{"id":207561,"date":"2017-07-30T05:52:20","date_gmt":"2017-07-30T08:52:20","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=207561"},"modified":"2017-07-30T05:52:20","modified_gmt":"2017-07-30T08:52:20","slug":"emagrecedores-vetados-pela-anvisa-e-liberados-pelo-congresso-trazem-riscos-e-dividem-medicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/emagrecedores-vetados-pela-anvisa-e-liberados-pelo-congresso-trazem-riscos-e-dividem-medicos\/","title":{"rendered":"Emagrecedores vetados pela Anvisa e liberados pelo Congresso trazem riscos e dividem m\u00e9dicos"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__name\">Keila Guimar\u00e3es<\/span><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\"><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/CCA7\/production\/_97119325_gettyimages-509557632.jpg\" alt=\"Caixa de comprimidos\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Libera\u00e7\u00e3o de emagrecedores op\u00f5e Congresso Nacional e Anvisa<\/span><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">Tr\u00eas subst\u00e2ncias, duas opini\u00f5es distintas. Feitos \u00e0 base de anfetaminas, os emagrecedores anfepramona, femproporex e mazindol viraram tema de intenso debate ap\u00f3s o Congresso liberar seu uso no Brasil, sob o apoio das sociedades m\u00e9dicas, embora a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) siga afirmando que os riscos \u00e0 sa\u00fade s\u00e3o maiores que os benef\u00edcios.<\/p>\n<p>Os medicamentos, conhecidos como anorex\u00edgenos, atuam no sistema nervoso central para gerar avers\u00e3o a comida e inibir o apetite e, por isso, s\u00e3o utilizados em tratamentos para perda de peso. Em 2011, eles foram vetados ap\u00f3s an\u00e1lise da Anvisa, \u00f3rg\u00e3o ligado ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, mas uma nova lei aprovada pelos parlamentares e sancionada pela Presid\u00eancia da Rep\u00fablica no m\u00eas passado retirou essa trava.<\/p>\n<p>A volta dos rem\u00e9dios divide opini\u00f5es. De acordo com a ag\u00eancia reguladora, os medicamentos trazem riscos a pessoas com predisposi\u00e7\u00f5es a doen\u00e7as card\u00edacas e psiqui\u00e1tricas, e seus benef\u00edcios contra a obesidade s\u00e3o limitados. Pelos mesmos motivos, as subst\u00e2ncias tamb\u00e9m foram proibidas nos Estados Unidos e na Europa, com exce\u00e7\u00e3o da anfepramona, comercializada no mercado americano.<\/p>\n<p>&#8220;Quando a Anvisa fez essa avalia\u00e7\u00e3o, em 2011, ficou comprovado que os efeitos adversos eram perigosos, que as pessoas ficavam dependentes, que havia riscos para os sistemas cardiovascular e neurol\u00f3gico e que os benef\u00edcios eram limitados. A perda de peso, por exemplo, n\u00e3o era consistente&#8221;, afirma \u00e0 BBC Brasil o m\u00e9dico Jarbas Barbosa, diretor-presidente da Anvisa.<\/p>\n<p>&#8220;O que encontramos foi que esses medicamentos trazem riscos graves e resultados inexpressivos&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Mas entidades como o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso) comemoram o retorno dos medicamentos ao pa\u00eds.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/003C\/production\/_97106000_fotomateriaemagrecedores-arturluiz-creativecommons-1.jpg\" alt=\"Feira\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e exerc\u00edcios f\u00edsicos devem ser a base dos programas de emagrecimento, afirmam m\u00e9dicos<\/span><\/figure>\n<p>&#8220;Se h\u00e1 grupo de medicamentos com consenso entre sociedades m\u00e9dicas (sobre seu uso) e dispensado (liberado) em outros pa\u00edses, acreditamos que \u00e9 direito do m\u00e9dico brasileiro ter esses medicamentos em seu arsenal contra a obesidade, mesmo com as limita\u00e7\u00f5es dessas subst\u00e2ncias&#8221;, defende F\u00e1bio Trujilho, presidente da SBEM.<\/p>\n<p>Apesar de celebrar a libera\u00e7\u00e3o, as entidades alertam que de fato h\u00e1 riscos associados aos rem\u00e9dios e que, por isso, precisam ser usados em casos espec\u00edficos e por curtos per\u00edodos de tempo, uma vez que podem causar depend\u00eancia qu\u00edmica.