind\u00fastria de m\u00f3veis, o eucalipto reduz a press\u00e3o sobre matas nativas &#8211; e que a \u00e1rvore tem se revelado \u00fatil inclusive para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n<p>Boa parte do mel vendido no Brasil hoje, diz Angelo, vem da flor do eucalipto. E nos \u00faltimos anos, muitos pecuaristas v\u00eam plantando a \u00e1rvore para ter outra fonte de renda e dar mais conforto ao gado.<\/p>\n<p>&#8220;Antes os pecuaristas desmatavam tudo para plantar pasto, e o boi ficava l\u00e1 embaixo do sol, sem nenhuma sombrinha&#8221;, diz Angelo. &#8220;Agora ele pode descansar embaixo do eucalipto.&#8221;<\/p>\n<p>Ele diz que as \u00e1rvores tamb\u00e9m podem servir como quebra-vento para planta\u00e7\u00f5es mais sens\u00edveis.<\/p>\n<p>Mesmo pequenos agricultores reconhecem as qualidades do eucalipto &#8211; embora muitos critiquem a libera\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies transg\u00eanicas da planta, que aconteceu em 2015 (o Brasil foi o primeiro pa\u00eds a autoriz\u00e1-las).<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma \u00e1rvore maravilhosa, o problema \u00e9 a monocultura&#8221;, diz Jaime Carvalho, pequeno agricultor no assentamento Rubira, em Piratini (RS).<\/p>\n<p>Ele diz que eucaliptos plantados no assentamento s\u00e3o vendidos como escoras para a constru\u00e7\u00e3o civil ou como lenha para olarias.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1472B\/production\/_96755738_valdemar_costa_joaofellet.jpg\" alt=\"Raizeiro piauiense Valdemar da Costa\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Raizeiro Valdemar da Costa diz que folha do eucalipto \u00e9 usada para tratar problemas respirat\u00f3rios<\/span><\/figure>\n<p>Em sistemas agroflorestais, que combinam \u00e1rvores frut\u00edferas e vegeta\u00e7\u00e3o rasteira, muitas vezes usa-se o despojo do eucalipto para adubar outras plantas.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Veneno X rem\u00e9dio<\/h2>\n<p>O eucalipto ganhou um papel at\u00e9 na medicina tradicional brasileira.<\/p>\n<p>H\u00e1 23 anos dono de uma barraca de rem\u00e9dios naturais no centro de Bras\u00edlia, o raizeiro piauiense Valdemar da Costa diz trabalhar com mais de 500 plantas.<\/p>\n<p>Ele afirma que a folha do eucalipto, utilizada no preparo de ch\u00e1s, est\u00e1 entre as duas ou tr\u00eas mais procuradas.<\/p>\n<p>A mesma \u00e1rvore cuja queima pode matar por asfixia \u00e9 usada no Brasil para tratar problemas respirat\u00f3rios.<\/p>\n<p>&#8220;Para quem est\u00e1 com tosse, sinusite ou bronquite, n\u00e3o tem rem\u00e9dio melhor&#8221;, diz o vendedor.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para alguns, ele \u00e9 perigoso e deve ser tratado como um invasor. 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