{"id":206143,"date":"2017-07-23T05:04:25","date_gmt":"2017-07-23T08:04:25","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=206143"},"modified":"2017-07-23T05:04:25","modified_gmt":"2017-07-23T08:04:25","slug":"por-que-2017-esta-sendo-visto-como-ano-da-revolucao-psicodelica-na-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/por-que-2017-esta-sendo-visto-como-ano-da-revolucao-psicodelica-na-saude\/","title":{"rendered":"Por que 2017 est\u00e1 sendo visto como ano da &#8216;revolu\u00e7\u00e3o psicod\u00e9lica&#8217; na sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<div class=\"story-body\">\n<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__name\">Thiago Guimar\u00e3es\u00a0<\/span><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\"><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/5DAB\/production\/_89197932_lsdandtweezers_istock.jpg\" alt=\"LSD\" width=\"976\" height=\"609\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Imagem de LSD; ap\u00f3s d\u00e9cadas de &#8216;portas fechadas&#8217; para estudos, pesquisadores avan\u00e7am na investiga\u00e7\u00e3o sobre uso terap\u00eautico de psicod\u00e9licos<\/span><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">O ano de 2017 ser\u00e1 lembrado como marco do &#8220;renascimento psicod\u00e9lico&#8221;, pela derrubada de barreiras \u00e0 pesquisa e ao uso terap\u00eautico de drogas psicoativas como ayahuasca, LSD e ecstasy.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 do neurocientista Sidarta Ribeiro, diretor do Instituto do C\u00e9rebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e um dos principais pesquisadores sobre o tema no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Como evid\u00eancias desse suposto &#8220;renascimento&#8221;, Ribeiro cita o crescimento de p\u00fablico (e de \u00f3rg\u00e3os interessados em patrocinar pesquisas) no principal encontro do setor, o avan\u00e7o de estudos cl\u00ednicos e a amplia\u00e7\u00e3o das pesquisas no Brasil.<\/p>\n<p>A express\u00e3o usada por Ribeiro reflete o slogan do \u00faltimo congresso da ONG Maps (Associa\u00e7\u00e3o Multidisciplinar de Estudos Psicod\u00e9licos, em ingl\u00eas), que em abril reuniu nos Estados Unidos cerca de 3 mil pessoas de 40 pa\u00edses. Financiada por doadores, a entidade pesquisa e promove o uso m\u00e9dico de drogas psicod\u00e9licas desde 1985.<\/p>\n<p>Em geral, todos os participantes compartilhavam da cren\u00e7a no potencial das drogas psicod\u00e9licas para curar doen\u00e7as, mas Ribeiro lembra como o perfil do p\u00fablico mudou desde o primeiro encontro da associa\u00e7\u00e3o, em 2011.<\/p>\n<p>&#8220;O primeiro congresso n\u00e3o passou de 300 pessoas, com muitos hippies-chic da Calif\u00f3rnia e poucos cientistas. Neste ano havia muitos pesquisadores renomados, imprensa internacional e funda\u00e7\u00f5es e empresas interessadas em financiar pesquisas&#8221;, afirmou o pesquisador \u00e0 BBC Brasil.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/18483\/production\/_96995499_sidarta2.jpg\" alt=\"Maps 2017\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Ambiente do congresso da Maps de 2017: p\u00fablico de evento foi de hippies a empresas interessadas em financiar pesquisas<\/span><\/figure>\n<p>A antrop\u00f3loga Beatriz Labate, autora de livros sobre o uso da ayahuasca em rituais religiosos, participou do encontro e endossa a avalia\u00e7\u00e3o de Ribeiro.