{"id":222119,"date":"2017-10-26T06:29:17","date_gmt":"2017-10-26T09:29:17","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=222119"},"modified":"2017-10-26T06:29:17","modified_gmt":"2017-10-26T09:29:17","slug":"por-que-jack-reed-escreveu-melhor-cronica-da-revolucao-russa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/por-que-jack-reed-escreveu-melhor-cronica-da-revolucao-russa\/","title":{"rendered":"Por que Jack Reed escreveu a melhor cr\u00f4nica da Revolu\u00e7\u00e3o Russa?"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">O jornalista estava em Petrogrado quando a revolu\u00e7\u00e3o bolchevique deu uma nova forma ao mundo.<\/h2>\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Ali viu os fatos, conversou com protagonistas, entendeu os mecanismos e fez um livro inesquec\u00edvel<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div class=\"compartir-varios\"><\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Mart\u00edn Caparr\u00f3s\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/martin_caparros\/a\/\">MART\u00cdN CAPARR\u00d3S<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/10\/25\/internacional\/1508950549_914828_1508951323_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/10\/25\/internacional\/1508950549_914828_1508951323_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/10\/25\/internacional\/1508950549_914828_1508951323_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/10\/25\/internacional\/1508950549_914828_1508951323_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"John Reed, em foto de 1920, ano de sua morte\" width=\"980\" height=\"550\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">John Reed, em foto de 1920, ano de sua morte<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">GETTY<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<section id=\"sumario_1|apoyos\" class=\"sumario_apoyos derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<div class=\"apoyos\">\n<p><span class=\"apoyo-titulo\"><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>O jornalista\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/John_Reed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">John Reed<\/a>\u00a0estava l\u00e1 em 1917 quando a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/revolucion_rusa\/a\">revolu\u00e7\u00e3o bolchevique<\/a>\u00a0deu uma nova forma ao mundo. O norte-americano fez, no livro \u2018<em>Dez Dias que Abalaram o Mundo<\/em>\u2019, um relato inesquec\u00edvel sobre o que tinha acontecido. Tanto o impactou que ficou em Moscou, onde faleceu tr\u00eas anos depois.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CNiko778jdcCFYwOkQodSlAIPw\"><\/div>\n<p>Falam da cr\u00f4nica, insistem na cr\u00f4nica, importunam com a cr\u00f4nica. E falam como se tivesse come\u00e7ado antes de ontem, quando, na verdade, come\u00e7ou muito antes de ontem. Her\u00f3doto, C\u00e9sar, Ibn Battuta, \u00c1lvar N\u00fa\u00f1ez, Sterne e Stendhal \u2013 por exemplo \u2013 s\u00e3o cronistas extraordin\u00e1rios. Mas nenhum deles teve de contar algo t\u00e3o decisivo como John Silas Reed.<\/p>\n<p>Seu nome era John, mas era chamado de Jack; nasceu em 22 de outubro de 1887 em uma mans\u00e3o de Portland, Oregon, rodeado de criados chineses e bab\u00e1s inglesas, o filho da filha de um empres\u00e1rio milion\u00e1rio. Aos 18 anos foi estudar em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/universidad_harvard\/a\">Harvard<\/a>\u00a0e ali \u2013 alto, bonito, simp\u00e1tico \u2013 entrou em todos os clubes, praticou todos os esportes, escreveu em todas as revistas. Mas tamb\u00e9m foi a reuni\u00f5es do pequeno grupo socialista, e esse detalhe mudou sua vida.