{"id":220969,"date":"2017-10-17T06:12:53","date_gmt":"2017-10-17T09:12:53","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=220969"},"modified":"2017-10-17T06:12:53","modified_gmt":"2017-10-17T09:12:53","slug":"caso-aecio-relembre-cinco-outros-momentos-em-que-governo-e-oposicao-se-juntaram-para-salvar-propria-pele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/caso-aecio-relembre-cinco-outros-momentos-em-que-governo-e-oposicao-se-juntaram-para-salvar-propria-pele\/","title":{"rendered":"Caso A\u00e9cio: relembre cinco outros momentos em que governo e oposi\u00e7\u00e3o se juntaram para &#8216;salvar a pr\u00f3pria pele&#8217;"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__name\">Andr\u00e9 Shalders\u00a0<\/span><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\"><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/DAF6\/production\/_98145065_mesa-senado.jpg\" alt=\"Senadores conversam e sorriem na mesa do plen\u00e1rio do Senado\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">A mesa do Senado na sess\u00e3o que adiou a vota\u00e7\u00e3o sobre A\u00e9cio Neves (PSDB-MG) | Foto: Geraldo Magela\/Ag. Senado<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">Al\u00e9m do primeiro nome, h\u00e1 outra coisa que os deputados Carlos Zarattini (PT-SP) e Carlos Marun (PMDB-MS) t\u00eam em comum: ambos s\u00e3o cr\u00edticos de alegados excessos da Lava Jato e do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF).<\/p>\n<p>Seus partidos se tornaram advers\u00e1rios ferrenhos desde o impeachment de Dilma Rousseff, no ano passado, mas possuem em comum iniciativas de interesse da maior parte da classe pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Os senadores devem votar nesta ter\u00e7a-feira se mant\u00e9m ou n\u00e3o o afastamento do senador A\u00e9cio Neves (PSDB-MG) de seu mandato.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o foi tomada por tr\u00eas dos cinco ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, no fim de setembro. Mas a tend\u00eancia \u00e9 de que o pol\u00edtico mineiro consiga os 41 votos necess\u00e1rios para retomar o mandato e o direito de circular pelo Congresso &#8211; algo que tinha sido proibido pelo STF.<\/p>\n<p>Senadores petistas disseram \u00e0 imprensa nos \u00faltimos dias que o partido deve votar contra o retorno de A\u00e9cio.<\/p>\n<p>Mas quando o STF determinou o afastamento do tucano, petistas como o senador Jorge Viana (AC) discursaram na tribuna criticando a decis\u00e3o. O partido se juntou a bancadas governistas na press\u00e3o contra o afastamento.<\/p>\n<p>Pressionado, o plen\u00e1rio do Supremo voltou atr\u00e1s na semana passada e decidiu que cabe ao Congresso dar a \u00faltima palavra sobre medidas que afetem os mandatos dos parlamentares.<\/p>\n<p>Desde o impeachment de Dilma, em meados de 2016, pol\u00edticos de centro e de direita passaram a vocalizar com mais frequ\u00eancia opini\u00f5es cr\u00edticas \u00e0 Lava Jato e aos procuradores do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal. O \u00faltimo exemplo \u00e9 o parecer do deputado Bonif\u00e1cio de Andrada (PSDB-MG) \u00e0 den\u00fancia contra Michel Temer, apresentado na Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a (CCJ) da C\u00e2mara.<\/p>\n<p>A pe\u00e7a de 33 p\u00e1ginas \u00e9 repleta de cr\u00edticas \u00e0 Lava Jato.