{"id":20255,"date":"2013-10-01T14:00:44","date_gmt":"2013-10-01T17:00:44","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=20255"},"modified":"2013-10-01T08:27:48","modified_gmt":"2013-10-01T11:27:48","slug":"apos-15-anos-o-analfabetismo-volta-a-crescer-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/apos-15-anos-o-analfabetismo-volta-a-crescer-no-brasil\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s 15 anos, o analfabetismo volta a crescer no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Taxa registrou crescimento de 2011 para 2012, interrompendo a tend\u00eancia de queda que se mantinha havia 15 anos, mostra novo estudo divulgado pelo IBGE<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"ImageProxy (10)\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/ImageProxy-10-300x168.jpg\" width=\"300\" height=\"168\" \/><\/p>\n<div>\n<div>&#8220;O analfabetismo tem endere\u00e7o no Brasil: est\u00e1 concentrado na popula\u00e7\u00e3o mais velha e nordestina&#8221;, frisa Maria Lucia Vieira, coordenadora da pesquisa e gerente do IBGE.<\/div>\n<\/div>\n<p>Pela primeira vez em quinze anos, a taxa de analfabetismo cresceu no Brasil. \u00c9 o que mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad), realizada em 2012 e divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). A taxa\u00a0de pessoas de 15 anos de idade ou mais que n\u00e3o sabem ler nem escrever subiu de 8,6% em 2011 para 8,7% no ano passado. Isso significa que no per\u00edodo de um ano, o pa\u00eds &#8220;ganhou&#8221;\u00a0300.000 analfabetos, totalizando 13,2 milh\u00f5es de brasileiros. A tend\u00eancia de queda, que se mantinha desde 1997, estacionou, despertando a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores do IBGE, que agora se debru\u00e7am em busca de explica\u00e7\u00f5es. &#8220;Ainda estamos verificando o que levou a essa varia\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o porcentual vinha caindo h\u00e1 tanto tempo&#8221;, diz Maria Lucia Vieira, coordenadora da pesquisa e gerente do IBGE.<\/p>\n<h2>Analfabetismo \u2013 S\u00e9rie hist\u00f3rica (%)*<\/h2>\n<div><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/bay173.mail.live.com\/Handlers\/ImageProxy.mvc?bicild=&amp;canary=PM%2bKoZ2LXgwyWOgVAEq50rKouCQ1b%2bm885xq8WmpAcQ%3d0&amp;url=http%3a%2f%2fveja.abril.com.br%2fimagens%2fgrafico-analfabetismo-historia.gif\" data-original=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/imagens\/grafico-analfabetismo-historia.gif\" \/><small>*Levantamento realizado apenas na \u00e1rea urbana do pa\u00eds<\/small><\/div>\n<p>Com a lupa sobre cada regi\u00e3o brasileira, o que se observa \u00e9 que o Nordeste foi o principal respons\u00e1vel por elevar a taxa nacional &#8211; \u00e9 onde moram 53,8% de todos os analfabetos do pa\u00eds, ou 7,1 milh\u00f5es. No mesmo per\u00edodo de um ano, a taxa local passou de 16,9% para 17,4%. No Centro-Oeste, tamb\u00e9m houve crescimento, de 6,3% para 6,7% entre 2011 e 2012. J\u00e1 no Sudeste, os n\u00fameros est\u00e3o estagnados, enquanto o Norte e o Sul conseguiram manter a redu\u00e7\u00e3o. &#8220;O analfabetismo tem endere\u00e7o no Brasil: est\u00e1 concentrado na popula\u00e7\u00e3o mais velha e nordestina&#8221;, frisa Maria Lucia.