{"id":211402,"date":"2017-08-19T07:33:25","date_gmt":"2017-08-19T10:33:25","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=211402"},"modified":"2017-08-19T07:33:25","modified_gmt":"2017-08-19T10:33:25","slug":"cientistas-em-guerra-newton-leibniz-e-o-calculo-infinitesimal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/cientistas-em-guerra-newton-leibniz-e-o-calculo-infinitesimal\/","title":{"rendered":"Cientistas em guerra: Newton, Leibniz e o c\u00e1lculo infinitesimal"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">A briga mostrou Newton colossal, vingativo e complexo; o cientista, mas tamb\u00e9m o mago e o m\u00edstico<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div class=\"compartir-varios\"><\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Antonio J. Dur\u00e1n\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/antonio_j_duran\/a\/\">ANTONIO J. DUR\u00c1N<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2017\/07\/31\/ciencia\/1501499450_270522_1501501008_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2017\/07\/31\/ciencia\/1501499450_270522_1501501008_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2017\/07\/31\/ciencia\/1501499450_270522_1501501008_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2017\/07\/31\/ciencia\/1501499450_270522_1501501008_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Isaac Newton\" width=\"980\" height=\"549\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">O cientista brit\u00e2nico Isaac Newton (1643-1727).<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A disputa mais c\u00e9lebre da hist\u00f3ria da ci\u00eancia foi protagonizada por\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/isaac_newton\/a\">Isaac Newton<\/a>e Gottfried Leibniz h\u00e1 300 anos. O objetivo da \u00e1rdua briga, que marcou o procedimento para resolver \u2013 ou pelo menos tentar \u2013 conflitos posteriores desse tipo, era determinar a prioridade no descobrimento do c\u00e1lculo infinitesimal. Foi nessa pol\u00eamica que Newton cunhou uma frase que ainda seria ouvida muitas vezes: \u201cOs segundos inventores n\u00e3o t\u00eam direitos.\u201d<\/p>\n<section id=\"sumario_3|apoyos\" class=\"sumario_apoyos derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\"><\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">O c\u00e1lculo infinitesimal \u00e9 uma ferramenta cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica do mais alto n\u00edvel, sem d\u00favida a mais poderosa e eficaz para o estudo da natureza j\u00e1 desenvolvida pelos matem\u00e1ticos. Considera-se que Newton e Leibniz o descobriram porque: (1) sintetizaram dois conceitos que hoje denominamos derivada e integral, (2) desenvolveram as ferramentas que permitem manej\u00e1-los, (3) mostraram que s\u00e3o conceitos inversos \u2013 a isto se chama o teorema fundamental do c\u00e1lculo \u2013, e (4) ensinaram como utiliz\u00e1-los para resolver de forma unificada um enorme cat\u00e1logo de problemas que at\u00e9 ent\u00e3o eram estudados caso a caso. O c\u00e1lculo infinitesimal transformou em meros exerc\u00edcios ao alcance de um estudante de Bacharelado problemas cuja resolu\u00e7\u00e3o requeria o g\u00eanio de um Arquimedes, um Galileu, um Fermat ou um Pascal.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">A pol\u00eamica foi \u00e1spera, e, por vezes, muito suja<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">O objeto da disputa entre Newton e Leibniz certamente valia a briga. A pol\u00eamica foi \u00e1spera, e, por vezes, muito suja. Refletiu a singularidade de seus protagonistas e exp\u00f4s algumas das mais apaixonantes complexidades desses dois g\u00eanios da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ciencia\/a\">ci\u00eancia<\/a>\u00a0e do pensamento. A briga mostrou um Newton colossal, vingativo e complexo; mostrou-nos o cientista, mas as entrelinhas revelam tamb\u00e9m o mago e, sobretudo, o m\u00edstico. Nos escritos que Newton dedicou ao tema, encena-se uma esp\u00e9cie de adiantamento do julgamento final