{"id":20386,"date":"2013-10-01T14:29:05","date_gmt":"2013-10-01T17:29:05","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=20386"},"modified":"2013-10-01T15:23:37","modified_gmt":"2013-10-01T18:23:37","slug":"senado-debatera-pacto-federativo-em-sessao-tematica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/senado-debatera-pacto-federativo-em-sessao-tematica\/","title":{"rendered":"Senado debater\u00e1 pacto federativo em sess\u00e3o tem\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<p>Quatro grandes eixos dever\u00e3o nortear a pr\u00f3xima sess\u00e3o tem\u00e1tica do Senado, destinada ao debate do pacto federativo: reforma do Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os (ICMS); est\u00edmulo ao desenvolvimento regional; convalida\u00e7\u00e3o dos incentivos fiscais considerados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF); e troca do indexador das d\u00edvidas estaduais. A sess\u00e3o dever\u00e1 contar com a presen\u00e7a do ministro da Fazenda, Guido Mantega.<\/p>\n<p>As sess\u00f5es tem\u00e1ticas foram institu\u00eddas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, para permitir a discuss\u00e3o de assuntos relevantes na pauta da Casa com a participa\u00e7\u00e3o de especialistas e autoridades de outros Poderes. A primeira sess\u00e3o tem\u00e1tica discutiu a reforma pol\u00edtica e a segunda, o financiamento da sa\u00fade p\u00fablica. A inclus\u00e3o do pacto federativo como pauta de sess\u00e3o tem\u00e1tica foi sugerida pelo senador Walter Pinheiro (PT-BA), que est\u00e1 negociando a data da sess\u00e3o com Mantega.<\/p>\n<p>Urg\u00eancia<\/p>\n<p>A convalida\u00e7\u00e3o dos incentivos fiscais ganhou urg\u00eancia, no debate do pacto federativo, a partir das decis\u00f5es do STF que asseguram a dois munic\u00edpios goianos \u2013 C\u00f3rrego de Ouro e Jeov\u00e2nia \u2013 repasse integral das cotas de ICMS. Em raz\u00e3o da senten\u00e7a emitida pelo Supremo, o governo de Goi\u00e1s ter\u00e1 de recalcular os montantes dessas transfer\u00eancias, que foram feitas com o desconto de valores relativos a benef\u00edcios fiscais concedidos pelo estado em dois de seus programas de atra\u00e7\u00e3o de investimentos \u2013 Produzir e Fomentar.<\/p>\n<p>Sem acolhida, o governo de Goi\u00e1s argumentou no STF que os valores da ren\u00fancia fiscal prevista nesses programas n\u00e3o integram a arrecada\u00e7\u00e3o, nem a cota\u00a0 geral dos munic\u00edpios, equivalente a 25% do total da receita do ICMS.<\/p>\n<p>Dois fatores foram determinantes para a decis\u00e3o do Supremo: a aus\u00eancia de autoriza\u00e7\u00e3o un\u00e2nime, no \u00e2mbito do Conselho Nacional de Pol\u00edtica Fazend\u00e1ria (Confaz), para a concess\u00e3o dos incentivos e uma s\u00e9rie de ac\u00f3rd\u00e3os da pr\u00f3pria Corte que consideram inconstitucionais os benef\u00edcios concedidos isoladamente pelos estados, conhecidos como instrumentos da &#8216;guerra fiscal&#8217;. O termo guerra surgiu da disputa entre os estados pela atra\u00e7\u00e3o de investimentos por meio de isen\u00e7\u00e3o do ICMS para empresas que se instalam ou ampliam seus investimentos em determinadas localidades.<\/p>\n<p>Em suas decis\u00f5es, o STF tem reiterado que a Lei Complementar 24\/1975 continua v\u00e1lida ao determinar que a concess\u00e3o de benef\u00edcios depender\u00e1 sempre de decis\u00e3o un\u00e2nime dos estados representados no Confaz. A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, embora com data posterior, teria recepcionado os dispositivos da lei ao prever a regulamenta\u00e7\u00e3o dos incentivos por norma complementar.<\/p>\n<p>Como a unanimidade em incentivo fiscal, no Confaz, sempre foi imposs\u00edvel, porque sua concess\u00e3o \u00e9 um instrumento da &#8216;guerra fiscal&#8217;, em que um estado com menor poder de atra\u00e7\u00e3o de investimento privado cria uma vantagem competitiva com a ren\u00fancia de parcela do ICMS, o assunto acabou indo para a Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Riscos<\/p>\n<p>H\u00e1 dois riscos para os entes federados envolvidos na guerra fiscal: o primeiro, como no exemplo de Goi\u00e1s, \u00e9 o rec\u00e1lculo das cotas de munic\u00edpios que se sintam afetados pelo desconto nos repasses; o segundo \u00e9 a possibilidade de o STF, diante das reiteradas decis\u00f5es sobre a inconstitucionalidade dos incentivos fiscais dados sem unanimidade do Confaz, editar uma s\u00famula vinculante.