{"id":220051,"date":"2017-10-09T04:32:14","date_gmt":"2017-10-09T07:32:14","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=220051"},"modified":"2017-10-09T04:32:14","modified_gmt":"2017-10-09T07:32:14","slug":"da-escola-ao-1o-emprego-como-buscar-um-caminho-profissional-sem-ter-ao-menos-ainda-um-diploma-universitario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/da-escola-ao-1o-emprego-como-buscar-um-caminho-profissional-sem-ter-ao-menos-ainda-um-diploma-universitario\/","title":{"rendered":"Da escola ao 1\u00ba emprego: como buscar um caminho profissional sem ter (ao menos ainda) um diploma universit\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"byline\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"byline__name\">Ana Luiza Daltro<\/span><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/5891\/production\/_97937622_turmadoformarenohyatt01.jpg\" alt=\"Turma do Formare no Hotel Grand Hyatt\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Jovens participam de programa de capacita\u00e7\u00e3o oferecido pelo Hotel Grand Hyatt de S\u00e3o Paulo em parceria com o Instituto Formare (Foto: Ana Luiza Daltro)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\" style=\"text-align: justify;\">O trimestre de maio a julho deste ano foi encerrado com um \u00edndice de desemprego na casa de 12,8%. O percentual assusta, mas \u00e9 menor do que os 13,7% apurados no fim do per\u00edodo imediatamente anterior. Os dados mostram um quadro preocupante, mas que sugere que o pior da crise pode j\u00e1 ter ficado para tr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 que a situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores entre 18 e 24 anos \u00e9 mais complicada do que a da m\u00e9dia. Segundo a mesma pesquisa do IBGE, nada menos do que 28,8% dos jovens nessa faixa et\u00e1ria estavam desocupados ao fim do primeiro trimestre de 2017. Esse percentual recorde equivale a 4,503 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os trabalhadores mais novos sempre sofrem mais com as crises e o desemprego decorrente. Por um lado, eles representam custos menores (e menos produtividade perdida) para as empresas na hora da demiss\u00e3o. De outro, a menor experi\u00eancia no mercado dificulta a busca por oportunidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 fato tamb\u00e9m que os empregos que exigem menor qualifica\u00e7\u00e3o costumam ser os primeiros a surgirem em maior n\u00famero nas retomadas. Dados do Minist\u00e9rio do Trabalho apontam que, das 1,24 milh\u00e3o de contrata\u00e7\u00f5es feitas no \u00faltimo m\u00eas de maio, quase metade foram de trabalhadores com at\u00e9 29 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os maiores destaques na gera\u00e7\u00e3o de empregos formais para os jovens foram os setores de servi\u00e7os, com 21,8 mil vagas; a ind\u00fastria da transforma\u00e7\u00e3o, com 12,6 mil postos, e o com\u00e9rcio, com 11,8 mil. Concentrar a procura por vagas nesses segmentos \u00e9 uma boa ideia para os jovens que buscam uma recoloca\u00e7\u00e3o ou mesmo entrar no mercado de trabalho. Mas n\u00e3o s\u00f3.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Portas de entrada<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Programas de capacita\u00e7\u00e3o profissional s\u00e3o uma maneira de melhorar as pr\u00f3prias qualifica\u00e7\u00f5es e, de quebra, conseguir o t\u00e3o sonhado primeiro emprego. E muitos deles n\u00e3o apenas s\u00e3o gratuitos como fornecem v\u00e1rios tipos de aux\u00edlio. Um exemplo \u00e9 o Instituto Formare, que qualifica jovens carentes para o mercado de trabalho por meio de parcerias com empresas.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/3DD0\/production\/_97942851_nataliacordeiro01.jpg\" alt=\"Natalia Cordeiro\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Natalia Cordeiro entrou para a equipe do hotel Hyatt como aprendiz (Foto: Ana Luiza Daltro)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O nosso jovem-alvo \u00e9 aquele que possui indicadores sociais desfavor\u00e1veis, mas tamb\u00e9m muita vontade de crescer. Um jovem para quem ningu\u00e9m estendeu a m\u00e3o ainda&#8221;, resume Claudio Anjos, diretor institucional do Instituto Formare. Por indicadores sociais desfavor\u00e1veis entenda-se, neste caso espec\u00edfico, uma renda familiar que n\u00e3o ultrapasse