{"id":217719,"date":"2017-09-23T11:52:02","date_gmt":"2017-09-23T14:52:02","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=217719"},"modified":"2017-09-23T11:52:02","modified_gmt":"2017-09-23T14:52:02","slug":"clarice-lispector-em-2017-o-segredo-mais-popular-da-literatura-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/clarice-lispector-em-2017-o-segredo-mais-popular-da-literatura-brasileira\/","title":{"rendered":"Clarice Lispector em 2017: o segredo mais popular da literatura brasileira"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Aos 40 anos de sua morte, memes da autora confundem sua produ\u00e7\u00e3o, complexa e delicada, com autoajuda<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div class=\"compartir-varios\"><\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Tom C. Avenda\u00f1o\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/tom_c_avendano\/a\/\">TOM C. AVENDA\u00d1O<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><a class=\"enlace\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/09\/20\/cultura\/1505923237_969591.html\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2017\/09\/20\/babelia\/1505923237_969591_1505923238_590469_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2017\/09\/20\/babelia\/1505923237_969591_1505923239_240514_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2017\/09\/20\/babelia\/1505923237_969591_1505923239_913694_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2017\/09\/20\/babelia\/1505923237_969591_1505923238_590469_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Clarice Lispector em 2017: o segredo mais popular da literatura brasileira\" width=\"980\" height=\"1297\" \/><span class=\"boton_ampliar\">Ampliar foto<\/span><\/a><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A biblioteca\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/clarice_lispector\/a\">Clarice Lispector<\/a>, em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sao_paulo\/a\/\">S\u00e3o Paulo<\/a>, \u00e9 um edif\u00edcio p\u00fablico de concreto localizado na Lapa, um bairro de classe m\u00e9dia relativamente pr\u00f3ximo ao centro da cidade. Tem portas amarelas e azuis por fora; por dentro, principalmente pessoas idosas sentadas em meia d\u00fazia de mesas redondas. Quase todo mundo sabe que a tal Lispector que d\u00e1 o nome ao pr\u00e9dio era algu\u00e9m importante, embora nem todos consigam identific\u00e1-la como a escritora brasileira mais traduzida e aclamada em d\u00e9cadas. E ningu\u00e9m responde com a disposi\u00e7\u00e3o de Lycia, uma adolescente de 14 anos e enormes \u00f3culos de acr\u00edlico que olhava as estantes met\u00e1licas nas paredes. \u201cAcho que a conhe\u00e7o\u201d, diz. E, depois de uma pesquisa no Google, mostra o celular: na tela,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Clarice-Lispector-Frases-199810793528594\/\">v\u00e1rias fotos em preto e branco de uma mulher linda e congelada em um gesto distante<\/a>, como uma estrela de cinema dos anos quarenta. Em cada vers\u00e3o da foto, h\u00e1 uma frase diferente: \u201cO ver\u00e3o est\u00e1 instalado em meu cora\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cTodo sil\u00eancio tem um nome\u201d. \u201cEste \u00e9 meu problema: nunca fui de gostar pouco, ou gosto muito ou n\u00e3o gosto.\u201d Todas as frases s\u00e3o atribu\u00eddas a Lispector, a mulher da foto, mas poucas realmente s\u00e3o. Lycia conclui: \u201cAinda n\u00e3o li livros dela, mas acho que gosto\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quarenta anos ap\u00f3s sua morte, Clarice Lispector desfruta de uma enorme fama nas\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/redes_sociales\/a\">redes<\/a>, transformada em um \u00edcone da autoajuda adolescente. Para seus leitores mais s\u00e9rios, os que defendem que arrancar suas frases do complexo e delicado contexto ao qual pertencem equivale a tirar sua alma, \u00e9 apenas uma anedota ignominiosa. Para alguns jovens, \u00e9 o que Lispector sempre foi. Mas tamb\u00e9m \u00e9 um sintoma do complicado legado que a pr\u00f3pria escritora, que nunca mostrou o menor interesse pela vida p\u00fablica, deixou em seu pa\u00eds. \u201cClarice vive hoje um culto de sua imagem, mais do que de sua literatura\u201d, destaca\u00a0<a href=\"http:\/\/dlcv.fflch.usp.br\/node\/579\">Yudith Rosenbaum<\/a>, professora de literatura cl\u00e1ssica da Universidade de S\u00e3o Paulo e autora de dois livros sobre a escritora. \u201cPor n\u00e3o conceder entrevistas, por ter se isolado e cercado sua vida de mist\u00e9rio e por preferir o sil\u00eancio \u00e0s falas vazias, a escritora criou ao redor de si uma aura de inacessibilidade ao lado de uma legi\u00e3o de f\u00e3s id\u00f3latras&#8221;. Ao longo das d\u00e9cadas, Lispector se transformou em um fen\u00f4meno muito dif\u00edcil de ignorar, mas isso s\u00f3 piorou o problema da