{"id":221212,"date":"2017-10-19T05:52:47","date_gmt":"2017-10-19T08:52:47","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=221212"},"modified":"2017-10-19T05:52:47","modified_gmt":"2017-10-19T08:52:47","slug":"raiva-medo-orgulho-as-emocoes-que-movem-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/raiva-medo-orgulho-as-emocoes-que-movem-historia\/","title":{"rendered":"Raiva, medo, orgulho&#8230;. As emo\u00e7\u00f5es que movem a hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Ensaio analisa o papel dos indiv\u00edduos nos acontecimentos e dos sentimentos diante de decis\u00f5es cruciais<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div class=\"compartir-varios\"><\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Margaret Macmillan\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/el_pais\/a\/\">MARGARET MACMILLAN<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/10\/17\/cultura\/1508254889_178844_1508339217_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/10\/17\/cultura\/1508254889_178844_1508339217_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/10\/17\/cultura\/1508254889_178844_1508339217_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/10\/17\/cultura\/1508254889_178844_1508339217_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Juventudes Hitlerianas em Viena em 1938\" width=\"980\" height=\"551\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Juventudes Hitlerianas em Viena em 1938<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">BETTMANN-CORBIS<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 poss\u00edvel que a influ\u00eancia da economia sobre a hist\u00f3ria, assim como das demais ci\u00eancias sociais e humanidades, seja o motivo de os historiadores \u00e0s vezes se incomodarem com o papel que a personalidade e as emo\u00e7\u00f5es desempenham sobre os acontecimentos. Sou da opini\u00e3o de que \u00e9 preciso prestar aten\u00e7\u00e3o a ambos. Se na d\u00e9cada de 1930 outra pessoa estivesse \u00e0 frente da Alemanha que n\u00e3o fosse\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/adolf_hitler\/a\">Hitler<\/a>, esse homem ou mulher tivesse arriscado tudo em uma guerra contra a Fran\u00e7a e o Reino Unido, e depois contra a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e os Estados Unidos? Se o militarismo japon\u00eas n\u00e3o estivesse t\u00e3o obcecado diante da amea\u00e7a de os Estados Unidos se tornarem fortes para que se pudesse derrot\u00e1-los, o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/japon\/a\">Jap\u00e3o<\/a>\u00a0teria ido \u00e0 guerra em 1941, quando ainda tinha chance de sair vencedor? O medo, o orgulho e a ira s\u00e3o emo\u00e7\u00f5es que proporcionam atitudes e decis\u00f5es, tanto ou talvez mais do que o c\u00e1lculo racional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">E isso nos leva a perguntas do tipo \u201cE se&#8230;\u201d. E se Hitler tivesse morrido em uma trincheira durante a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/primera_guerra_mundial\/a\">Primeira Guerra Mundial<\/a>? E se\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/winston_churchill\/a\">Winston Churchill<\/a>\u00a0tivesse sido mortalmente ferido quando um ve\u00edculo o atropelou na Quinta Avenida nova-iorquina em 1931? Ou se St\u00e1lin tivesse morrido durante a opera\u00e7\u00e3o de apendicite que sofreu em 1921? Podemos realmente analisar a hist\u00f3ria do s\u00e9culo XX sem colocar esse tipo de personagens em algum lugar do relato? Chama a aten\u00e7\u00e3o que alguns historiadores, como\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ian_kershaw\/a\/\">Ian Kershaw<\/a>\u00a0ou Stephen Kotkin, que come\u00e7aram pesquisando e escrevendo sobre os nazistas e sobre a sociedade sovi\u00e9tica, tenham passado a escrever biografias dos dois homens que serviram de eixo para essas sociedades. Os especialistas em ci\u00eancia pol\u00edtica nunca se mostraram muito dispostos a considerar o papel desempenhado pelo indiv\u00edduo, mas j\u00e1 come\u00e7am a aparecer artigos em suas revistas profissionais com t\u00edtulos como \u201cElogiemos agora homens famosos: que volte \u00e0 cena outra vez o estadista\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando tentamos avaliar o impacto dos indiv\u00edduos ou dos fatos isolados na hist\u00f3ria estamos, apesar de n\u00e3o nos darmos conta, pensando em um desenlace alternativo ao que ocorreu. Vamos imaginar outro desfecho poss\u00edvel posterior \u00e0quela manh\u00e3 de ver\u00e3o de junho de 1914 em Sarajevo. O herdeiro do trono austr\u00edaco, o arquiduque Francisco Ferdinando, cometeu a besteira de visitar a cidade b\u00f3snia. Muitos nacionalistas s\u00e9rvios, entre eles os que viviam na B\u00f3snia, continuavam ainda indignados porque o imp\u00e9rio austro-h\u00fangaro tinha anexado a B\u00f3snia, arrancando-a do imp\u00e9rio otomano, apenas seis anos antes. Sua prov\u00edncia, acreditavam, pertencia \u00e0 S\u00e9rvia. E em 28 de junho era um dia particularmente complicado para essa visita do arquiduque, uma vez que era a festa nacional s\u00e9rvia, o dia em que o pa\u00eds comemorava a grande derrota sofrida na batalha de Kosovo. Tamb\u00e9m n\u00e3o ajudava o fato de que a seguran\u00e7a austr\u00edaca estivesse bem descuidada, apesar dos alertas sobre poss\u00edveis conspira\u00e7\u00f5es de grupos terroristas obscuros. Naquela manh\u00e3, v\u00e1rios homens jovens e decididos tinham se postado em toda a cidade, armados com pistolas e bombas, esperando o arquiduque. Um deles at\u00e9 tinha conseguido jogar um explosivo contra o cortejo em sua chegada, mas sem acertar ningu\u00e9m. A pol\u00edcia, por sua vez, tinha efetuado batidas atr\u00e1s de poss\u00edveis assassinos, e os demais n\u00e3o tiveram coragem de agir. S\u00f3 um \u2014 Gavrilo Princip \u2014 continuava cheio de energia, decidido a fazer algo. Princip primeiro deu voltas pela rua principal, junto ao rio, esperando chegar a oportunidade de cumprir sua miss\u00e3o, e acabou sentando-se para descansar junto a um famoso caf\u00e9 da cidade. Suas oportunidades pareciam escassas, at\u00e9 que de repente apareceu o carro aberto do arquiduque: o motorista tinha errado o caminho e foi dar na ruazinha onde Princip tinha se postado.