{"id":209689,"date":"2017-08-10T05:33:24","date_gmt":"2017-08-10T08:33:24","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=209689"},"modified":"2017-08-10T05:33:24","modified_gmt":"2017-08-10T08:33:24","slug":"o-cinema-de-ponta-dos-ultimos-anos-no-brasil-e-o-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-cinema-de-ponta-dos-ultimos-anos-no-brasil-e-o-do-nordeste\/","title":{"rendered":"\u201cO cinema de ponta dos \u00faltimos anos no Brasil \u00e9 o do Nordeste\u201d"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Diretor do Cine Cear\u00e1 fala sobre a import\u00e2ncia de produ\u00e7\u00f5es fora do eixo Rio-S\u00e3o Paulo<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div class=\"compartir-varios\"><\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Marina Rossi\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/marina_rossi_fernandes\/a\/\">MARINA ROSSI<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/07\/cultura\/1502139128_573246_1502139248_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/07\/cultura\/1502139128_573246_1502139248_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/07\/cultura\/1502139128_573246_1502139248_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/07\/cultura\/1502139128_573246_1502139248_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Wolney Oliveira diretor do Cine Cear\u00e1\" width=\"980\" height=\"577\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Wolney Oliveira, na edi\u00e7\u00e3o do ano passado do Cine Cear\u00e1.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">ROGERIO RESENDE \/ DIVULGA\u00c7\u00c3O<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p>O cineasta cearense Wolney Oliveira se mostra orgulhoso. O Cine Cear\u00e1, festival de cinema do qual ele \u00e9 diretor-executivo, chegou \u00e0 27\u00aa edi\u00e7\u00e3o neste ano, com uma programa\u00e7\u00e3o diversa,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/08\/06\/cultura\/1502052515_714564.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">iniciada no s\u00e1bado com o impactante filme chileno\u00a0<em>Uma mulher fant\u00e1stica<\/em><\/a>. Al\u00e9m da exibi\u00e7\u00e3o de filmes ibero-americanos, o festival tem a fun\u00e7\u00e3o de atrair os olhos para a regi\u00e3o Norte e Nordeste do Brasil. Na entrevista abaixo, ele elogia o desempenho internacional dos filmes nordestinos nos \u00faltimos anos e defende as pol\u00edticas que destinam verba para a descentraliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CJ2E_a-gzNUCFRWIkQod20kKGw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-integralas-id-277973b7-143f-8b74-f9ae-df63f506170c=\"\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Pergunta.<\/strong>\u00a0No festival do ano passado, voc\u00ea falava muito em crise como problema para a capta\u00e7\u00e3o de recursos. Como est\u00e1 2017?<\/p>\n<p><strong>Resposta.<\/strong>\u00a0Bem pior. Para voc\u00ea ter uma ideia, o Cine Cear\u00e1 tradicionalmente acontecia em junho, mas no in\u00edcio deste ano n\u00f3s tomamos a decis\u00e3o de definitivamente colocar o festival no segundo semestre, no m\u00eas de agosto, porque se fosse em junho, a gente n\u00e3o ia conseguir viabilizar financeiramente o evento. Outra coisa importante na decis\u00e3o de mudar a data \u00e9 que,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/02\/08\/cultura\/1486576814_802106.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">como [o festival de] Berlim \u00e9 em mar\u00e7o<\/a>\u00a0e [o festival de] Cannes \u00e9 em maio, os filmes que participam deles s\u00f3 v\u00e3o decidir as estrat\u00e9gias de lan\u00e7amento deles bem mais l\u00e1 na frente. Foi o que aconteceu com\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/08\/06\/cultura\/1502052515_714564.