{"id":216400,"date":"2017-09-16T00:02:20","date_gmt":"2017-09-16T03:02:20","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=216400"},"modified":"2017-09-15T22:05:30","modified_gmt":"2017-09-16T01:05:30","slug":"meu-pais-e-rico-mas-eu-nao-posso-ir-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/meu-pais-e-rico-mas-eu-nao-posso-ir-escola\/","title":{"rendered":"Meu pa\u00eds \u00e9 rico, mas eu n\u00e3o posso ir \u00e0 escola"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-antetitulo \"><\/div>\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em><strong>H\u00e1 264 milh\u00f5es de menores sem escolariza\u00e7\u00e3o no mundo e dois ter\u00e7os vivem em pa\u00edses com recursos naturais abundantes<\/strong><\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div class=\"compartir-varios\"><\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2017\/09\/11\/planeta_futuro\/1505131269_476429_1505142683_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2017\/09\/11\/planeta_futuro\/1505131269_476429_1505142683_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2017\/09\/11\/planeta_futuro\/1505131269_476429_1505142683_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2017\/09\/11\/planeta_futuro\/1505131269_476429_1505142683_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Uma crian\u00e7a vai para a escola levando sua mochila no Congo.\" width=\"980\" height=\"561\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Uma crian\u00e7a vai para a escola levando sua mochila no Congo.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">ENTRECULTURAS<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Lola Hierro\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/lola_hierro\/a\/\">LOLA HIERRO<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p>No in\u00edcio de setembro, cidades e vilarejos se enchem desde bem cedo de crian\u00e7as sonolentas e nervosas que enfrentam seu primeiro dia de aula. Essa imagem t\u00e3o habitual para alguns n\u00e3o \u00e9, de forma alguma, algo comum para muitos, muit\u00edssimos outros. Recentemente, vem avan\u00e7ando a escolariza\u00e7\u00e3o dos menores \u2014entre 2000 e 2015\u00a0<a href=\"https:\/\/nacoesunidas.org\/pos2015\/ods4\/\">o acesso \u00e0 escola prim\u00e1ria chegou a 90% das crian\u00e7as<\/a>\u2014 mas ainda restam 264 milh\u00f5es fora da escola em todo o mundo. E dois ter\u00e7os deles vivem em pa\u00edses ricos em recursos naturais, mas que paradoxalmente ocupam os \u00faltimos postos de desenvolvimento e t\u00eam or\u00e7amentos em educa\u00e7\u00e3o inferiores a 3% de seu PIB.<\/p>\n<p>Para chamar a aten\u00e7\u00e3o sobre esta realidade t\u00e3o gritante, a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.entreculturas.org\/es\/home\">ONG Entreculturas<\/a>lan\u00e7ou a campanha\u00a0<a href=\"https:\/\/www.entreculturas.org\/es\/noticias\/presentamos-escuelas-en-peligro-de-extincion\"><em>Escolas em perigo de extin\u00e7\u00e3o<\/em><\/a>\u00a0e, com ela, um relat\u00f3rio intitulado\u00a0<a href=\"https:\/\/ep00.epimg.net\/descargables\/2017\/09\/14\/55548ef523255eaba27987b2b14e53f8.pdf\"><em>Educa\u00e7\u00e3o em zonas de conflito<\/em><\/a>\u00a0que analisa minuciosamente as rela\u00e7\u00f5es entre o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, a explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, a paz e o desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cA forte press\u00e3o sobre os recursos minerais, f\u00f3sseis, pesqueiros, florestais, agr\u00edcolas e h\u00eddricos e a luta por seu controle geram, al\u00e9m da degrada\u00e7\u00e3o ambiental, tens\u00e3o, conflitos, viol\u00eancia e deslocamentos for\u00e7ados\u201d, resume o estudo, que descreve como os civis que vivem nessas regi\u00f5es exploradas veem seus direitos serem violados. Sobretudo o da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/educacion\/a\">educa\u00e7\u00e3o<\/a>. Os dados falam por si: 87% das pessoas desalojadas no mundo na \u00faltima d\u00e9cada v\u00eam de regi\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o mineira e petrol\u00edfera.