{"id":222736,"date":"2017-11-01T07:59:05","date_gmt":"2017-11-01T10:59:05","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=222736"},"modified":"2017-11-01T07:59:05","modified_gmt":"2017-11-01T10:59:05","slug":"o-resgate-epico-de-377-491-livros-que-estavam-nas-maos-de-jihadistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-resgate-epico-de-377-491-livros-que-estavam-nas-maos-de-jihadistas\/","title":{"rendered":"O resgate \u00e9pico de 377.491 livros que estavam nas m\u00e3os de jihadistas"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Uma ONG est\u00e1 catalogando, restaurando e digitalizando manuscritos em \u00e1rabe e l\u00ednguas africanas que foram resgatados das garras jihadistas no norte de Mali<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div class=\"compartir-varios\"><\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Jos\u00e9 Naranjo\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/jose_naranjo\/a\/\">JOS\u00c9 NARANJO<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2017\/10\/30\/mundo_global\/1509359099_243826_1509363223_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2017\/10\/30\/mundo_global\/1509359099_243826_1509363223_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2017\/10\/30\/mundo_global\/1509359099_243826_1509363223_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2017\/10\/30\/mundo_global\/1509359099_243826_1509363223_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Uma pessoa l\u00ea alguns dos 377.000 manuscritos que est\u00e3o sendo restaurados e digitalizados, em Bamako (Mali).\" width=\"980\" height=\"734\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Uma pessoa l\u00ea alguns dos 377.000 manuscritos que est\u00e3o sendo restaurados e digitalizados, em Bamako (Mali).<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">JOS\u00c9 NARANJO<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p>A leitura e digitaliza\u00e7\u00e3o, pela primeira vez na hist\u00f3ria, das centenas de milhares de manuscritos antigos resgatados da cidade de\u00a0Timbuktu durante a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/yihad\/a\">ocupa\u00e7\u00e3o jihadista<\/a>\u00a0do norte de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/mali\/a\">Mali<\/a>\u00a0em 2012 j\u00e1 est\u00e3o dando seus primeiros frutos. Os historiadores e especialistas j\u00e1 sabiam da exist\u00eancia de manuscritos aljamiados, ou seja, escritos em l\u00ednguas africanas, mas com caracteres \u00e1rabes. Os pap\u00e9is de Timbuktu, entretanto, revelam que a import\u00e2ncia desses nas sociedades pr\u00e9-coloniais da \u00c1frica Ocidental \u00e9 superior ao que se supunha no in\u00edcio, j\u00e1 que est\u00e3o aparecendo milhares de livros escritos em tamashek, wolof, soninke, bambara e songhay. A difundida e err\u00f4nea ideia de que as l\u00ednguas africanas eram somente orais continua indo pelos ares.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CLfe3d-bndcCFdeIkQodBa4Low\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>Em uma discreta casa de dois andares situada em uma afastada e tranquila rua de terra cheia de pedras e buracos do bairro de Baco Djikoroni, em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/bamako\/a\">Bamako<\/a>, 80 funcion\u00e1rios da ONG Savama realizam uma tit\u00e2nica tarefa: a cataloga\u00e7\u00e3o, restaura\u00e7\u00e3o, leitura e digitaliza\u00e7\u00e3o dos 377.491 livros manuscritos procedentes, em sua imensa maioria, de\u00a0Timbuktu e que datam dos s\u00e9culos XIII ao XX. Tudo come\u00e7ou em 2012, com a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/yihad\/a\">ocupa\u00e7\u00e3o jihadista<\/a>\u00a0do norte do pa\u00eds e a gigantesca opera\u00e7\u00e3o de resgate e salvamento de todos esses pap\u00e9is, que sa\u00edram camuflados em canoas, ve\u00edculos particulares e \u00f4nibus durante meses.<\/p>\n<p>O principal respons\u00e1vel por aquela opera\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma pessoa que hoje custodia os manuscritos e coordena os trabalhos de restaura\u00e7\u00e3o, leitura e digitaliza\u00e7\u00e3o que come\u00e7aram em 2013, o propriet\u00e1rio de uma das\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/bibliotecas\/a\">bibliotecas<\/a>particulares da cidade, Abdelkader Ha\u00efdara. Sentado em seu escrit\u00f3rio do segundo andar da sede da Savama, afirma com um sorriso: \u201cJ\u00e1 catalogamos mais de 60% e digitalizamos um quarto do total. Isso nos deu a oportunidade de l\u00ea-los e ter muitas surpresas. A cada dia descobrimos coisas que n\u00e3o sab\u00edamos que existiam, vemos autores e textos novos\u201d.