<\/p>\n<p>Assim, preocupa\u00e7\u00f5es com o excesso de condu\u00e7\u00f5es coercitivas e pris\u00f5es preventivas, com o vazamento de informa\u00e7\u00f5es sigilosas e outros alegados pontos negativos da opera\u00e7\u00e3o passaram a ser compartilhadas por governistas e por setores da oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os partidos que d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o a Temer convergiram na ret\u00f3rica com o PT &#8211; cr\u00edtico desde sempre da Lava Jato.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>BBC Brasil<\/strong>\u00a0relembra e detalha outras cinco situa\u00e7\u00f5es nas quais governo e oposi\u00e7\u00e3o deixaram a disputa partid\u00e1ria de lado em nome de um interesse em comum: a autopreserva\u00e7\u00e3o e o combate a alegados excessos da Lava Jato e do MPF. S\u00e3o elas:<\/p>\n<ul class=\"story-body__unordered-list\">\n<li class=\"story-body__list-item\">A instala\u00e7\u00e3o da CPI Mista para apurar irregularidades na dela\u00e7\u00e3o da JBS (setembro de 2017);<\/li>\n<li class=\"story-body__list-item\">Vota\u00e7\u00e3o no Senado do projeto de lei endurecendo as regras contra o abuso de autoridade (abril de 2017);<\/li>\n<li class=\"story-body__list-item\">Manobra contra o afastamento de Renan Calheiros (PMDB-AL) da presid\u00eancia do Senado (dezembro de 2016);<\/li>\n<li class=\"story-body__list-item\">Altera\u00e7\u00f5es e posterior arquivamento do pacote das &#8220;Dez Medidas Contra a Corrup\u00e7\u00e3o&#8221; do MPF (novembro de 2016);<\/li>\n<li class=\"story-body__list-item\">Tentativa de &#8220;anistiar&#8221; o caixa-dois eleitoral no plen\u00e1rio da C\u00e2mara (setembro de 2016).<\/li>\n<\/ul>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">#SomosTodosRenan<\/h2>\n<p>Embora a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja exatamente a mesma da de A\u00e9cio Neves, h\u00e1 pelo menos um precedente no qual senadores de v\u00e1rios partidos se juntaram para ajudar um colega que foi alvo da Justi\u00e7a. No in\u00edcio de dezembro passado, Marco Aur\u00e9lio Mello (do STF) atendeu um pedido da Rede Sustentabilidade e afastou Renan Calheiros da Presid\u00eancia do Senado &#8211; mas n\u00e3o do mandato.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o veio na esteira de uma a\u00e7\u00e3o judicial na qual Renan se tornou r\u00e9u, em um caso sem rela\u00e7\u00e3o com a Lava Jato. O processo ainda n\u00e3o foi julgado e o alagoano nega irregularidades. Para Marco Aur\u00e9lio, um r\u00e9u n\u00e3o poderia ocupar cargo que est\u00e1 na linha sucess\u00f3ria da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, como \u00e9 o de presidente do Senado.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, o vice da Casa era o senador Jorge Viana (PT-AC). Ele assumiria o comando se o peemedebista fosse deposto. O petista, por\u00e9m, defendeu que Renan continuasse no posto. O alagoano, por sua vez, n\u00e3o assinou a notifica\u00e7\u00e3o do afastamento, anulando na pr\u00e1tica a decis\u00e3o de Marco Aur\u00e9lio. Dois dias depois, o plen\u00e1rio do STF derrubou a decis\u00e3o do ministro, que era provis\u00f3ria.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12916\/production\/_98145067_viana-sf.jpg\" alt=\"O senador Jorge Viana comanda sess\u00e3o do Senado Federal no plen\u00e1rio\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Jorge Viana (PT-AC) recebeu elogios de Renan Calheiros ap\u00f3s ajudar a salv\u00e1-lo do afastamento | Foto: Jefferson Rudy\/Ag. Senado<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Da CPI da JBS \u00e0 anistia ao caixa dois<\/h2>\n<p>No come\u00e7o de outubro, a CPI mista (com deputados e senadores) da JBS ouviu o advogado Willer Tomaz de Souza. Personagem das investiga\u00e7\u00f5es em torno da empresa de Joesley e Wesley Batista, ele chegou a ser preso por ordem do ent\u00e3o procurador-geral da Rep\u00fablica, Rodrigo Janot.