marca deixada na literatura brasileira por algu\u00e9m t\u00e3o dif\u00edcil de classificar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acaba sendo dif\u00edcil falar de Lispector, mesmo como\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/literatura_brasilena\/a\">escritora brasileira<\/a>, porque suas obras parecem passar por cima da realidade terrena. Uma vez, em 1969, dedicou algumas das cr\u00f4nicas que escrevia no\u00a0<em>Jornal do Brasil<\/em>\u00a0ao tema da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/violencia_policial\/a\">viol\u00eancia policial<\/a>\u00a0(porque os policiais haviam disparado 13 vezes contra um bandido famoso). Seu \u00faltimo romance,\u00a0<em>A Hora da Estrela<\/em>, fala de uma garota que, assim como ela fez h\u00e1 anos, viaja do Nordeste ao\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/rio_de_janeiro\/a\">Rio de Janeiro<\/a>. E nada mais. Em quase 40 anos de produ\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 mais refer\u00eancias expl\u00edcitas ao lugar nem \u00e0 \u00e9poca que a rodeavam. Rosenbaum argumenta que s\u00f3 h\u00e1 uma refer\u00eancia impl\u00edcita em alguns textos. \u201cAo tratar da mulher e do feminino em suas rela\u00e7\u00f5es familiares nas d\u00e9cadas de 50 e 70 no Brasil\u00a0\u2013\u00a0e poucos escritores o fizeram com tamanha profundidade\u00a0\u2013\u00a0distingue-se o v\u00ednculo paradoxal da patroa com sua empregada, essa \u00edntima estranha que habita o lar, misto de pertencimento e exclus\u00e3o. H\u00e1 v\u00e1rias cr\u00f4nicas de Clarice, publicadas no Jornal do Brasil entre 1967 e 1973, que trazem experi\u00eancias da pr\u00f3pria escritora com suas empregadas, cujos processos de espelhamento e diferencia\u00e7\u00e3o entre ambas revelam conflitos de classe, mantidos em surdina na cultura brasileira\u201d. A acad\u00eamica lembra que, no romance\u00a0<em>A Paix\u00e3o Segundo G.H.<\/em>, o enredo \u00e9 ambientado no quarto da empregada.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|foto\" class=\"sumario_foto derecha\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><a class=\"enlace\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2017\/09\/20\/babelia\/1505923237_969591_1505923238_006952_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2017\/09\/20\/babelia\/1505923237_969591_1505923238_197985_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2017\/09\/20\/babelia\/1505923237_969591_1505923238_006952_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Da esquerda \u00e0 direita, Mania Krimgold, Elisa, Clarice, Tania e Pinkhas Lispector\" width=\"360\" height=\"284\" \/><span class=\"boton_ampliar\">ampliar foto<\/span><\/a><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Da esquerda \u00e0 direita, Mania Krimgold, Elisa, Clarice, Tania e Pinkhas Lispector<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">EDITORIAL SIRUELA<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quase t\u00e3o in\u00fatil como tentar rotul\u00e1-la pelo conte\u00fado de seus textos \u00e9 estudar sua forma. Seu estilo, entre a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/poesia\/a\">poesia<\/a>\u00a0e a prosa, de pintar os detalhes cotidianos de espiritualidade e de usar a primeira pessoa em hist\u00f3rias em que ela n\u00e3o \u00e9 um personagem, mais a afasta do que a aproxima de seus contempor\u00e2neos: n\u00e3o se parece com ningu\u00e9m e sua vis\u00e3o n\u00e3o lembra nenhum movimento. \u201cEla se diferenciou do neoregionalismo dos anos trinta, que dominou boa parte do per\u00edodo liter\u00e1rio em que surgiu. Mais afeita \u00e0s influ\u00eancias do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/novela\/a\">romance<\/a>introspectivo ou intimista, herdeira da prosa de fic\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica francesa, Clarice ainda assim n\u00e3o se vincularia inteiramente a nenhuma dessas duas vertentes,\u201d avalia Rosenbaum. Benjamin Moser, autor de\u00a0<em>Clarice,<\/em>\u00a0a biografia que em 2009 galvanizou a fama internacional da escritora, tamb\u00e9m resiste \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o: \u201cLer Clarice \u00e9 uma experi\u00eancia muito pessoal. Falar dela no c\u00f3digo nacional ou acad\u00eamico \u00e9 uma p\u00e9ssima ideia, \u00e9 permitir que um grupinho sem imagina\u00e7\u00e3o enterre uma artista em um t\u00famulo empoeirado\u201d, afirma. \u201cClarice \u00e9 melhor descrita como uma amante com a qual algu\u00e9m tem momentos de luz, de amor, de sexo e de morte. Isso soar\u00e1 exagerado para aqueles que n\u00e3o a leram, mas, para aqueles que sim, parecer\u00e1 \u00f3bvio e at\u00e9 mesmo um pouco limitado.