<\/p>\n<p>O alagoano Jos\u00e9 Carlos Vieira dos Santos, de 54 anos, se encaixa no perfil observado pelo IBGE. Morador da cidade de Murici, come\u00e7ou a trabalhar aos 14 anos no corte de cana. N\u00e3o teve tempo de frequentar a escola e chegou \u00e0 idade adulta sem qualquer intimidade com as letras. &#8220;Ele escreve o nome todo, devagar, e se aborrece porque tem dificuldade&#8221;, conta a mulher, Maria C\u00edcera Guedes, da mesma idade, que cursou at\u00e9 a 5\u00aa s\u00e9rie do Ensino Fundamental (hoje 6\u00ba ano). Dos quatro filhos do casal, a mais velha largou a escola ainda na 1\u00aa s\u00e9rie. Atualmente com 30 anos, tamb\u00e9m n\u00e3o sabe ler nem escrever.<\/p>\n<p>Maria lamenta. Diz que tem o sonho de ver os filhos concluindo os estudos. Mas apenas o de 18 anos lhe d\u00e1 esperan\u00e7as. No 2\u00ba ano do Ensino M\u00e9dio, \u00e9 o \u00fanico com disposi\u00e7\u00e3o de conquistar o diploma.\u00a0Os outros dois irm\u00e3os, de 16 e 21 anos, ainda frequentam as salas de aula do prim\u00e1rio. &#8220;Vejo muita coisa errada por aqui &#8211; drogas, por exemplo. Coloquei meus filhos no col\u00e9gio para que aprendessem alguma coisa e ficassem longe da rua&#8221;, diz a matriarca da fam\u00edlia que exemplifica bem outra constata\u00e7\u00e3o do estudo: a dificuldade dos adultos em ultrapassar a barreira do analfabetismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"ecxtabs\">\n<ul>\n<li>Taxa de analfabetismo no Brasil<\/li>\n<li>Por faixa et\u00e1ria<\/li>\n<li>N\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o dos brasileiros<\/li>\n<\/ul>\n<div id=\"ecxtabs-1\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/bay173.mail.live.com\/Handlers\/ImageProxy.mvc?bicild=&amp;canary=PM%2bKoZ2LXgwyWOgVAEq50rKouCQ1b%2bm885xq8WmpAcQ%3d0&amp;url=http%3a%2f%2fveja.abril.com.br%2fimagens%2fgrafico-analfabetismo-1.gif\" data-original=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/imagens\/grafico-analfabetismo-1.gif\" \/><\/div>\n<p><small>Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordena\u00e7\u00e3o de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios 2004-2012.<\/small><\/div>\n<p>Idade &#8211;\u00a0Foi na faixa dos 40 aos 59 anos o crescimento mais representativo de analfabetos no pa\u00eds, de 9,6% para 9,8%. Uma das possibilidades \u00e9 de que este grupo esteja mais cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o ao conceito de analfabetismo. Por alfabetizado, o IBGE entende ser uma pessoa com condi\u00e7\u00f5es de ler e escrever um bilhete simples. Mas a maioria dos analfabetos do pa\u00eds ainda tem 60 anos ou mais &#8211; eles s\u00e3o 3,2 milh\u00f5es. Priscila Cruz, diretora executiva da ONG Todos pela Educa\u00e7\u00e3o, enfatiza que a idade adulta \u00e9 a mais resistente \u00e0 escolariza\u00e7\u00e3o. &#8220;Essas pessoas procuram o ensino s\u00f3 quando querem, e se tiverem tempo e disposi\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>C\u00edcero Cust\u00f3dio, morador de Lagoa do Ouro, interior de Pernambuco, engrossa as estat\u00edsticas. Assim como Santos, foi levado pelo pai ainda crian\u00e7a, aos 7 anos, para o trabalho na ro\u00e7a. Pisou na escola pela primeira vez somente aos 30 anos, ficou 15 dias, aprendeu a escrever o nome e viu a institui\u00e7\u00e3o fechar as portas. At\u00e9 hoje, aos 63, n\u00e3o teve outra oportunidade. &#8220;Entendo as letrinhas muito pouco. N\u00e3o sei fazer as palavras, nem juntar as letras para ler. Fico enrascado nisso a\u00ed&#8221;, explica. Fez quest\u00e3o de matricular os seis filhos na escola, mas n\u00e3o viu nenhum chegar ao Ensino M\u00e9dio. &#8220;A maior ajuda que os pais podem dar \u00e9 apoiando os estudos.