um sal\u00e1rio m\u00ednimo por pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cerca de 80% dos jovens assistidos pelo programa em um dos seus 170 cursos lan\u00e7ados at\u00e9 agora conseguem vagas formais de emprego nos primeiros tr\u00eas meses ap\u00f3s a formatura, a maioria nas pr\u00f3prias empresas em que foram treinados. N\u00e3o \u00e9 incomum que haja listas de mil jovens em busca das 20 vagas em m\u00e9dia de um curso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro funil \u00e9 uma prova b\u00e1sica de portugu\u00eas e matem\u00e1tica. Depois, entrevistas e din\u00e2micas de grupo em que o interesse, a for\u00e7a de vontade e a capacidade de colabora\u00e7\u00e3o dos jovens s\u00e3o medidos. Passada essa fase, s\u00e3o os indicadores socioecon\u00f4micos, junto com a proximidade entre a resid\u00eancia do jovem e a empresa em quest\u00e3o, que v\u00e3o decidir quem entra ou n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Fazemos uma combina\u00e7\u00e3o entre quem mais quer e quem mais precisa&#8221;, completa Beth Callia, coordenadora-geral do instituto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O curso dura cerca de um ano e consiste em um primeiro n\u00facleo b\u00e1sico e, depois, em disciplinas espec\u00edficas \u00e0 realidade de cada empresa. Os alunos recebem uma bolsa-aux\u00edlio de meio sal\u00e1rio-m\u00ednimo, uniforme e todos os benef\u00edcios que a empresa parceira concede aos seus funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 comum, ali\u00e1s, que estes jovens sejam os primeiros das suas fam\u00edlias a contar com benef\u00edcios de qualquer ordem e, mais tarde, com um trabalho formal. A certifica\u00e7\u00e3o \u00e9 reconhecida pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gerente de treinamento e desenvolvimento do Hotel Grand Hyatt de S\u00e3o Paulo &#8211; parceiro do Instituto Formare e de outra iniciativa do mesmo g\u00eanero para jovens j\u00e1 maiores de idade e especializada na \u00e1rea de turismo, o Youth Career Iniciative (YCI) -, L\u00edgia Shimizu \u00e9 respons\u00e1vel por coordenar as a\u00e7\u00f5es de treinamento da equipe do hotel, de recepctionistas bil\u00edngues a camareiras e cozinheiros, passando tamb\u00e9m pelo pessoal administrativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No meio desta for\u00e7a de trabalho est\u00e3o atualmente 12 alunos do Formare e 12 do YCI, fora 30 aprendizes e 30 estagi\u00e1rios. Dos 70 l\u00edderes da empresa, ali\u00e1s, 41 t\u00eam menos de 35 anos &#8211; caso da pr\u00f3pria L\u00edgia, que tem apenas 26 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante os programas, os jovens costumam passar por todos os setores do hotel. \u00c1reas como a recep\u00e7\u00e3o (que exige o conhecimento do ingl\u00eas) e os setores mais administrativos (onde a maioria dos funcion\u00e1rios possui n\u00edvel superior), no entanto, n\u00e3o costumam abrigar os rec\u00e9m-formados no programa, ao menos n\u00e3o de primeira. Mas a hist\u00f3ria desses jovens \u00e9 repleta de casos de supera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formada pela turma de 2011, Natalia Cordeiro n\u00e3o foi efetivada logo ap\u00f3s o curso, mas entrou na equipe do hotel um pouco mais tarde como aprendiz &#8211; muitos dos 30 ex-alunos do Formare atualmente no Hyatt foram contratados primeiro como aprendizes e estagi\u00e1rios, o que mostra tamb\u00e9m o quanto a persist\u00eancia e a for\u00e7a de vontade s\u00e3o cruciais nessa fase da carreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de promovida a estagi\u00e1ria e com significativa melhora no ingl\u00eas, ela partiu para Dubai, onde trabalhou em uma unidade local da rede. De volta a S\u00e3o Paulo, foi contratada em abril deste ano como estagi\u00e1ria e, em julho, aos 22 anos, efetivada como assistente de recursos humanos.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Quando o c\u00e9u \u00e9 o limite<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos casos mais impressionantes nesse sentido \u00e9 o do mineiro Everton Alves, de 35 anos. Ex-aluno da turma do Formare de 1999, ele trabalha hoje como diretor de opera\u00e7\u00f5es e vendas da Sambatech, empresa especializada em armazenagem e distribui\u00e7\u00e3o de conte\u00fados digitais.