{"id":223286,"date":"2017-11-06T15:52:38","date_gmt":"2017-11-06T18:52:38","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=223286"},"modified":"2017-11-06T15:52:38","modified_gmt":"2017-11-06T18:52:38","slug":"enganosa-distancia-da-historia-russa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/enganosa-distancia-da-historia-russa\/","title":{"rendered":"A enganosa dist\u00e2ncia da hist\u00f3ria russa"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Apenas dois quil\u00f4metros separam o busto de St\u00e1lin em Moscou do monumento a suas v\u00edtimas<\/h2>\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">\u00c9 a paradoxal rela\u00e7\u00e3o do Kremlin com sua hist\u00f3ria \u00e0s v\u00e9speras do centen\u00e1rio da revolu\u00e7\u00e3o bolchevique<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div class=\"compartir-varios\"><\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Pilar Bonet\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/pilar_bonet\/a\/\">PILAR BONET<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2017\/11\/05\/actualidad\/1509910710_307485_1509911023_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2017\/11\/05\/actualidad\/1509910710_307485_1509911023_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2017\/11\/05\/actualidad\/1509910710_307485_1509911023_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2017\/11\/05\/actualidad\/1509910710_307485_1509911023_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Soldados russos ensaiam para o desfile na pra\u00e7a Vermelha de Moscou do 7 de novembro.\" width=\"980\" height=\"678\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Soldados russos ensaiam para o desfile na pra\u00e7a Vermelha de Moscou do 7 de novembro.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">MLADEN ANTONOV<\/span>\u00a0<span class=\"foto-agencia\">AFP<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois quil\u00f4metros separam o busto de St\u00e1lin, respons\u00e1vel pelo Grande Terror, e o memorial dedicado \u00e0s v\u00edtimas da repress\u00e3o na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/urss_union_republicas_socialistas_sovieticas\/a\">Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica<\/a>. Ambos os monumentos, localizados em um bairro moscovita saturado de hist\u00f3ria, foram inaugurados com menos de seis semanas de intervalo \u00e0s v\u00e9speras do centen\u00e1rio da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/revolucion_rusa\/a\">revolu\u00e7\u00e3o bolchevique de 1917<\/a>, comemorado oficialmente nesta ter\u00e7a-feira (a revolu\u00e7\u00e3o come\u00e7ou no dia 7 de novembro, que era 25 de outubro no calend\u00e1rio Juliano vigente na \u00e9poca). A dist\u00e2ncia f\u00edsica e tempor\u00e1ria entre ambos os complexos escult\u00f3ricos \u00e9 insignificante se comparada \u00e0 dist\u00e2ncia ideol\u00f3gica e pol\u00edtica de seus respectivos patrocinadores na estrutura de um Estado cujos dirigentes demonstram, com frequ\u00eancia, uma atitude esquizofr\u00eanica em rela\u00e7\u00e3o ao passado, porque ainda acreditam ter muito a agradecer aos verdugos.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CL6gl-rLqtcCFcOHkQod3yEJGg\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O busto de St\u00e1lin, ao lado de outros seis de l\u00edderes sovi\u00e9ticos, foi inaugurado em 22 de setembro em uma cerim\u00f4nia presidida pelo ministro da Cultura, Vladimir Medinski. Produzidas pelo escultor Zurab Zereteli, as esculturas est\u00e3o na avenida dos Dirigentes, ou seja, onde quatro fileiras de est\u00e1tuas de l\u00edderes nacionais desde a Idade M\u00e9dia at\u00e9 o fim da URSS transformam o jardim da Sociedade Hist\u00f3rica Militar da R\u00fassia (SHMR) em um gigantesco tabuleiro de xadrez de pe\u00e7as escuras. O ministro da Cultura preside a SHMR, uma entidade para o ensino da Hist\u00f3ria e o cultivo do patriotismo fundada por um decreto do presidente\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/vladimir_putin\/a\">Vladimir