{"id":214363,"date":"2017-09-04T07:37:13","date_gmt":"2017-09-04T10:37:13","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=214363"},"modified":"2017-09-04T09:08:00","modified_gmt":"2017-09-04T12:08:00","slug":"onze-meses-apos-ser-lancado-por-marcela-temer-crianca-feliz-comeca-em-so-6-das-cidades-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/onze-meses-apos-ser-lancado-por-marcela-temer-crianca-feliz-comeca-em-so-6-das-cidades-brasileiras\/","title":{"rendered":"Onze meses ap\u00f3s ser lan\u00e7ado por Marcela Temer, Crian\u00e7a Feliz come\u00e7a em s\u00f3 6% das cidades brasileiras"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__name\">Amanda Rossi<\/span><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\"><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/1CCF\/production\/_97657370_97cbc815-7af6-4f76-9a54-734cbd5a010e.jpg\" alt=\"m\u00e3e e filho de 1 ano e 5 meses brincam com livro infantil sentados no ch\u00e3o (foto: Amanda Rossi\/BBC Brasil)\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Tatiane de Oliveira, 30, participa de visita do Crian\u00e7a Feliz com o filho Pablo, de 1 ano e 5 meses, em Vera Cruz (SP) (foto: Amanda Rossi\/BBC Brasil)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">O pequeno Pablo, de 1 ano e 5 meses, ouviu a voz de Joana se aproximando, abriu um sorriso e caminhou apressado em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 entrada da casa onde vive, em uma \u00e1rea pobre da cidade paulista de Vera Cruz, a 420 quil\u00f4metros de S\u00e3o Paulo. O quintal est\u00e1 cheio de produtos que ser\u00e3o destinados \u00e0 reciclagem, fonte de renda da fam\u00edlia de cinco adultos e sete crian\u00e7as que vive ali.<\/p>\n<p>Joana Dias, estudante de psicologia de 21 anos, chegava para uma visita a Pablo no \u00e2mbito do Crian\u00e7a Feliz. Enquanto os adultos ainda se cumprimentavam, o menino foi para o local onde as atividades costumam ocorrer, se sentou e balan\u00e7ou os bracinhos, como quem diz &#8220;vamos come\u00e7ar, estou pronto&#8221;.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ado pela primeira-dama Marcela Temer em outubro do ano passado, o Crian\u00e7a Feliz \u00e9 uma tentativa do governo impopular de Michel Temer de ter uma vitrine na \u00e1rea social.<\/p>\n<p>O programa consiste de visitas a resid\u00eancias com crian\u00e7as de at\u00e9 3 anos, que recebem Bolsa Fam\u00edlia e est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade, como a fam\u00edlia de Pablo.<\/p>\n<p>Ao completar onze meses, o Crian\u00e7a Feliz est\u00e1 de fato em a\u00e7\u00e3o em 6% dos munic\u00edpios brasileiros &#8211; 337 cidades &#8211; segundo o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social (MDS), respons\u00e1vel pelo Crian\u00e7a Feliz. S\u00e3o lugares onde as visitas j\u00e1 teriam come\u00e7ado. \u00c9 distante da meta de atingir metade das cidades do pa\u00eds &#8211; 2.785 &#8211; at\u00e9 o final deste ano.<\/p>\n<p>O n\u00famero pode ser menor do que o informado pelo governo Temer. No Rio Grande do Sul, o MDS afirma que s\u00e3o 72 cidades, mas a coordena\u00e7\u00e3o ga\u00facha fala em 44.<\/p>\n<p>Em Vera Cruz, uma das primeiras cidades a iniciarem as visitas, o Crian\u00e7a Feliz acaba de completar um m\u00eas. Na casa de Pablo, \u00e9 a quarta visita semanal.<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o tinha esse envolvimento com as crian\u00e7as. Agora tenho. Isso ajuda no desenvolvimento delas. \u00c9 muito bom para mim tamb\u00e9m&#8221;, diz Tatiane de Oliveira, 30 anos, m\u00e3e de seis filhos. Tatiane e a m\u00e3e cuidam de dois de seus filhos e mais tr\u00eas sobrinhos com uma renda mensal de cerca de R$ 500, obtida com a reciclagem, al\u00e9m de R$ 341 do Bolsa Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Pablo \u00e9 o quarto de cinco filhos de Tatiane, e o primeiro que cresce ao lado dela. Por envolvimento com drogas e viol\u00eancia do pai das crian\u00e7as, ela perdeua guarda dos tr\u00eas primeiros, que foram adotados. &#8220;Eu mudei bastante. E foi por causa deles&#8221;, diz Tatiane, dando um beijo na cabe\u00e7a do filho. A filha mais nova, de 5 meses, tamb\u00e9m est\u00e1 no Crian\u00e7a Feliz. Um dos objetivos das visitas domiciliares \u00e9 fortalecer o v\u00ednculo familiar.