{"id":216665,"date":"2017-09-17T16:08:55","date_gmt":"2017-09-17T19:08:55","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=216665"},"modified":"2017-09-17T16:08:55","modified_gmt":"2017-09-17T19:08:55","slug":"por-que-falamos-de-seis-milhoes-de-mortos-no-holocausto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/por-que-falamos-de-seis-milhoes-de-mortos-no-holocausto\/","title":{"rendered":"Por que falamos de seis milh\u00f5es de mortos no Holocausto?"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Nunca ser\u00e1 poss\u00edvel determinar o n\u00famero exato de judeus assassinados pelos nazistas. Especialistas trabalham com um n\u00famero entre cinco milh\u00f5es e seis milh\u00f5es<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div class=\"compartir-varios\"><\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Guillermo Altares\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/guillermo_altares\/a\/\">GUILLERMO ALTARES<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/politica\/imagenes\/2017\/09\/13\/sepa_usted\/1505304165_877872_1505433099_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/politica\/imagenes\/2017\/09\/13\/sepa_usted\/1505304165_877872_1505433099_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/politica\/imagenes\/2017\/09\/13\/sepa_usted\/1505304165_877872_1505433099_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/politica\/imagenes\/2017\/09\/13\/sepa_usted\/1505304165_877872_1505433099_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Chegada de judeus a Auschwitz.\" width=\"980\" height=\"735\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Chegada de judeus a Auschwitz.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">ALBUM DE AUSCHWITZ \/ YAD VASHEM<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Raul Hilberg, o grande historiador do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/holocausto\/a\">Holocausto<\/a>, considerava que sempre se contou a\u00a0<em>Sho\u00e1<\/em>\u00a0atrav\u00e9s dos relatos dos sobreviventes, quando s\u00f3 se pode narrar atrav\u00e9s dos mortos. A maioria das v\u00edtimas do genoc\u00eddio nazista foi assassinada logo ap\u00f3s desembarcar de um vag\u00e3o em c\u00e2maras de g\u00e1s em locais que ressoam na mem\u00f3ria, como\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/auschwitz\/a\">Auschwitz<\/a>, mas tamb\u00e9m em outros dos quais restam apenas destro\u00e7os, como Treblinka, Belzec e Sobibor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.haaretz.com\/jewish\/features\/.premium-1.540880\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O jornal israelense\u00a0<em>Haaretz<\/em>\u00a0questionou em agosto<\/a>\u00a0de onde saiu a cifra que mede universalmente esse horror (seis milh\u00f5es de judeus mortos), e por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil determinar com precis\u00e3o o n\u00famero de v\u00edtimas. A resposta aponta a esse imediatismo: os mortos n\u00e3o deixaram testamentos, e tamb\u00e9m n\u00e3o muitos documentos, pois nunca foram contabilizados. Tampouco os fuzilados em massa na URSS desde junho de 1941. Outra resposta \u00e9 a magnitude dos crimes nazistas, imposs\u00edvel de imaginar e, por isso, de medir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dois principais centros de documenta\u00e7\u00e3o do Holocausto, o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.yadvashem.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Yad Vashem<\/a>, em Jerusal\u00e9m, e o Museu do Holocausto, em Washington, utilizam o n\u00famero de seis milh\u00f5es. Este \u00faltimo dedica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ushmm.org\/wlc\/en\/article.php?ModuleId=10008193\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uma detalhada an\u00e1lise \u00e0s cifras,<\/a>\u00a0apesar de lembrar que nenhum documento nazista estabelece o n\u00famero de judeus, nem de outros grupos, assassinados entre 1933, quando\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/adolf_hitler\/a\">Hitler<\/a>\u00a0chegou ao poder, e 1945, o final da II Guerra Mundial. As estat\u00edsticas se baseiam em todo tipo de censos e investiga\u00e7\u00f5es anteriores. Os n\u00fameros desta institui\u00e7\u00e3o de refletem no gr\u00e1fico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Auschwitz (um milh\u00e3o de mortos, dos quais 870.000 levados para c\u00e2maras de g\u00e1s logo ap\u00f3s chegarem), Treblinka (925.000) e a atua\u00e7\u00e3o dos Einsatzgruppen (unidades m\u00f3veis de exterm\u00ednio) na URSS (1,3 milh\u00e3o) concentram mais da metade dos judeus mortos. Os dados de Treblinka s\u00e3o especialmente impressionantes: as instala\u00e7\u00f5es eram muito pequenas, uma plataforma de chegada e c\u00e2maras de g\u00e1s, destru\u00eddas pelos nazistas quando terminaram de us\u00e1-las. Esteve em opera\u00e7\u00e3o de julho de 1942 a novembro de 1943. Seus restos nunca foram investigados at\u00e9 o fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/elpais.com\/diario\/2005\/05\/14\/babelia\/1116026228_850215.