{"id":226075,"date":"2017-11-30T10:20:12","date_gmt":"2017-11-30T13:20:12","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=226075"},"modified":"2017-11-30T10:20:12","modified_gmt":"2017-11-30T13:20:12","slug":"corte-de-quase-metade-das-verbas-em-ciencia-compromete-pesquisas-de-zika-ate-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/corte-de-quase-metade-das-verbas-em-ciencia-compromete-pesquisas-de-zika-ate-cancer\/","title":{"rendered":"Corte de quase metade das verbas em ci\u00eancia compromete pesquisas de zika at\u00e9 c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00f5es e Comunica\u00e7\u00f5es teve corte de 44% em 2017.<\/h2>\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Cientistas apelam ao Congresso para evitar novo recorte de 25% para 2018<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div class=\"compartir-varios\"><\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/11\/27\/ciencia\/1511806311_065202_1511837642_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/11\/27\/ciencia\/1511806311_065202_1511837642_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/11\/27\/ciencia\/1511806311_065202_1511837642_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/11\/27\/ciencia\/1511806311_065202_1511837642_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Pesquisadora do v\u00edrus da zika na USP, no ano passado.\" width=\"980\" height=\"559\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Pesquisadora do v\u00edrus da zika na USP, no ano passado.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">ROVENA ROSA<\/span>\u00a0<span class=\"foto-agencia\">AG\u00caNCIA BRASIL<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma firma--vertical\">\n<div class=\"autor\">\n<figure class=\"foto\"><\/figure>\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Felipe Betim\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/felipe_betim\/a\/\">FELIPE BETIM<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo-introduccion\" class=\"articulo-introduccion\">\n<p>Se a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/seccion\/ciencia\">ci\u00eancia brasileira<\/a>\u00a0fosse uma pessoa, ela hoje estaria internada na CTI e respirando por aparelhos. Este quadro, considerado &#8220;dram\u00e1tico&#8221; por especialistas consultados pelo EL PA\u00cdS, \u00e9 resultado de sucessivos cortes or\u00e7ament\u00e1rios nos \u00faltimos anos. Em 2017, o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.mctic.gov.br\/portal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00f5es e Comunica\u00e7\u00f5es<\/a>\u00a0(MCTIC) sofreu um corte de 44% do or\u00e7amento que estava previsto para este ano. &#8220;Agora a gente est\u00e1 brigando para manter os tubos de soro, a alimenta\u00e7\u00e3o e os rem\u00e9dios essenciais \u00e0 sobreviv\u00eancia do paciente&#8221;, explica Ildeu de Castro Moreira, presidente da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/11\/27\/ciencia\/Sociedade%20Brasileira%20para%20o%20Progresso%20da%20Ci%C3%AAncia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia<\/a>\u00a0(SBPC), que se juntou a outras entidades cient\u00edficas para tentar reverter esta tend\u00eancia no or\u00e7amento de 2018. &#8220;Os cortes na ci\u00eancia mostram uma falta total de percep\u00e7\u00e3o do que \u00e9 importante e o que n\u00e3o \u00e9 para o desenvolvimento de uma sociedade&#8221;, opina Jo\u00e3o Fernandes Gomes de Oliveira, vice-presidente da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.abc.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Academia Brasileira de Ci\u00eancias<\/a>\u00a0(ABC).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Os investimentos em ci\u00eancia no Brasil s\u00e3o feitos majoritariamente pelo Governo Federal via MCTIC, respons\u00e1vel por dezenas de unidades de pesquisas em todo o pa\u00eds, laborat\u00f3rios em universidades e bolsas de estudo cedidas pelo CNPQ. Esses recursos s\u00e3o distribu\u00eddos de forma abrangente e chegam a centros de pesquisas que fazem os mais importantes trabalhos cient\u00edficos do Brasil. \u00c9 o caso, por exemplo, dos estudos desenvolvidos na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) sobre o v\u00edrus da Zika e da microcefalia que abrem o caminho para a elimina\u00e7\u00e3o destas doen\u00e7as. Estas pesquisas foram publicadas em revistas internacionais, mas hoje correm o risco de serem interrompidas pela falta de insumos biol\u00f3gicos, segundo especialistas. Laborat\u00f3rios come\u00e7am a parar.