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lispector morreu em 1977. Sua influ\u00eancia sobre futuros escritores do pa\u00eds acabou por ser mais problem\u00e1tica do que o esperado. Muitos tentaram ocupar seu espa\u00e7o e, durante anos, proliferaram imita\u00e7\u00f5es de seu estilo: algumas excessivamente m\u00edsticas, outras simplesmente impenetr\u00e1veis. Outros escritores fugiram de sua tem\u00edvel sombra.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/11\/10\/opinion\/1415638637_207448.html\">Caio Fernando Abreu<\/a>, um escritor dos anos setenta e oitenta que hoje tamb\u00e9m passa por um\u00a0<em>revival<\/em>, 20 anos ap\u00f3s sua morte, recusou-se a ler a obra de Lispector para n\u00e3o se contaminar. N\u00e3o foi o \u00fanico. \u201cUm jovem escritor de S\u00e3o Paulo me disse que, depois de Clarice, muitos brasileiros sentiram que n\u00e3o tinham nada a dizer\u201d, lembra Moser.<\/p>\n<section id=\"sumario_5|html\" class=\"sumario_html izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">&#8220;Por n\u00e3o conceder entrevistas, por ter se isolado e cercado sua vida de criou ao redor de si uma aura de inacessibilidade ao lado de uma legi\u00e3o de f\u00e3s id\u00f3latras&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, a vis\u00e3o universal de Lispector ajudou sua obra a ganhar terreno no exterior. Em 1954, foi publicada na Fran\u00e7a a primeira tradu\u00e7\u00e3o de um romance da escritora. Em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/nueva_york\/a\">Nova York<\/a>, o primeiro foi lan\u00e7ado em 1964; j\u00e1 nos anos oitenta, os t\u00edtulos em ingl\u00eas haviam se multiplicado. A editora Sch\u00f6ffling &amp; Co. comprou os direitos em alem\u00e3o, e a Siruela fez o mesmo em espanhol. \u201cEla sempre foi uma figura de culto, mas apenas entre os especialistas, como um segredo bem guardado. Foram as tradu\u00e7\u00f5es e o interesse que come\u00e7ou despertar no exterior que a transformaram em um fen\u00f4meno brasileiro\u201d, opina o editor e escritor\u00a0<a href=\"http:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/colaborador\/pedro-correa-do-lago\/\">Pedro Corr\u00eaa do Lago<\/a>. O prest\u00edgio de outros pa\u00edses completou a equa\u00e7\u00e3o. Com um estilo t\u00e3o peculiar que se limitava \u00e0 sua obra, tendo cultivado muito pouco sua faceta p\u00fablica e com seu nome mais endossado pelo estrangeiro do que pelo pr\u00f3prio pa\u00eds, Clarice Lispector passou a ser uma figura de culto. Mais algumas d\u00e9cadas nesse caminho e estaria protagonizando\u00a0<em>memes<\/em>\u00a0para a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo menos por enquanto, desde que sua presen\u00e7a permane\u00e7a relativamente pr\u00f3xima no tempo. Seu valor para o pa\u00eds \u00e9 claro: \u201c\u00c9, juntamente com\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/12\/09\/opinion\/1418124717_153514.html\">Guimar\u00e3es Rosa<\/a>, a grande escritora da segunda metade do s\u00e9culo XX\u201d, diz Corr\u00eaa do Lago. Talvez seja quest\u00e3o de que, com o tempo, acabe encontrando um espa\u00e7o que n\u00e3o dependa de representar ou n\u00e3o a mentalidade brasileira. \u201cE\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/william_shakespeare\/a\">Shakespeare<\/a>representava a mentalidade inglesa? Ou\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/miguel_de_cervantes\/a\">Cervantes<\/a>, a espanhola? No in\u00edcio, claro que n\u00e3o: eram simples escritores, e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/el_quijote\/a\"><em>Dom Quixote<\/em><\/a>\u00a0poderia ter sido escrito na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/francia\/a\">Fran\u00e7a<\/a>\u00a0tanto quanto\u00a0<em>Hamlet<\/em>\u00a0poderia ter sido escrito na It\u00e1lia\u201d, protesta Moser. \u201cMas os grandes\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/artistas\/a\">artistas<\/a>\u00a0sabem projetar, de uma maneira muito estranha, uma vis\u00e3o muito exc\u00eantrica e pessoal sobre os falantes de todo um idioma, e tamb\u00e9m sabem fazer com que acreditem que essa vis\u00e3o \u00e9 sua. Assim, \u00e9 imposs\u00edvel imaginar o espanhol sem Cervantes, o ingl\u00eas sem Shakespeare, e o portugu\u00eas sem Clarice.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 40 anos de sua morte, memes da autora confundem sua produ\u00e7\u00e3o, complexa e delicada, com autoajuda<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":217720,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-217719","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/clarice-lispector.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/217719","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=217719"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/217719\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/217720"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=217719"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=217719"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=217719"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}