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um medicamento para usar no paciente obeso &#8211; n\u00e3o para quem quer perder dois ou tr\u00eas quilos&#8221;, ressalta Trujilho. &#8220;Essas subst\u00e2ncias n\u00e3o podem ser receitadas para pacientes que consumam outros rem\u00e9dios, e o tratamento n\u00e3o pode ultrapassar tr\u00eas meses&#8221;, explica.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Fabricar ou n\u00e3o fabricar<\/h2>\n<p>Em meio \u00e0 pol\u00eamica, a ind\u00fastria farmac\u00eautica afirma ter recebido com preocupa\u00e7\u00e3o a volta dos emagrecedores.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 algo que enfraquece a posi\u00e7\u00e3o da Anvisa, que deveria ser a \u00fanica respons\u00e1vel pela libera\u00e7\u00e3o de produtos farmac\u00eauticos&#8221;, diz Nelson Mussolini, presidente-executivo do Sindicato da Ind\u00fastria de Produtos Farmac\u00eauticos no Estado de S\u00e3o Paulo (Sindusfarma).<\/p>\n<p>&#8220;Passaram as anfetaminas, e podem agora passar quaisquer produtos.&#8221;<\/p>\n<p>Mesmo com a nova lei, avalia Mussolini, a ind\u00fastria farmac\u00eautica n\u00e3o deve voltar a produzir os inibidores, j\u00e1 que n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel registr\u00e1-los na Anvisa. Por isso, diz, esse mercado n\u00e3o ir\u00e1 mudar no curto-prazo. &#8220;Sabemos que em v\u00e1rios pa\u00edses esses produtos foram contestados pela sua falta de seguran\u00e7a e de efic\u00e1cia. Ent\u00e3o n\u00e3o enxergamos que a ind\u00fastria nacional v\u00e1 fabricar esses medicamentos.&#8221;<\/p>\n<p>Para ele, as farm\u00e1cias de manipula\u00e7\u00e3o devem absorver esse mercado, como j\u00e1 faziam no passado. Mas restam d\u00favidas sobre a origem da mat\u00e9ria-prima que devem utilizar, que precisar\u00e1 ser importada. Com as subst\u00e2ncias banidas em mercados desenvolvidos, os produtos podem vir de pa\u00edses com pouca regula\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>At\u00e9 2011, os rem\u00e9dios consumidos no pa\u00eds que inclu\u00edam esses inibidores de apetite eram produzidos principalmente por empresas brasileiras, como Ach\u00e9 Laborat\u00f3rios (Dualid S e Desobesi-M), Medley (Inibex S e Absten S) e Libbs Farmac\u00eautica (Fagolipo). Mas ap\u00f3s o veto da Anvisa, as empresas abandonaram esse mercado e se voltaram para classes de rem\u00e9dios contra a obesidade aprovadas pela ag\u00eancia &#8211; por\u00e9m mais caras.<\/p>\n<p>Produtos como o Saxenda, da dinamarquesa Novo Nordisk S\/A, s\u00e3o utilizados no tratamento da obesidade e liberados no Brasil. O medicamento d\u00e1 sensa\u00e7\u00e3o de saciedade maior, mas sem os efeitos colaterais das anfetaminas &#8211; em seu caso, eles podem ser outros, como desidrata\u00e7\u00e3o e pancreatite aguda.<\/p>\n<p>O problema, argumenta Trujilho, \u00e9 seu custo mensal: em torno de R$ 700, contra os at\u00e9 R$ 60 dos inibidores de apetite \u00e0 base de anorex\u00edgenos. &#8220;Torna o acesso mais dif\u00edcil&#8221;, diz.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/168E7\/production\/_97119329_gettyimages-646346068.jpg\" alt=\"Consulta m\u00e9dica\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Inibidores de apetite aumentam a press\u00e3o arterial<\/span><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Efeitos colaterais<\/h2>\n<p>A anfepramona, o femproporex e o mazindol s\u00e3o drogas anfetam\u00ednicas, produtos sint\u00e9ticos que estimulam a atividade do sistema nervoso central e, por isso, afetam o comportamento do paciente de diferentes maneiras.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de causar perda de apetite, elas causam ins\u00f4nia e d\u00e3o maior sensa\u00e7\u00e3o de energia. Ao liberar neurotransmissores que aceleram o metabolismo, as subst\u00e2ncias aumentam a press\u00e3o arterial e a frequ\u00eancia card\u00edaca. Nesse processo, a pessoa queima mais calorias e, dessa maneira, perde peso.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, essas subst\u00e2ncias trazem efeitos colaterais graves, principalmente em pessoas com predisposi\u00e7\u00e3o a transtornos psiqui\u00e1tricos.