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<section id=\"sumario_1|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><a class=\"enlace\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2017\/09\/11\/planeta_futuro\/1505131269_476429_1505142756_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2017\/09\/11\/planeta_futuro\/1505131269_476429_1505142756_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2017\/09\/11\/planeta_futuro\/1505131269_476429_1505142756_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Meu pa\u00eds \u00e9 rico, mas eu n\u00e3o posso ir \u00e0 escola\" width=\"360\" height=\"510\" \/><span class=\"boton_ampliar\">ampliar foto<\/span><\/a><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">ENTRECULTURAS<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Hombeline Bahati, coordenadora de um projeto de melhoria de qualidade de vida do Servi\u00e7o Jesu\u00edta ao Refugiado, conhece o assunto. Trabalha em Masisi, na castigada regi\u00e3o de Kivu norte, na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (RDC). Um pa\u00eds com abundantes recursos minerais que h\u00e1 20 anos est\u00e1 mergulhado em um conflito sem perspectivas de acabar. A RDC \u00e9 uma\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/02\/19\/internacional\/1455896992_924219.html\">mina de t\u00e2ntalo, o min\u00e9rio que faz funcionar os telefones m\u00f3veis<\/a>, e todos querem se beneficiar dela.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 problemas tribais por conta do acesso por terra, porque com a crise de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ruanda\/a\">Ruanda<\/a>\u00a0nos anos noventa, os hutus se deslocaram para Masisi e continuam ali, e n\u00e3o h\u00e1 lugar para todos\u201d, explica Bahati, em Madri, onde est\u00e1 para dar visibilidade a seu trabalho. \u201cEnt\u00e3o, desde que chegaram os brancos para ajudar e descobriram a riqueza de nossas montanhas, come\u00e7aram a explorar a terra e n\u00e3o mais s\u00f3 para cultiv\u00e1-la, mas para obter maiores benef\u00edcios. A\u00ed entraram o Governo, as mil\u00edcias, as grandes empresas extrativistas&#8230; j\u00e1 foi uma luta de todos contra todos\u201d, descreve.<\/p>\n<p>S\u00f3 em Masisi est\u00e3o 11 campos de refugiados e Bahati trabalha em sete. Estima-se que neles vivem \u2014ou sobrevivem\u2014\u00a0<a href=\"http:\/\/www.unhcr.org\/news\/latest\/2016\/4\/570dfb126\/fresh-fighting-drives-displacement-eastern-dr-congo.html\">cerca de 36.000 pessoas<\/a>. \u201cA partir da forma\u00e7\u00e3o em diferentes of\u00edcios, essas pessoas podem ser aut\u00f4nomas. S\u00e3o fam\u00edlias que tiveram de ir para outras cidades ou campos de refugiados para ter o m\u00ednimo de tranquilidade, porque sofriam com os confrontos entre guerrilhas e entre estas e o ex\u00e9rcito regular\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 um c\u00edrculo vicioso: menos educa\u00e7\u00e3o, mais conflitos, mais conflitos, menos educa\u00e7\u00e3o. E a particularidade de que a briga tem a ver direta ou indiretamente com a explora\u00e7\u00e3o dos recursos de um pa\u00eds s\u00f3 piora as coisas. Segundo o relat\u00f3rio, \u00e9 um agravante para as\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ninos\/a\">crian\u00e7as<\/a>\u00a0em idade escolar: \u201cDez dos pa\u00edses com indicadores educacionais mais baixos s\u00e3o ricos em recursos naturais. Oito deles est\u00e3o sendo ou foram assolados por conflitos. Dos 40 conflitos produzidos entre o ano de 1999 e o de 2013 foram feitos ataques recorrentes \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, mais da metade vinculados direta ou indiretamente aos recursos naturais\u201d, enumera. E al\u00e9m disso durante os \u00faltimos 60 anos, entre quatro e seis em cada 10 conflitos armados tiveram um v\u00ednculo com a explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais. A maioria foi na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/africa_subsahariana\/a\">\u00c1frica subsaariana<\/a>, mas tamb\u00e9m na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/latinoamerica\/a\">Am\u00e9rica Latina<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/asia\/a\">\u00c1sia<\/a>.