{"id":224948,"date":"2017-11-20T15:16:09","date_gmt":"2017-11-20T18:16:09","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=224948"},"modified":"2017-11-20T15:16:09","modified_gmt":"2017-11-20T18:16:09","slug":"racismo-nao-da-descanso-e-impacta-saude-e-o-trabalho-dos-negros-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/racismo-nao-da-descanso-e-impacta-saude-e-o-trabalho-dos-negros-no-brasil\/","title":{"rendered":"Racismo n\u00e3o d\u00e1 descanso e impacta a sa\u00fade e o trabalho dos negros no Brasil"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Racismo n\u00e3o admitido d\u00e1 menos oportunidades e afeta ascens\u00e3o profissional dos negros. Eles t\u00eam sal\u00e1rios menores, ainda que com o mesmo tempo de estudos de n\u00e3o negros<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div class=\"compartir-varios\"><\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Beatriz Sanz\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/beatriz_sanz_cruz\/a\/\">BEATRIZ SANZ<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/11\/17\/politica\/1510954056_774052_1510955358_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/11\/17\/politica\/1510954056_774052_1510955358_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/11\/17\/politica\/1510954056_774052_1510955358_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/11\/17\/politica\/1510954056_774052_1510955358_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Cena do filme 'Corra!', que retrata aspectos do racismo.\" width=\"980\" height=\"537\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Cena do filme &#8216;Corra!&#8217;, que retrata aspectos do racismo.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">DIVULGA\u00c7\u00c3O<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<section id=\"sumario_1|apoyos\" class=\"sumario_apoyos derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\"><\/div>\n<\/section>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 coisa de preto\u201d, teria dito o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/11\/09\/politica\/1510184872_072863.html\">jornalista William Waack<\/a>minutos antes de entrar no ar em uma transmiss\u00e3o ao vivo. A fala repercutiu como rastilho de p\u00f3lvora acesa queimando o que houvesse pelo caminho. Foi afastado de sua fun\u00e7\u00e3o de apresentador no mesmo dia e incendiou a discuss\u00e3o sobre o racismo velado no Brasil. Enquanto jornalistas e at\u00e9 o ministro do Supremo Tribuna Federal (STF)\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/gilmarmendes\/status\/929513616604323840\">Gilmar Mendes manifestaram apoio a Waack<\/a>, nas redes sociais, os internautas resgatavam a mem\u00f3ria e os feitos de grandes personalidades negras utilizando a hashtag\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/hashtag\/%C3%89CoisaDePreto?src=hash\">#\u00c9coisadepreto<\/a>. Para a psicanalista Maria L\u00facia da Silva, casos como esse s\u00e3o positivos pois descortinam o racismo e promovem o debate acerca do tema num pa\u00eds onde 54% da popula\u00e7\u00e3o se declara preta ou parda.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CNyF683gzdcCFQIOkQodgeUKXQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/politica\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/politica\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/politica\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Frases como a de Waack s\u00e3o repetidas em diversos contextos cotidianamente e segundo pesquisas, o estresse de lidar com a discrimina\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/ciencia\/como-o-racismo-afeta-a-saude-dos-negros-segundo-a-ciencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">terminar por afetar a sa\u00fade dos negros<\/a>. Silva alerta que para lidar com situa\u00e7\u00f5es de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/racismo\/a\/\">racismo<\/a>\u00a0e preconceito, as pessoas negras demandam mais energia. \u201cEssa situa\u00e7\u00e3o acontece desde o nascimento, o tempo todo. O racismo n\u00e3o d\u00e1 descanso\u201d, ressalta.