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Uma mulher fant\u00e1stica<\/em><\/a>. Foi uma decis\u00e3o acertada porque conseguimos fazer uma bela sele\u00e7\u00e3o dos longas, uma das melhores at\u00e9 agora, e conseguimos fazer a capta\u00e7\u00e3o de verbas sem baixar o n\u00edvel do festival.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0De maneira geral, qual \u00e9 a expectativa do audiovisual para o pr\u00f3ximo ano?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, apesar da crise, n\u00e3o s\u00f3 pol\u00edtica, mas econ\u00f4mica, o audiovisual, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de longas-metragens e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de miniss\u00e9ries \u00e9\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/12\/16\/cultura\/1481914637_758602.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uma das poucas \u00e1reas que n\u00e3o est\u00e1 em crise.<\/a><\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Por qu\u00ea?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Porque na cultura, o audiovisual \u00e9 uma das classes mais organizadas. N\u00e3o existe a Ag\u00eancia Nacional da M\u00fasica ou das Artes Pl\u00e1sticas, mas existe\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/02\/01\/cultura\/1485965251_707804.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a Ag\u00eancia Nacional de Cinema (Ancine)<\/a>. E por um motivo fundamental: a atividade se financia atrav\u00e9s dela mesma. Com a cria\u00e7\u00e3o da\u00a0<a href=\"mailto:https:\/\/ancine.gov.br\/condecine\">Condecine [Contribui\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento da Ind\u00fastria Cinematogr\u00e1fica Nacional]<\/a>, por exemplo, hoje, quando voc\u00ea compra um aparelho celular, uma porcentagem do que voc\u00ea paga vai para a Ancine. Qualquer comercial que seja exibido tamb\u00e9m deixa um valor para a ag\u00eancia. A arrecada\u00e7\u00e3o total \u00e9 alta, cerca de 1,3 bilh\u00e3o de reais. Do valor, obrigatoriamente 30% devem ser gastos nas regi\u00f5es Norte, Nordeste e Centro-Oeste, mas a Ancine n\u00e3o estava cumprindo este percentual. Hoje isso mudou, mas, ainda assim, a ag\u00eancia n\u00e3o normalizou atrav\u00e9s de uma instru\u00e7\u00e3o normativa, para que fique no papel esta divis\u00e3o. Essa \u00e9 uma das coisas que pedimos ao Minist\u00e9rio da Cultura (Minc): a cria\u00e7\u00e3o de uma IN [instru\u00e7\u00e3o normativa]. Sobre a mudan\u00e7a no comando do Minc, houve uma tentativa de acabar com o minist\u00e9rio, mas se recuou. A\u00ed tentaram colocar a filha do [presidente do PDT, que ficou conhecido na \u00e9poca do Mensal\u00e3o] Roberto Jefferson [a deputada Cristiane Brasil, do PTB], que eu nem vou comentar. Depois tentaram colocar um suplente de um deputado estadual da Para\u00edba, grande defensor da vaquejada como a\u00e7\u00e3o cultural. No final,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/02\/10\/cultura\/1486754711_242901.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">foi Sergio S\u00e1 Leit\u00e3o<\/a>, que tem um curr\u00edculo na \u00e1rea do audiovisual, trabalhou com Gilberto Gil&#8230;<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0A expectativa \u00e9 boa ent\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0\u00c9 boa. Tanto \u00e9, que, recentemente, a secretaria do audiovisual lan\u00e7ou v\u00e1rios editais. Um deles para os festivais de cinema, algo que n\u00e3o acontecia h\u00e1 muito tempo. Os festivais tiveram poder de voz para pedir \u00e0 Ancine que se crie uma linha no futuro, talvez no ano que vem, para financiamento dos festivais de cinema e dos eventos do mercado. \u00c9 uma atividade que cresceu mais do que a ind\u00fastria farmac\u00eautica, ent\u00e3o merece esta aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Ent\u00e3o tem este fator, de ser uma atividade que se autoalimenta, financeiramente falando, mas tamb\u00e9m de ser organizada&#8230;.