{"id":213099,"date":"2017-08-28T14:52:14","date_gmt":"2017-08-28T17:52:14","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=213099"},"modified":"2017-08-28T14:52:14","modified_gmt":"2017-08-28T17:52:14","slug":"pais-tem-23-das-cidades-em-situacao-de-emergencia-por-inundacoes-e-secas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/pais-tem-23-das-cidades-em-situacao-de-emergencia-por-inundacoes-e-secas\/","title":{"rendered":"Pa\u00eds tem 23% das cidades em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia por inunda\u00e7\u00f5es e secas"},"content":{"rendered":"<div class=\"col s12\">\n<section class=\"box-featured full-size header\">\n<h1><\/h1>\n<p>S\u00e3o 1.296 cidades, que pediram socorro ao governo federal para lidar com problemas que v\u00e3o da falta de chuvas ao excesso delas<\/p>\n<div class=\"header-information\">\n<p>Por:\u00a0<strong class=\"responsible\">Folhapress<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"share-mattler\"><\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<div class=\"content\">\n<div class=\"col m6 l6 s12 medium-matler\">\n<figure><img decoding=\"async\" title=\"Chuvas intensas atingem cidades do Rio Grande do Sul\" src=\"http:\/\/www.folhape.com.br\/obj\/1\/210982,475,80,0,0,475,365,0,0,0,0.jpg\" alt=\"Chuvas intensas atingem cidades do Rio Grande do Sul\" \/><\/p>\n<div class=\"caption\">Chuvas intensas atingem cidades do Rio Grande do Sul<em>Foto: Vilson Winkler\/Fotos P\u00fablicas<\/em><\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<p>Em meio a uma das secas mais severas j\u00e1 registradas no Nordeste e com chuvas que deixam um rastro de destrui\u00e7\u00e3o no outro extremo do pa\u00eds, a regi\u00e3o Sul, um quarto dos munic\u00edpios brasileiros est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o emergencial, segundo levantamento feito pela Folha de S.Paulo com base em dados divulgados pelo Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional.<\/p>\n<p>S\u00e3o 1.296 cidades, que pediram socorro ao governo federal para lidar com problemas que v\u00e3o da falta de chuvas ao excesso delas. A maior parte dos reconhecimentos vigentes s\u00e3o por seca ou estiagem (71%), concentrados na regi\u00e3o Nordeste e no norte de Minas Gerais.<\/p>\n<p>J\u00e1 tempestades, inunda\u00e7\u00f5es, alagamentos, enxurradas e deslizamentos, principalmente nas regi\u00f5es Sul, Sudeste e Norte, s\u00e3o 29% das situa\u00e7\u00f5es emergenciais identificadas pelo governo federal.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda cidades que est\u00e3o em emerg\u00eancia tanto pela seca quanto pela chuva. \u00c9 o caso de Novo Triunfo, na regi\u00e3o nordeste da Bahia, cuja estiagem foi reconhecida pelo governo federal como emergencial em 9 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, no entanto, n\u00e3o parou por a\u00ed. Choveu forte no fim do mesmo m\u00eas e, em 27 de mar\u00e7o, a cidade baiana entrou em estado de emerg\u00eancia por causa das enxurradas, que destru\u00edram cal\u00e7adas e arrastaram carros na regi\u00e3o urbana.<br \/>\nDuas capitais de Estados nordestinos tamb\u00e9m precisaram pedir socorro. Em maio, as chuvas em Macei\u00f3 mataram oito pessoas e deixaram milhares desabrigadas. J\u00e1 em Fortaleza, a falta d&#8217;\u00e1gua afetou 900 mil habitantes.<\/p>\n<p>At\u00e9 a capital do pa\u00eds teve que pedir ajuda. Bras\u00edlia, que passa por um racionamento de \u00e1gua, esteve em emerg\u00eancia por v\u00e1rios meses, de fevereiro a agosto deste ano.<br \/>\nAl\u00e9m disso, h\u00e1 Estados quase inteiros em emerg\u00eancia, como a Para\u00edba, em que 196 das 223 cidades sofrem com a estiagem.<\/p>\n<p><strong>Verbas<\/strong><br \/>\nO governo federal analisa caso a caso e pode liberar verbas para os munic\u00edpios afetados, al\u00e9m de permitir que os moradores atingidos saquem o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Servi\u00e7o) e o Bolsa Fam\u00edlia. As prefeituras podem ainda ser dispensadas de fazer licita\u00e7\u00f5es para comprar produtos ou contratar servi\u00e7os.<\/p>\n<p>No total, o Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional diz ter repassado, neste ano, R$ 200 milh\u00f5es \u00e0s cidades em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, com a\u00e7\u00f5es de socorro, assist\u00eancia, restabelecimento de servi\u00e7os, kits de assist\u00eancia humanit\u00e1ria e recupera\u00e7\u00e3o de estruturas danificadas.