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption body-narrow-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/304\/cpsprodpb\/DA10\/production\/_97942855_evertoneoformare01.jpg\" alt=\"Everton Alves e alunos do Formare\" width=\"412\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"304\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Aluno do Formare em 1999, Everton Alves (primeiro da esquerda para direita) \u00e9 atualmente um dos diretores da empresa Sambatech (Foto: Everton Alves &#8211; arquivo pessoal)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Auxiliar de pedreiro na adolesc\u00eancia, ele conseguiu o primeiro emprego cinco meses ap\u00f3s se formar no projeto. Trabalhando na ind\u00fastria de autope\u00e7as, ele passou rapidamente do ch\u00e3o de f\u00e1brica para a \u00e1rea de qualidade gra\u00e7as ao estofo fornecido pelo Formare e tamb\u00e9m por causa do curso t\u00e9cnico que ele decidiu fazer assim que entrou no mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A minha fam\u00edlia inteira, que \u00e9 bastante humilde, sempre trabalhou na ind\u00fastria. N\u00f3s viemos de Contagem, que \u00e9 uma zona industrial. E ali, na Sambatech, uma start-up, eu tinha 27 anos e era o mais velho da sala&#8221;, recorda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a inten\u00e7\u00e3o de retribuir aquilo que recebeu, Everton atuou como educador volunt\u00e1rio do programa entre 2009 e 2012 nas disciplinas de inform\u00e1tica e racioc\u00ednio l\u00f3gico. Uma vez, h\u00e1 cinco anos, foi parado na rua por um ex-aluno que havia assistido a apenas uma aula sua, a \u00faltima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ele me disse que aquela aula mudou a sua vida. E isso, pra mim, foi inesquec\u00edvel. Eu sei o que eles est\u00e3o vivendo, parece meio intang\u00edvel falar em ter sucesso na carreira. Mas quando algu\u00e9m como eu fala com eles \u00e9 como se houvesse um espelho&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O apoio da fam\u00edlia nos per\u00edodos mais dif\u00edceis \u00e9 fundamental para o jovem que n\u00e3o possui um diploma mas deseja crescer na carreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Durante o per\u00edodo que eu cursava o Formare, eu simplesmente n\u00e3o parava em casa. Era curso o dia todo e escola de noite. Muitos dos meus amigos naquela \u00e9poca passavam o dia \u00e0 toa, no m\u00e1ximo tinham (cursado) o col\u00e9gio. Mas a minha fam\u00edlia sempre me incentivou muito. Fui o primeiro a cursar uma faculdade, e todos os meus irm\u00e3os, mais novos do que eu, acabaram por tamb\u00e9m fazer o mesmo mais tarde&#8221;, conta.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">A import\u00e2ncia do planejamento e das atitudes simples<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa for\u00e7a de vontade na hora de aprimorar compet\u00eancias \u00e9 fundamental e independe de grau de estudo ou condi\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17650\/production\/_97942859_evertoneoformare03.jpg\" alt=\"Everton Alves e alunos do Formare\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Auxiliar de pedreiro na adolesc\u00eancia, Everton Alves (quarto da direita para a esquerda, na primeira fila) conseguiu o primeiro emprego cinco meses ap\u00f3s se formar no curso de capacita\u00e7\u00e3o (Foto: Everton Alves &#8211; arquivo pessoal)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 preciso sacrificar uma parte das horas de lazer para dar esse upgrade nas qualifica\u00e7\u00f5es. N\u00e3o existe outro jeito. Quando voc\u00ea estiver finalmente empregado e com um sal\u00e1rio um pouquinho maior, por que n\u00e3o fazer uma faculdade? Depois de concluir a faculdade, por que n\u00e3o uma p\u00f3s? Ou aprender ingl\u00eas, que \u00e9 um diferencial e algo mais barato do que uma faculdade ou p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o?