{"id":218839,"date":"2017-09-29T05:18:41","date_gmt":"2017-09-29T08:18:41","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=218839"},"modified":"2017-09-29T05:18:41","modified_gmt":"2017-09-29T08:18:41","slug":"para-de-chorar-porque-o-seu-marido-vai-cansar-o-estigma-da-depressao-pos-parto-que-afeta-1-em-4-maes-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/para-de-chorar-porque-o-seu-marido-vai-cansar-o-estigma-da-depressao-pos-parto-que-afeta-1-em-4-maes-no-brasil\/","title":{"rendered":"&#8216;Para de chorar porque o seu marido vai cansar&#8217;: o estigma da depress\u00e3o p\u00f3s-parto, que afeta 1 em 4 m\u00e3es no Brasil"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__name\">Ana Terra Athayde<\/span><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\"><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-with-caption\">\n<div class=\"player-with-placeholder\"><img decoding=\"async\" class=\"media-placeholder player-with-placeholder__image lead-video-placeholder\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/images\/ic\/720x405\/p05hgjjm.jpg\" \/><\/div><figcaption class=\"media-with-caption__caption\">&#8216;Como voc\u00ea pode estar triste no momento mais feliz de sua vida?&#8217;<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">&#8220;Como uma m\u00e3e com um filho perfeito, lindo e saud\u00e1vel poderia estar triste? As pessoas n\u00e3o conseguem entender isso e te cobram&#8221;, diz a professora Elenise Costa, de 37 anos, sobre a depress\u00e3o p\u00f3s-parto.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca com 34 anos e casada h\u00e1 dois, Elenise Costa sonhava com o nascimento do primeiro filho. A gravidez n\u00e3o foi f\u00e1cil. Por causa de complica\u00e7\u00f5es decorrentes de endometriose e um mioma, Elenise teve que parar de trabalhar e ficar de repouso desde a 18\u00aa semana de gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Na gravidez, j\u00e1 comecei a me sentir um pouco triste,&#8221; diz. &#8220;Lembro que no dia do parto eu j\u00e1 me senti triste&#8221;.<\/p>\n<p>Era o in\u00edcio do per\u00edodo mais dif\u00edcil da vida de Elenise, que foi diagnosticada com depress\u00e3o ap\u00f3s o nascimento do filho. Por algum tempo, ela sofreu sozinha. Elenise diz que s\u00f3 conseguiu contar para o marido o que estava sentindo quando o filho tinha 15 dias. Cansada, preocupada, com taquicardia e tremores, ela tinha vergonha de admitir que n\u00e3o estava feliz com o come\u00e7o da maternidade.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/8585\/production\/_98018143_depressao1.png\" alt=\"Elenise Costa\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Elenise foi diagnosticada com depress\u00e3o ap\u00f3s o nascimento do filho (Foto: Ana Terra Athayde\/BBC Brasil)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Moradora de Maric\u00e1, munic\u00edpio da Regi\u00e3o Metropolitana do Rio de Janeiro, ela aos poucos compartilhou o que estava vivendo com amigos pr\u00f3ximos e familiares, mas n\u00e3o recebeu o apoio do qual precisava. &#8220;Ouvi de pessoas que achei que poderia contar coisas do tipo &#8216;olha, fica bem porque voc\u00ea vai perder seu marido. Para de chorar porque o seu marido vai cansar'&#8221;, relata.<\/p>\n<p>Resistir a procurar atendimento psicol\u00f3gico durante a gravidez ou ap\u00f3s o parto n\u00e3o \u00e9 incomum entre mulheres. Um estudo em andamento da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) entrevistou 221 gestantes que fazem o pr\u00e9-natal em uma unidade da Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica em Manguinhos, regi\u00e3o carente do Rio. Entre as entrevistadas, 32% apresentaram sintomas depressivos. No entanto, menos da metade dessas mulheres aceitou ser avaliada por um profissional especializado &#8211; 52% se negaram a receber ajuda.<\/p>\n<p>&#8220;A gente tem sempre uma vis\u00e3o de que o servi\u00e7o de sa\u00fade n\u00e3o oferece [atendimento voltado para a sa\u00fade mental de gestantes]. E muitas vezes n\u00e3o oferece mesmo. S\u00f3 que o que n\u00f3s encontramos \u00e9 algo que consideramos mais s\u00e9rio ainda: elas n\u00e3o querem&#8221;, explica a pesquisadora Mariza Theme, respons\u00e1vel pelo estudo.