{"id":211752,"date":"2017-08-21T08:26:07","date_gmt":"2017-08-21T11:26:07","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=211752"},"modified":"2017-08-21T08:26:07","modified_gmt":"2017-08-21T11:26:07","slug":"congelamento-do-ovario-esperanca-para-engravidar-depois-do-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/congelamento-do-ovario-esperanca-para-engravidar-depois-do-cancer\/","title":{"rendered":"Congelamento do ov\u00e1rio, a esperan\u00e7a para engravidar depois do c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"<div class=\"cabecera__envoltorio\">\n<header id=\"cabecera\" class=\"cabecera\">\n<div id=\"cabecera__interior\" class=\"cabecera__interior\">\n<div class=\"cabecera-inferior\">\n<div class=\"cabecera-inferior__interior\">\n<div id=\"elpais\" class=\"elpais\">\n<div id=\"elpais-menu\" class=\"elpais-menu\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<\/div>\n<div class=\"articulo__envoltorio\">\n<article class=\"articulo articulo--nointro \">\n<div id=\"articulo_interior\" class=\"articulo__interior\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Quimioterapia pode levar \u00e0 fal\u00eancia de ov\u00e1rio, mas congelar tecido para reimplant\u00e1-lo \u00e9 sa\u00edda<\/h2>\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Banco de ov\u00e1rios no Cear\u00e1 usa t\u00e9cnica pioneira no Brasil e estuda uso contra osteoporos<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\"><\/div>\n<\/aside>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/18\/ciencia\/1503072250_162230_1503073055_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/18\/ciencia\/1503072250_162230_1503073055_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/18\/ciencia\/1503072250_162230_1503073055_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/18\/ciencia\/1503072250_162230_1503073055_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"congelamento ov\u00e1rio\" width=\"980\" height=\"579\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Os m\u00e9dicos L\u00edgia Melo Silva e Jo\u00e3o Marcos Meneses no banco de ov\u00e1rios da Maternidade Escola da Universidade Federal do Cear\u00e1.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">JARBAS OLIVEIRA<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Marina Rossi\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/marina_rossi_fernandes\/a\/\">MARINA ROSSI<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p>Em 2014, a estudante de enfermagem Maria Edite Lopes Alc\u00e2ntara, de 22 anos, come\u00e7ou a sentir fortes dores na perna esquerda. Investigando as causas do inc\u00f4modo, acabou por descobrir que tinha um tipo raro de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/cancer\/a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">c\u00e2ncer<\/a>, chamado sarcoma sinusal da parte mole. O nome estranho significa, de maneira geral, um tipo de tumor que pode afetar as cartilagens, a gordura, os m\u00fasculos e vasos sangu\u00edneos do corpo. Rapidamente, ela iniciou os tratamentos para combater a doen\u00e7a, mas uma outra preocupa\u00e7\u00e3o rondava a cabe\u00e7a do seu oncologista.<\/p>\n<p>&#8220;Meu m\u00e9dico ficou com medo de eu ter fal\u00eancia ovariana por causa da medica\u00e7\u00e3o&#8221;, conta ela, que na \u00e9poca estava fazendo radioterapia. &#8220;\u00c9 meio chocante voc\u00ea ter 19 anos e saber que seus ov\u00e1rios podem morrer&#8221;. Ela se refere \u00e0 possibilidade de os ov\u00e1rios pararem de funcionar, algo que pode ocorrer como um dos efeitos colaterais do tratamento. Mas a not\u00edcia sobre esta possibilidade foi seguida da valiosa informa\u00e7\u00e3o de que a Maternidade Escola\u00a0Assis Chateaubriand, da Universidade Federal do Cear\u00e1, procurava mulheres no mesmo perfil que ela &#8211; jovens, com algum tipo de c\u00e2ncer &#8211; para participar de um estudo sobre o congelamento de ov\u00e1rios em mulheres com a doen\u00e7a. Sem custos.