<\/p>\n<p>O depoimento, sigiloso, foi repleto de acusa\u00e7\u00f5es contra o ex-procurador-geral, segundo noticiaram os jornais Folha de S.Paulo e Valor Econ\u00f4mico. O pr\u00f3ximo a ser ouvido \u00e9 o procurador Angelo Villela, com depoimento marcado para esta ter\u00e7a-feira. Ele j\u00e1 deu declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas contra Janot.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, esta tem sido a t\u00f4nica da CPI da JBS: figuras ligadas \u00e0 gest\u00e3o de Rodrigo Janot e \u00e0 pr\u00f3pria JBS foram convocadas ou convidadas a falar, mas n\u00e3o os pol\u00edticos delatados pelos irm\u00e3os Joesley e Wesley. O relator, Carlos Marun, disse que a CPI n\u00e3o deve ser &#8220;palco de confronto entre governo e oposi\u00e7\u00e3o&#8221;, e por isso as convoca\u00e7\u00f5es de pol\u00edticos est\u00e3o sendo evitadas.<\/p>\n<p>Uma converg\u00eancia de opini\u00f5es e interesses parecida ocorreu no plen\u00e1rio da C\u00e2mara dos Deputados, em novembro passado. Os deputados levaram ao plen\u00e1rio &#8211; e modificaram &#8211; o pacote das dez medidas contra a corrup\u00e7\u00e3o apresentado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal.<\/p>\n<p>Das dez medidas, s\u00f3 quatro ficaram de p\u00e9 no fim da sess\u00e3o em plen\u00e1rio, segundo o relator \u00e0 \u00e9poca, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS).<\/p>\n<p>O pacote de medidas do MPF\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"http:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-38190727\">continha v\u00e1rios pontos que foram considerados controversos<\/a>. Entre eles a cria\u00e7\u00e3o de um &#8220;teste de integridade&#8221; para servidores p\u00fablicos e a possibilidade de empregar em ju\u00edzo provas de origem il\u00edcita, desde que obtidas de boa-f\u00e9. Estes dois pontos foram criticados at\u00e9 por um representante da Pol\u00edcia Federal em uma audi\u00eancia na C\u00e2mara, em outubro.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/94BA\/production\/_98147083_onyx-lorezoni-marcelocamargo-abgr.jpg\" alt=\"Deputado leva a m\u00e3o ao rosto em frente a quadro\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">O relator das &#8220;dez medidas&#8221;, Onyx Lorenzoni (DEM-RS) | Foto: Marcelo Camargo\/Ag. Brasil<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Pode-se dizer que alguns setores se juntam para a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia. Quando o interesse comum atinge a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia, como foi nas Dez Medidas, (governo e oposi\u00e7\u00e3o) n\u00e3o t\u00eam o menor pudor de se juntar&#8221;, afirma o deputado J\u00falio Delgado (PSB-MG).<\/p>\n<p>Delgado foi um dos deputados que se op\u00f4s aos encaminhamentos para modificar as Dez Medidas.<\/p>\n<p>Propostas para endurecer a puni\u00e7\u00e3o a funcion\u00e1rios p\u00fablicos corruptos, para dificultar a prescri\u00e7\u00e3o de crimes do colarinho branco e para responsabilizar os partidos pol\u00edticos envolvidos acabaram removidas, por exemplo. Al\u00e9m disso, os deputados inclu\u00edram um texto que facilitava a puni\u00e7\u00e3o a ju\u00edzes e procuradores por crime de abuso de autoridade.<\/p>\n<p>Este \u00faltimo ponto foi apresentado pela bancada do PDT (de oposi\u00e7\u00e3o) e apoiado por partidos governistas.