<\/p>\n<aside class=\"quote\">\n<div class=\"quote-inner\">\n<blockquote class=\"quote\"><p>Ouvi de pessoas que achei que poderia contar coisas do tipo &#8216;para de chorar porque o seu marido vai cansar&#8217;<\/p>\n<footer>Elenise Costa, diagnosticada com depress\u00e3o ap\u00f3 nascimento do filho<\/footer>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/aside>\n<p>&#8220;O transtorno mental tem associado a ele um estigma muito grande. Esse estigma \u00e9 uma das principais causas para a pessoa n\u00e3o procurar tratamento&#8221;, diz.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Sa\u00fade mental de gr\u00e1vidas e m\u00e3es ap\u00f3s o parto<\/h2>\n<p>O novo estudo da Fiocruz surgiu como um desdobramento do trabalho feito para a pesquisa Nascer no Brasil, que mostrou que uma em cada quatro mulheres que j\u00e1 tiveram filhos no pa\u00eds apresenta sintomas de depress\u00e3o p\u00f3s-parto. Para entender melhor o processo de mudan\u00e7as na sa\u00fade mental perinatal (da gravidez ao p\u00f3s-parto) de mulheres e por que algumas n\u00e3o procuram ajuda, a an\u00e1lise agora prev\u00ea que cada m\u00e3e inclu\u00edda na pesquisa seja avaliada em tr\u00eas momentos diferentes: no in\u00edcio e no final da gesta\u00e7\u00e3o, e depois que o beb\u00ea tem dois meses ou mais.<\/p>\n<p>Os especialistas ressaltam a import\u00e2ncia de identificar qualquer tipo de transtorno mental ainda na gravidez. Em uma pesquisa com 506 mulheres atendidas em unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade da Zona Norte de S\u00e3o Paulo, 45% das que estavam gr\u00e1vidas e diagnosticadas com depress\u00e3o vieram a apresentar sintomas tamb\u00e9m entre 6 a 9 meses ap\u00f3s o parto.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/D3A5\/production\/_98018145_depressao4.png\" alt=\"Elise vendo desenhos do filho\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Ap\u00f3s a licen\u00e7a-paternidade do marido, Elenise n\u00e3o contou com a ajuda de ningu\u00e9m para cuidar do filho<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Segundo o ginecologista Alexandre Faisal, pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e coordenador do estudo, as mulheres que apresentaram sintomas de depress\u00e3o p\u00f3s-parto moderada ou grave tinham menor confian\u00e7a para cuidar do beb\u00ea. A pesquisa, que est\u00e1 para ser publicada e foca em mulheres em situa\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel, indica que mulheres que recebem acompanhamento desde a gesta\u00e7\u00e3o podem ter menos chances de desenvolver problemas no p\u00f3s-parto.<\/p>\n<p>&#8220;Historicamente a depress\u00e3o na gravidez e no p\u00f3s-parto acabou ficando relegada para um plano secund\u00e1rio, quer pelo fato de o m\u00e9dico n\u00e3o ser treinado para diagnosticar, quer porque a paciente e a fam\u00edlia n\u00e3o pedem socorro num momento t\u00e3o dif\u00edcil, por vergonha ou estigma social,&#8221; explica.<\/p>\n<p>&#8220;Agora as evid\u00eancias todas sugerem que esse \u00e9 um problema s\u00e9rio desse per\u00edodo [perinatal] e que tamb\u00e9m merece ser rastreado&#8221;, diz. &#8220;Esse rastreamento permite a ado\u00e7\u00e3o de uma medida psicoter\u00e1pica e medicamentos que vai prevenir ou diminuir o impacto negativo da doen\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>Muitas m\u00e3es, no entanto, temem as poss\u00edveis consequ\u00eancias do uso de medicamentos durante a gravidez ou amamenta\u00e7\u00e3o, mesmo sob orienta\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. Faisal explica que os efeitos colaterais s\u00e3o menores do que os imaginados. &#8220;Esse risco n\u00e3o \u00e9 zero, varia de acordo com o antidepressivo e em rela\u00e7\u00e3o ao trimestre [da gravidez], mas \u00e9 um risco absoluto muito pequeno. E a contrapartida disso \u00e9 que, se a pessoa n\u00e3o usa, ela pode ter complica\u00e7\u00f5es para ela e para a gravidez&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Baby blues, depress\u00e3o e psicose: diferen\u00e7as, sintomas e riscos<\/h2>\n<p>A preval\u00eancia de mulheres que sentem um pouco de tristeza ap\u00f3s o parto pode chegar a 70%, segundo Faisal. O chamado\u00a0<i>baby blues<\/i>\u00a0costuma ser limitado aos primeiros 10 dias e se caracteriza por uma leve tristeza, que se resolve espontaneamente. O estado costuma ser atribu\u00eddo a uma flutua\u00e7\u00e3o hormonal, embora aspectos psicol\u00f3gicos n\u00e3o possam ser descartados.