Putin<\/a>\u00a0em 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O monumento \u00e0s v\u00edtimas da repress\u00e3o na URSS, por sua vez,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/10\/30\/internacional\/1509387432_197105.html\">foi inaugurado em 30 de outubro por Putin<\/a>, que assinou em 2015 o decreto para sua constru\u00e7\u00e3o. O elemento central desta obra do escultor Gueorgui Frangulian \u00e9 um muro de bronze sobre o qual se fundem em relevo os corpos atormentados das v\u00edtimas. Para administrar o projeto foi criado o Fundo da Mem\u00f3ria, que tamb\u00e9m \u00e9 uma iniciativa oficial de 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O EL PA\u00cdS percorreu a p\u00e9 a dist\u00e2ncia entre os dois grupos escult\u00f3ricos em 4 de novembro, dia da Unidade Popular, feriado nacional que, em 2005, se tornou a alternativa ao 7 de novembro (data em que se comemorava a revolu\u00e7\u00e3o bolchevique). O que se comemora agora \u00e9 a expuls\u00e3o de Moscou de poloneses e lituanos, evento que p\u00f4s fim ao chamado \u201cper\u00edodo das revoltas\u201d em 1612 e abriu o caminho para a dinastia dos Romanov, que governou a R\u00fassia por mais de 300 anos. Inicialmente, o novo feriado nacional pendeu perigosamente para posi\u00e7\u00f5es radicais at\u00e9 que, em 2014, a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/crimea\/a\">anexa\u00e7\u00e3o da Crimeia<\/a>\u00a0nivelou o terreno patri\u00f3tico e aglutinou os setores mais nacionalistas em torno de Putin e da linha oficial. Hoje j\u00e1 s\u00e3o muitos os russos que, interrogados por soci\u00f3logos e jornalistas, afirmam comemorar a \u201cunidade\u201d do povo sem entrar nas profundezas hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e1bado, Putin foi \u00e0 pra\u00e7a Vermelha depositar flores no monumento dos dois caudilhos (um nobre e um a\u00e7ougueiro) do levante nacional de 1612. Enquanto o presidente distribu\u00eda condecora\u00e7\u00f5es no Kremlin, na avenida dos Dirigentes os visitantes eram escassos. Uma av\u00f3 e seu neto se encaminhavam para a SHMR. A av\u00f3 levava o menino para l\u00e1 \u201cn\u00e3o s\u00f3 para ver St\u00e1lin, mas tamb\u00e9m Brejnev, L\u00eanin e todos os nossos dirigentes\u201d. O que contou a seu neto sobre St\u00e1lin? \u201cQue gra\u00e7as a ele ganhamos a guerra [Segunda Guerra Mundial] e que chegamos a ser uma grande pot\u00eancia\u201d. Algo mais? \u201cPor enquanto n\u00e3o\u201d, respondeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No jardim da SHMR esperavam Victor e Valentina, residentes nas proximidades, e Bublik (Rosquinha), o cachorro que recolheram em um abrigo para c\u00e3es. \u201cFizeram bem em n\u00e3o omitir St\u00e1lin, mas falta Vasili Shuiskii\u201d, diz o empres\u00e1rio Dmitri, referindo-se ao boiardo que se proclamou czar da R\u00fassia durante a \u00e9poca dos dist\u00farbios. O empres\u00e1rio acredita ver um vi\u00e9s religioso no crucifixo pendurado no pesco\u00e7o de um dos her\u00f3is met\u00e1licos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O busto de St\u00e1lin da avenida \u00e9 o primeiro inaugurado em Moscou desde a morte do tirano em 1953. Faz parte de uma s\u00e9rie de sete que inclui ainda\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/vladimir_illich_lenin\/a\">Vladimir L\u00eanin<\/a>, Nikita Khruschov e Mikhail Gorbachov, este \u00faltimo apesar de estar vivo. O de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/boris_yeltsin\/a\">Boris Yeltsin<\/a>\u00a0ser\u00e1 inaugurado oficialmente em fevereiro. Os 33 bustos de dirigentes pr\u00e9-sovi\u00e9ticos foram colocados com anteced\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um cartaz informativo na cerca da SHMR fala da mans\u00e3o que serve de sede para entidade. O cartaz \u00e9 parte do projeto Nossos Vizinhos, uma iniciativa do \u201cmuseu da luz\u201d (todo tipo de l\u00e2mpadas e ilumina\u00e7\u00e3o urbana) para humanizar o espa\u00e7o urbano