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o fundamental \u00e9 que essas contendas se prolongam por mais tempo, est\u00e3o associadas a maiores n\u00edveis de viol\u00eancia, especialmente contra as mulheres, e s\u00e3o mais dif\u00edceis de superar. O risco de ressurgimento \u00e9 muito mais alto, em parte porque os processos de paz e reconcilia\u00e7\u00e3o n\u00e3o costumam abordar a governan\u00e7a e a gest\u00e3o dos recursos naturais.<\/p>\n<section id=\"sumario_6|html\" class=\"sumario_html derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">87% das pessoas desalojadas no mundo na \u00faltima d\u00e9cada prov\u00eam de regi\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o mineira e petrol\u00edfera<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Em Masisi, Bahati \u00e9 testemunha diariamente de como isso afeta a educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as: \u201cQuando h\u00e1 um conflito nada funciona, nem os col\u00e9gios. Chegam fam\u00edlias refugiadas com seus filhos para uma nova comunidade e as escolas da regi\u00e3o n\u00e3o t\u00eam vagas para todos, est\u00e3o lotadas, ent\u00e3o as crian\u00e7as n\u00e3o conseguem ter acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o ou t\u00eam a uma de muito m\u00e1 qualidade\u201d, descreve.<\/p>\n<h3>Outras guerras menos vis\u00edveis<\/h3>\n<p>H\u00e1 conflitos armados mais violentos \u00e0 primeira vista, como o da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/republica_democratica_del_congo\/a\">Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo<\/a>. Neles h\u00e1 ataques a escolas, assassinatos, deslocamentos for\u00e7ados de comunidades inteiras e uma importante degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente. Mas existem outros de menor escala que afetam milh\u00f5es de pessoas de pequenas comunidades locais e t\u00eam sua origem na apropria\u00e7\u00e3o de enormes extens\u00f5es de terras que depois ser\u00e3o exploradas por grandes empresas (cultivos de soja em grande escala, por exemplo, na Am\u00e9rica Latina) ou na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/05\/08\/politica\/1431122062_833703.html\">luta por recursos decrescentes<\/a>\u00a0(\u00e1gua, terras, pastos, pesca&#8230;).<\/p>\n<p>Calcula-se que h\u00e1 ativos\u00a0<a href=\"http:\/\/ejatlas.org\/\">mais de 2.000 conflitos ambientais<\/a>, uma cifra que aumentou nos \u00faltimos anos em paralelo com os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/06\/16\/politica\/1466030530_754621.html\">assassinatos de ecologistas<\/a>, que com frequ\u00eancia tamb\u00e9m exercem a lideran\u00e7a educacional em suas comunidades.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/03\/19\/internacional\/1426730060_984253.html\">Um dos mais conhecidos foi o de Dorothy Stang<\/a>, mas n\u00e3o o \u00fanico. Estes crimes aumentaram 59% entre 2004 e 2015, com 185 assassinatos em 16 pa\u00edses,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.globalwitness.org\/fr\/reports\/terreno-peligroso\/\">segundo o \u00faltimo relat\u00f3rio da Global Witness<\/a>.<\/p>\n<p>Nos conflitos armados relacionados com recursos naturais s\u00e3o frequentes os ataques \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Desde os ataques a escolas e professores, a destrui\u00e7\u00e3o de salas de aula, o recrutamento de meninas e meninos como soldados at\u00e9 a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/violencia_genero\/a\">viol\u00eancia contra mulheres e meninas<\/a>, estudantes e docentes. No caso da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, desde 2013 foram destru\u00eddas mais de 500 escolas e prejudicados mais de 200.000 alunos.<\/p>\n<section id=\"sumario_5|html\" class=\"sumario_html izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<blockquote>\n<p class=\"autor_cita\">\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Nos conflitos ambientais os impactos n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o vis\u00edveis, em parte porque os ataques diretos a escolas, professores e estudantes s\u00e3o menos frequentes, mas tamb\u00e9m s\u00e3o muito danosos e violam o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de menores. A apropria\u00e7\u00e3o de terras por parte de empresas desloca a popula\u00e7\u00e3o que nelas habitava ou trabalhava, com a consequente perda de oportunidades educacionais para os afetados. No Qu\u00eania h\u00e1 30.000 escolas em risco de desaparecimento por causa deste fen\u00f4meno. Um total de 83% n\u00e3o conta com um t\u00edtulo jur\u00eddico de propriedade, por isso seus efetivos donos n\u00e3o podem defender-se.