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Uma das primeiras distor\u00e7\u00f5es que epis\u00f3dios de preconceitos acarretam no organismo humano \u00e9 o\u00a0<a href=\"http:\/\/ajph.aphapublications.org\/doi\/abs\/10.2105\/AJPH.2011.300523\">aumento da press\u00e3o arterial<\/a>. Posteriormente esse aumento de press\u00e3o causa o endurecimento da veias que pode resultar em um ataque card\u00edaco ou em um acidente vascular cerebral (AVC). Mas para al\u00e9m disso, o racismo tamb\u00e9m impacta a sa\u00fade mental. Um estudo feito por pesquisadores da Universidade do Texas mostra que pessoas que sofreram com discrimina\u00e7\u00e3o estavam sujeitas a desenvolver alcoolismo e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/depresion\/a\">depress\u00e3o<\/a>. Co-autora do estudo, a soci\u00f3loga\u00a0<a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/pub_releases\/2014-09\/uota-edi091214.php\">Trenette Clark diz<\/a>\u00a0que a discrimina\u00e7\u00e3o tem efeitos semelhantes \u00e0 perda do emprego ou \u00e0 morte de um ente querido.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 para ajudar a reduzir os efeitos do racismo que existe o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ammapsique.org.br\/\">Instituto Amma Psique e Negritude<\/a>, no qual trabalha Maria L\u00facia. Uma das frentes do Instituto \u00e9 preparar profissionais para que eles entendam melhor como os sofrimentos causados pelo racismo podem impactar nas rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Para a psicanalista Noemi Kon, organizadora do livro\u00a0<em>O racismo e o negro no Brasil: quest\u00f5es para a psican\u00e1lise<\/em>\u00a0\u201cobviamente que essa viol\u00eancia causa sofrimento ps\u00edquico\u201d. Ela ainda acrescenta que o racismo \u201cpode fazer com que as pessoas se sintam menos qualificadas a ocupar determinados espa\u00e7os na sociedade e a estabelecer rela\u00e7\u00f5es amorosas de qualidade, por exemplo\u201d. A obra surgiu de um epis\u00f3dio de racismo vivenciado em sala de aula, apontado por Maria L\u00facia Silva. Para resolver a quest\u00e3o, Noemi prop\u00f4s um curso que tratasse do racismo nessa \u00e1rea e o passo seguinte foi a concep\u00e7\u00e3o do livro.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">A psicanalista entende que os debates sobre o racismo est\u00e3o ganhando mais visibilidade em um per\u00edodo recente. Segundo ela, esse movimento \u00e9 importante para a desconstru\u00e7\u00e3o do mito da democracia racial. O conceito criado por Gilberto Freyre no s\u00e9culo passado, segundo ela, prejudica ainda as pessoas que enfrentam situa\u00e7\u00f5es de racismo e lidam com maiores dificuldades em diversos campos da vida, mas que n\u00e3o se manifestam sobre isso. \u201c\u00c9 um discurso ideol\u00f3gico que faz com que diferen\u00e7as individuais sejam colocadas como respons\u00e1veis por fracassos individuais\u201d, afirma Noemi.<\/p>\n<h3 dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">O negro no mercado de trabalho<\/h3>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">O racismo est\u00e1 engendrado de forma estrutural na nossa sociedade, e traz consequ\u00eancias pr\u00e1ticas, uma vez que os negros possuem menos oportunidades em \u00e1reas essenciais.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.dieese.org.br\/analiseped\/2017\/2017pednegrossao.html\">Um levantamento feita pelo<\/a>\u00a0Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese) com dados de 2016 mostra, por exemplo, que quanto mais escolarizados os negros, maior a diferen\u00e7a de sal\u00e1rio em compara\u00e7\u00e3o com uma pessoa n\u00e3o negra que tenha o mesmo n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o. Os profissionais negros que n\u00e3o completaram o ensino m\u00e9dio ganhavam 92% do que recebiam os n\u00e3o negros com esse mesmo n\u00edvel de estudo. Essa diferen\u00e7a cai para 85% entre os que t\u00eam ensino m\u00e9dio completo. Quando se tratam de trabalhadores com ensino superior, os negros ganham somente 65% do que um trabalhador n\u00e3o negro com a mesma forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Os \u00edndices de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/desempleo\/a\">desemprego<\/a>\u00a0tamb\u00e9m s\u00e3o mais altos entre pessoas negras do que no restante da popula\u00e7\u00e3o. Durante a recess\u00e3o econ\u00f4mica, \u00e9 este grupo o mais impactado. De 2015 para 2016, a taxa de desemprego total dos negros aumentou de 14,9% para 19,4%, enquanto a dos n\u00e3o negros passou de 12% para 15,2%.