\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Primeira_Guerra_Mundial\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ele se levantou e disparou \u00e0 queima-roupa contra o casal imperial<\/a>enquanto o motorista tentava dar marcha a r\u00e9. A morte do arquiduque se transformou na desculpa de que o Governo austr\u00edaco precisava para agir contra a S\u00e9rvia, submetendo-a ou destruindo-a. E isso, de sua parte, precipitou a decis\u00e3o alem\u00e3 de respaldar o imp\u00e9rio austro-h\u00fangaro, enquanto a R\u00fassia fazia o mesmo com a S\u00e9rvia. Se aquele assassinato n\u00e3o tivesse sido cometido, teria sido muito pouco prov\u00e1vel que a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/primera_guerra_mundial\/a\">Europa fosse \u00e0 guerra em 1914<\/a>. Uma guerra mundial talvez nunca tivesse sido desencadeada. Nunca saberemos, mas podemos imaginar.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">Quando tentamos avaliar o impacto dos indiv\u00edduos ou dos fatos isolados na hist\u00f3ria estamos pensando em um desenlace alternativo ao que ocorreu<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">As coisas que n\u00e3o aconteceram, os contrafactuais, s\u00e3o ferramentas muito \u00fateis para a hist\u00f3ria porque nos ajudam a entender que uma \u00fanica decis\u00e3o ou a\u00e7\u00e3o produz consequ\u00eancias. J\u00falio C\u00e9sar enfrentou seu pr\u00f3prio Governo quando decidiu cruzar o rio Rubic\u00e3o com suas tropas e se dirigir a Roma no ano 49 a.C.. Esse rio delimitava a fronteira entre a prov\u00edncia que ele governava e os territ\u00f3rios italianos regidos diretamente por Roma. Esse ato de J\u00falio C\u00e9sar era considerado uma trai\u00e7\u00e3o e era pun\u00edvel com a morte ou com o ex\u00edlio. Mas ele triunfou, e isso representou a morte da Rep\u00fablica de Roma e o nascimento da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/07\/27\/internacional\/1501148623_366673.html\">Roma imperial<\/a>. Em 1519, Hern\u00e1n Cort\u00e9s correu um risco quase inimagin\u00e1vel ao adentrar pelo M\u00e9xico. Tinha 600 soldados, 15 cavaleiros e 15 canh\u00f5es, e com isso iria enfrentar os reinos poderosos e bem armados do pa\u00eds. E se aqueles homens tivessem se unido contra o diminuto bando de invasores, em vez de se deixarem dividir e acabarem conquistados? Poderia ter sido muito poss\u00edvel que o M\u00e9xico sobrevivesse como um Estado independente, assim como fez o Jap\u00e3o no per\u00edodo da\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Era_Meiji\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Restaura\u00e7\u00e3o Meiji<\/a>, quando conseguiu se transformar para fazer frente aos estrangeiros. A hist\u00f3ria da Am\u00e9rica do Norte teria sido muito diferente caso tivesse existido uma pot\u00eancia ind\u00edgena forte e independente.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">As coisas que n\u00e3o aconteceram, os contrafactuais, s\u00e3o ferramentas muito \u00fateis para entendermos que uma decis\u00e3o produz consequ\u00eancias<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os contrafactuais servem para que tenhamos em mente que na hist\u00f3ria as conting\u00eancias e os acidentes pesam. Mas, dito isso, tamb\u00e9m \u00e9 preciso manej\u00e1-los com precau\u00e7\u00e3o. Se mudamos coisas demais do passado, as vers\u00f5es alternativas da hist\u00f3ria se tornam cada vez mais implaus\u00edveis. Tampouco podemos esperar que ocorresse o impens\u00e1vel, ou sequer o improv\u00e1vel. Com a hist\u00f3ria n\u00e3o podemos fazer aquilo ao que recorriam os antigos dramaturgos gregos para resolver as situa\u00e7\u00f5es imposs\u00edveis: introduzir o\u00a0<em>deus ex machina<\/em>. Nem podemos contar com que os personagens do passado pensem ou reajam de uma forma que n\u00e3o corresponde com seu car\u00e1ter nem sua \u00e9poca. Por exemplo, querer que a rainha Elizabeth I da Inglaterra tivesse se comportado como uma feminista do s\u00e9culo XXI. E quando tentamos entender por qu\u00ea os personagens hist\u00f3ricos fizeram o que fizeram, temos o dever de avaliar sempre que op\u00e7\u00f5es plaus\u00edveis, e pr\u00f3prias deles, tinham diante de si.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ensaio analisa o papel dos indiv\u00edduos nos acontecimentos e dos sentimentos diante de decis\u00f5es cruciais<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":221213,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-221212","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/nazistas-jovens.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/221212","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=221212"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/221212\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/221213"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=221212"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=221212"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=221212"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}