<\/p>\n<h3>Uma quest\u00e3o de g\u00eanero<\/h3>\n<p>Dentre todos os prejudicados por esse tipo de disputa, as mulheres e meninas t\u00eam um problema adicional. A educa\u00e7\u00e3o lhes d\u00e1 poder para enfrentar diversas discrimina\u00e7\u00f5es. Mas se n\u00e3o t\u00eam a oportunidade de se formar, ser\u00e3o mais propensas a sofrer outros abusos. \u00c9 o caso do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/11\/06\/internacional\/1446826338_616784.html\">casamento infantil<\/a>\u00a0ou do acesso \u00e0 sa\u00fade e ao emprego. Sem esquecer que nos lugares onde existem conflitos pelos recursos naturais h\u00e1 com frequ\u00eancia viola\u00e7\u00f5es em massa de mulheres, como arma de guerra. Al\u00e9m das sequelas f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas, elas ficam estigmatizadas por toda a vida e marginalizadas, por isso o tecido social das comunidades acaba destro\u00e7ado.<\/p>\n<p>Bahati descreve sua experi\u00eancia com essa situa\u00e7\u00e3o. Explica que os deslocados perdem o acesso \u00e0 terra, j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam onde cultivar e, portanto, deixam de ganhar dinheiro. \u201cQuando muito podem realizar alguma atividade econ\u00f4mica informal, mas se lhes sobra algo do pouco dinheiro que ganham para destinar \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, v\u00e3o privilegiar os filhos homens\u201d, conta Bahati. \u201cO fato de as meninas ficarem nos campos sem fazer nada as leva \u00e0 escravid\u00e3o sexual: nos meus campos acontece muito\u201d, afirma a congolesa. \u201cPor menos de meio d\u00f3lar, os pais as prostituem.\u201d<\/p>\n<section id=\"sumario_3|html\" class=\"sumario_html derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">Em Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, desde 2013 foram destru\u00eddas mais de 500 escolas e viram-se afetados mais de 200.000 escolares<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<h3>Mais guerra, pior alimenta\u00e7\u00e3o e pior educa\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Como se mencionava antes, uma boa parte das pessoas mais pobres do mundo vive em pa\u00edses ricos em recursos naturais. E tamb\u00e9m boa parte das que passam\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/hambre\/a\">fome<\/a>. Essa combina\u00e7\u00e3o de pobreza e fome dificulta o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e a aprendizagem efetiva: uma crian\u00e7a com fome ou com car\u00eancias nutricionais n\u00e3o vai render adequadamente na escola. No entanto, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para sair do c\u00edrculo da pobreza.<\/p>\n<p>O mesmo ocorre com os problemas de sa\u00fade: afetam o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o porque favorecem o absente\u00edsmo, o abandono e as dificuldades de aprendizagem. Outras consequ\u00eancias sobre a sa\u00fade s\u00e3o a polui\u00e7\u00e3o gerada pelas ind\u00fastrias da minera\u00e7\u00e3o ou dos hidrocarbonetos, a destrui\u00e7\u00e3o da infraestrutura sanit\u00e1ria e a propaga\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/enfermedades\/a\">doen\u00e7as<\/a>.<\/p>\n<h3>Medidas realistas<\/h3>\n<section id=\"sumario_7|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_7\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><a class=\"enlace\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: none; font-style: inherit; font-variant: inherit; font-weight: inherit; font-stretch: inherit; font-size: inherit; line-height: inherit; font-family: inherit; vertical-align: baseline; box-sizing: border-box; background-color: transparent; text-decoration: none; color: #016ca2; position: relative; display: block;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2017\/09\/11\/planeta_futuro\/1505131269_476429_1505386767_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2017\/09\/11\/planeta_futuro\/1505131269_476429_1505386768_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2017\/09\/11\/planeta_futuro\/1505131269_476429_1505386768_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2017\/09\/11\/planeta_futuro\/1505131269_476429_1505386767_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Duas meninas trabalham no campo, na Eti\u00f3pia.