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/B90F\/production\/_97657374_386b2e4a-c787-4b59-93e1-679d5d0754cc.jpg\" alt=\"Marcela Temer fala no lan\u00e7amento do Crian\u00e7a Feliz em outubro de 2016\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Primeira-dama Marcela Temer no lan\u00e7amento do Crian\u00e7a Feliz, em 5 de outubro de 2016 (foto: Ag\u00eancia Brasil)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Longe da meta<\/h2>\n<p>A ideia do Crian\u00e7a Feliz \u00e9 orientar o respons\u00e1vel pela crian\u00e7a sobre atividades que ajudem no desenvolvimento infantil. Tamb\u00e9m podem ser atendidas gestantes e fam\u00edlias com crian\u00e7as at\u00e9 6 anos com defici\u00eancia, que recebam o Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada. A Unesco (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Cultura) apoia a iniciativa.<\/p>\n<p>As visitas podem ser semanais, quinzenais ou mensais. Para cada crian\u00e7a ou gestante atendidos, o governo federal planeja repassar aos munic\u00edpios R$ 65 mensais. At\u00e9 agora, foram gastos R$ 114 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Desde o lan\u00e7amento do Crian\u00e7a Feliz, o governo federal passou nove meses gerenciando a ades\u00e3o dos munic\u00edpios &#8211; a participa\u00e7\u00e3o \u00e9 volunt\u00e1ria e, at\u00e9 agora, 2.547 ingressaram, segundo o governo &#8211; e formando as equipes de visitadores, que precisam ter Ensino M\u00e9dio completo. A capacita\u00e7\u00e3o dura uma semana.<\/p>\n<p>A partir de agora, a expectativa do MDS \u00e9 que o n\u00famero cidades com visitas do Crian\u00e7a Feliz d\u00ea um salto. &#8220;\u00c9 surpreendentemente alto esse n\u00famero de 337 munic\u00edpios. Isso nos traz a certeza de que n\u00e3o \u00e9 um programa a mais no governo federal, \u00e9 &#8216;o programa&#8217;. \u00c9 o \u00fanico que pode mudar a vida das pessoas para sempre&#8221;, afirma Halim Girade, secret\u00e1rio nacional de desenvolvimento humano do MDS.<\/p>\n<p>J\u00e1 com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 meta de crian\u00e7as a serem atendidas, seriam 750 mil este ano, segundo foi divulgado no lan\u00e7amento do programa. Agora, o n\u00famero foi reduzido para 520 mil. Para atingir esse volume, seria necess\u00e1rio que metade das cidades do pa\u00eds atendessem a cerca de 200 crian\u00e7as cada uma. A BBC Brasil solicitou o total de atendimentos realizados at\u00e9 agora, mas n\u00e3o recebeu resposta do MDS.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia de Vera Cruz mostra que n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil cumprir a meta. Por enquanto, na pequena cidade de 10 mil habitantes, s\u00e3o atendidas 25 pessoas. \u00c9 25% da lista indicada pelo MDS para o munic\u00edpio.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Cr\u00edticas<\/h2>\n<p>A equipe do Crian\u00e7a Feliz em Vera Cruz relata outra dificuldade: duas fam\u00edlias n\u00e3o quiseram participar &#8211; a ades\u00e3o \u00e9 volunt\u00e1ria. Uma delas afirmou que queria ensinar a crian\u00e7a do jeito deles.<\/p>\n<p>Com base nesse mesmo racioc\u00ednio, o Conselho Federal do Servi\u00e7o Social se op\u00f4s ao Crian\u00e7a Feliz. &#8220;O programa vem como uma forma de tutelar, de dizer para a m\u00e3e como ela tem que educar seu filho. Em outras palavras, \u00e9 como dizer que a m\u00e3e, pela condi\u00e7\u00e3o de pobreza, n\u00e3o sabe cuidar da crian\u00e7a&#8221;, afirma Magali Franz, conselheira do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>O governo discorda e rebate: &#8220;As m\u00e3es sabem educar sim. O que vamos fazer \u00e9 fortalecer compet\u00eancias que elas j\u00e1 t\u00eam. Tanto faz ser rico ou pobre. (O cuidado na primeira inf\u00e2ncia) \u00e9 importante para todos. Mas temos que come\u00e7ar o programa pelas crian\u00e7as mais vulner\u00e1veis&#8221;, afirma Girade, do MDS.