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Exatamente. E tem uma coisa importante, agora falando do Cine Cear\u00e1, que \u00e9 um dos poucos festivais no Brasil que se preocupa com a quest\u00e3o pol\u00edtica do audiovisual brasileiro, principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 descentraliza\u00e7\u00e3o. N\u00f3s criamos em 2012 o que batizamos de APCNN, que \u00e9 a Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores e Cineastas do Norte de Nordeste. Na \u00e9poca, o ministro Gilberto Gil batizou de APCNENEM, que \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o da APCNN, com a entrada do Centro-Oeste. S\u00e3o 20 Estados mais o Distrito Federal, por isso querermos legalizar os 30% que s\u00e3o nossos, pela lei. Por causa destes investimentos \u00e9 que tem gente hoje filmando miniss\u00e9rie no Amap\u00e1, no Acre, em diversos Estados da nossa regi\u00e3o. E com todo o respeito ao Rio e S\u00e3o Paulo, que s\u00e3o os maiores produtores e que logicamente v\u00e3o continuar sendo, porque a ind\u00fastria est\u00e1 l\u00e1, mas o cinema de ponta dos \u00faltimos anos \u00e9 o cinema do Nordeste,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/01\/25\/cultura\/1485354695_393071.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00e9\u00a0<em>Aquarius<\/em>\u00a0[Kleber Mendon\u00e7a Filho, 2016]<\/a>, \u00e9\u00a0<em>Boi Neon<\/em>\u00a0[Gabriel Mascaro, 2015], \u00e9 o\u00a0<em>O<\/em>\u00a0<em>Gr\u00e3o<\/em>\u00a0(Petrus Cariry, 2007], s\u00e3o os filmes que sa\u00edram do Nordeste. Se voc\u00ea fizer uma pesquisa nos \u00faltimos 10, 15 anos da presen\u00e7a do cinema brasileiro nos festivais, voc\u00ea vai ver que o desempenho ou o aproveitamento do cinema do Nordeste \u00e9 o melhor do Brasil.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0<em>Uma mulher fant\u00e1stica<\/em>, filme que abre a edi\u00e7\u00e3o deste ano do Cine Cear\u00e1, \u00e9 bastante impactante. Como foi a escolha deste longa para abrir?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0\u00c9 um filme impactante, mas que j\u00e1 vinha com a carreira de ter ganho o Urso de Prata em Berlim, e tamb\u00e9m o Teddy. Al\u00e9m disso, o Chile j\u00e1 \u00e9 um cliente ass\u00edduo do Cine Cear\u00e1, porque n\u00f3s tivemos aqui\u00a0<em>Violeta se fue a los cielos<\/em>\u00a0[Andr\u00e9 Wood, 2012], tivemos\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/cultura\/2015\/09\/18\/actualidad\/1442600977_801076.html\"><em>O Clube<\/em>\u00a0[2015], do Pablo Larra\u00edn<\/a>, que \u00e9 sensacional e ganhou [no festival de] Berlim e no Cine Cear\u00e1. A primeira coisa que a gente prioriza \u00e9 a qualidade do filme. A curadoria \u00e9 neste sentido, de trazer os melhores filmes, de prefer\u00eancia que eles j\u00e1 tenham tido uma carreira em outros festivais, mas isso n\u00e3o \u00e9 determinante. Outro ponto \u00e9 de tratar de um filme de um pa\u00eds ibero-americano que nunca tenha chegado no Brasil ou no Cear\u00e1.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Neste ano, h\u00e1 dois longas cubanos na programa\u00e7\u00e3o. O que norteou a escolha deles?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Um, da nova gera\u00e7\u00e3o, \u00e9 o do Carlos Lechuga, com\u00a0<em>Santa &amp; Andres<\/em>\u00a0[2016]. Este filme foi censurado em Cuba, n\u00e3o passou no Festival de Havana. Eu disse &#8220;o filme que mais me interessa em Cuba \u00e9 aquele que eu n\u00e3o vi ainda. Se foi censurado \u00e9 porque \u00e9 bom&#8221;.