{"id":222286,"date":"2017-10-29T16:23:16","date_gmt":"2017-10-29T19:23:16","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=222286"},"modified":"2017-10-29T16:24:25","modified_gmt":"2017-10-29T19:24:25","slug":"ultima-fronteira-de-joan-didion","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/ultima-fronteira-de-joan-didion\/","title":{"rendered":"A \u00faltima fronteira de Joan Didion"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">O ator Griffin Dunne estreia um document\u00e1rio sobre sua tia, uma lenda do Novo Jornalismo<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\"><\/div>\n<\/aside>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Elsa Fern\u00e1ndez-Santos\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/elsa_fernandez_santos\/a\/\">ELSA FERN\u00c1NDEZ-SANTOS<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/10\/24\/cultura\/1508861213_061581_1509123239_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/10\/24\/cultura\/1508861213_061581_1509123239_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/10\/24\/cultura\/1508861213_061581_1509123239_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/10\/24\/cultura\/1508861213_061581_1509123239_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Jan Didion, seu marido e filha em sua casa de Los Angeles em 1968\" width=\"980\" height=\"551\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Jan Didion, seu marido e filha em sua casa de Los Angeles em 1968<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">JULIAN WASSER \/ CORTES\u00cdA DE NETFLIX<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<section id=\"sumario_2|apoyos\" class=\"sumario_apoyos derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\"><\/div>\n<\/section>\n<p>O document\u00e1rio\u00a0<a href=\"https:\/\/www.netflix.com\/br-en\/title\/80117454\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Joan Didion: The Center Will Not Hold<\/em><\/a>(Joan Didion: o Centro Ceder\u00e1), dirigido pelo sobrinho da escritora, o ator e cineasta Griffin Dunne, indaga sobre a vida da mulher que nos anos sessenta trouxe sensibilidade californiana ao Novo Jornalismo e que quatro d\u00e9cadas depois viu sua fama se revigorar com uma disseca\u00e7\u00e3o arrepiante da dor:\u00a0<a href=\"https:\/\/books.google.com.br\/books\/about\/O_ano_pensamento_m%C3%A1gico.html?id=037OOgAACAAJ&amp;redir_esc=y&amp;hl=pt-BR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>O Ano do Pensamento M\u00e1gico<\/em><\/a>\u00a0(2005), que se centrava na perda de seu marido, o escritor John Gregory Dunne, e na doen\u00e7a de sua filha, Quintana Roo Dunne, cujo fatal desenlace inspiraria tamb\u00e9m\u00a0<em>Noites Azuis<\/em>(2011).<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"COCSqOPGltcCFQ4NkQodLOMAzA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>Acompanhada de seu terrier, Didion (<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/california\/a\">Sacramento, Calif\u00f3rnia<\/a>, 1934) vive o presente rodeada de recorda\u00e7\u00f5es, comendo como um passarinho e combatendo suas incessantes enxaquecas. Em sua mesa de trabalho h\u00e1 emolduradas duas notas manuscritas da filha. Em uma delas se l\u00ea: \u201cQuerida mam\u00e3e, era eu quem fugia quando voc\u00ea abriu a porta\u201d.<\/p>\n<p>A escritora admite \u00e0 c\u00e2mera que ainda se sente culpada por essa morte (\u201cEra adotada, tinha sido dada a mim para que cuidasse dela, e falhei\u201d). Afirma que escreveu sobre o sofrimento \u201cporque ningu\u00e9m tinha me explicado o que era\u201d e confessa que espera o final da vida sem medo: \u201cUma das principais preocupa\u00e7\u00f5es \u00e9 as pessoas que deixamos para tr\u00e1s. Eu n\u00e3o deixo ningu\u00e9m\u201d. Didion assume com distanciamento que sua figura delgada e pequena se agigantou ao aplicar \u00e0 morte de seus dois seres queridos seu instinto de rep\u00f3rter. Diante das trevas da depress\u00e3o e da falta de senso, buscou um sentido e sem se propor lan\u00e7ou luz a um pranto universal.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"texto_grande\">&#8220;Falar de Joan \u00e9 falar de nossos pr\u00f3prios mortos&#8221;, diz Dunne, lembrando sua irm\u00e3, estrangulada pelo ex-namorado<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Sentado no terra\u00e7o da cafeteria ucraniana Veselka, institui\u00e7\u00e3o do East Village nova-iorquino famosa por seu\u00a0<em>gulash<\/em>, Griffin Dunne (Nova York, 1955) fala de seu pai falecido, o produtor e escritor Dominick John Dunne, e de sua irm\u00e3, a atriz Dominique Ellen Dunne, estrangulada pelo ex-namorado no in\u00edcio dos anos oitenta, quando tinha 22 anos. \u201c\u00c9 curioso, sempre acontece o mesmo. Falar de Joan \u00e9 falar de nossos pr\u00f3prios mortos\u201d, reconhece em um momento da entrevista.