{"id":224544,"date":"2017-11-17T06:28:28","date_gmt":"2017-11-17T09:28:28","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=224544"},"modified":"2017-11-17T06:29:39","modified_gmt":"2017-11-17T09:29:39","slug":"grande-novela-de-amor-de-camus-foram-suas-cartas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/grande-novela-de-amor-de-camus-foram-suas-cartas\/","title":{"rendered":"A grande novela de amor de Camus foram suas cartas"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Editora francesa publica pela primeira vez a correspond\u00eancia trocada pelo o escritor com uma atriz espanhola<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\"><\/div>\n<\/aside>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Marc Bassets\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/marc_bassets_claret\/a\/\">MARC BASSETS<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto izquierda foto_w360\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2017\/11\/15\/actualidad\/1510774090_548927_1510774714_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2017\/11\/15\/actualidad\/1510774090_548927_1510774714_noticia_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2017\/11\/15\/actualidad\/1510774090_548927_1510774714_noticia_normal.jpg 360w\" alt=\"Camus (\u00e0 direita) com Casares em um teatro de Paris em 1948.\" width=\"360\" height=\"383\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Camus (\u00e0 direita) com Casares em um teatro de Paris em 1948.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">ROGER VIOLLET<\/span>\u00a0<span class=\"foto-agencia\">GETTY<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece um velho filme em preto e branco.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/humphrey_bogart\/a\">Humphrey Bogart<\/a>\u00a0e Ingrid Bergman em uma sacada na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/paris\/a\">Paris<\/a>ocupada em 6 de junho de 1944, data do desembarque aliado na Normandia. A primeira noite de dois amantes que s\u00f3 a morte dele separaria, 15 anos depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m poderia ser o come\u00e7o de um r<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/literatura\/a\">omance rom\u00e2ntico<\/a>, mas \u00e9 o ponto de partida de uma hist\u00f3ria real, contada em detalhes minuciosos na correspond\u00eancia entre seus protagonistas:\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/albert_camus\/a\">Albert Camus<\/a>\u00a0e Mar\u00eda Casares, o franc\u00eas da Arg\u00e9lia e a galega exilada, o escritor e a atriz. Ambos &#8211; o autor de A Peste e O Mito de S\u00edsifo, figura intelectual central do s\u00e9culo XX; a atriz da\u00a0<em>Com\u00e9die-Fran\u00e7aise<\/em>\u00a0e do Teatro Nacional Popular, grande dama do palco &#8211; trocaram 865 cartas durante anos, que a editora Gallimard publica agora pela primeira vez em um volume de 1.297 p\u00e1ginas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele tinha 30 anos quando se conheceram; ela, 21. Ele j\u00e1 tinha publicado O Estrangeiro, o romance que o lan\u00e7aria \u00e0 fama, e vivia sozinho em Paris, onde pertencia a uma rede da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/10\/07\/cultura\/1475858612_013991.html\">Resist\u00eancia<\/a>. Sua esposa, Francine Faure, tinha ficado em Or\u00e3, na Arg\u00e9lia francesa. Ela, nascida em Coru\u00f1a, filha de Santiago Casares Quiroga &#8211; ministro e primeiro-ministro da Segunda Rep\u00fablica &#8211; tinha chegado a Paris ap\u00f3s o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/franquismo\/a\">golpe franquista de 1936<\/a>. Conheceram-se em 19 de mar\u00e7o de 1944 na casa do escritor Michel Leiris, e na madrugada de 6 de junho, o Dia D, se tornaram amantes.