&#8221;, exemplifica Fernando Mantovani, diretor-geral da consultoria Robert Half no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja come\u00e7ando a carreira com a ajuda de programas sociais de capacita\u00e7\u00e3o, seja com o aux\u00edlio de programas governamentais ou privados de ajuda a jovens candidatos a emprego (veja uma lista deles ao final da reportagem), seja por conta pr\u00f3pria, \u00e9 importante tamb\u00e9m focar no planejamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Questionamentos como para onde se quer ir, quais os pr\u00f3ximos passos e quais s\u00e3o os seus pontos fracos devem ser feitos constantemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Mantovani, \u00e9 preciso tamb\u00e9m relativizar a import\u00e2ncia do ensino superior no Brasil de hoje, dada a quantidade de cursos de p\u00e9ssima qualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Muitas vezes o profissional se frustra porque faz aquela faculdade com bastante esfor\u00e7o, mas n\u00e3o consegue o emprego que achou que ia conseguir. A falta de controle da qualidade do ensino cria uma ind\u00fastria estelionat\u00e1ria, onde o aluno acha que aprende e a institui\u00e7\u00e3o lhe d\u00e1 um peda\u00e7o de papel que custou algum dinheiro mas n\u00e3o vale grande coisa&#8221;, opina.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C44E\/production\/_97945205_evertoneoformare05.jpg\" alt=\"Everton Alves e alunos do Formare\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Para retribuir aprendizado, Everton (\u00e0 frente do grupo) atuou como educador volunt\u00e1rio do programa entre 2009 e 2012 (Foto: Everton Alves &#8211; arquivo pessoal)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ele, vale muito mais a pena para o jovem que batalha pelo primeiro emprego investir em um bom curso t\u00e9cnico &#8211; ou mesmo cursar o ensino m\u00e9dio t\u00e9cnico &#8211; do que em um curso universit\u00e1rio de qualidade duvidosa. E as empresas em geral e os recrutadores em particular tamb\u00e9m precisam mudar os seus par\u00e2metros e avaliar essa quest\u00e3o de forma menos autom\u00e1tica e mais cautelosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 preciso ter muito cuidado com essa press\u00e3o pelo curso superior. Gestores podem acabar dando prefer\u00eancia a profissionais com um ensino superior ruim em detrimento de um profissional t\u00e9cnico bom&#8221;, adverte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudo recente do Sistema Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) apontou que o Brasil precisar\u00e1 qualificar 13 milh\u00f5es de trabalhadores em ocupa\u00e7\u00f5es industriais at\u00e9 2020. Em pa\u00edses como Alemanha, \u00c1ustria, Su\u00ed\u00e7a e Jap\u00e3o, mais da metade de todos os estudantes cursam alguma forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica junto com o ensino regular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E mesmo no Brasil n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel associar o n\u00edvel t\u00e9cnico a sal\u00e1rios necessariamente mais baixos. Ainda segundo o Senai, um t\u00e9cnico em minera\u00e7\u00e3o rec\u00e9m-formado, por exemplo, tem hoje no pa\u00eds rendimentos iniciais de R$ 7 mil &#8211; sal\u00e1rio de fazer inveja \u00e0 maioria dos universit\u00e1rios em in\u00edcio de carreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Educa\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o profissional \u00e0 parte, \u00e9 importante lembrar que muitas vezes aquela ajuda providencial pode estar logo ao lado. A rela\u00e7\u00f5es-p\u00fablicas Camilla Assreuy, por exemplo, ainda trabalhava no setor varejista de moda quando se deparou com uma profissional que havia perdido o seu emprego como estoquista em uma loja e precisava se recolocar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ela n\u00e3o fazia a menor ideia de como ou por onde come\u00e7ar a procurar trabalho&#8221;, recorda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com uma simples consulta a um aplicativo que integrava informa\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os para os lojistas e funcion\u00e1rios do shopping em quest\u00e3o, e que a mo\u00e7a desconhecia, Camila encontrou n\u00e3o uma, mas dez vagas de estoquista para a profissional. Ou seja: ningu\u00e9m deve ter receio, vergonha ou pregui\u00e7a de perguntar, pesquisar e pedir ajuda. E n\u00e3o s\u00f3 quando se trata do primeiro emprego.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Luiza Daltro Jovens participam de programa de capacita\u00e7\u00e3o oferecido pelo Hotel Grand Hyatt de S\u00e3o Paulo em parceria com o Instituto Formare (Foto: Ana Luiza Daltro) O trimestre de maio a julho deste ano foi encerrado com um \u00edndice de desemprego na casa de 12,8%. 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