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, naquela manh\u00e3 de setembro um cad\u00e1ver inesperado se sentou \u00e0 mesa, o do ator Harry Dean Stanton. \u201cN\u00f3s ficamos mais velhos\u201d, lamentou Dunne. \u201cSinto falta de atores como Harry, com hist\u00f3ria em seu rosto. Ele a tinha h\u00e1 muitos anos. Tomara que meu rosto tamb\u00e9m acabe sendo um mapa de vida. Conhecido como int\u00e9rprete, entre outros em\u00a0<em>Depois de Horas<\/em>\u00a0(1985), de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/martin_scorsese\/a\">Martin Scorsese<\/a>, como diretor por joias como a com\u00e9dia rom\u00e2ntica\u00a0<em>A Lente do Amor<\/em>(1997) ou, mais recentemente, pela s\u00e9rie\u00a0<em>I Love Dick,<\/em>\u00a0onde interpreta um intelectual com problemas, Dunne \u00e9 uma personalidade atraente e at\u00edpica na ind\u00fastria do cinema.<\/p>\n<p>A seu ver, o segredo de Joan Didion remonta \u00e0 \u00faltima fronteira, a terra de Sacramento. Didion cresceu escutando as hist\u00f3rias de seus antepassados, que tinham feito parte do que se conhece como a expedi\u00e7\u00e3o Donner, malogrado grupo de pioneiros que a caminho da Calif\u00f3rnia modificou sua rota at\u00e9 ficar preso nas montanhas de Nevada. Mais da metade morreu, o resto sobreviveu comendo os mortos. A fam\u00edlia de Didion se negou a seguir o atalho, completando por sua conta o resto do caminho at\u00e9 a fronteira. \u201cCresci escutando todos os adjetivos poss\u00edveis sobre a for\u00e7a, ou o que for, de Joan\u201d, explica Dunne. \u201cE, sim, ela \u00e9 tudo isso que irradia, mas acho que o segredo \u00e9 gen\u00e9tico, procede de um entorno duro de verdade. E desde menina escuto todas aquelas hist\u00f3rias que determinaram sua constru\u00e7\u00e3o moral. Joan adora a palavra car\u00e1ter, e isso \u00e9 ela, algu\u00e9m com verdadeiro car\u00e1ter.\u201d Com cinco anos, Didion escreveu sobre uma mulher que se congelava no \u00c1rtico e outra que derretia no deserto, sua imagina\u00e7\u00e3o s\u00f3 entendia de extremos. \u201cDe alguma forma, a Calif\u00f3rnia sempre permaneceu impenetr\u00e1vel para mim\u201d, diz no filme. \u201cAcaso n\u00e3o somos a paisagem na qual crescemos? Tudo o que eu sou, fa\u00e7o ou penso est\u00e1 nessa paisagem.\u201d<\/p>\n<p>A primeira lembran\u00e7a de Dunne \u00e9 de sua inf\u00e2ncia, quando durante uma refei\u00e7\u00e3o zombaram dele e ela permaneceu s\u00e9ria enquanto os demais adultos gargalhavam. \u201cSerei grato a ela por toda a vida\u201d, diz. \u201cDurante muitos anos John e Joan eram a mesma pessoa para todos n\u00f3s. N\u00e3o se separavam nunca. Mas eu sempre me senti muito pr\u00f3ximo dela. Por uma raz\u00e3o estranha sempre me inclu\u00edram em sua vida, tamb\u00e9m a social. Quando eu tinha 12 anos, Joan deu uma festa na qual iria Janis Joplin. Ela sabia o quanto eu gostava de Janis e disse \u00e0 minha m\u00e3e que me levasse com eles. Foi uma experi\u00eancia que n\u00e3o esquecerei jamais, lembro de cada detalhe como se fosse ontem. Receio que os demais estavam chapados demais para se lembrar de algo.\u201d<\/p>\n<p>O\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/harrison_ford\/a\">ator Harrison Ford<\/a>\u00a0rememora seus anos de carpinteiro, quando ampliou a biblioteca e a casa de Malibu da escritora: \u201cApesar de n\u00e3o ser como eles, sempre me inclu\u00edam e minha jovem fam\u00edlia em sua vida. Convidavam-nos para suas festas. Eram mais inteligentes e mais cultos, mas nunca nos trataram diferente por isso.\u201d Mas talvez o instante mais tocante seja protagonizado por Vanessa Redgrave, que em 2008 interpretou na Broadway uma pe\u00e7a baseada em\u00a0<em>O Ano do Pensamento M\u00e1gico<\/em>. Repassando um \u00e1lbum de fotos familiares, as duas idosas lembram de Natasha Richardson, a filha de Redgrave que faleceu em um acidente de esqui em 2009. Redgrave admite que para ela nada mais \u00e9 o mesmo, mas interrompe a via do drama com um corte que faz as duas rirem: \u201cEntendi algo que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o podia compreender, e \u00e9 que a gente n\u00e3o se pode permitir ser uma alma em sofrimento\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sentado no terra\u00e7o da cafeteria ucraniana Veselka, institui\u00e7\u00e3o do East Village nova-iorquino famosa por seu\u00a0gulash, Griffin Dunne (Nova York, 1955) fala de seu pai falecido, o produtor e escritor Dominick John Dunne, e de sua irm\u00e3, a atriz Dominique Ellen Dunne, estrangulada pelo ex-<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":222409,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-222286","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/mulher-fumando1.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/222286","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=222286"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/222286\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/222409"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=222286"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=222286"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=222286"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}