{"id":203246,"date":"2017-07-09T06:54:09","date_gmt":"2017-07-09T09:54:09","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=203246"},"modified":"2017-07-09T06:54:09","modified_gmt":"2017-07-09T09:54:09","slug":"por-que-e-provavel-que-voce-nunca-tenha-ouvido-falar-do-reino-aksum-uma-das-quatro-grandes-civilizacoes-do-mundo-antigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/por-que-e-provavel-que-voce-nunca-tenha-ouvido-falar-do-reino-aksum-uma-das-quatro-grandes-civilizacoes-do-mundo-antigo\/","title":{"rendered":"Por que \u00e9 prov\u00e1vel que voc\u00ea nunca tenha ouvido falar do reino Aksum, uma das quatro grandes civiliza\u00e7\u00f5es do mundo antigo"},"content":{"rendered":"<div class=\"story-body\">\n<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__name\">Zeinab Badawi<\/span><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\"><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/1763F\/production\/_96770859_gettyimages-643091890.jpg\" alt=\"Constru\u00e7\u00e3o aksumita\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Reis aksumitas controlavam com\u00e9rcio no mar Vermelho<\/span><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">A grande pir\u00e2mide de Giz\u00e9, no Cairo, \u00e9 considerada uma das sete maravilhas do mundo antigo.<\/p>\n<p>Mas quem segue o curso do rio Nilo e viaja rumo ao sul, no territ\u00f3rio onde hoje \u00e9 o Sud\u00e3o, se depara com milhares de constru\u00e7\u00f5es similares, que pertenceram ao reino de Kush (ou Cuche).<\/p>\n<p>Kush foi uma superpot\u00eancia africana e sua influ\u00eancia se estendeu at\u00e9 o atual Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>O reino existiu por centenas de anos e, no s\u00e9culo 8\u00ba antes de Cristo, conquistou o Egito, governando-o por d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>E o que restou dessa civiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 impressionante.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/149F0\/production\/_96746448_relief-characters-resized.jpg\" alt=\"Pir\u00e2mides no Sud\u00e3o\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Unesco considera Jebel Barkal Patrim\u00f4nio da Humanidade<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Legado<\/h2>\n<p>Mais de 300 pir\u00e2mides continuam intactas, praticamente inalteradas desde que foram constru\u00eddas, h\u00e1 cerca de 3 mil anos.<\/p>\n<p>As mais suntuosas se encontram em Jebel Barkal, uma pequena montanha no Sud\u00e3o do Norte que, junto com a cidade de Napata, s\u00e3o consideradas patrim\u00f4nio da humanidade pela Unesco, o bra\u00e7o da ONU para educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e cultura.<\/p>\n<p>No local, al\u00e9m das pir\u00e2mides, h\u00e1 tumbas, templos e c\u00e2maras funer\u00e1rias completas, com pinturas e desenhos que a Unesco descreve como &#8220;obras-primas de um g\u00eanio criativo que mostram os valores art\u00edsticos, sociais, pol\u00edticos e religiosos de uma comunidade de mais de 2 mil anos&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/3C68\/production\/_96746451_kushitepyramidssudan.imagecredit-kushcommunications.jpg\" alt=\"Pir\u00e2mides do Reino Kush, no Sud\u00e3o\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Ma<\/span><\/span><span class=\"media-caption__text\">is de 300 pir\u00e2mides do reino Kush seguem praticamente intactas no Sud\u00e3o<\/span><\/figure>\n<p>Os cuchitas eram africanos negros, em sua maioria agricultores, mas tamb\u00e9m artes\u00e3os e mercadores. Eles vendiam ouro, incenso, marfim, \u00e9bano, \u00f3leos, penas de avestruz e pele de leopardo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de possuir minas de ouro e terras cultiv\u00e1veis, o reino ocupava uma localiza\u00e7\u00e3o comercialmente estrat\u00e9gica, dado que de l\u00e1 se transportavam mercadorias pelo rio Nilo e tamb\u00e9m por estradas que levavam ao mar Vermelho.<\/p>\n<p>Suas riquezas chegaram a rivalizar com as dos fara\u00f3s.<\/p>\n<p>Mas at\u00e9 hoje o legado de Kush ainda n\u00e3o \u00e9 amplamente conhecido, inclusive entre os africanos.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/122E0\/production\/_96746447_pyramids-resized.jpg\" alt=\"Pir\u00e2mides de Meroe\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Africanos desconhecem sua hist\u00f3ria, dizem especialistas<\/span><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Hist\u00f3ria da \u00c1frica<\/h2>\n<p>Um projeto com objetivo de resgatar o passado do continente nasceu no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960.<\/p>\n<p>A \u00c1frica se tornava independente da Europa e, em meio \u00e0 onda nacionalista, muitos de seus jovens l\u00edderes assumiram o compromisso de n\u00e3o s\u00f3 descolonizar seus pa\u00edses, mas tamb\u00e9m suas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>Tampouco havia interesse de historiadores ocidentais. Por causa da falta de registros escritos, muitos deles simplesmente abandonaram a tarefa de revisitar o passado do continente.<\/p>\n<p>Assim, a Unesco ajudou estudiosos africanos a criar o projeto, recrutando 350 especialistas de diferentes \u00e1reas e de toda a \u00c1frica.