<\/p>\n<p>J\u00e1 a depress\u00e3o p\u00f3s-parto \u00e9 um cen\u00e1rio diferente, mais longo, e que apresenta entre suas caracter\u00edsticas a perda de interesse por coisas que antes eram prazerosas, humor deprimido, pensamentos negativos e a sensa\u00e7\u00e3o de ser incapaz de cuidar do rec\u00e9m-nascido. &#8220;A mulher pode ter o temor de que n\u00e3o vai conseguir dar o banho ou que vai machucar o beb\u00ea&#8221;, ressalta Faisal.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1FFE\/production\/_97809180_gettyimages-645276762.jpg\" alt=\"Gr\u00e1vida olhando pela janela\" width=\"549\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Resistir a procurar atendimento psicol\u00f3gico durante a gravidez ou ap\u00f3s o parto n\u00e3o \u00e9 incomum entre mulheres<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>H\u00e1 ainda um terceiro transtorno, mais raro e perigoso: a psicose puerperal, que pode atingir 1 em cada mil mulheres, segundo Faisal. Neste caso, o contato com a realidade fica prejudicado e a pessoa passar a ter del\u00edrios. Tanto a depress\u00e3o p\u00f3s-parto mais intensa como a psicose puerperal, quando n\u00e3o tratadas, podem ter consequ\u00eancias graves como o suic\u00eddio e o infantic\u00eddio.<\/p>\n<p>Por conta do estado puerperal, o infantic\u00eddio \u00e9 um tipo penal diferente do homic\u00eddio no pa\u00eds. De acordo com o artigo 123 do c\u00f3digo penal brasileiro, o crime de infantic\u00eddio se d\u00e1 quando a m\u00e3e mata o pr\u00f3prio filho, durante ou logo ap\u00f3s o parto. A pena prevista \u00e9 de dois a seis anos de deten\u00e7\u00e3o &#8211; menor que a de homic\u00eddio simples, que \u00e9 de seis a 20 anos de reclus\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o se trata de uma pessoa que tenha planejado aquilo nos m\u00ednimos detalhes. Voc\u00ea est\u00e1 falando de uma pessoa numa situa\u00e7\u00e3o psicossocial muito espec\u00edfica, e quando os jurados entram em contato com essa explica\u00e7\u00e3o, eles tamb\u00e9m se sensibilizam&#8221;, explica Bruna Angotti, advogada e antrop\u00f3loga, que acompanhou tr\u00eas j\u00faris de infantic\u00eddio nos \u00faltimos tr\u00eas anos em S\u00e3o Paulo, como parte de sua pesquisa de doutorado na USP.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Falar sobre o problema<\/h2>\n<p>Para Elenise Costa, o momento mais dif\u00edcil do p\u00f3s-parto se deu quando o filho tinha cerca de 20 dias de vida. &#8220;Os meus pensamentos ficaram confusos, eu j\u00e1 n\u00e3o conseguia me concentrar, n\u00e3o conseguia ler uma frase de um livro ou acompanhar um programa na televis\u00e3o&#8221;, explica. &#8220;Eu continuava cuidando do meu filho, mas os sintomas estavam muito fortes&#8221;.<\/p>\n<p>Ela relata que a preocupa\u00e7\u00e3o com o filho chegava a ser excessiva, por medo de que algo acontecesse com o beb\u00ea. &#8220;Quando meu marido sa\u00eda para trabalhar, eu ficava muito nervosa e ansiosa, como se eu n\u00e3o soubesse o que fazer. Na verdade, eu n\u00e3o sabia mesmo, mas achava que tinha que saber. Mais um mito [da maternidade], n\u00e9? Eu achava que tinha que saber tudo&#8221;.<\/p>\n<aside class=\"quote\">\n<div class=\"quote-inner\">\n<blockquote class=\"quote\"><p>Quando meu marido sa\u00eda para trabalhar, eu ficava muito nervosa e ansiosa, como se eu n\u00e3o soubesse o que fazer<\/p>\n<footer>Elenise Costa, diagnosticada com depress\u00e3o ap\u00f3 nascimento do filho<\/footer>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/aside>\n<p>Elenise e o marido procuraram ajuda m\u00e9dica. Eles passaram por quatro profissionais, entre terapeuta, ginecologista e psiquiatras, at\u00e9 Elenise come\u00e7ar um tratamento. Inicialmente ela n\u00e3o quis tomar medicamentos, pois o psiquiatra havia dito que ela teria que parar de amamentar. Ela acredita que, se na primeira consulta o m\u00e9dico a tivesse orientado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 possibilidade de conciliar determinados antidepressivos e amamenta\u00e7\u00e3o, os sintomas n\u00e3o teriam ficado t\u00e3o fortes.