<\/p>\n<p>Por isso, quando se formou, em vez de passar uma temporada na Europa como um d\u00e2ndi, foi trabalhar em um navio de transporte de gado; quando voltou, instalou-se no Village de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/nueva_york\/a\">Nova York<\/a>\u00a0e fez reportagens para revistas iracundas e escreveu poemas. E se meteu em greves de trabalhadores e foi preso quatro ou cinco vezes e viajou para contar a revolu\u00e7\u00e3o mexicana e se casou com a escritora feminista Louise Bryant e tiveram um relacionamento semiaberto e ele\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/primera_guerra_mundial\/a\">voltou \u00e0 Europa para ver a guerra<\/a>\u00a0e escreveu que era uma briga de capitalistas em que morriam oper\u00e1rios e, quando seu pa\u00eds entrou nela, se op\u00f4s com veem\u00eancia e foi alvo de rep\u00fadio e maus tratos. Mas nada disso seria memor\u00e1vel se n\u00e3o tivesse tido a ast\u00facia de entender onde valia a pena estar: a\u00ed costuma estar a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>(Jack Reed era um homem em busca de um destino; para mim \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o pensar nele com a cara bonita de Warren Beatty que, no in\u00edcio dos anos 1980, dirigiu e protagonizou um filme sobre sua vida,\u00a0<em>Reds<\/em>, vencedor de tr\u00eas Oscars, filmado na Espanha \u2013 e no qual trabalhei como figurante, um campon\u00eas russo que cantava aos gritos\u00a0<em>A Internacional<\/em>).<\/p>\n<p>Em agosto de 1917 Reed e Bryant viajaram para\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/san_petersburgo\/a\">S\u00e3o Petersburgo<\/a>\u00a0\u2013 que na altura j\u00e1 se chamava Petrogrado \u2013 para ver de perto o movimento que havia derrubado o czar seis meses antes. Tudo era confus\u00e3o, tudo esperan\u00e7a \u2013 e pretendiam contar essa hist\u00f3ria. Reed estava ali em outubro de 1917, quando a revolu\u00e7\u00e3o bolchevique deu uma nova forma ao mundo. Ali viu os fatos, conversou com os protagonistas, entendeu os mecanismos, escreveu um livro inesquec\u00edvel.<\/p>\n<p><em>Ten Days that Shook the World<\/em>\u00a0(<em>Dez Dias que Abalaram o Mundo<\/em>) continua sendo um modelo e continua sendo o melhor relato sobre aquele intento t\u00e3o bem-sucedido que depois fracassou com tamanho estrondo. Obviamente n\u00e3o era neutro:\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/07\/28\/politica\/1501267980_496869.html\">o jornalismo nunca o \u00e9, n\u00e3o pode s\u00ea-lo.<\/a>\u00a0Foi h\u00e1 exatamente um s\u00e9culo \u2013 e, at\u00e9 hoje, nem o tempo nem as revolu\u00e7\u00f5es nos convenceram de que cem anos s\u00e3o s\u00f3 uma conven\u00e7\u00e3o. Foi h\u00e1 exatamente um s\u00e9culo, e esse dado menor serve para voltar \u00e0 pergunta do milh\u00e3o: como foi que inten\u00e7\u00f5es t\u00e3o boas deram resultados t\u00e3o maus.<\/p>\n<p>Jack Reed n\u00e3o teve tempo de se perguntar isso. Completou 30 anos em meio ao triunfo bolchevique, mas n\u00e3o chegou a completar 33: cinco dias antes, em 17 de outubro de 1920, morreu em um hospital de Moscou e foi enterrado \u2013 honra das honras \u2013 no Kremlin. Deixou sua reportagem para nos mostrar, entre outras coisas, que nem no jornalismo nem na pol\u00edtica fazemos nada novo. Na pol\u00edtica nem sequer acreditamos; no jornalismo \u00e0s vezes sim, e chamamos de cr\u00f4nica. Her\u00f3doto ri alto em uma taverna de Halicarnasso.<\/p>\n<p class=\"nota_pie\"><strong>Mart\u00edn Caparr\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p class=\"nota_pie\">Mart\u00edn Caparr\u00f3s \u00e9 jornalista e escritor nascido em Buenos Aires em 1957. Deixou seu pa\u00eds em meados dos anos 1970 para se exilar na Europa. Estudou hist\u00f3ria na Sorbonne em Paris e depois se mudou para Madri, onde morou at\u00e9 1984, quando retornou \u00e0 Argentina com a redemocratiza\u00e7\u00e3o. Desde ent\u00e3o, sua vida esteve marcada pelas constantes idas e vindas de um lado a outro do Atl\u00e2ntico. Em sua obra\u00a0<em>\u2018Lacr\u00f3nica\u2019<\/em>, de 2015, esmi\u00fa\u00e7a seus 30 anos no mundo do jornalismo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornalista estava em Petrogrado quando a revolu\u00e7\u00e3o bolchevique deu uma nova forma ao mundo.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":222122,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-222119","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/john-reed.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/222119","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=222119"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/222119\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/222122"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=222119"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=222119"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=222119"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}