&#8221;<\/p>\n<p>Escolariza\u00e7\u00e3o &#8211;\u00a0Entre os mais jovens, a taxa de analfabetismo \u00e9 drasticamente menor &#8211; apenas 1,2% dos 15 aos 19 anos, por exemplo -, o que pode indicar uma redu\u00e7\u00e3o no futuro das taxas entre os mais velhos. O gargalo, neste caso, fica por conta do Ensino Fundamental, incompleto para 33,5% da popula\u00e7\u00e3o com 25 anos ou mais (que exclui os grupos em processo de escolariza\u00e7\u00e3o). \u00c9 o caso de Ion\u00e1cio Santana, carioca de 37 anos, pai de doze filhos, morador da favela do Vidigal e conhecido na praia de Ipanema pela barraca em frente \u00e0 Rua Farme de Amoedo, onde aluga cadeiras e vende bebidas.<br \/>\nPara n\u00e3o repetir o erro com os filhos, N\u00e9lio, como \u00e9 conhecido, mant\u00e9m sete deles na escola. At\u00e9 o ca\u00e7ula, de 10 meses, est\u00e1 prestes a entrar na creche. &#8220;Se com estudo est\u00e1 dif\u00edcil, imagina sem. Com os meus filhos, eu sou duro&#8221;, afirma ele, revelando que tamb\u00e9m tem planos de retomar os estudos, no pr\u00f3ximo ano. Entre os motivos, est\u00e1 o carro que comprou h\u00e1 pouco tempo mas n\u00e3o pode dirigir, porque precisa passar pela prova te\u00f3rica exigida para tirar a carteira de motorista.Gostava de estudar, garante. Chegou \u00e0 6\u00aa s\u00e9rie do Ensino Fundamental (hoje 7\u00ba ano), at\u00e9 que desistiu para viver o sonho de ser jogador de futebol. Entrou para o profissional da Ponte Preta e os juniores do Botafogo. Mas a carreira n\u00e3o foi adiante, e ele admite arrependimento da escolha que fez no passado. &#8220;Toda vez que empurro um carrinho de m\u00e3o para carregar material de obra, lembro da minha irm\u00e3 avisando que era melhor eu estudar. A escola era muito boa. A professora acordava cedo para ajudar trinta alunos a serem algu\u00e9m na vida.&#8221;<\/p>\n<p>A Pnad 2012 traz tamb\u00e9m dados positivos, como a redu\u00e7\u00e3o na taxa de analfabetos funcionais (capazes de ler e escrever mas com dificuldades de interpreta\u00e7\u00e3o do texto). Entre a popula\u00e7\u00e3o com 15 anos de idade ou mais, 18,3% tem menos de quatro anos de estudo completo, o equivalente a 27,8 milh\u00f5es de brasileiros. O n\u00famero \u00e9 significativo, mas representa uma queda de 2,1 pontos porcentuais em rela\u00e7\u00e3o a 2011, quando eles eram 20,4% do total. As regi\u00f5es Norte e Nordeste ainda apresentam as maiores taxas de analfabetismo funcional, de 21,9% e 28,4% respectivamente.<\/p>\n<p>Futuro &#8211;\u00a0A situa\u00e7\u00e3o geral, por\u00e9m, \u00e9 preocupante. O pa\u00eds est\u00e1 se distanciando da meta firmada com a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU): diminuir a taxa de analfabetos para 6,7% at\u00e9 2015. Faltam dois anos, portanto, para fazer ler e escrever cerca de 3 milh\u00f5es de pessoas. Mas o governo n\u00e3o tem se esfor\u00e7ado para atingir o objetivo. A diretora executiva da ONG Todos pela Educa\u00e7\u00e3o, Priscila Cruz, alerta para o fato de que, neste s\u00e1bado, o pa\u00eds completa mil dias sem um Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, respons\u00e1vel por nortear pol\u00edticas p\u00fablicas pelos pr\u00f3ximos dez anos. &#8220;O n\u00e3o avan\u00e7o \u00e9 sempre um retrocesso em educa\u00e7\u00e3o&#8221;, critica.<\/p>\n<p>Fonte: Veja<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Taxa registrou crescimento de 2011 para 2012, interrompendo a tend\u00eancia de queda que se mantinha havia 15 anos, mostra novo estudo divulgado pelo IBGE &#8220;O analfabetismo tem endere\u00e7o no Brasil: est\u00e1 concentrado na popula\u00e7\u00e3o mais velha e nordestina&#8221;, frisa Maria Lucia Vieira, coordenadora da pesquisa e gerente do IBGE. 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