<\/p>\n<p>Em abril deste ano, foi a vez dos senadores aprovarem a sua pr\u00f3pria vers\u00e3o de um projeto de lei endurecendo a puni\u00e7\u00e3o ao crime de abuso de autoridade. O projeto foi relatado pelo senador Roberto Requi\u00e3o (PMDB-PR). O peemedebista \u00e9 um cr\u00edtico frequente do governo Temer e da Lava Jato.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio de Requi\u00e3o acabou aprovado no Senado por 54 votos a 19 &#8211; houve apoios em toda as siglas. A proposta foi enviada \u00e0 C\u00e2mara, onde permanece parada.<\/p>\n<p>Antes, em setembro de 2016, os deputados levaram a plen\u00e1rio uma proposta cujo objetivo era &#8220;anistiar&#8221; o caixa dois eleitoral. Uma proposta de 2007 &#8220;apareceu&#8221; na pauta do plen\u00e1rio da C\u00e2mara numa segunda-feira, dia tradicionalmente vazio. Parlamentares do PMDB, PSDB, PT, PR e PP participaram das conversas para realizar a vota\u00e7\u00e3o. Diante da gritaria da opini\u00e3o p\u00fablica, acabaram recuando.<\/p>\n<p>&#8220;Era uma segunda-feira \u00e0 tarde. O plen\u00e1rio estava vazio, e o deputado Beto Mansur (PRB-SP) estava comandando a sess\u00e3o. Pediu para come\u00e7arem a ler um projeto que n\u00e3o tinha nem n\u00famero e nem autor. E a\u00ed ficamos sabendo que tinha tido uma reuni\u00e3o de v\u00e1rios l\u00edderes, de v\u00e1rios partidos, para costurar uma proposta que anistiava o caixa dois&#8221;, conta o deputado Ivan Valente (PSOL-SP).<\/p>\n<p>Valente, Miro Teixeira (Rede-RJ) e outros deputados contr\u00e1rios ao texto come\u00e7aram a criticar a proposta na tribuna. &#8220;Chamou a aten\u00e7\u00e3o da imprensa, e eles resolveram tirar o projeto de pauta. Mas, foi algo costurado a muitas m\u00e3os, de governo e de oposi\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Valente.<\/p>\n<p>Alguns meses depois, o tema voltou a ser discutido quando a Casa discutiu o pacote das &#8220;Dez Medidas&#8221;. \u00c0 \u00e9poca, o presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e outros deputados\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"http:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-38031165\">argumentaram que n\u00e3o poderia haver &#8220;anistia&#8221; para algo que, a rigor, n\u00e3o era crime<\/a>.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Corporativismo ou defesa do Estado de Direito?<\/h2>\n<p>&#8220;Este movimento mais amplo de resist\u00eancia das burocracias partid\u00e1rias, de oposi\u00e7\u00e3o e de situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 algo que n\u00e3o ocorre s\u00f3 no Brasil. Ocorreu tamb\u00e9m na It\u00e1lia da opera\u00e7\u00e3o M\u00e3os Limpas e em outras partes tamb\u00e9m&#8221;, avalia Jos\u00e9 Robalinho, procurador da Rep\u00fablica e presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Procuradores (ANPR).<\/p>\n<p>Robalinho, por\u00e9m, faz uma ressalva. &#8220;A coisa \u00e9 mais complicada quando a gente v\u00ea os detalhes. Pois em todos os partidos h\u00e1 tamb\u00e9m nomes que n\u00e3o aceitam esse tipo de solu\u00e7\u00e3o&#8221;, pondera Robalinho.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/15026\/production\/_98145068_edilson-rodrigues-sf.jpg\" alt=\"Deputados e senadores conversam em sala do Senado\" width=\"2972\" height=\"1979\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Congressistas de v\u00e1rios partidos conversam na instala\u00e7\u00e3o da CPI da JBS | Foto: Edilson Rodrigues\/Ag. Senado<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Ele cita dissid\u00eancias no pr\u00f3prio PSDB que apoiaram o adiamento da vota\u00e7\u00e3o sobre o afastamento de A\u00e9cio Neves.