<\/p>\n<p>&#8220;A confer\u00eancia foi fant\u00e1stica, havia uma sensa\u00e7\u00e3o de ter sido hist\u00f3rica. Os estudos est\u00e3o mostrando cada vez mais uma forte evid\u00eancia dos potenciais terap\u00eauticos dos psicod\u00e9licos, e h\u00e1 um certo clima de que pode haver uma transforma\u00e7\u00e3o real da legisla\u00e7\u00e3o de drogas&#8221;, afirma Labate, professora visitante do Centro de Pesquisa e Estudos de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia Social (Ciesas) de Guadalajara (M\u00e9xico).<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">MDMA e estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico<\/h2>\n<p>Um dos pontos altos do encontro foi a apresenta\u00e7\u00e3o de resultados de estudos do uso de MDMA, o princ\u00edpio ativo do ecstasy, para tratamento de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico. Em um v\u00eddeo, um veterano da guerra do Iraque relatou benef\u00edcios de experi\u00eancias sob efeito da droga.<\/p>\n<p>No ano passado, os EUA autorizaram a \u00faltima etapa de estudos do emprego da subst\u00e2ncia para tratar o transtorno, um dist\u00farbio de ansiedade que costuma acometer pessoas que tenham sido v\u00edtimas ou testemunhas de situa\u00e7\u00f5es violentas e traum\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Financiada pela Maps, a atual fase de estudos com humanos, que deve incluir o Brasil, \u00e9 a \u00faltima antes de uma eventual aprova\u00e7\u00e3o do MDMA como droga de prescri\u00e7\u00e3o pela FDA, a ag\u00eancia americana que regula medicamentos e alimentos. A expectativa da ONG \u00e9 que a terapia com a subst\u00e2ncia seja autorizada nos EUA at\u00e9 2021.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/293F\/production\/_96995501_sidarta3.jpg\" alt=\"MDMA\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Dose usada em estudo cl\u00ednico com MDMA nos EUA; potencial para tratamento de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico<\/span><\/figure>\n<p>Os estudos anteriores, da fase dois, envolveram 130 pacientes com estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico &#8211; como veteranos de guerra, v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual, policiais e bombeiros &#8211; que n\u00e3o tinham respondido a tratamentos tradicionais com medicamentos ou psicoterapia.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s administra\u00e7\u00e3o de tr\u00eas doses de MDMA sob orienta\u00e7\u00e3o de um psiquiatra, os pacientes registraram, em m\u00e9dia, uma queda de 56% na gravidade dos sintomas. Ao final do estudo, dois ter\u00e7os dos pacientes j\u00e1 n\u00e3o se encaixavam nos crit\u00e9rios que caracterizam o dist\u00farbio.<\/p>\n<p>&#8220;Essas subst\u00e2ncias n\u00e3o s\u00e3o maravilhosas para todo mundo. No ambiente correto, com pessoas certas, estado fisiol\u00f3gico (do paciente) correto, dose correta, s\u00e3o poderos\u00edssimas. A Psiquiatria vai adorar quando come\u00e7ar a utilizar, porque s\u00e3o muito eficazes&#8221;, afirmou Ribeiro \u00e0 BBC Brasil.<\/p>\n<p>Estudos mostraram que a terapia com MDMA funciona porque a droga leva o c\u00e9rebro a liberar horm\u00f4nios e neurotransmissores que evocam sentimentos de empatia e confian\u00e7a, enquanto reduzem medo e emo\u00e7\u00f5es negativas. Isso facilitaria os pacientes a analisarem com mais clareza seus traumas e os impactos em suas vidas.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 quem acredite que uma eventual aplica\u00e7\u00e3o terap\u00eautica, mesmo sob circunst\u00e2ncias controladas, possa incentivar o uso ilegal recreativo das subst\u00e2ncias. &#8220;Isso passa uma mensagem de que essa droga ir\u00e1 ajud\u00e1-lo a resolver seus problemas, quando muitas vezes ela cria problemas&#8221;, afirmou o psic\u00f3logo Andrew Parrott, da Universidade de Swansea (Reino Unido), ao jornal\u00a0<i>The New York Times<\/i>.