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Rodrigo Silva de 22 anos engordou essa estat\u00edstica quando seu contrato de est\u00e1gio acabou e ficou desempregado. A posi\u00e7\u00e3o ocupada por Rodrigo na empresa, em um cargo auxiliar tamb\u00e9m \u00e9 mais comum entre pessoas negras, segundo a pesquisa realizada na regi\u00e3o metropolitana de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sao_paulo\/a\/\">S\u00e3o Paulo<\/a>. Enquanto isso, nos cargos de chefia, a presen\u00e7a de pessoas negras \u00e9 13,6% menor. Para Maria L\u00facia da Silva, isso se d\u00e1 porque o racismo \u201cdificulta a mobilidade e perman\u00eancia social em caso de prest\u00edgio ou de constru\u00e7\u00e3o de uma carreira\u201d. Hoje ocorre maior inser\u00e7\u00e3o dos negros em segmentos onde tradicionalmente os rendimentos s\u00e3o mais baixos (constru\u00e7\u00e3o, trabalho aut\u00f4nomo e dom\u00e9stico) e menor incorpora\u00e7\u00e3o em outros, que costumam pagar sal\u00e1rios mais altos (Ind\u00fastria, alguns ramos dos Servi\u00e7os, setor p\u00fablico e o agregado que re\u00fane empres\u00e1rios e profissionais universit\u00e1rios aut\u00f4nomos, entre outros). Na m\u00e9dia, os\u00a0negros receberam 67,8% do rendimento dos n\u00e3o negros, em 2016.<\/p>\n<h3 dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Menos acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 um fosso, ainda, na compara\u00e7\u00e3o de acesso aos estudos. H\u00e1 um evidente atraso escolar dos negros, que se perpetuou desde a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, no s\u00e9culo 19. Desde ent\u00e3o, a falta de suporte que admitisse a diferen\u00e7a deixou um d\u00e9ficit na forma\u00e7\u00e3o deste grupo. Na d\u00e9cada passada, houve algum ajuste pelas pol\u00edticas de cotas afirmativas. Em 2005, somente 5,5% dos jovens pretos e pardos em idade universit\u00e1ria frequentavam a faculdade. Esse n\u00famero saltou para 12,8% em 2015, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o branca, contudo, a dist\u00e2ncia ainda \u00e9 enorme: 26,5% dos estudantes brancos entre 18 e 24 anos estavam na univerdade em 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O analfabetismo tamb\u00e9m revela a desigualdade de condi\u00e7\u00f5es de negros e brancos. Um levantamento feito pelo movimento Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o em 2016, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlio (Pnad\/IBGE), mostra que a taxa de analfabetismo \u00e9 11,2% entre os pretos; 11,1% entre os pardos; e, 5% entre os brancos.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o entre escravid\u00e3o e desigualdade<\/h3>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Por ter sido o \u00faltimo pa\u00eds do ocidente a extinguir a escravid\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o entre o Brasil e a \u201cinstitui\u00e7\u00e3o\u201d, eufemismo utilizado para nomear a escravatura, ainda \u00e9 intensa. Segundo o soci\u00f3logo e especialista em pol\u00edticas p\u00fablicas Humberto Laudares cerca de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.tinbergen.nl\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Felipe-Caicedo-27-Sept.pdf\">20% da desigualdade<\/a>\u00a0que acontece ainda hoje em munic\u00edpios brasileiros tem como fonte a escravid\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Laudares credita esse cen\u00e1rio a uma falha da sociedade e do Estado brasileiro em promover igualdade de oportunidades para os cidad\u00e3os. Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, os munic\u00edpios que abrigaram quilombos sofrem ainda mais. \u201cN\u00f3s testamos o efeito dos quilombos na desigualdade e encontrarmos que\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/03\/28\/sociedad\/1396039867_792085.html\">locais que sediaram quilombos<\/a>\u00a0s\u00e3o hoje 3% mais desiguais, s\u00e3o mais pobres e ainda t\u00eam um n\u00edvel educacional inferior a munic\u00edpios com caracter\u00edsticas semelhantes\u201d, relata. Para ele, h\u00e1 um caminho para reduzir o problema: \u201cigualar as oportunidades &#8212; sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a &#8212; a partir da inf\u00e2ncia\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Racismo n\u00e3o admitido d\u00e1 menos oportunidades e afeta ascens\u00e3o profissional dos negros. 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