<\/p>\n<p>O resultado foi uma colet\u00e2nea de oito volumes que abrangem desde a pr\u00e9-hist\u00f3ria at\u00e9 a era moderna.<\/p>\n<p>O oitavo livro foi conclu\u00eddo na d\u00e9cada de 1990 e o nono j\u00e1 come\u00e7ou a ser preparado.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/D8A8\/production\/_96746455_insidethekushitepyramidssudan.imagecredit-kushcommunications.jpg\" alt=\"Pinturas das pir\u00e2mides de Jebel Barkal\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">No interior dos restos arqueol\u00f3gicos de Jebel Barkal, h\u00e1 pinturas consideradas &#8220;obras-primas&#8221; pela Unesco<\/span><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Pol\u00eamica<\/h2>\n<p>Houve pol\u00eamica, contudo, em torno da decis\u00e3o da Unesco de come\u00e7ar a colet\u00e2nea com um exemplar sobre as origens da humanidade, expondo a teoria da evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O volume provocou a ira de comunidades crist\u00e3s e mu\u00e7ulmanas, dado que alguns pa\u00edses da \u00c1frica acreditavam no criacionismo, doutrina que defende que os seres vivos surgiram do criador e n\u00e3o s\u00e3o, portanto, fruto da evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/0128\/production\/_96769200_gettyimages-137340824.jpg\" alt=\"Crist\u00e3o ortodoxo da Eti\u00f3pia\" width=\"976\" height=\"630\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Monarcas do Reino de Aksum (ou Axum) foram os primeiros a abra\u00e7ar o cristianismo<\/span><\/figure>\n<p>O paleont\u00f3logo queniano Richard Leakey, que contribuiu para a elabora\u00e7\u00e3o do primeiro volume, diz acreditar que o fato de o ser humano ter vindo da \u00c1frica continue sendo algo digno de reprova\u00e7\u00e3o por alguns ocidentais, que preferem negar essa origem.<\/p>\n<p>Apesar disso, continua pouco divulgada a hist\u00f3ria do reino de Kush, onde as rainhas podiam governar por direito pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>O mesmo ocorre com o reino de Aksum, descrito como uma das quatro grandes civiliza\u00e7\u00f5es do mundo antigo.<\/p>\n<p>Os reis aksumitas controlavam o com\u00e9rcio do mar Vermelho desde seu territ\u00f3rio, situado na regi\u00e3o onde est\u00e3o atualmente a Eritreia e a Eti\u00f3pia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, foram os primeiros governantes da \u00c1frica a abra\u00e7ar o cristianismo e em convert\u00ea-lo em religi\u00e3o oficial do reino.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/18AB\/production\/_96751360_gettyimages-160635474.jpg\" alt=\"S\u00edtio arqueol\u00f3gico de Meroe\" width=\"976\" height=\"650\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">S\u00edtio arqueol\u00f3gico de Meroe, a 300 km ao norte da capital do Sud\u00e3o, Cartum<\/span><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Escurid\u00e3o&#8217;<\/h2>\n<p>Para especialistas, por for\u00e7a da influ\u00eancia colonialista, essa hist\u00f3ria \u00e9 pouco conhecida at\u00e9 entre acad\u00eamicos e professores africanos.<\/p>\n<p>Por causa dela, n\u00e3o tiveram acesso a um relato integral e cronol\u00f3gico de sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/BB87\/production\/_96770084_gettyimages-690156202.jpg\" alt=\"Escola da \u00c1frica\" width=\"976\" height=\"650\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Unesco espera que hist\u00f3ria da \u00c1frica seja ensinada nas escolas por especialistas locais<\/span><\/figure>\n<p>Hugh Trevor-Roper, um dos mais destacados historiadores brit\u00e2nicos de todos os tempos, diz: &#8220;Talvez no futuro ser\u00e1 poss\u00edvel ensinar algo sobre a hist\u00f3ria da \u00c1frica. Mas at\u00e9 o momento n\u00e3o h\u00e1 nenhuma ou quase nenhuma: s\u00f3 existe a hist\u00f3ria dos europeus na \u00c1frica&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O resto \u00e9 escurid\u00e3o, assim como ocorre com a hist\u00f3ria pr\u00e9-europeia e a pr\u00e9-colombiana na Am\u00e9rica. Uma escurid\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 sujeito para a hist\u00f3ria&#8221;, completou.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o \u00e9 de 1965, mas continua atual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Houve pol\u00eamica, contudo, em torno da decis\u00e3o da Unesco de come\u00e7ar a colet\u00e2nea com um exemplar sobre as origens da humanidade, expondo a teoria da evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":203247,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-203246","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/piramides.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/203246","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=203246"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/203246\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/203247"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=203246"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=203246"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=203246"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}