<\/p>\n<p>Outro ponto importante \u00e9 que o comprimido de ecstasy vendido de forma ilegal nas ruas, e que supostamente teria o MDMA em sua composi\u00e7\u00e3o, pode ser formado por outras subst\u00e2ncias, perigosas e potencialmente danosas \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Ayahuasca e depress\u00e3o<\/h2>\n<p>Quem tamb\u00e9m apresentou estudos no congresso Ci\u00eancia Psicod\u00e9lica 2017 foi o neurocientista brasileiro Dr\u00e1ulio de Ara\u00fajo, do Instituto do C\u00e9rebro da UFRN.<\/p>\n<p>Ara\u00fajo e equipe estudam h\u00e1 oito anos o potencial antidepressivo da ayahuasca, ch\u00e1 tamb\u00e9m conhecido como santo-daime e usado h\u00e1 s\u00e9culos em rituais religiosos na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C57F\/production\/_96995505_maxresdefault-1.jpg\" alt=\"Comunidade Ceu da Lua Cheia\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Prod<\/span><\/span><span class=\"media-caption__text\">u\u00e7\u00e3o do ch\u00e1 de ayahuasca em igreja na Grande S\u00e3o Paulo; Brasil est\u00e1 \u00e0 frente de estudos sobre potencial m\u00e9dico da bebida<\/span><\/figure>\n<p>No experimento mais recente, selecionaram 29 pacientes com depress\u00e3o resistente a tratamento &#8211; 14 receberam a ayahuasca e 15 tomaram um ch\u00e1 como placebo. Ap\u00f3s uma semana, 64% dos pacientes do grupo da ayahuasca tinham reduzido os sintomas da depress\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Embora o efeito placebo seja alto nesses casos, superior a 50%, o efeito da ayahuasca foi estatisticamente mais significativo do que nesse grupo de controle&#8221;, diz Ara\u00fajo. No Brasil, o uso religioso da ayahuasca \u00e9 legal, regulamentado desde 2010.<\/p>\n<p>Outra linha de pesquisa sobre ayahuasca e depress\u00e3o, mas usando componentes isolados da bebida, \u00e9 liderada pelo neurocientista Stevens Rehen, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Instituto D&#8217;or de Pesquisa e Ensino.<\/p>\n<p>A equipe de Rehen comprovou que uma mol\u00e9cula da bebida, a harmina, pode incentivar o processo de neurog\u00eanese, de forma\u00e7\u00e3o de novas c\u00e9lulas neurais humanas &#8211; efeito semelhante aos alcan\u00e7ados por medicamentos tradicionais para depress\u00e3o &#8211; e a pr\u00f3pria regenera\u00e7\u00e3o de neur\u00f4nios.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s quatro dias em contato com c\u00e9lulas relacionadas ao processo de forma\u00e7\u00e3o de neur\u00f4nios, a harmina elevou a prolifera\u00e7\u00e3o dessas c\u00e9lulas em 70%.<\/p>\n<p>Embora mais estudos sejam necess\u00e1rios e n\u00e3o haja garantia de que o uso do ch\u00e1 de ayahuasca tenha o mesmo efeito, pois as intera\u00e7\u00f5es bioqu\u00edmicas s\u00e3o mais complexas com a bebida integral, pesquisadores j\u00e1 colocaram o composto na lista de poss\u00edveis drogas contra depress\u00e3o.<\/p>\n<p>Para a antrop\u00f3loga Beatriz Labate, o Brasil est\u00e1 assumindo um papel de destaque nas pesquisas sobre potencial terap\u00eautico da ayahuasca.<\/p>\n<p>&#8220;O uso da ayahuasca \u00e9 regulamentado no Brasil, e est\u00e1 ligado a tradi\u00e7\u00f5es com ra\u00edzes culturais na Amaz\u00f4nia, al\u00e9m de ter uma penetra\u00e7\u00e3o e legitimidade razo\u00e1vel em grandes cidades. Tudo isso cria um ambiente de pesquisa mais favor\u00e1vel, com maior acesso \u00e0 subst\u00e2ncia, menos burocracias, estigmas e bloqueios. Tamb\u00e9m h\u00e1 um di\u00e1logo entre pesquisadores e usu\u00e1rios, o que \u00e9 muito rico&#8221;, afirma.