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|apoyos\" class=\"sumario_apoyos derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\"><\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s um ataque dos alem\u00e3es, Camus abandonou Paris. Escondeu-se em um s\u00edtio no campo. \u201cEsta noite tenho vontade de me aproximar de ti porque estou triste e tudo me parece dif\u00edcil de viver\u201d, escreve em uma de suas primeiras cartas. A liberta\u00e7\u00e3o da capital francesa em agosto d\u00e1 in\u00edcio a uma crise. Francine logo volta para ficar ao lado de Albert. \u201cMeu desejo mais verdadeiro e instintivo seria que nenhum homem, depois de mim, pusesse as m\u00e3os em voc\u00ea. Sei que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Tudo o que posso desejar \u00e9 que n\u00e3o desperdice esta coisa maravilhosa que voc\u00ea \u00e9\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o entre Albert e Mar\u00eda se interrompeu no final de 1944. Em 1945, Francine deu \u00e0 luz os g\u00eameos Catherine e Jean. Quatro anos mais tarde, em outro 6 de junho, Albert e Mar\u00eda se cruzam no boulevard Saint-Germain. N\u00e3o voltaram a se separar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cVoc\u00ea apareceu para mim como um \u00faltimo colete salva-vidas lan\u00e7ado no meio de uma vida que at\u00e9 ent\u00e3o estava vazia. Agarrei-me a ele com todas as minhas for\u00e7as e voluntariamente fechei os olhos a tudo o que podia por em perigo esta \u00faltima esperan\u00e7a\u201d, escreve-lhe Casares. A atriz detalha o dia a dia de sua vida profissional e expressa d\u00favidas sobre seu pr\u00f3prio talento. Descreve seu mundo de exilados espanh\u00f3is: a doen\u00e7a e a morte de seu pai, o papel tutelar do primeiro-ministro republicano no ex\u00edlio, Juan Negr\u00edn, e sua parceira, Feliciana L\u00f3pez de San Pablo. \u201cDon Juan foi para mim um irm\u00e3o mais velho maravilhoso\u201d, escreve ela quando seu pai morreu, em fevereiro de 1950. A Espanha est\u00e1 sempre presente na vida de Camus \u2013 sua fam\u00edlia materna era de Menorca &#8211; e Casares encarna uma das causas de sua vida, a da Rep\u00fablica.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Estrelas em Paris<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas as cartas s\u00e3o, antes de tudo, de amor. Ela escreve: \u201cTe desejo, meu amor, da manh\u00e3 at\u00e9 a noite. N\u00e3o sei o que me acontece. Nunca me senti assim, e at\u00e9 me d\u00e1 um pouco de vergonha\u201d. E ele: \u201c\u00c9 falso que o amor nos deixe cegos, sei por minha pr\u00f3pria experi\u00eancia. Pelo contr\u00e1rio: torna percept\u00edvel aquilo que, sem ele, n\u00e3o chegaria a existir e que, no entanto, \u00e9 o mais real neste mundo: a dor da pessoa que amamos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dois s\u00e3o estrelas na Paris dos anos cinquenta. Ele, o grande sedutor, gosta que comparem sua apar\u00eancia com a de Bogart. \u201cRecebi a foto do jornal americano que voc\u00ea me mandou\u201d, escreve a atriz. \u201cNa verdade, o parecido est\u00e1 se tornando prodigioso e perigoso para mim nas tuas aus\u00eancias\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na grande hist\u00f3ria de amor que \u00e9 esta correspond\u00eancia, Francine Faure \u00e9 um personagem coadjuvante essencial. \u201cEla nunca \u00e9 chata; n\u00e3o a escutamos e sabe viver sozinha\u201d, explica Camus a sua amante. \u201c[Fui] Desagrad\u00e1vel com F., tola e injustamente\u201d, conta-lhe ele em outro momento. \u201cAcabei tendo que pedir desculpas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 17 de outubro de 1957, foi anunciado o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/premios_nobel\/a\">Nobel de Literatura<\/a>\u00a0para Camus. \u201cQue festa, jovem vencedor, que festa. Mar\u00eda\u201d, escreve Casares em um telegrama. \u201cNunca senti tantas saudades de voc\u00ea. Teu Alonso\u201d, responde o escritor, conhecedor do teatro cl\u00e1ssico castelhano. Aos 44 anos, era o mais jovem escritor agraciado com o pr\u00eamio desde Kipling.