{"id":212224,"date":"2017-08-23T11:47:28","date_gmt":"2017-08-23T14:47:28","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=212224"},"modified":"2017-08-23T11:47:28","modified_gmt":"2017-08-23T14:47:28","slug":"arvore-mais-velha-que-as-piramides-do-egito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/arvore-mais-velha-que-as-piramides-do-egito\/","title":{"rendered":"A \u00e1rvore mais velha que as pir\u00e2mides do Egito"},"content":{"rendered":"<div class=\"cabecera__envoltorio\">\n<header id=\"cabecera\" class=\"cabecera cabecera_fija cabecera_plegada\">\n<div id=\"cabecera__interior\" class=\"cabecera__interior\">\n<div class=\"cabecera-inferior\">\n<div class=\"cabecera-inferior__interior\">\n<div id=\"elpais\" class=\"elpais\">\n<div id=\"elpais-menu\" class=\"elpais-menu\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<\/div>\n<div class=\"articulo__envoltorio\">\n<article class=\"articulo articulo--nointro \">\n<div id=\"articulo_interior\" class=\"articulo__interior\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Os EUA n\u00e3o revelam o local do exemplar de 5.067 anos para evitar que seja cortado<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/16\/ciencia\/1502878116_747823_1503443817_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/16\/ciencia\/1502878116_747823_1503443817_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/16\/ciencia\/1502878116_747823_1503443817_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/16\/ciencia\/1502878116_747823_1503443817_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Pando, a col\u00f4nia clonal que surgiu de uma \u00fanica \u00e1rvore da esp\u00e9cie Populus tremuloides\" width=\"980\" height=\"550\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Pando, a col\u00f4nia clonal que surgiu de uma \u00fanica \u00e1rvore da esp\u00e9cie Populus tremuloides<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">J ZAPELL<\/span>\u00a0<span class=\"foto-agencia\">USDA<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p>Em 1964, um ge\u00f3logo chamado Donald Currey descobriu a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/arboles\/a\">\u00e1rvore<\/a>\u00a0mais antiga da Terra depois de mat\u00e1-la. Currey estava no Pico Wheeler (Nevada) para desenvolver uma linha do tempo das eras glaciais na regi\u00e3o e, para isso, contou os an\u00e9is do\u00a0<em>Pinus longaeva<\/em>, o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/09\/02\/ciencia\/1441206399_772262.html\">pinheiro longevo<\/a>. Em seu estudo, utilizou uma esp\u00e9cie de perfurador para colher amostras dos troncos, mas a ferramenta ficou presa num deles \u2013 etiquetado como WPN-114 e apelidado de Prometeu. Currey avisou o Servi\u00e7o Florestal, que cortou a \u00e1rvore tit\u00e2nica para recuperar o aparelho. Quando o cientista come\u00e7ou a contar os an\u00e9is, percebeu o erro que havia cometido. Num artigo para a revista\u00a0<em>Ecology<\/em>, escreveu: \u201cPode-se concluir tentativamente que o WPN-114 come\u00e7ou a crescer h\u00e1 4.900 anos\u201d. Sem saber, Currey tinha matado uma \u00e1rvore de 4.844 anos, a mais antiga datada at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>A morte de Prometeu gerou indigna\u00e7\u00e3o entre a imprensa e a popula\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m motivou a cria\u00e7\u00e3o do Parque Nacional da Grande Bacia, que protege os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/incendios_forestales\/a\">pinheiros longevos<\/a>. Ningu\u00e9m pode cortar nem recolher suas madeiras. Os\u00a0<em>Pinus longaeva<\/em>\u00a0tamb\u00e9m crescem em Utah e na Calif\u00f3rnia, onde vive o exemplar mais ancestral. Nas Montanhas Brancas continua vivo Matusal\u00e9m, de 4.850 anos \u2013 cinco vezes a idade de seu xar\u00e1 b\u00edblico. Mas h\u00e1 outro indiv\u00edduo ainda mais velho que Matusal\u00e9m. A l\u00edder do ranking \u00e9 uma \u00e1rvore sem nome de 5.067 anos. Esses exemplares j\u00e1 existiam antes da constru\u00e7\u00e3o das pir\u00e2mides pelos eg\u00edpcios, mas sua localiza\u00e7\u00e3o \u00e9 secreta. O Servi\u00e7o Florestal dos Estados Unidos n\u00e3o revela as coordenadas exatas para evitar vandalismos (de fato, n\u00e3o h\u00e1 nem imagens). Certamente, seria uma aberra\u00e7\u00e3o encontrar os nomes de um casal apaixonado tatuados no c\u00f3rtex desses seres milenares.