<\/p>\n<p>&#8220;Essas drogas t\u00eam a\u00e7\u00e3o sobre neurotransmissores como a dopamina, a noradrenalina e a serotonina, al\u00e9m de outros. Seus mecanismos de a\u00e7\u00e3o atuam em mecanismos comuns aos que est\u00e3o presentes em quadros como psicoses, esquizofrenia, depress\u00e3o e p\u00e2nico&#8221;, afirma T\u00e1ki Athan\u00e1ssios Cord\u00e1s, psiquiatra e coordenador do programa de transtornos alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Cl\u00ednicas, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Cord\u00e1s, que foi um dos que colaboraram com o parecer da Anvisa de 2011, diz que \u00e9 comum pacientes apresentarem quadros psic\u00f3ticos desencadeados pelos inibidores de apetite, que foram para o mercado negro ap\u00f3s a proibi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Tenho v\u00e1rios casos de pacientes que passaram a tomar essas drogas e apresentam quadros paran\u00f3ides, de persegui\u00e7\u00e3o, quadros depressivos.&#8221;<\/p>\n<p>O principal risco, afirma, \u00e9 que a maioria da popula\u00e7\u00e3o desconhece sua predisposi\u00e7\u00e3o a ter enfermidades psiqui\u00e1tricas &#8211; e o uso das subst\u00e2ncias para emagrecimento pode ter efeitos inesperados e &#8220;acordar&#8221; outras doen\u00e7as. &#8220;O endocrinologista n\u00e3o ser\u00e1 o profissional que ir\u00e1 ver as consequ\u00eancias em seu consult\u00f3rio. Os efeitos ser\u00e3o sentidos pelos psiquiatras e cardiologistas.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma medica\u00e7\u00e3o que pode aumentar tend\u00eancias suicidas&#8221;, acrescenta a endocrinologista Renata Sacramento, do Hospital S\u00e3o Vicente de Paulo, no Rio de Janeiro. &#8220;Alguns pacientes dizem que se sentem horr\u00edveis. Para alguns, funciona, mas \u00e9 a minoria&#8221;, afirma.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1CDF\/production\/_97119370_b21b0433-b4a1-479d-89cc-24d5666368a4.jpg\" alt=\"Homem comendo sandu\u00edche\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Para sociedades m\u00e9dicas, medicamentos podem ajudar pessoas obesas que n\u00e3o tenham contraindica\u00e7\u00f5es<\/span><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Indica\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>Entidades m\u00e9dicas favor\u00e1veis ao uso dos anorex\u00edgenos ressaltam que eles s\u00f3 devem ser usados em casos restritos &#8211; em geral, pacientes obesos e que n\u00e3o tenham contraindica\u00e7\u00f5es, como predisposi\u00e7\u00e3o a doen\u00e7as card\u00edacas e psiqui\u00e1tricas.<\/p>\n<p>De acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, obesos s\u00e3o aqueles com \u00edndice de massa corp\u00f3rea (IMC) acima de 30 kg\/m\u00b2. Outro p\u00fablico-alvo seriam pessoas com sobrepeso e sob o risco de desenvolver doen\u00e7as graves, como o diabetes.<\/p>\n<p>Para esses especialistas, o uso dos rem\u00e9dios para emagrecer auxilia na redu\u00e7\u00e3o dos efeitos nocivos da obesidade, que atinge uma por\u00e7\u00e3o cada vez maior da popula\u00e7\u00e3o. De acordo com dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade divulgados em 2015, 57% dos brasileiros est\u00e3o acima do peso &#8211; em 2003, eram 42%.<\/p>\n<p>&#8220;A obesidade n\u00e3o pode ser vista como m\u00e1 vontade do paciente. Precisa ser vista como doen\u00e7a que precisa de rem\u00e9dios em determinados momentos&#8221;, diz Trujilho, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 importante que o paciente obeso volte a ter essas op\u00e7\u00f5es de tratamento&#8221;, avalia Salom\u00e3o Rodrigues Filho, psiquiatra e conselheiro do Conselho Federal de Medicina, entidade que lamenta a proibi\u00e7\u00e3o das subst\u00e2ncias pela Anvisa. Para a organiza\u00e7\u00e3o, cabe ao m\u00e9dico prescrever o medicamento com seguran\u00e7a, respeitando as restri\u00e7\u00f5es de indica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Pacientes obesos t\u00eam possibilidade muito maior de desenvolver doen\u00e7as cr\u00f4nicas como a diabetes tipo 2, hipertens\u00e3o arterial, o que vai facilitar possibilidades de infarto e de acidentes vasculares cerebrais. Essas s\u00e3o subst\u00e2ncias para evitar esses problemas&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Ambos os profissionais ressaltam que as subst\u00e2ncias precisam ter receita controlada e que m\u00e9dico e paciente devem assinar um termo de responsabilidade, para que estejam cientes dos riscos associados aos medicamentos.