<\/p>\n<p>Moradora do munic\u00edpio de Gra\u00e7a, a 250 quil\u00f4metros de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/fortaleza\/a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fortaleza<\/a>, a estudante foi at\u00e9 a capital procurar os pesquisadores respons\u00e1veis pelo estudo, os jovens m\u00e9dicos Jo\u00e3o Marcos Meneses, 37, e L\u00edgia Helena Melo Silva, 38. Eles explicam que cerca de 30% das pacientes com c\u00e2ncer que tratam da doen\u00e7a apresentam alguma les\u00e3o no ov\u00e1rio, levando o \u00f3rg\u00e3o a n\u00e3o conseguir mais produzir horm\u00f4nio durante o tratamento. E nem sempre o ov\u00e1rio volta a funcionar ap\u00f3s, o que faz com que estas mulheres, em muitos casos jovens e sem filhos, fiquem inf\u00e9rteis.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|html\" class=\"sumario_html derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">&#8220;\u00c9 meio chocante voc\u00ea ter 19 anos e saber que seus ov\u00e1rios podem morrer&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>&#8220;Descobrimos ent\u00e3o, em Val\u00eancia, na Espanha, que existe esta t\u00e9cnica que congela uma parte do tecido ovariano antes de iniciar o tratamento do c\u00e2ncer&#8221;, explica Jo\u00e3o Marcos. &#8220;Depois da doen\u00e7a curada, ele \u00e9 reimplantado, e volta a funcionar e a produzir horm\u00f4nios normalmente&#8221;. A not\u00edcia, segundo Maria Edite era &#8220;uma luz no fim do t\u00fanel&#8221;.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica consiste em retirar um ter\u00e7o do ov\u00e1rio, ou mais precisamente 1 cent\u00edmetro c\u00fabico do \u00f3rg\u00e3o, congel\u00e1-lo no nitrog\u00eanio e deix\u00e1-lo ali, no chamado banco de ov\u00e1rios, at\u00e9 que a paciente termine totalmente o tratamento contra o c\u00e2ncer. Depois disso, este peda\u00e7o do \u00f3rg\u00e3o pode ser reimplantado, e voltar\u00e1 a produzir os horm\u00f4nios. &#8220;Podemos reimplant\u00e1-lo em qualquer parte do corpo&#8221;, explica a doutora Ligia. &#8220;Nos experimentos com cobaias, colocamos, por exemplo, pr\u00f3ximo ao est\u00f4mago dos camundongos, que \u00e9 uma parte que tem bastante gordura, e 30 dias ap\u00f3s o reimplante os n\u00edveis hormonais subiram&#8221;, comemora. Por ser recente &#8211; o estudo foi iniciado em 2014 &#8211; os m\u00e9dicos ainda n\u00e3o reimplantaram o ov\u00e1rio em nenhuma paciente. O \u00f3rg\u00e3o pode ficar congelado por tempo indeterminado no nitrog\u00eanio.<\/p>\n<h3>Congelamento de \u00f3vulos x congelamento de ov\u00e1rios<\/h3>\n<p>A nova t\u00e9cnica \u00e9 diferente daquela que congela os \u00f3vulos, pois n\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/08\/03\/politica\/1501791214_869482.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">visa somente \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o<\/a>, mas \u00e0 volta da produ\u00e7\u00e3o hormonal das mulheres. Agora uma nova frente da pesquisa mira o tratamento da osteoporose prematura. Em decorr\u00eancia da paralisa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de horm\u00f4nios durante a quimioterapia, muitas destas jovens mulheres come\u00e7am a ter os ossos enfraquecidos. A volta da produ\u00e7\u00e3o de horm\u00f4nio tamb\u00e9m deve contribuir para a volta da massa \u00f3ssea, dizem os m\u00e9dicos. &#8220;Este novo achado abre uma nova expectativa para as pacientes&#8221;, diz Ligia Helena, que come\u00e7ou a estudar esta nova frente no ano passado.