<\/p>\n<p>Os pinheiros longevos residem em grandes altitudes, acima dos 3.000 metros, em terras \u00e1ridas e rochosas castigadas por\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/08\/31\/ciencia\/1472658226_451236.html\">ventos gelados<\/a>. Ao longo dos anos, essas condi\u00e7\u00f5es adversas os transformaram numa esp\u00e9cie curtida, robusta e, sobretudo, duradoura. Paradoxalmente, a natureza \u2013 como se fosse um escultor macabro \u2013 deu a elas um aspecto moribundo. O tronco retorcido \u00e9 coberto por uma grossa camada de resina que as protege da putrefa\u00e7\u00e3o, de parasitas e fungos. Mas a fa\u00edsca de um rel\u00e2mpago pode fazer o c\u00f3rtex de resina pegar fogo.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><a class=\"enlace\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: none; font-style: inherit; font-variant: inherit; font-weight: inherit; font-stretch: inherit; font-size: inherit; line-height: inherit; font-family: inherit; vertical-align: baseline; box-sizing: border-box; background-color: transparent; text-decoration: none; color: #016ca2; position: relative; display: block;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2017\/08\/16\/ciencia\/1502878116_747823_1502879132_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2017\/08\/16\/ciencia\/1502878116_747823_1502879132_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2017\/08\/16\/ciencia\/1502878116_747823_1502879132_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Pinus longaeva em Spring Mountains, Nevada, EUA.\" width=\"360\" height=\"481\" \/><span class=\"boton_ampliar\">ampliar foto<\/span><\/a><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Pinus longaeva em Spring Mountains, Nevada, EUA.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">STAN SHEBS\/WIKIMEDIA<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Felizmente, as chamas n\u00e3o costumam acabar com esses pinheiros, e menos ainda com as florestas: sua capacidade de recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 not\u00e1vel, e o fogo geralmente n\u00e3o se propaga porque h\u00e1 uma dist\u00e2ncia consider\u00e1vel entre eles. De certo modo, os pinheiros longevos alcan\u00e7am idades avan\u00e7adas porque evitam ou resistem aos perigos externos. Al\u00e9m disso, onde vivem n\u00e3o t\u00eam que competir com outras esp\u00e9cies vegetais e, apesar da pobreza do solo, os nutrientes s\u00e3o suficientes para que cres\u00e7am lentamente. Vivem tranquilos, sem perigos nem competi\u00e7\u00f5es, mil\u00eanio ap\u00f3s mil\u00eanio.<\/p>\n<p><em>Pinus longaeva<\/em>\u00a0\u00e9 a \u00e1rvore individual mais velha, mas h\u00e1 outras esp\u00e9cies que podem ser clonadas e atingir idades inveross\u00edmeis. No Parque Nacional<\/p>\n<p>Fishlake, em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/utah\/a\">Utah<\/a>, vive um \u00e1lamo que \u00e9 ao mesmo tempo uma floresta. Trata-se de Pando, uma col\u00f4nia clonal (grupo de indiv\u00edduos geneticamente id\u00eanticos) da esp\u00e9cie\u00a0<em>Populus tremuloides<\/em>. Pando em latim significa \u201cme expando\u201d, j\u00e1 que pode se replicar atrav\u00e9s de um sistema radicular, dando origem a novos talos (alguns cientistas especulam que n\u00e3o se reproduziu sexualmente em mais de 10.000 anos). Sua extens\u00e3o abrange um territ\u00f3rio do tamanho da Cidade do Vaticano, onde se erguem cerca de 50.000 troncos geneticamente iguais. Nenhum desses clones vive mais de 200 anos, mas, no total, estima-se que tenham uma idade aproximada de 80.000 anos.<\/p>\n<p>Infelizmente, Pando est\u00e1 morrendo.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/01\/20\/tecnologia\/1484915969_980620.html\">Muitas das \u00e1rvores velhas<\/a>\u00a0come\u00e7am a falecer, e os cervos e o gado est\u00e3o comendo os novos brotos. Em algumas \u00e1reas, foram instaladas cercas perimetrais para proteger os \u00e1lamos jovens, mas os perigos n\u00e3o s\u00e3o apenas locais. Outra causa de sua morte pode ser a combina\u00e7\u00e3o entre a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, a seca e os insetos. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, salvar a \u00e1rvore mais velha do planeta depende de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p class=\"nota_pie\"><strong>\u00d2scar Cus\u00f3<\/strong>\u00a0(@oscarcuso) \u00e9 bi\u00f3logo, diretor e roteirista de document\u00e1rios sobre natureza, ci\u00eancia e hist\u00f3ria. Trabalhou em diversas s\u00e9ries e longas para canais como\u00a0<em>BBC<\/em>,\u00a0<em>National Geographic<\/em>\u00a0e\u00a0<em>TVE<\/em>.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os pinheiros longevos residem em grandes altitudes, acima dos 3.000 metros, em terras \u00e1ridas e rochosas castigadas por\u00a0ventos gelados. 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