{"id":21430,"date":"2013-10-07T08:26:05","date_gmt":"2013-10-07T11:26:05","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=21430"},"modified":"2013-10-07T08:26:05","modified_gmt":"2013-10-07T11:26:05","slug":"politica-de-empresas-nacionais-fracassa-com-a-oi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/politica-de-empresas-nacionais-fracassa-com-a-oi\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica de empresas nacionais fracassa com a Oi"},"content":{"rendered":"<p>A chamada pol\u00edtica das &#8216;campe\u00e3s nacionais&#8217;, criada h\u00e1 seis anos pelo governo Lula e executada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), encontra na Oi seu mais novo exemplo de fracasso. A fus\u00e3o da operadora brasileira de telefonia com a Portugal Telecom, encarada pelo mercado como &#8216;venda&#8217;, deve se concretizar nos pr\u00f3ximos meses e criar um gigante com receita da ordem de 40 bilh\u00f5es de reais.<\/p>\n<p>Os investidores est\u00e3o otimistas com a fus\u00e3o, afinal, a entrada do capital portugu\u00eas poder\u00e1 ajudar a empresa a investir em infraestrutura e conquistar maior participa\u00e7\u00e3o de mercado em telefonia m\u00f3vel e em banda larga. &#8220;Para a Oi, \u00e9 ben\u00e9fico porque a empresa sai de uma situa\u00e7\u00e3o de d\u00edvida alt\u00edssima para uma empresa com uma estrutura de capital bem melhor, al\u00e9m de fazer parte, agora, de um grupo internacional&#8221;, diz Pedro Galdi, da SLW Corretora. Contudo, a venda enterra, mais uma vez, o discurso do chamado &#8220;capitalismo de estado&#8221;, em que empresas s\u00e3o &#8216;turbinadas&#8217; com dinheiro p\u00fablico para se tornarem multinacionais.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-21431\" alt=\"oi\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/oi1.jpg\" width=\"260\" height=\"181\" \/><\/p>\n<p>Essa pol\u00edtica previa que o estado investisse em alguns segmentos do setor privado por meio do BNDES (comprando participa\u00e7\u00e3o ou emprestando dinheiro com taxas de juros subsidiadas pelo Tesouro), com o objetivo de criar empresas brasileiras fortes para competir no mercado global. O banco injetou cerca de 20 bilh\u00f5es de reais em companhias como JBS, Marfrig, L\u00e1cteos Brasil (LBR), Oi e Fibria. O resultado, seis anos depois, n\u00e3o \u00e9 nada animador: LBR pediu recupera\u00e7\u00e3o judicial, Marfrig teve de vender a Seara para a JBS para reduzir seu endividamento, enquanto a empresa dos irm\u00e3os Wesley e Joesley Batista, apesar de em melhor sa\u00fade financeira que a concorrente, tamb\u00e9m sofre para reduzir as d\u00edvidas adquiridas ao longo de seu processo de expans\u00e3o.<\/p>\n<p>A Oi \u00e9 um caso de fracasso \u00e0 parte n\u00e3o s\u00f3 porque envolveu a participa\u00e7\u00e3o maci\u00e7a do BNDES. Sua pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o foi um exemplo de intervencionismo \u2014 e a venda para os portugueses evidencia o plano equivocado. Em 2008, o governo mobilizou todos os seus esfor\u00e7os sob o comando do pr\u00f3prio Lula, da ent\u00e3o ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do ministro das Comunica\u00e7\u00f5es, H\u00e9lio Costa, para mudar a legisla\u00e7\u00e3o e permitir que a Oi comprasse a Brasil Telecom.