<\/p>\n<p>&#8220;Em geral n\u00e3o temos uma assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade mental perinatal organizada e estruturada&#8221;, diz M\u00e1rcia Baldisserotto, coordenadora do grupo de trabalho de sa\u00fade mental do F\u00f3rum Perinatal da Regi\u00e3o Metropolitana I do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>&#8220;Uma gestante chega para o pr\u00e9-natal e examina press\u00e3o, glicose, v\u00e1rias quest\u00f5es biol\u00f3gicas que s\u00e3o importantes. Mas uma triagem e escuta da sa\u00fade mental n\u00e3o est\u00e1 sendo feita em geral. No p\u00f3s-parto, ela quase n\u00e3o faz exame. \u00c9 a nossa filosofia de olhar s\u00f3 a crian\u00e7a e esquecer a m\u00e3e. Isso \u00e9 hist\u00f3rico no Brasil em termos de pol\u00edtica p\u00fablica.&#8221;<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade afirma, em nota, que, desde o pr\u00e9-natal na Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade at\u00e9 a aten\u00e7\u00e3o hospitalar, os profissionais que acompanham a gravidez e realizam as consultas e atendimentos s\u00e3o capacitados para identificar sinais e fatores de risco que podem levar a gestante a desenvolver depress\u00e3o ap\u00f3s o nascimento do beb\u00ea, e orienta que todas as mulheres recebam visitas domiciliares e realizem consulta puerperal para avaliar, entre outras coisas, sua condi\u00e7\u00e3o psicoemocional.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/9D59\/production\/_98018204_fiocruz_20110113_vinicius_marinho_00028.jpg\" alt=\"Exame por ultrassom durante gravidez\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">&#8216;Em geral n\u00e3o temos uma assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade mental perinatal organizada e estruturada&#8217;, diz especialista<\/span><\/figure>\n<p>Atualmente, h\u00e1 19 f\u00f3runs perinatais ativos no pa\u00eds, compostos por representantes de secretarias estaduais e municipais de sa\u00fade, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, de maternidades privadas e da sociedade civil. Os f\u00f3runs t\u00eam como objetivo discutir assuntos relacionados \u00e0 sa\u00fade e qualidade de vida da mulher e do beb\u00ea e criar estrat\u00e9gias que possam melhorar o cuidado e reduzir a mortalidade materna e infantil.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, o f\u00f3rum come\u00e7ou a atuar em 2015. O grupo de trabalho voltado para a sa\u00fade mental se re\u00fane uma vez por m\u00eas, em m\u00e9dia, segundo M\u00e1rcia. No fim de outubro, ser\u00e1 realizado um primeiro semin\u00e1rio sobre o tema, aberto ao p\u00fablico, que ir\u00e1 discutir a necessidade de implementa\u00e7\u00e3o de um protocolo de atendimento \u00e0 sa\u00fade mental durante o ciclo perinatal.<\/p>\n<p>Para Elenise, que se recuperou da depress\u00e3o p\u00f3s-parto, uma rede de apoio \u00e0s m\u00e3es tamb\u00e9m \u00e9 fundamental. Como o marido teve que voltar a trabalhar ap\u00f3s o curto per\u00edodo de licen\u00e7a-paternidade, ela diz que n\u00e3o contou com a ajuda de ningu\u00e9m para cuidar do filho. &#8220;Voc\u00ea n\u00e3o pode descansar, porque voc\u00ea tem casa para arrumar, comida para fazer, roupinha para lavar e passar. Cuidar de um rec\u00e9m-nascido \u00e9 muito desgastante.&#8221;<\/p>\n<p>Ela ainda se emociona ao falar sobre o que viveu e espera que seu relato ajude a mudar o estigma associado ao transtorno. &#8220;Eu tinha muita vergonha de falar sobre o assunto. Ainda tenho, e muitas pessoas n\u00e3o sabem pelo que passei&#8221;, diz. &#8220;\u00c9 fundamental pedir ajuda. \u00c9 preciso falar sobre o per\u00edodo p\u00f3s-parto, porque nenhuma mulher deve passar por isso sozinha.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para Elenise, que se recuperou da depress\u00e3o p\u00f3s-parto, uma rede de apoio \u00e0s m\u00e3es tamb\u00e9m \u00e9 fundamental. 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