na \u00e1rea. A mans\u00e3o foi resid\u00eancia de Nikolai Gutchkov, diretor de uma associa\u00e7\u00e3o de comerciantes de ch\u00e1, e abrigou um conhecido sal\u00e3o art\u00edstico e liter\u00e1rio na R\u00fassia pr\u00e9-revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deixando para tr\u00e1s a associa\u00e7\u00e3o de artistas de Moscou, cujo jardim \u00e9 uma r\u00e9plica an\u00e1rquica do jardim da SHMR, e enveredando pela rua dos Arm\u00eanios, aparecem tr\u00eas hot\u00e9is boutique com pre\u00e7os muito acess\u00edveis para Moscou. Um cruzamento parece concentrar grande parte do poder econ\u00f4mico da R\u00fassia: \u00e0 direita a exportadora de petr\u00f3leo Zarubejneft; \u00e0 esquerda a companhia da ind\u00fastria florestal Roslesprom. Ambas as empresas dividem o mesmo edif\u00edcio com a Escola Superior de Psicologia Pr\u00e1tica e Neg\u00f3cios.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|despiece\" class=\"sumario_despiece centro\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<header class=\"sumario-encabezado\">\n<h4><\/h4>\n<h4 class=\"sumario-titulo\"><span class=\"sin_enlace\">A MEM\u00d3RIA VIVA DOS PRISIONEIROS DO GULAG<\/span><\/h4>\n<\/header>\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"sumario-autor\" style=\"text-align: justify;\">P. B. (MOSCOU)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O monumento \u00e0s v\u00edtimas da repress\u00e3o pol\u00edtica, inaugurado em 30 de outubro pelo presidente Vladimir Putin, permite m\u00faltiplas leituras. Dependendo do \u00e2ngulo, parece a proa de um gigantesco navio carregado de mortos ou uma caverna ou uma catedral g\u00f3tica. Impressiona, mas sairia ganhando em uma localiza\u00e7\u00e3o menos agitada que a atual, ao lado de uma rotat\u00f3ria de oito pistas com o zumbido cont\u00ednuo do tr\u00e2nsito como pano de fundo. Tampouco ajuda o horizonte urbano, onde o letreiro de uma empresa de seguros em uma fachada vizinha faz uma sinistra piada visual com as v\u00edtimas sem rosto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre as pedras trazidas de diversos\u00a0<i>gulags<\/i>\u00a0h\u00e1 flores, velas e pap\u00e9is com nomes de v\u00edtimas. Um casal idoso chega trazendo flores junto com o neto, Dmitri, de 29 anos. V\u00eam de S\u00e3o Petersburgo. A av\u00f3, conta ele, nasceu no campo de Kolim\u00e1, filha de desterrados pol\u00edticos. Uma aposentada qualifica a repress\u00e3o como horror, mas tem medo de dar seu nome porque trabalhou em uma f\u00e1brica militar sovi\u00e9tica. A farmac\u00eautica Irina veio com o filho Valentin, de 12 anos. \u201c\u00c9 dif\u00edcil explicar para ele este monumento, porque quando falo de\u00a0<i>lager<\/i>\u00a0ele pensa em suas f\u00e9rias\u201d, diz Irina, aludindo ao significado amb\u00edguo de\u00a0<i>lager<\/i>\u00a0em russo (campo de concentra\u00e7\u00e3o ou col\u00f4nia de f\u00e9rias). \u201cE, al\u00e9m disso, como explicar o que \u00e9 repress\u00e3o pol\u00edtica?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o vou te dar nota. S\u00f3 quero saber o que v\u00ea voc\u00ea aqui\u201d, perguntamos ao menino. Valentin olha para o muro de bronze e diz: \u201cGente que sofreu\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apenas dois quil\u00f4metros separam o busto de St\u00e1lin em Moscou do monumento a suas v\u00edtimas<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":223287,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-223286","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/russo.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223286","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=223286"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223286\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/223287"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=223286"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=223286"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=223286"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}