<\/p>\n<p>O minist\u00e9rio aponta outros R$ 800 milh\u00f5es gastos com a opera\u00e7\u00e3o Carro-Pipa Federal neste ano, que levou \u00e1gua a 3,2 milh\u00f5es de pessoas em um total de 861 munic\u00edpios que convivem com a seca.<\/p>\n<p>A maior obra de seguran\u00e7a h\u00eddrica, segundo o minist\u00e9rio, \u00e9 a transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco, que vai beneficiar ao fim do projeto 12 milh\u00f5es de pessoas, a um custo de R$ 9,2 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Em 2015, o governo de Roraima precisou devolver R$ 4,6 milh\u00f5es \u00e0 Uni\u00e3o. A verba havia sido repassada sem que o Estado tivesse apresentado um plano de trabalho. O valor foi ressarcido ap\u00f3s cobran\u00e7a do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal e da Controladoria Geral da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>Reservat\u00f3rios<\/p>\n<p>De acordo com o Cemaden (Centro de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais), ligado ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia, os Estados em situa\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica no Nordeste s\u00e3o Pernambuco, Cear\u00e1 e Para\u00edba, cujos reservat\u00f3rios h\u00eddricos operam com 8%, 8,4% e 8,7% de sua capacidade, respectivamente, de acordo com o \u00f3rg\u00e3o. Mantida a seca severa at\u00e9 janeiro do ano que vem, os reservat\u00f3rios podem ficar entre entre 5% e 7%.<\/p>\n<p>Coordenador-geral de opera\u00e7\u00f5es do Cemaden, o meteorologista Marcelo Seluchi classifica a seca na regi\u00e3o do semi\u00e1rido nordestino, que j\u00e1 dura seis anos, como &#8220;sem precedentes na hist\u00f3ria recente, pelo menos desde os \u00faltimos 200 anos&#8221;.<br \/>\nSegundo o meteorologista, \u00e9 dif\u00edcil explicar a gravidade da situa\u00e7\u00e3o, mesmo do ponto de vista cient\u00edfico. &#8220;Tivemos um El Ni\u00f1o intenso, que justifica parte do problema, mas que durou s\u00f3 um ano e meio. H\u00e1 momentos em que n\u00e3o houve nem El Ni\u00f1o, nem La Ni\u00f1a e a seca continuou. Ainda estamos tentando entender o fen\u00f4meno.&#8221;<\/p>\n<p>Bruno Dauster, secret\u00e1rio da Casa Civil da Bahia, Estado que tem 189 cidades em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, diz que \u00e9 preciso aprender a conviver com a estiagem.<br \/>\n&#8220;Na Bahia hoje n\u00f3s n\u00e3o falamos mais em combate \u00e0 seca. Essa vis\u00e3o tem que ser substitu\u00edda pela vis\u00e3o de conviv\u00eancia com o semi\u00e1rido. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas \u00e9 poss\u00edvel.&#8221;<br \/>\nMesma vis\u00e3o tem o subchefe da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, Jarbas \u00c1vila. &#8220;H\u00e1 35 anos n\u00e3o v\u00edamos chuvas t\u00e3o fortes&#8221;, diz ele, citando eventos entre maio e junho que destru\u00edram cidades ga\u00fachas.<\/p>\n<p>&#8220;A solu\u00e7\u00e3o seria tirar o rio ou tirar a cidade. Como nada disso \u00e9 poss\u00edvel, s\u00f3 nos resta nos preparar para essas situa\u00e7\u00f5es&#8221;, afirma. Segundo \u00c1vila, o reconhecimento da situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia \u00e9 essencial para reconstruir os danos causados pelos eventos clim\u00e1ticos. &#8220;Se cai uma ponte e deixa um bairro sem acesso a um hospital, o prefeito n\u00e3o pode abrir uma licita\u00e7\u00e3o e esperar 180 dias para come\u00e7ar a reconstruir&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Ele recha\u00e7a, no entanto, a ideia de que a pr\u00e1tica abra mais possibilidades de esquemas de corrup\u00e7\u00e3o. &#8220;N\u00e3o precisar fazer uma licita\u00e7\u00e3o porque a compra \u00e9 emergencial n\u00e3o significa que n\u00e3o precisa prestar contas sobre a obra, como qualquer obra p\u00fablica&#8221;, afirma.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A solu\u00e7\u00e3o seria tirar o rio ou tirar a cidade. Como nada disso \u00e9 poss\u00edvel, s\u00f3 nos resta nos preparar para essas situa\u00e7\u00f5es&#8221;, afirma. 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