<\/p>\n<p>Eduardo Queiroz, presidente da Funda\u00e7\u00e3o Maria Cec\u00edlia Souto Vidigal, uma refer\u00eancia no tema da primeira inf\u00e2ncia, diz que &#8220;as visitas domiciliares s\u00e3o um complemento&#8221;. &#8220;Se feitas com qualidade, t\u00eam resultado&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Uma pesquisa de opini\u00e3o, realizada em 2012, mostra como muitos adultos d\u00e3o pouca import\u00e2ncia para certos cuidados com crian\u00e7as pequenas que especialistas apontam como fundamentais. Questionados pelo Ibope sobre o que \u00e9 importante para o desenvolvimento de crian\u00e7as at\u00e9 tr\u00eas anos de idade, apenas 19% mencionaram brincar e passear, 18% receber aten\u00e7\u00e3o dos adultos, 12% receber carinho e afeto, 11% proporcionar est\u00edmulos com sons, m\u00fasicas, bichos e hist\u00f3rias. Para 51%, o importante mesmo era levar ao m\u00e9dico e dar vacinas.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/91FF\/production\/_97657373_7aebe372-6ba7-4e73-bc80-c52a499dbc74.jpg\" alt=\"visitadora do crian\u00e7a feliz segura boneca no colo (esq) e m\u00e3e segura filho da mesma forma (dir)\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Em Pacatuba (SE), visitadora do Crian\u00e7a Feliz d\u00e1 orienta\u00e7\u00f5es para m\u00e3e usando uma boneca para fazer demonstra\u00e7\u00e3o (foto:Equipe do Crian\u00e7a Feliz em Pacatuba)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Opini\u00e3o cient\u00edfica<\/h2>\n<p>&#8220;Pesquisas cient\u00edficas, experi\u00eancias de outros pa\u00edses j\u00e1 comprovaram que a aten\u00e7\u00e3o dedicada logo no in\u00edcio da vida gera resultados surpreendentes&#8221;, afirmou Marcela Temer em v\u00eddeo publicado em redes sociais, em maio. A primeira-dama \u00e9 a embaixadora do Crian\u00e7a Feliz.<\/p>\n<p>Especialistas concordam com a primeira-dama de que a visita domiciliar nos primeiros anos de vida pode ter impactos positivos. Essa fase \u00e9 crucial para o desenvolvimento da crian\u00e7a. A quest\u00e3o em cheque \u00e9 como implementar o programa para que ele seja efetivo.<\/p>\n<p>O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) avaliou, em 2016, sete iniciativas desse tipo na Am\u00e9rica Latina. E concluiu:<\/p>\n<p>&#8220;Os visitadores geralmente t\u00eam sucesso em estabelecer uma forte rela\u00e7\u00e3o com as fam\u00edlias, abrangendo atividades adequadas \u00e0 idade e envolvendo a crian\u00e7a e o cuidador em atividades como m\u00fasicas, dan\u00e7as, jogos. Mas geralmente o visitador n\u00e3o consegue fornecer explica\u00e7\u00f5es para o cuidador da crian\u00e7a. Muitas vezes, faltam materiais requeridos, a crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 desafiada&#8221;.<\/p>\n<p>Uma das iniciativas avaliadas pelo BID \u00e9 o Programa Inf\u00e2ncia Melhor (PIM), que foi o inspirador do Crian\u00e7a Feliz. Realizado desde 2003 no Rio Grande do Sul, atende cerca de 60 mil fam\u00edlias. Segundo o BID, o PIM \u00e9 o que teve melhores resultados. J\u00e1 uma avalia\u00e7\u00e3o canadense de 2012 n\u00e3o encontrou diferen\u00e7as significativas no desenvolvimento de crian\u00e7as que participaram do PIM.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no Brasil, o Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo, com a coordena\u00e7\u00e3o das professoras Sandra Grisi e Alexandra Brentani, conduziu um programa piloto de visitas domiciliares a crian\u00e7as vulner\u00e1veis na Zona Oeste de S\u00e3o Paulo. Os moldes s\u00e3o parecidos com o Crian\u00e7a Feliz, com um adicional: o uso de um kit de brinquedos espec\u00edficos. Os resultados iniciais apontam para uma melhora significativa do desempenho motor, de linguagem, de adapta\u00e7\u00e3o social e de aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimento pelas crian\u00e7as que participaram da iniciativa.