\" width=\"980\" height=\"583\" \/><span class=\"boton_ampliar\">ampliar foto<\/span><\/a><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Duas meninas trabalham no campo, na Eti\u00f3pia.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">ENTRECULTURAS<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Com esta campanha, a Entreculturas faz um chamado aos Governos de pa\u00edses onde existem conflitos relacionados com os recursos naturais. Exortam-nos a buscar o consentimento livre, pr\u00e9vio e informado das popula\u00e7\u00f5es locais e a que respeitem seus direitos fundamentais, sobretudo o direito \u00e0 vida, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada, \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Sobre esta \u00faltima, o relat\u00f3rio enfatiza que \u00e9 imprescind\u00edvel que sejam refor\u00e7ados os meios e o financiamento atuais para mitigar os d\u00e9ficits existentes. Um exemplo positivo, na opini\u00e3o dos pesquisadores, \u00e9 o da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/etiopia\/a\">Eti\u00f3pia<\/a>, onde a pobreza foi reduzida \u00e0 metade desde 1995, quando o pa\u00eds come\u00e7ou a aplicar programas educacionais mais eficazes.<\/p>\n<p>No caso das\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/indigenas\/a\">comunidades ind\u00edgenas<\/a>, \u00e9 dada \u00eanfase especial no investimento em uma educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue, em um refor\u00e7o do enfoque multicultural e da orienta\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o para o empoderamento para a defesa dos direitos referentes a seu estilo de vida, \u00e0 propriedade da terra e \u00e0 gest\u00e3o de seus recursos.<\/p>\n<p>Por outro lado, os autores consideram necess\u00e1rio incorporar a quest\u00e3o da governan\u00e7a dos recursos naturais aos processos de paz e reconcilia\u00e7\u00e3o por parte dos Governos nos pa\u00edses em conflito, dos atores que desempenham um papel de media\u00e7\u00e3o e das organiza\u00e7\u00f5es sociais que contribuem para a restaura\u00e7\u00e3o da paz.<\/p>\n<p>Apesar de tudo, Hombeline Bahati sabe que nem Masisi nem Kivu ser\u00e3o uma terra pac\u00edfica em curto prazo. Por isso, pede a ado\u00e7\u00e3o de medidas realistas para conseguir que a popula\u00e7\u00e3o sobreviva da maneira mais digna poss\u00edvel e com acesso aos melhores recursos, tamb\u00e9m dentro das circunst\u00e2ncias. N\u00e3o se pode acabar com a guerra de um dia para o outro, mas \u00e9 poss\u00edvel sensibilizar as comunidades locais sobre a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o. Ela, nascida nessa terra ind\u00f4mita, vai notando mudan\u00e7as. \u201cA sensibiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante, cada vez mais pais entendem que \u00e9 fundamental que seus filhos e filhas se formem. O aumento da demanda \u00e9 observado tamb\u00e9m na exist\u00eancia de um n\u00famero cada vez maior de universidades e centros de forma\u00e7\u00e3o profissional. Antes eram para poucos privilegiados, mas nos \u00faltimos anos o acesso se tornou mais comum\u201d, afirma.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 264 milh\u00f5es de menores sem escolariza\u00e7\u00e3o no mundo e dois ter\u00e7os vivem em pa\u00edses com recursos naturais abundantes<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":216401,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1175,6],"tags":[],"class_list":["post-216400","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/criancas-estudando.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/216400","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=216400"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/216400\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/216401"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=216400"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=216400"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=216400"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}