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois anos depois, passa a noite de Ano-Novo com Francine, os filhos e a fam\u00edlia Gallimard no sul da Fran\u00e7a. Em 30 de dezembro de 1959, escreve para Mar\u00eda: \u201cEstou t\u00e3o contente com a ideia de voltar a te ver que, ao escrever isto, come\u00e7o a rir\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Casares n\u00e3o foi a \u00fanica destinat\u00e1ria das cartas de amor de Camus. Houve outras mulheres naqueles anos e at\u00e9 o final de sua vida. Oliver Todd cita, em sua biografia can\u00f4nica do autor, uma carta enviada no dia anterior a outra mulher, a pintora e modelo identificada como Mi: \u201cPelo menos esta horr\u00edvel separa\u00e7\u00e3o nos ter\u00e1 feito sentir como nunca antes a necessidade incessante que temos um do outro\u201d. E no dia 31 escreve \u00e0 atriz Catherine Sellers: \u201cAt\u00e9 ter\u00e7a-feira, minha querida, te beijo e te aben\u00e7oo, do fundo do meu cora\u00e7\u00e3o\u201d. Foi sua \u00faltima carta de amor, segundo revelou o Le Monde h\u00e1 alguns meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 4 de janeiro de 1960, o carro no qual voltava a Paris junto com os Gallimard bateu contra uma \u00e1rvore. Francine e os g\u00eameos tinham voltado de trem. Camus morreu na hora.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|despiece\" class=\"sumario_despiece centro\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<header class=\"sumario-encabezado\">\n<h4 class=\"sumario-titulo\"><span class=\"sin_enlace\">TEXTOS MUITO \u00cdNTIMOS QUE FAZEM A TERRA &#8216;MAIS VASTA&#8217;<\/span><\/h4>\n<\/header>\n<figure class=\"foto foto_miniatura\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2017\/11\/15\/actualidad\/1510774090_548927_1510775025_sumario_normal.jpg\" alt=\"Capa de 'Correspondance', na edi\u00e7\u00e3o da editora Gallimard.\" width=\"360\" height=\"569\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Capa de &#8216;Correspondance&#8217;, na edi\u00e7\u00e3o da editora Gallimard.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foi f\u00e1cil para Catherine Camus, filha de Albert Camus e respons\u00e1vel por seu legado, tomar a decis\u00e3o de publicar a correspond\u00eancia de seu pai com Mar\u00eda Casares. \u201cSofri fortes press\u00f5es para que seja publicada a correspond\u00eancia entre meu pai e minha m\u00e3e, e entre ele e Mar\u00eda Casares\u201d, disse ela, em 2013, ao seman\u00e1rio Le Point. \u201cMas estas cartas s\u00e3o documentos muito \u00edntimos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria das cartas \u00e9 um ep\u00edlogo digno do romance dos dois. Quando o escritor morreu em um acidente de carro em 1960, aos 46 anos \u2013 ela faleceu em 1996 \u2013, o poeta Ren\u00e9 Char, seu amigo, ficou com que as cartas de Casares que o autor de A Peste tinha guardado e discretamente as entregou \u00e0 atriz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio da d\u00e9cada de oitenta, com a morte de sua m\u00e3e, Catherine fez contato com Casares e comprou dela as cartas dos dois, que agora finalmente est\u00e3o sendo publicadas. \u201cGra\u00e7as aos dois, suas cartas fazem com que a terra seja mais vasta, o espa\u00e7o mais luminoso, o ar mais leve \u2013 simplesmente porque existiram\u201d, escreve Catherine no pr\u00f3logo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tamb\u00e9m poderia ser o come\u00e7o de um romance rom\u00e2ntico, mas \u00e9 o ponto de partida de uma hist\u00f3ria real, contada em detalhes minuciosos na correspond\u00eancia entre seus protagonistas:\u00a0Albert Camus\u00a0e Mar\u00eda Casares, o franc\u00eas da Arg\u00e9lia e a galega exilada, o escritor e a atriz. 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