<\/p>\n<p>Praticamente todos os manuscritos est\u00e3o escritos em \u00e1rabe, a l\u00edngua culta dominante no norte da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/africa\/a\">\u00c1frica<\/a>\u00a0desde o come\u00e7o de sua islamiza\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo VIII, mas uma das surpresas foi que pelo menos 5%, o que pode representar por volta de 15.000 livros, est\u00e1 escrito com caracteres \u00e1rabes, mas em diferentes l\u00ednguas africanas. \u201cJ\u00e1 sab\u00edamos de sua exist\u00eancia, mas est\u00e1 chamando a nossa aten\u00e7\u00e3o o volume, a presen\u00e7a de uma grande quantidade de manuscritos em idiomas como o pulaar, bambara, songhay, tamashek, soninke, bobo, hassania, bozo, hausa e wolof. Vimos tamb\u00e9m alguns em l\u00ednguas que n\u00e3o pudemos decifrar e que talvez j\u00e1 estejam mortas. \u00c9 uma nova escola para todos\u201d.<\/p>\n<p>Entre esses livros, que v\u00e3o de poucas folhas at\u00e9 mais de mil, existem poemas, cartas, tratados de teologia, cr\u00f4nicas hist\u00f3ricas, registros de doen\u00e7as e at\u00e9 relat\u00f3rios de guerra. \u201cEncontramos manuscritos redigidos por comandantes militares aos seus generais escritos em l\u00ednguas africanas. Pensamos que dessa forma pretendiam ocultar a informa\u00e7\u00e3o do inimigo se o documento ca\u00edsse em suas m\u00e3os\u201d, diz Ha\u00efdara. Surgem mais exemplos na poesia. \u201cEm \u00e1rabe existem palavras muito complicadas para algu\u00e9m que tenha um conhecimento superficial do idioma, por isso muitos poetas as traduziam a sua l\u00edngua local e as colocavam em sua obra\u201d, explica.<\/p>\n<p>Mas como aconteceu com as l\u00ednguas rom\u00e2nicas, entre elas o espanhol, foi no \u00e2mbito religioso que os idiomas africanos surgiram com for\u00e7a. \u201cExiste uma obra teol\u00f3gica que explica o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/11\/20\/internacional\/1448010927_795053.html\">Alcor\u00e3o<\/a>\u00a0escrita em pulaar com caracteres \u00e1rabes. Dessa forma era poss\u00edvel aproximar o conhecimento do Isl\u00e3 a fi\u00e9is capazes de decifrar o alfabeto, mas que n\u00e3o estavam necessariamente familiarizados com o vocabul\u00e1rio \u00e1rabe, que naqueles s\u00e9culos era um s\u00edmbolo de distin\u00e7\u00e3o pr\u00f3prio e exclusivo dos intelectuais e de certas elites\u201d, explica Ha\u00efdara.<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel pela Biblioteca Andalus\u00ed (refer\u00eancia \u00e0 Espanha mu\u00e7ulmana) de Timbuktu, conhecida como Fundo Kati, Ismael Dadi\u00e9, explica que j\u00e1 nos anos oitenta, ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o do centro de pesquisa Ahmed Baba na mencionada cidade, foi revelada a presen\u00e7a dos manuscritos aljamiados. \u201cO problema \u00e9 que para saber a dimens\u00e3o dos mesmos \u00e9 preciso fazer um levantamento da cole\u00e7\u00e3o de todas as bibliotecas\u201d, afirma. Isso \u00e9 justamente o que a ONG Savama est\u00e1 fazendo em Bamako gra\u00e7as ao apoio da Unesco, da Funda\u00e7\u00e3o Ford e da coopera\u00e7\u00e3o su\u00ed\u00e7a e alem\u00e3, entre outros.<\/p>\n<p>A oportunidade que a cataloga\u00e7\u00e3o dos manuscritos representa n\u00e3o passou desapercebida para historiadores e pesquisadores. \u201cExiste uma enorme demanda de consultas, estudiosos de Mali, mas tamb\u00e9m de pa\u00edses \u00e1rabes que querem acessar os fundos\u201d, afirma Ha\u00efdara, que em agosto organizou um semin\u00e1rio com propriet\u00e1rios de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/bibliotecas\/a\">bibliotecas<\/a>\u00a0de v\u00e1rios pa\u00edses para definir c\u00f3digos de conduta e boas pr\u00e1ticas entre os usu\u00e1rios. \u201cQueremos abrir os manuscritos ao mundo, mas \u00e9 um material muito fr\u00e1gil e queremos faz\u00ea-lo da melhor maneira. Existem pessoas que n\u00e3o sabem como manej\u00e1-los e os propriet\u00e1rios t\u00eam medo de que se percam e estraguem. A digitaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental\u201d, acrescenta.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A leitura e digitaliza\u00e7\u00e3o, pela primeira vez na hist\u00f3ria, das centenas de milhares de manuscritos antigos resgatados da cidade de\u00a0Timbuktu durante a\u00a0ocupa\u00e7\u00e3o jihadista\u00a0do norte de\u00a0Mali\u00a0em 2012 j\u00e1 est\u00e3o dando seus primeiros frutos. 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