onde cada qual presta contas e s\u00e3o seus feitos passados que o salvam ou condenam. Percebemos, quase em cada palavra que Newton escreveu sobre a controv\u00e9rsia, a profunda religiosidade com que ele entendia cada fato da vida, incluindo o fato cient\u00edfico. Enquanto Newton \u201cquando atacava, encolhia a cabe\u00e7a e arremetia\u201d, Leibniz era mais sibilino e incisivo, mas menos obsessivo, tanto que at\u00e9 se permitiu brincar sobre o assunto da pol\u00eamica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A guerra cient\u00edfica terminou com a morte de Newton em 1727 e n\u00e3o chegou a esclarecer totalmente a quest\u00e3o da prioridade; entre outras coisas porque alguns documentos fundamentais s\u00f3 ca\u00edram em dom\u00ednio p\u00fablico s\u00e9culos depois de acabada a briga. A verdade \u00e9 que Newton e Leibniz descobriram o c\u00e1lculo de forma independente. Newton entre 1666 e 1669, e j\u00e1 tinha escrito dois livros em 1671. Divulgou-os s\u00f3 a um grupo de colegas, mas n\u00e3o os publicou \u2013 tinha pavor de ver suas obras serem criticadas; o primeiro desses livros s\u00f3 foi publicado em 1704 e o segundo em 1736 \u2013 nove anos depois da morte de Newton! Leibniz descobriu o c\u00e1lculo alguns anos depois de Newton, entre 1675 e 1676, nos dois \u00faltimos dos quase cinco anos que passou em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/paris\/a\">Paris<\/a>. Mas publicou seus descobrimentos antes, em 1684 e 1686. As vers\u00f5es do c\u00e1lculo de Newton e Leibniz foram conceitualmente distintas, e seus conceitos fundamentais ligeiramente diferentes dos nossos.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">Newton e Leibniz descobriram o c\u00e1lculo de forma independente<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que torna o c\u00e1lculo infinitesimal t\u00e3o vers\u00e1til \u00e9 a grande variedade de processos matem\u00e1ticos, f\u00edsicos, tecnol\u00f3gicos, econ\u00f4micos e de outras \u00edndoles muito diversas que s\u00e3o modelizados com derivadas e integrais. A derivada \u00e9, por exemplo, um conceito fundamental da f\u00edsica, pois d\u00e1 conta de velocidades e acelera\u00e7\u00f5es instant\u00e2neas, e for\u00e7as. Vemos outro exemplo da versatilidade do c\u00e1lculo quando fazemos uma resson\u00e2ncia magn\u00e9tica ou uma tomografia. Esses procedimentos consistem em ondas que entram e saem de nosso corpo e, de certa forma, o que cada onda faz quando nos atravessa \u00e9 uma integral, cujo valor \u00e9 a diferen\u00e7a de intensidade entre\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/02\/11\/ciencia\/1455219405_370756.html\">a onda que entra e a que sai<\/a>; o que a m\u00e1quina faz \u00e9 adivinhar o interior de nosso corpo levando em conta os valores de todas essas integrais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00edsica moderna nasceu com Newton e, n\u00e3o por acaso, foi ele um dos inventores do c\u00e1lculo infinitesimal. O c\u00e1lculo infinitesimal foi o aliado que permitiu a Newton arrematar em sua obra m\u00e1xima, os\u00a0<em>Principia<\/em>, a revolu\u00e7\u00e3o astron\u00f4mica iniciada Cop\u00e9rnico um s\u00e9culo e meio antes. Leibniz e seus disc\u00edpulos tamb\u00e9m utilizaram o c\u00e1lculo para resolver diversos problemas mec\u00e2nicos que at\u00e9 ent\u00e3o pareciam intrat\u00e1veis, mesmo para g\u00eanios da magnitude de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/leonardo_da_vinci\/a\/\">Leonardo da Vinci<\/a>\u00a0ou Galileu.<\/p>\n<p class=\"nota_pie\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Antonio J. Dur\u00e1n<\/strong>\u00a0\u00e9 matem\u00e1tico e escritor.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A guerra cient\u00edfica terminou com a morte de Newton em 1727 e n\u00e3o chegou a esclarecer totalmente a quest\u00e3o da prioridade; entre outras coisas porque alguns documentos fundamentais s\u00f3 ca\u00edram em dom\u00ednio p\u00fablico s\u00e9culos depois de acabada a briga. 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