<\/p>\n<p>Em p\u00fablico, parlamentares do governo e da oposi\u00e7\u00e3o recha\u00e7am a tese do &#8220;acordo contra a Lava Jato&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o fizemos acordo com ningu\u00e9m, ainda mais com um partido que n\u00f3s estamos tentando tirar da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, que para n\u00f3s est\u00e1 nas m\u00e3os de um chefe de quadrilha&#8221;, diz o deputado Paulo Pimenta (PT-RS).<\/p>\n<p>Para Pimenta, falar em &#8220;acordo&#8221; \u00e9 uma &#8220;redu\u00e7\u00e3o do papel do Parlamento&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma posi\u00e7\u00e3o que n\u00f3s sempre tivemos, a de defender o devido processo legal, o pleno direito de defesa. Dizer que \u00e9 s\u00f3 contra a Lava Jato \u00e9 simpl\u00f3rio. A Lava Jato est\u00e1 &#8216;se achando&#8217; ao pensar que vamos mudar a legisla\u00e7\u00e3o do pa\u00eds s\u00f3 em fun\u00e7\u00e3o da opera\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Para o petista, o discurso do &#8220;acordo anti-Lava Jato&#8221; atende a interesses de procuradores e ju\u00edzes que querem perpetuar os pr\u00f3prios privil\u00e9gios.<\/p>\n<p>&#8220;O esp\u00edrito de corpo (ou corporativismo) \u00e9 uma coisa que sempre existiu no Congresso. Mas agora ficou mais evidente&#8221;, diz o analista pol\u00edtico Ant\u00f4nio Augusto de Queiroz, diretor do DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), ag\u00eancia de lobby que representa as centrais sindicais em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>&#8220;A oposi\u00e7\u00e3o, em regra, age com base na &#8216;\u00e9tica da convic\u00e7\u00e3o&#8217;. Mas h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que a &#8216;\u00e9tica da responsabilidade&#8217; substitui aquela da convic\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Queiroz, citando conceitos do soci\u00f3logo alem\u00e3o Max Weber (1864-1920).<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 o que est\u00e1 acontecendo neste momento, em que praticamente n\u00e3o h\u00e1 diverg\u00eancia sobre ir contra algumas a\u00e7\u00f5es do MPF&#8221;, completa o analista, que \u00e9 especializado no acompanhamento do Congresso.<\/p>\n<p>J\u00e1 o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), um dos principais defensores de Temer no Congresso, tamb\u00e9m nega que exista qualquer conspira\u00e7\u00e3o contra a Lava Jato. &#8220;Estas n\u00e3o s\u00e3o quest\u00f5es onde existam um lado (da oposi\u00e7\u00e3o) e outro (do governo). N\u00e3o \u00e9 como a (emenda constitucional) do teto de gastos, n\u00e3o \u00e9 como a reforma da Previd\u00eancia&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;A grande quest\u00e3o \u00e9 que o parlamentar depende da exist\u00eancia do Estado de Direito. A imprensa tamb\u00e9m, embora n\u00e3o d\u00ea valor. Quando voc\u00ea interroga, como eu interroguei, uma pessoa que ficou 76 dias presa sem nem sequer ser ouvida, n\u00e3o tenho como n\u00e3o me indignar. Essa indigna\u00e7\u00e3o independe de se voc\u00ea \u00e9 oposi\u00e7\u00e3o ou situa\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma ele, em refer\u00eancia ao depoimento de Willer Tomaz na CPI da JBS, da qual \u00e9 relator.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A grande quest\u00e3o \u00e9 que o parlamentar depende da exist\u00eancia do Estado de Direito. A imprensa tamb\u00e9m, embora n\u00e3o d\u00ea valor. 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