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Renascimento&#8217; da terap\u00eautica psicod\u00e9lica<\/h2>\n<p>Fala-se em &#8220;renascimento&#8221; da ci\u00eancia psicod\u00e9lica porque drogas como LSD, sintetizada pela primeira vez nos anos 1930, foram alvo de centenas de estudos cl\u00ednicos nos anos 1950 e 1960.<\/p>\n<p>Pesquisadores acreditavam que essas subst\u00e2ncias poderiam revelar dados sobre o funcionamento da mente e abrir caminhos para tratamentos revolucion\u00e1rios. Ao mesmo tempo, as drogas eram celebradas por artistas e m\u00fasicos como parte da contracultura da era hippie.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1139F\/production\/_96995507_maxresdefault.jpg\" alt=\"Sidarta Ribeiro\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">&#8216;Quando regulamentar os (usos terap\u00eauticos) dos psicod\u00e9licos vamos caminhar para uma situa\u00e7\u00e3o como esporte de aventura. Fazer paraquedismo ou mergulho \u00e9 seguro ou perigoso, depende de seu treinamento&#8217;, afirma Sidarta Ribeiro<\/span><\/figure>\n<p>Mas o foco, na cobertura da imprensa, em casos de problemas decorrentes do consumo desmedido dessas drogas, como suic\u00eddios e suposta decad\u00eancia moral, levaram a uma rea\u00e7\u00e3o que culminou com a proibi\u00e7\u00e3o nos EUA, em 1970, do uso do LSD e de outros psicod\u00e9licos &#8211; legisla\u00e7\u00e3o que foi seguida por outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Isso levou a um hiato de quase uma gera\u00e7\u00e3o nas pesquisas cient\u00edficas rigorosas sobre os efeitos das subst\u00e2ncias psicod\u00e9licas, que come\u00e7aram a ser retomadas apenas no final dos anos 1990.<\/p>\n<p>&#8220;Essa demanda de pesquisa e aplica\u00e7\u00e3o na \u00e1rea m\u00e9dica ficou reprimida por 30 anos, e hoje h\u00e1 uma evolu\u00e7\u00e3o gradativa na ci\u00eancia dos psicod\u00e9licos&#8221;, avalia Dr\u00e1ulio de Ara\u00fajo.<\/p>\n<p>O neurocientista diz n\u00e3o acreditar que subst\u00e2ncias como LSD e MDMA ser\u00e3o encontradas em prateleiras de farm\u00e1cias no futuro. Para ele, o cen\u00e1rio mais prov\u00e1vel, caso passem por todos os testes e autoriza\u00e7\u00f5es, \u00e9 que se enquadrem mais como auxiliares de tratamento do que como medica\u00e7\u00e3o em si.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o vejo a perspectiva de um m\u00e9dico receitar, por exemplo, 50 ml de ayahuasca para um paciente com depress\u00e3o, mas a possibilidade de um uso controlado, no ambiente correto, como uma ferramenta de procedimento.&#8221;<\/p>\n<p>Para Sidarta Ribeiro, \u00e9 preciso regulamentar o uso terap\u00eautico de todas essas drogas, &#8220;porque todas podem ser usadas e abusadas&#8221;. &#8220;Isso dar\u00e1 seguran\u00e7a de uso pessoal, porque n\u00e3o h\u00e1 droga do bem e droga do mal. Se fosse para proibir subst\u00e2ncias perigosas, o \u00e1lcool seria proibido e o ecstasy seria liberado&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Ribeiro v\u00ea ainda um lado moral da &#8220;revolu\u00e7\u00e3o psicod\u00e9lica&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A promessa psicod\u00e9lica no curto prazo \u00e9 cuidar do sofrimento humano, mas no longo prazo \u00e9 cuidar da estrutura\u00e7\u00e3o social. Porque vivemos numa situa\u00e7\u00e3o de muito sofrimento na sociedade, pela desigualdade gigantesca, porque as pessoas que t\u00eam muito, e muito mais do que podem usufruir, n\u00e3o est\u00e3o satisfeitas. A promessa dos psicod\u00e9licos \u00e9 mudar isso&#8221;, sugere.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A promessa psicod\u00e9lica no curto prazo \u00e9 cuidar do sofrimento humano, mas no longo prazo \u00e9 cuidar da estrutura\u00e7\u00e3o social. 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