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Resist\u00eancia&#8217; ao emagrecimento<\/h2>\n<p>Um dos argumentos utilizados pela Anvisa para proibir as anfetaminas emagrecedoras foi que os benef\u00edcios eram poucos se comparados aos riscos que esses medicamentos apresentavam. Estudo do \u00f3rg\u00e3o regulador na \u00e9poca apontou que as subst\u00e2ncias garantiam perda de peso apenas no curto prazo &#8211; ou seja, ap\u00f3s o tratamento os pacientes voltavam a engordar.<\/p>\n<p>De acordo com a endocrinologista Renata Sacramento, existe de fato um &#8220;efeito rebote&#8221; &#8211; ou seja, o paciente perde peso, mas depois passa a ter mais do que tinha antes. &#8220;Tenho pacientes que j\u00e1 tomaram e emagreceram, mas depois ganharam o triplo e n\u00e3o conseguiram perder mais.&#8221;<\/p>\n<p>A m\u00e9dica diz que a perda de peso fica ainda mais dif\u00edcil ap\u00f3s esse efeito. &#8220;O corpo cria uma esp\u00e9cie de &#8216;resist\u00eancia&#8217; ao emagrecimento&#8221;, explica.<\/p>\n<p>M\u00e9dicos relatam ainda casos em que a suspens\u00e3o do rem\u00e9dio leva a um comportamento de compuls\u00e3o alimentar e a piora do quadro de obesidade anterior.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea est\u00e1 levando gente doente a consumir uma droga que vai deix\u00e1-los ainda mais doentes&#8221;, afirma Cord\u00e1s. &#8220;Mesmo se houvesse benef\u00edcio marginal, o risco sobrepuja muito o benef\u00edcio poss\u00edvel.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/6AFF\/production\/_97119372_gettyimages-509483224.jpg\" alt=\"Comprimidos\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Para representante da ind\u00fastria, farm\u00e1cias de manipula\u00e7\u00e3o devem assumir mercado dos inibidores de apetite<\/span><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Mudan\u00e7a de h\u00e1bito<\/h2>\n<p>Apesar de divergirem dos riscos e benef\u00edcios das subst\u00e2ncias, os especialistas concordam que aqueles que precisam emagrecer n\u00e3o poder\u00e3o escapar da reeduca\u00e7\u00e3o alimentar e da mudan\u00e7a de h\u00e1bitos, como a pr\u00e1tica de atividades f\u00edsicas. Essas medidas levam mais tempo, mas garantem um quadro de emagrecimento saud\u00e1vel e sustent\u00e1vel para o paciente.<\/p>\n<p>&#8220;Como tudo na vida, perder peso \u00e9 dif\u00edcil. Precisa mudar a alimenta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o fumar, fazer atividade f\u00edsica. O problema \u00e9 que quando chega um rem\u00e9dio, as pessoas pulam etapas e n\u00e3o querem fazer a parte mais importante&#8221;, avalia Sacramento.<\/p>\n<p>Trujilho, da SBEM, diz que as subst\u00e2ncias devem ser usadas apenas no in\u00edcio do tratamento para ajudar o paciente a incorporar uma dieta regrada, e que a reeduca\u00e7\u00e3o alimentar \u00e9 necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso usar o medicamento por determinado per\u00edodo, para auxiliar o organismo a se adaptar a um novo comportamento.&#8221;<\/p>\n<p>A melhor maneira de enxergar a medica\u00e7\u00e3o \u00e9 como parte de um trip\u00e9 que possui outros elementos tamb\u00e9m essenciais num programa de emagrecimento, avalia Sacramento. \u00c0s vezes, diz a m\u00e9dica, o paciente j\u00e1 chega ao consult\u00f3rio com a ideia fixa de que precisa de um medicamento &#8211; e cabe ao m\u00e9dico educ\u00e1-lo e deixar claro que n\u00e3o h\u00e1 efeito imediato sem consequ\u00eancias graves.<\/p>\n<p>&#8220;O rem\u00e9dio nunca ser\u00e1 a base da pir\u00e2mide&#8221;, explica. &#8220;A base \u00e9 reeduca\u00e7\u00e3o alimentar e exerc\u00edcio f\u00edsico.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Keila Guimar\u00e3es Libera\u00e7\u00e3o de emagrecedores op\u00f5e Congresso Nacional e Anvisa Tr\u00eas subst\u00e2ncias, duas opini\u00f5es distintas. 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