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Foi censurado por qu\u00ea?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Na minha vis\u00e3o aconteceu o seguinte:\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/11\/26\/internacional\/1480139571_674437.html\">poucos dias depois de Fidel morrer<\/a>, o filme come\u00e7ou a fazer carreira internacional. E como tem uma cr\u00edtica ao regime, eles n\u00e3o quiseram selecionar. Isso \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o deles, que eu respeito. Mas aqui, n\u00f3s selecionamos este filme, e o de Fernando P\u00e9rez, o cineasta cubano vivo mais importante depois de Guti\u00e9rrez Alea, com\u00a0<em>\u00daltimos dias em Havana<\/em>. Pela primeira vez temos dois filmes cubanos. Tentamos selecionar um filme portugu\u00eas que estava em Cannes mas n\u00e3o conseguimos. Neste ano n\u00e3o temos nenhum filme de Portugal e nem da Espanha. Dos filmes brasileiros n\u00f3s temos dois: o\u00a0<em>Malasartes<\/em>, uma superprodu\u00e7\u00e3o do Paulo Morelli, o filme brasileiro com mais efeitos especiais da hist\u00f3ria, e\u00a0<em>Pedro sob a cama<\/em>\u00a0[Paulo Pons, 2017], que \u00e9 um filme de baixo or\u00e7amento, sobre a rela\u00e7\u00e3o de pais e filhos.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0O Chile est\u00e1 sendo o pa\u00eds homenageado deste ano aqui, e no Festival de Cinema Latino-americano de S\u00e3o Paulo, tamb\u00e9m foi. \u00c9 o novo momento do cinema chileno?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0O Chile, apesar de ser um pa\u00eds pequeno, que n\u00e3o produz tantos filmes como produz o Brasil ou o M\u00e9xico, tem aproveitamento que \u00e9 um dos melhores no contexto ibero-americano. Produz pouco, mas a repercuss\u00e3o internacional desta produ\u00e7\u00e3o pequena \u00e9 gigante. Por exemplo, o Peru produz cerca de dez longas por ano. Mas o sucesso destes dez longas no cinema internacional \u00e0s vezes \u00e9 maior do que o sucesso de 100 longas produzidos no Brasil.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Isso se d\u00e1 a qu\u00ea? Mais investimento, melhores estrat\u00e9gias, \u00e9 uma quest\u00e3o de qualidade?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Existe um grupo pequeno de pessoas que produzem os longas l\u00e1, e com isso existe uma uni\u00e3o no cinema chileno no sentido de viabilizar as produ\u00e7\u00f5es. Por outro lado, eu acho que a melhor escola de roteiro da Am\u00e9rica Latina \u00e9 a Argentina. Em 2014, quando homenageamos a cinematografia argentina,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/11\/06\/cultura\/1446842041_621128.html\">trouxemos o Daniel Burman<\/a>\u00a0como homenageado e na conversa seguinte eu perguntei pra ele por que os roteiros argentinos eram t\u00e3o bons. A Argentina \u00e9 um dos pa\u00edses que tem mais escola de cinema no mundo. S\u00e3o mais de 100 escolas de cinema, \u00e9 impressionante. Mas ele me disse que n\u00e3o, n\u00e3o era por isso. Ele me disse \u00e9 porque na Argentina se l\u00ea muito. O livro \u00e9 muito barato, voc\u00ea compra em qualquer lugar. Ent\u00e3o eu acho que no Chile tamb\u00e9m se l\u00ea muito.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Qual ser\u00e1 o pa\u00eds homenageado do ano que vem?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Ainda n\u00e3o est\u00e1 definido, estamos entre Col\u00f4mbia e Cuba.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existe um grupo pequeno de pessoas que produzem os longas l\u00e1, e com isso existe uma uni\u00e3o no cinema chileno no sentido de viabilizar as produ\u00e7\u00f5es. Por outro lado, eu acho que a melhor escola de roteiro da Am\u00e9rica Latina \u00e9 a Argentina. 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