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><a class=\"enlace\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: none; font-style: inherit; font-variant: inherit; font-weight: inherit; font-stretch: inherit; font-size: inherit; line-height: inherit; font-family: inherit; vertical-align: baseline; box-sizing: border-box; background-color: transparent; text-decoration: none; color: #016ca2; position: relative; display: block;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/18\/ciencia\/1503072250_162230_1503080577_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/18\/ciencia\/1503072250_162230_1503080577_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/18\/ciencia\/1503072250_162230_1503080577_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"A advogada Carinne Justino: \" width=\"360\" height=\"241\" \/><span class=\"boton_ampliar\">ampliar foto<\/span><\/a><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">A advogada Carinne Justino: &#8220;Procurem o tratamento. Precisamos manter a esperan\u00e7a&#8221;.<\/span><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">JARBAS OLIVEIRA<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>\u00c9 o caso da advogada Carinne Justino, 31, diagnosticada com\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/cancer_mama\/a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">c\u00e2ncer de mama<\/a>\u00a0em 2014. Ela realizou o tratamento com quimioterapia ao longo de um ano, per\u00edodo em que seus ov\u00e1rios continuaram funcionando normalmente. Apesar disso, por causa do tipo de doen\u00e7a que teve, era aconselh\u00e1vel que ela induzisse a menopausa, j\u00e1 que o c\u00e2ncer de mama pode estar vinculado\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/05\/22\/ciencia\/1495455598_150909.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aos horm\u00f4nios produzidos pela mulher<\/a>. &#8220;Por causa da menopausa induzida, optei por congelar meu ov\u00e1rio&#8221;, explica ela.<\/p>\n<p>A menopausa induzida acabou causando em Carinne um in\u00edcio de osteoporose, chamado de osteopenia. E a\u00ed entra a nova fase do estudo: caso os ov\u00e1rios n\u00e3o voltem a funcionar quando o tratamento terminar &#8211; ela espera que isso ocorra em quatro anos &#8211; ela passar\u00e1 pela reimplanta\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o e a expectativa \u00e9 que a volta da produ\u00e7\u00e3o de horm\u00f4nios tamb\u00e9m reverta o quadro de osteopenia. Ela n\u00e3o tem filhos, mas diz esperar ansiosamente por isso. &#8220;Estou esperando loucamente o tratamento acabar para poder ter filhos&#8221;, diz. &#8220;E a vantagem \u00e9 que meus ov\u00e1rios foram congelados quando eu tinha 29 anos. Quando forem reimplantados, eu terei 35 anos, mas meus ov\u00e1rios ainda ter\u00e3o 29&#8221;.<\/p>\n<p>Carinne foi uma das primeiras pacientes a procurar os m\u00e9dicos para participar da pesquisa. At\u00e9 o momento, o banco de ov\u00e1rios conta com tecido de 10 mulheres. Fora do Brasil, a t\u00e9cnica existe h\u00e1 dez anos. &#8220;Ao todo, 545 mulheres tiveram seus ov\u00e1rios congelados ao redor do mundo&#8221;, conta a doutora Ligia. De acordo com ela, 86 crian\u00e7as nasceram depois de reimplantando o ov\u00e1rio. &#8220;Quando as pacientes chegam para o tratamento do c\u00e2ncer, elas j\u00e1 sabem sobre a possibilidade de n\u00e3o ter mais filhos&#8221;, diz a m\u00e9dica. &#8220;Por isso, quando elas descobrem esta t\u00e9cnica, elas ficam desesperadas para participar. Muitas choram, isso acaba sendo uma nova esperan\u00e7a para elas&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carinne foi uma das primeiras pacientes a procurar os m\u00e9dicos para participar da pesquisa. At\u00e9 o momento, o banco de ov\u00e1rios conta com tecido de 10 mulheres. 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