{"id":20241,"date":"2013-10-01T14:00:38","date_gmt":"2013-10-01T17:00:38","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=20241"},"modified":"2013-10-01T08:23:26","modified_gmt":"2013-10-01T11:23:26","slug":"jon-jones-vettel-cristiano-pato-a-era-dos-idolos-vaiados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/jon-jones-vettel-cristiano-pato-a-era-dos-idolos-vaiados\/","title":{"rendered":"Jon Jones, Vettel, Cristiano, Pato: a era dos \u00eddolos vaiados"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"ImageProxy (7)\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/ImageProxy-7-300x168.jpg\" width=\"300\" height=\"168\" \/><\/p>\n<div>\n<div>Alguns dos &#8220;sacos de pancadas&#8221; dos torcedores s\u00e3o profissionais dedicados e pacatos, que cumprem seus compromissos sem grandes estrelismos e n\u00e3o costumam protagonizar maiores encrencas na vida privada<\/div>\n<\/div>\n<p>No fim de semana passado, o americano Jon Jones travou uma verdadeira batalha com o sueco Alexander Gustafsson no UFC 165, em Toronto. A luta, apontada por alguns como a melhor da hist\u00f3ria do UFC, foi marcada por um recorde:\u00a0Jones passou a ser o campe\u00e3o mais bem-sucedido de sua categoria, com sete defesas de cintur\u00e3o. Horas depois, no outro lado do mundo,\u00a0o alem\u00e3o Sebastian Vettel voltou a vencer na F\u00f3rmula 1, dominando o GP de Cingapura e ficando mais pr\u00f3ximo da conquista de seu quarto t\u00edtulo mundial consecutivo. Jones e Vettel s\u00e3o jovens fen\u00f4menos, dois dos melhores atletas das \u00faltimas d\u00e9cadas. V\u00ea-los em a\u00e7\u00e3o ao vivo \u00e9 um privil\u00e9gio para qualquer torcedor. Mas tanto o americano como o alem\u00e3o levaram para casa n\u00e3o apenas um pr\u00eamio por seus triunfos: carregaram tamb\u00e9m o peso inc\u00f4modo das vaias que tiveram de ouvir na hora de festejar. S\u00f3 n\u00e3o foi pior porque ambos est\u00e3o acostumados. Jones, primeiro colocado no ranking peso-por-peso do UFC, j\u00e1 se habituou a lutar com a torcida apoiando seu advers\u00e1rio &#8211; qualquer que seja ele -, e Vettel, dono de 32 vit\u00f3rias e 41 pole positions na carreira, j\u00e1 sabe que o p\u00f3dio \u00e9 hora n\u00e3o s\u00f3 de champanhe, mas tamb\u00e9m das provoca\u00e7\u00f5es de parte dos torcedores. Quem examina o hist\u00f3rico dos campe\u00f5es \u00e0 procura de vexames ou esc\u00e2ndalos que justifiquem tamanha hostilidade encontra apenas hist\u00f3rias de dedica\u00e7\u00e3o e talento. E eles n\u00e3o est\u00e3o sozinhos: cada vez mais, a rever\u00eancia d\u00e1 lugar \u00e0 implic\u00e2ncia na rela\u00e7\u00e3o entre os f\u00e3s e os grandes nomes do esporte.<\/p>\n<p>\u00cddolos que dividem os f\u00e3s n\u00e3o s\u00e3o nenhuma novidade, \u00e9 claro: no boxe, os explosivos Muhammad Ali e Mike Tyson jamais foram unanimidades, assim como John McEnroe no t\u00eanis e Diego Maradona e Rom\u00e1rio no futebol. O tra\u00e7o em comum entre todos eles &#8211; sem contar o talento ineg\u00e1vel em suas modalidades &#8211; era o temperamento forte, que volta e meia motivava declara\u00e7\u00f5es e atitudes controversas. O que mais causa surpresa na sele\u00e7\u00e3o dos craques mais vaiados da atualidade \u00e9 que eles n\u00e3o se encaixam no antigo perfil do &#8220;bad boy&#8221; do esporte. Pelo contr\u00e1rio: alguns dos &#8220;sacos de pancadas&#8221; dos torcedores, como Cristiano Ronaldo, LeBron James e os pr\u00f3prios Jones e Vettel, s\u00e3o profissionais dedicados e pacatos, que cumprem seus compromissos sem grandes estrelismos e n\u00e3o costumam protagonizar maiores encrencas na vida privada. O problema, no caso deles, \u00e9 outro. Se deram a sorte de viver numa \u00e9poca em que o esporte produz milion\u00e1rios da noite para o dia &#8211; nunca essa atividade pagou t\u00e3o bem quanto hoje -, t\u00eam de arcar tamb\u00e9m com o enorme peso de seu sucesso nos campos, quadras, pistas e oct\u00f3gonos. A palavra-chave para entender sua inusitada situa\u00e7\u00e3o \u00e9 &#8220;superexposi\u00e7\u00e3o&#8221;. Na mira dos meios de comunica\u00e7\u00e3o 24 horas por dia, eles t\u00eam todos os seus passos monitorados &#8211; e cada uma de suas atitudes \u00e9 discutida \u00e0 exaust\u00e3o atrav\u00e9s das redes sociais. Twitter, Facebook e Instagram, ali\u00e1s, s\u00e3o instrumentos potentes e perigosos nas m\u00e3os desses astros. S\u00e3o excelentes meios para se aproximar dos f\u00e3s, algo que n\u00e3o existia nos tempos de super-her\u00f3is como Pel\u00e9 e Michael Jordan. S\u00e3o, tamb\u00e9m, terreno f\u00e9rtil para as mais hostis manifesta\u00e7\u00f5es contra os grandes \u00eddolos.<\/p>\n<p>Nesse quesito, uma das v\u00edtimas mais frequentes \u00e9 o atacante Alexandre Pato, do Corinthians e da sele\u00e7\u00e3o, maior contrata\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do futebol brasileiro (40 milh\u00f5es de reais). Jovem, promissor e dedicado, \u00e9 visto como um exemplo tanto dentro do clube como na equipe do t\u00e9cnico Luiz Felipe Scolari. Pato, por\u00e9m, tem sofrido para achar o caminho do gol. Enquanto trabalha para recuperar sua melhor forma, \u00e9 bombardeado nas redes &#8211; tudo por tentar ser um usu\u00e1rio comum dessas ferramentas. Se posta uma foto com os amigos e a namorada, ouve dos f\u00e3s mais exaltados que \u00e9 pregui\u00e7oso e deveria estar treinando mais. Se escreve sobre sua expectativa antes de um jogo importante, \u00e9 amea\u00e7ado em caso de mau desempenho. Colega de ataque de Pato, Emerson Sheik \u00e9 outro que experimentou a f\u00faria dos pr\u00f3prios torcedores depois do fat\u00eddico epis\u00f3dio da foto do selinho num amigo. Se antes seus tu\u00edtes provocadores contra as equipes rivais faziam os corintianos vibrarem, agora \u00e9 o atleta o alvo das alfinetadas. Pior ainda \u00e9 o fato de que Pato e Sheik n\u00e3o s\u00e3o xingados apenas nas redes. A antipatia contra a dupla foi transportada tamb\u00e9m para os gramados. Isso tamb\u00e9m \u00e9 reflexo, evidentemente, do momento vivido por eles: o Corinthians atravessa uma fase dif\u00edcil e os mais fan\u00e1ticos aproveitam qualquer oportunidade para extravasar sua frustra\u00e7\u00e3o. H\u00e1 menos de um ano era a vez de Neymar ser castigado na internet &#8211; uma seca de gols transformou o principal jogador brasileiro do momento em &#8220;cai-cai&#8221;, &#8220;pipoqueiro&#8221; e &#8220;amarel\u00e3o&#8221;. O t\u00edtulo da Copa das Confedera\u00e7\u00f5es e o \u00f3timo desempenho recente do craque amenizaram as cr\u00edticas, mas os detratores de Neymar ainda formam uma legi\u00e3o numerosa na internet.<\/p>\n<div>\n<p>Getty Images<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" title=\"Neymar viveu uma crise de imagem no in\u00edcio do ano, mas reverteu a situa\u00e7\u00e3o com uma Copa das Confedera\u00e7\u00f5es brilhante\" alt=\"Neymar viveu uma crise de imagem no in\u00edcio do ano, mas reverteu a situa\u00e7\u00e3o com uma Copa das Confedera\u00e7\u00f5es brilhante\" src=\"https:\/\/bay173.mail.live.com\/Handlers\/ImageProxy.mvc?bicild=&amp;canary=PM%2bKoZ2LXgwyWOgVAEq50rKouCQ1b%2bm885xq8WmpAcQ%3d0&amp;url=http%3a%2f%2fveja.abril.com.br%2fassets%2fimages%2f2013%2f6%2f153900%2fesporte-retratos-copa-das-confederacoes-20130612-10-original.jpg\" data-original=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/assets\/images\/2013\/6\/153900\/esporte-retratos-copa-das-confederacoes-20130612-10-original.jpg\" \/>Neymar viveu uma crise de imagem no in\u00edcio deste ano, mas reverteu a situa\u00e7\u00e3o com uma Copa das Confedera\u00e7\u00f5es brilhante pela sele\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<p>\u200bAntipatia &#8211;\u00a0O novo camisa 11 do Barcelona j\u00e1 deve se preparar para ser alvo da antipatia de mais torcedores na Espanha, onde a rotina dos craques da estrelada liga local \u00e9 seguida de perto e a todo momento. O pa\u00eds tem menos de 50 milh\u00f5es de habitantes, mas conta com quatro grandes di\u00e1rios dedicados exclusivamente