<\/p>\n<p>O neg\u00f3cio, visto como prejudicial para os acionistas minorit\u00e1rios porque dilu\u00eda sua participa\u00e7\u00e3o e porque eles tampouco concordavam com o pre\u00e7o (5,8 bilh\u00f5es de reais), foi viabilizado depois de um lobby ostensivo que contou at\u00e9 mesmo com um decreto do presidente mudando as regras do setor. Segundo a legisla\u00e7\u00e3o da \u00e9poca, um mesmo controlador n\u00e3o podia ser dono de duas concession\u00e1rias de telefonia fixa. O problema foi resolvido por meio de um decreto sem que o Congresso sequer participasse da decis\u00e3o.<\/p>\n<p>O argumento do governo era de que o pa\u00eds n\u00e3o podia deixar todas as suas empresas de telecomunica\u00e7\u00f5es nas &#8220;m\u00e3os de estrangeiros&#8221;. E, como a Brasil Telecom vinha sendo assediada por investidores de fora, como o bilion\u00e1rio eg\u00edpcio Naguib Sawiris, dono da Orascom, houve uma movimenta\u00e7\u00e3o sem precedentes para que ela fosse adquirida pela Oi. &#8220;O discurso era claramente de que o Brasil tinha de preservar a soberania e n\u00e3o deixar um ativo t\u00e3o importante nas m\u00e3os de um estrangeiro&#8221;, afirma um executivo que participou da negocia\u00e7\u00e3o da Brasil Telecom, em condi\u00e7\u00e3o de anonimato. O BNDES entrou na negocia\u00e7\u00e3o financiando 2,6 bilh\u00f5es de reais, enquanto 4,3 bilh\u00f5es de reais foram aportados pelo Banco do Brasil. Os fundos de pens\u00e3o Previ, Petros e Funcef, que j\u00e1 detinham participa\u00e7\u00e3o na Brasil Telecom, passaram a ser donos de 34% das a\u00e7\u00f5es da nova empresa.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria come\u00e7ou a mudar quando, em 2010, numa negocia\u00e7\u00e3o entre tr\u00eas partes, a Portugal Telecom vendeu sua participa\u00e7\u00e3o na Vivo para a Telefonica e entrou na Oi. &#8220;Quando isso aconteceu, todos esperavam que os portugueses assumissem o controle cedo ou tarde. Era apenas uma quest\u00e3o de tempo&#8221;, afirma outra fonte pr\u00f3xima da empresa, que preferiu n\u00e3o ter seu nome citado. Assim, o an\u00fancio da fus\u00e3o apenas costura o desfecho de uma estrat\u00e9gia que come\u00e7ou errada e, no lugar de criar uma grande multinacional, deu origem a uma tele ineficiente financiada pelo capital do BNDES. \u201cA Oi receber\u00e1 um novo aporte de 7 bilh\u00f5es que ajudar\u00e1 a companhia a aumentar investimento e reduzir d\u00edvida. Contudo, o aporte n\u00e3o resolve todos os problemas da empresa. Ela precisar\u00e1 montar um plano para reduzi-la&#8221;, afirma Arthur Barrionuevo Filho, professor da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV).<\/p>\n<p>O neg\u00f3cio entre Oi e Portugal Telecom ainda n\u00e3o foi assinado, mas foi chancelado pelo governo e pelo BNDES. Em um &#8216;mundo perfeito&#8217;, essa chancela poderia ser compreendida como um reconhecimento, por parte do PT, de que a estrat\u00e9gia de interferir de forma t\u00e3o contundente no setor privado n\u00e3o poderia render boa coisa. Mas, como a realidade \u00e9 bem outra, trata-se do inverso. O governo continua valendo-se do discurso da soberania, mas com outro objetivo \u2014 at\u00e9 mais danoso. Ao tentar for\u00e7ar empresas estrangeiras de tecnologia, por meio do marco civil, a montar seus datacenters no Brasil, numa ing\u00eanua tentativa de &#8216;espantar&#8217; a espionagem internacional, ele mostra ainda n\u00e3o ter aprendido com certos erros do passado. (Veja)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A chamada pol\u00edtica das &#8216;campe\u00e3s nacionais&#8217;, criada h\u00e1 seis anos pelo governo Lula e executada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), encontra na Oi seu mais novo exemplo de fracasso. 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