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/6AEF\/production\/_97657372_ddcb634b-6686-41e0-b752-947c2e064c40.jpg\" alt=\"Tatiane com a filha de 5 meses (foto: Amanda Rossi\/BBC Brasil)\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Tatiane participa do Crian\u00e7a Feliz com dois filhos, um de 1 ano e 5 meses e outra com 5 meses; escopo do programa s\u00e3o crian\u00e7as at\u00e9 3 anos (foto: Amanda Rossi\/BBC Brasil)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Farinha com a\u00e7\u00facar<\/h2>\n<p>Pacatuba, cidade de Sergipe com 72 mil habitantes, foi a primeira do Brasil a iniciar as visitas do Crian\u00e7a Feliz, em 14 de julho. Hoje, atende cerca de 100 crian\u00e7as e gestantes.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 chegamos a visitar crian\u00e7a de dois anos e meio que ainda n\u00e3o sabia cor, n\u00famero, parte do corpo. Se perguntar cad\u00ea o olhinho, a crian\u00e7a n\u00e3o sabe&#8221;, conta Suzana Ferreira da Silva, que coordena a equipe de visitadoras da cidade. &#8220;Tudo que voc\u00ea estimula na primeira inf\u00e2ncia, a crian\u00e7a vai levar para a vida inteira&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>As visitadoras orientam, por exemplo, sobre brincadeiras que podem ser feitas com crian\u00e7as de diferentes idades, import\u00e2ncia da amamenta\u00e7\u00e3o, at\u00e9 sobre abuso sexual na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a ideia \u00e9 que as visitas ajudem a identificar e resolver problemas, acionando a rede de servi\u00e7os p\u00fablicos do munic\u00edpio. Em Vera Cruz, por exemplo, j\u00e1 houve encaminhamento de crian\u00e7as com dificuldade de fala para fonoaudi\u00f3logo.<\/p>\n<p>J\u00e1 em Pacatuba, a assist\u00eancia social foi acionada para disponibilizar cesta b\u00e1sica. O caso ocorreu ap\u00f3s a equipe do programa ver uma crian\u00e7a de dois anos comendo farinha com a\u00e7\u00facar, porque era o \u00fanico alimento dispon\u00edvel na casa.<\/p>\n<p>&#8220;Ela comeu aquilo todinho e quando terminou falou &#8216;m\u00e3e, eu quero mais&#8217;. A m\u00e3e falou que n\u00e3o tinha mais. Quando sa\u00ed de l\u00e1, eu chorei. Tenho uma filha de cinco anos, me imaginei tendo que dizer isso para ela&#8221;, fala Suzana.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/43DF\/production\/_97657371_34e39323-ffcd-4362-9d98-43b9ad031d11.jpg\" alt=\"M\u00e3e, crian\u00e7a e visitadora do Crian\u00e7a Feliz, sentadas no ch\u00e3o na varanda da casa (foto: Amanda Rossi\/BBC Brasil)\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">O menino Pablo brinca com sua m\u00e3e Tatiane e a visitadora do Crian\u00e7a Feliz, Joana, em Vera Cruz (SP) (foto: Amanda Rossi\/BBC Brasil)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Choro na despedida<\/h2>\n<p>Em Pacatuba, a pobreza \u00e9 uma barreira tamb\u00e9m na hora das brincadeiras. &#8220;O programa fala que a gente tem que usar (como brinquedos) o que a fam\u00edlia j\u00e1 tem em casa, mas a gente chega em lugares que n\u00e3o t\u00eam nada&#8221;, diz Suzana.<\/p>\n<p>Na casa de Pablo, em Vera Cruz, tamb\u00e9m havia poucos brinquedos. Na visita da \u00faltima quarta-feira, a visitadora do Crian\u00e7a Feliz levou para a casa da fam\u00edlia um livro infantil e brinquedos feitos com materiais recicl\u00e1veis. Ela dava indica\u00e7\u00f5es para a m\u00e3e Tatiane, que conversava e estimulava o filho.<\/p>\n<p>A visita do Crian\u00e7a Feliz durou 45 minutos. Tudo correu bem, at\u00e9 a hora de guardar os brinquedos, para serem usados com outras crian\u00e7as. Pablo come\u00e7ou a chorar e precisou do amparo do colo da m\u00e3e: &#8220;Semana que vem ela volta, meu filho&#8221;. \u00c9 assim toda semana, ela conta. A visita, que come\u00e7ou com um sorriso largo, terminou com o choro dengoso de quem n\u00e3o quer parar de brincar.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Ela comeu aquilo todinho e quando terminou falou &#8216;m\u00e3e, eu quero mais&#8217;. A m\u00e3e falou que n\u00e3o tinha mais. Quando sa\u00ed de l\u00e1, eu chorei. 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