ao esporte. Mesmo com a chegada de Neymar, ser\u00e1 dif\u00edcil tirar os holofotes de Cristiano Ronaldo, o jogador mais bem pago &#8211; e mais cornetado &#8211; do planeta. Apontado por t\u00e9cnicos e companheiros como modelo de profissional, Cristiano nunca se envolveu em nenhuma grande encrenca, mas sua imagem de jogador mimado, arrogante e vaidoso j\u00e1 est\u00e1 consolidada na cabe\u00e7a de milh\u00f5es de torcedores. Afinal, se depois de cada jogo as not\u00edcias s\u00e3o sobre seus gols (ele tem m\u00e9dia de um por partida no Real Madrid), no resto da semana os assuntos passam a ser seus carr\u00f5es, suas roupas de grife e seus cortes de cabelo. Assim como no caso das redes sociais, a antipatia por Cristiano costuma extravasar as telas de computador e chegar \u00e0s arquibancadas &#8211; o jogador n\u00e3o passa um jogo sequer sem ser provocado pela torcida rival. \u00c9 assim tamb\u00e9m com o n\u00famero 1 de outra modalidade popular em todo o planeta: LeBron James, do Miami Heat, n\u00e3o tem rivais quando se discute quem \u00e9 o melhor jogador de basquete da atualidade, mas isso n\u00e3o quer dizer que ele seja aclamado por onde quer que passe. LeBron, o queridinho da liga de basquete americana, \u00e9 um caso parecido com o de Cristiano: \u00e9 um atleta extraordin\u00e1rio e carism\u00e1tico, mas acaba atraindo a antipatia de muita gente por causa da exposi\u00e7\u00e3o excessiva, seja na imprensa, seja no marketing esportivo.<\/p>\n<p>Esse segmento, ali\u00e1s, \u00e9 um dos fatores-chave para se entender a rejei\u00e7\u00e3o a alguns supercraques. Transformados em garotos-propaganda de dezenas de marcas ao mesmo tempo, eles correm o risco de desgastar sua imagem perante o torcedor e o consumidor. Um dos argumentos mais usados para atacar Neymar nos meses que antecederam sua sa\u00edda do Santos era justamente o excesso de compromissos publicit\u00e1rios &#8211; algo que rendeu muito dinheiro ao atleta, mas tamb\u00e9m deixou o torcedor cansado de ver seu moicano (que j\u00e1 foi aposentado) ilustrando an\u00fancios de cuecas, baterias automotivas e talco para o p\u00e9. No MMA, Jon Jones \u00e9 um dos raros atletas com patrocinadores de primeiro escal\u00e3o, que n\u00e3o se restringem aos produtos de nicho, como a\u00e7a\u00ed, suplementos alimentares e quimonos. O americano entrou para sua \u00faltima luta com as marcas da Nike e da Gatorade em seu cal\u00e7\u00e3o. Para ele, garantia de conta banc\u00e1ria recheada; para os f\u00e3s mais antigos, a impress\u00e3o de que o lutador perdeu parte de sua autenticidade ao virar um fen\u00f4meno comercial. O que incomoda ainda mais f\u00e3s do UFC \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de que, assim como LeBron na NBA, Jon Jones \u00e9 o astro &#8220;oficial&#8221; do torneio, uma figura de idolatria quase obrigat\u00f3ria, sempre paparicada pelos dirigentes e colocada acima dos demais atletas &#8211; e n\u00e3o s\u00f3 pelo talento, mas tamb\u00e9m pelo potencial de marketing. Para complicar ainda mais sua situa\u00e7\u00e3o, Jones costuma errar no tom na hora de comentar suas fa\u00e7anhas. Quando n\u00e3o apela para uma falsa mod\u00e9stia, exagera na autoconfian\u00e7a. Assim como o alem\u00e3o Vettel, com seu ar de prod\u00edgio e sorriso de menino que consegue tudo o que quer, Jones n\u00e3o desperta nenhuma identifica\u00e7\u00e3o com o torcedor comum. E entrar no oct\u00f3gono com uma camiseta Nike chamando a si pr\u00f3prio de &#8220;sobrehumano&#8221; n\u00e3o ajuda em nada.<\/p>\n<p>Fonte: Veja<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alguns dos &#8220;sacos de pancadas&#8221; dos torcedores s\u00e3o profissionais dedicados e pacatos, que cumprem seus compromissos sem grandes estrelismos e n\u00e3o costumam protagonizar maiores encrencas na vida privada No fim de semana passado, o americano Jon Jones travou uma verdadeira batalha com o sueco Alexander Gustafsson no UFC 165, em Toronto. 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