<\/p>\n<p>Criada em 2004 com a Emenda Constitucional 45, a s\u00famula vinculante \u00e9 um mecanismo que obriga ju\u00edzes de todos os tribunais a seguirem o entendimento adotado pelo STF sobre determinado assunto com jurisprud\u00eancia consolidada. A s\u00famula vinculante adquire for\u00e7a de lei e cria um v\u00ednculo jur\u00eddico, n\u00e3o podendo mais, portanto, ser contrariada.<\/p>\n<p>Para o senador Delc\u00eddio do Amaral (PT-MS), que foi relator da reforma do ICMS na Comiss\u00e3o de Assuntos Econ\u00f4micos (CAE), os estados encontram-se diante de &#8220;uma situa\u00e7\u00e3o absolutamente inadministr\u00e1vel&#8221; e, na possibilidade da s\u00famula vinculante, com &#8220;a espada de D\u00e2mocles sobre suas cabe\u00e7as&#8221;. A imagem utilizada pelo parlamentar petista vem de uma lenda mencionada por C\u00edcero (106 a.C.-43a.C.), fil\u00f3sofo e orador romano, quando tratou da instabilidade do poder, mas que ao longo do tempo passou a descrever, em sentido figurado, a situa\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m em risco iminente de sofrer s\u00e9rio dano. Para o presidente da CAE, senador Lindbergh Farias (PT-RJ), a inseguran\u00e7a jur\u00eddica motivou a suspens\u00e3o de v\u00e1rios investimentos programados.<\/p>\n<p>Convalida\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Em busca de uma solu\u00e7\u00e3o para o problema, o governo federal encaminhou ao Congresso Nacional, no in\u00edcio do ano, um projeto de lei complementar (PLP 238\/2013) que abre caminho para a convalida\u00e7\u00e3o (atribui\u00e7\u00e3o de efeito legal) dos incentivos concedidos sem a unanimidade do Confaz. Se o texto for aprovado, a lei complementar resultante flexibilizaria as regras de aprova\u00e7\u00e3o de conv\u00eanios para legalizar situa\u00e7\u00f5es do passado.<\/p>\n<p>Esse projeto, que est\u00e1 na C\u00e2mara dos Deputados, apresenta solu\u00e7\u00e3o para outro pleito dos estados: a troca do indexador das d\u00edvidas, do IGP-DI para o IPCA, e a redu\u00e7\u00e3o dos juros fixos de 6% a 9% para 4% ao ano.<\/p>\n<p>Na reuni\u00e3o da CAE do dia 17 de setembro, houve cr\u00edticas de senadores \u00e0 falta de coordena\u00e7\u00e3o de todo esse processo por parte do governo. Como o projeto integrava um arranjo maior para o pacto federativo, teria ca\u00eddo no esquecimento diante de dificuldades enfrentadas pelos outros componentes, como a reforma do ICMS, a compensa\u00e7\u00e3o da perda de receita dos estados e o fundo de desenvolvimento regional.<\/p>\n<p>Unifica\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Junto com o PLP 238\/2013, a presidente da Rep\u00fablica, Dilma Rousseff apresentou um projeto de resolu\u00e7\u00e3o (PRS 1\/2013) que reduz gradualmente as al\u00edquotas interestaduais do ICMS at\u00e9 atingir a unifica\u00e7\u00e3o total em 2025. Na CAE, a proposta foi aprovada com modifica\u00e7\u00f5es que desagradaram o governo e parte dos estados e, agora, aguarda acordo para inclus\u00e3o na ordem do dia do Plen\u00e1rio do Senado.<\/p>\n<p>Diante da falta de entendimento, acabou perdendo ef\u00e1cia a Medida Provis\u00f3ria 599\/2012, outro pilar do arranjo federativo idealizado pelo governo, que criava dois fundos: um para compensar perdas de arrecada\u00e7\u00e3o decorrentes da redu\u00e7\u00e3o das al\u00edquotas interestaduais do ICMS e um para estimular o desenvolvimento regional.<\/p>\n<p>Com o fundo de desenvolvimento regional, o governo pretendia enfrentar o principal motivo alegado para a guerra fiscal: a falta de instrumentos federais que ajudem os estados pobres a superar as desvantagens competitivas na hora de atrair investimentos. (Ag\u00eancia Senado)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quatro grandes eixos dever\u00e3o nortear a pr\u00f3xima sess\u00e3o tem\u00e1tica do Senado, destinada ao debate do pacto federativo: reforma do Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os (ICMS); est\u00edmulo ao desenvolvimento regional; convalida\u00e7\u00e3o dos incentivos fiscais considerados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF); e troca do indexador das d\u00edvidas estaduais. 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