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hilberg (1926-2007) d<\/a>edicou toda sua vida a estudar o Holocausto, conhecimento que estampou em sua imperd\u00edvel obra\u00a0<em>A Destrui\u00e7\u00e3o dos Judeus Europeus<\/em>. Em seu ep\u00edlogo, explica a cifra de seis milh\u00f5es e oferece sua pr\u00f3pria contagem: 5,1 milh\u00f5es. Chegou a essa conclus\u00e3o em 1985, antes da queda da URSS, e \u00e9 poss\u00edvel que tivesse mudado os dados se tivesse podido continuar estudando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atribui o n\u00famero de seis milh\u00f5es a William H\u00f6ttl, um antigo membro da SS, que declarou em 1945 que a cifra foi usada por Adolf Eichmann, o arquiteto da solu\u00e7\u00e3o final, em agosto de 1944: falou de \u201cdois milh\u00f5es de fuzilados e quatro milh\u00f5es nos campos de exterm\u00ednio\u201d. Por outro lado, o pr\u00f3prio Eichmann falou a outros l\u00edderes nazistas em cinco milh\u00f5es, a mesma cifra que citou em seu julgamento em Jerusal\u00e9m em 1961. Hilberg lembra que ele era o oficial da SS que mais cuidava das estat\u00edsticas.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Terras de Sangue<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em junho de 1945, o Instituto de Assuntos Judaicos de Nova York estabeleceu o total entre 5.659.600 e 5.673.100, dos quais 1.250.000 assassinados na URSS. Em 1946, o Congresso Mundial Judeu apontou 5.978.000, sendo 1,5 milh\u00e3o na URSS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hilberg estudou toda a papelada administrativa do terror para chegar aos 5,1 milh\u00f5es, divididos assim: campos de exterm\u00ednio, mais de 3.000.000 de mortos; fuzilamentos pelos Einsatzgruppen, 1.300.000, e guetos e escassez, 800.000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro grande historiador da\u00a0<em>Sho\u00e1<\/em>,\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/diario\/2010\/01\/09\/babelia\/1262999538_850215.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Saul Friedl\u00e4nder<\/a>\u00a0(Praga, 1924), ele pr\u00f3prio um sobrevivente do Holocausto, cujos pais foram assassinados em Auschwitz, explica em\u00a0<em>Alemanha Nazista e os Judeus<\/em>\u00a0que, \u201capesar de diversos c\u00f4mputos, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel uma estimativa exata do n\u00famero de v\u00edtimas\u201d. Trabalha com os n\u00fameros de Hilberg e de outro especialista, Wolfgang Benz: no m\u00ednimo 5.290.000 e no m\u00e1ximo um pouco mais de seis milh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em\u00a0<em>Terras de Sangue \u2013 A Europa Entre Hitler e Stalin<\/em>,\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/diario\/2012\/01\/14\/babelia\/1326503538_850215.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Timothy Snyder<\/a>\u00a0(Ohio, EUA, 1969) oferece uma estat\u00edstica atroz que ilustra a dimens\u00e3o dos totalitarismos que assolaram a Europa a partir dos anos 1930. Coloca em 14 milh\u00f5es o n\u00famero de \u201cv\u00edtimas pol\u00edticas diretas deliberadas\u201d do nazismo e do comunismo \u2013sem contar as v\u00edtimas da guerra\u2013 no que chama de Terra de Sangue: os pa\u00edses dominados pela URSS ou pela Alemanha \u2013 n\u00e3o inclui Estados onde houve atrocidades como Rom\u00eania e Iugosl\u00e1via. Seus n\u00fameros s\u00e3o: 3,3 milh\u00f5es de sovi\u00e9ticos mortos de fome na Ucr\u00e2nia; 700.000 v\u00edtimas do Grande Terror de Stalin; 200.000 poloneses executados entre 1939 e 1941 pela URSS; 4,2 milh\u00f5es de sovi\u00e9ticos mortos de fome sob a ocupa\u00e7\u00e3o nazista; 5,4 milh\u00f5es de judeus mortos por g\u00e1s ou fuzilados; 700.000 civis assassinados pelos alem\u00e3es em repres\u00e1lias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada um \u00e9 uma hist\u00f3ria, algu\u00e9m que teve a vida tirada em um turbilh\u00e3o de horror. Um n\u00famero de Friedl\u00e4nder pode resumir a dimens\u00e3o da cat\u00e1strofe: mais de 1,5 milh\u00e3o de judeus assassinados tinham menos de 14 anos.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em\u00a0Terras de Sangue \u2013 A Europa Entre Hitler e Stalin,\u00a0Timothy Snyder\u00a0(Ohio, EUA, 1969) oferece uma estat\u00edstica atroz que ilustra a dimens\u00e3o dos totalitarismos que assolaram a Europa a partir dos anos 1930. Coloca em 14 milh\u00f5es o n\u00famero de \u201cv\u00edtimas pol\u00edticas diretas deliberadas\u201d do naz<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":216666,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-216665","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/holocausto.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/216665","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=216665"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/216665\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/216666"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=216665"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=216665"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=216665"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}