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CPfnnpSx5tcCFUcMkQoduskI-Q\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">As cifras destinadas nunca foram alt\u00edssimas: em 2010, o or\u00e7amento do MCTIC teve um pico de aproximadamente 8,6 bilh\u00f5es de reais\u00a0 \u2014 corrigido pela infla\u00e7\u00e3o, o equivalente a 10 bilh\u00f5es de reais hoje. Em 2017, j\u00e1 com a pasta de Comunica\u00e7\u00f5es incorporada em sua estrutura, o minist\u00e9rio contou aproximadamente com apenas 3,3 bilh\u00f5es. Estavam previstos 5,8 bilh\u00f5es inicialmente, isto \u00e9, 44% a mais, segundo admite o pr\u00f3prio MCTIC. &#8220;E cerca de 700 milh\u00f5es v\u00e3o para Comunica\u00e7\u00f5es. Isso significa que Ci\u00eancia e Tecnologia fica com uns 2,5 bi. \u00c9 25% do or\u00e7amento de 2010, o que significa que voc\u00ea dividiu por quatro a sua capacidade de execu\u00e7\u00e3o&#8221;, explica Oliveira, da ABC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A restri\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria chamou a aten\u00e7\u00e3o da comunidade cient\u00edfica internacional e mereceu um artigo na prestigiosa revista\u00a0<em>Nature<\/em>.\u00a0<a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2017\/09\/1923338-ganhadores-de-nobel-pedem-que-temer-interrompa-cortes-na-ciencia.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">23 ganhadores do Pr\u00eamio Nobel chegaram a enviar uma carta<\/a>\u00a0ao presidente\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/michel_temer\/a\">Michel Temer<\/a>(PMDB). Em julho, o ministro do MCTIC, Gilberto Kassab (PSD), instou a comunidade cient\u00edfica a utilizar meios de comunica\u00e7\u00e3o e\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/sp\/campinas-regiao\/noticia\/ministro-afirma-que-verba-para-novo-acelerador-de-particulas-em-campinas-sera-mantida.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pressionar o Congresso e o pr\u00f3prio Governo para conseguir mais verbas<\/a>. Na ocasi\u00e3o tamb\u00e9m taxou a lei do teto de gastos de &#8220;draconiana&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, para 2018 est\u00e1 previsto um corte de mais 25% no or\u00e7amento do minist\u00e9rio, que j\u00e1 representa &#8220;uma fra\u00e7\u00e3o muito pequena de um monstro or\u00e7ament\u00e1rio que \u00e9 o governo brasileiro&#8221;, segundo Oliveira. As entidades cient\u00edficas enviaram na \u00faltima segunda-feira uma carta para representantes do Congresso Nacional demandando que o or\u00e7amento do ano que vem permane\u00e7a igual ao de 2017\u00a0\u2014 antes de ser reduzido em 44%\u00a0\u2014 e que ainda se acrescente mais 10%. O objetivo \u00e9 que os investimentos comecem a voltar. &#8220;Se voc\u00ea tira o dinheiro de ci\u00eancia e tecnologia, voc\u00ea n\u00e3o resolve o problema financeiro do pa\u00eds. \u00c9 como se eu tivesse um problema de finan\u00e7as em casa e decidisse parar de tomar o rem\u00e9dio pro cora\u00e7\u00e3o que custa um real, ao inv\u00e9s de cortar contas com viagem e restaurante. Esta \u00e9 a nossa sensa\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Oliveira.<\/p>\n<p class=\"m-5063849377167134693gmail-p1\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do MCTIC, a ci\u00eancia brasileira tamb\u00e9m depende de funda\u00e7\u00f5es estaduais de amparo a pesquisa \u2014 muitas delas com graves dificuldades financeiras, como a FAPERJ, no Rio \u2014 e da funda\u00e7\u00e3o Capes, organismo vinculado ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) que \u00e9 respons\u00e1vel por cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e bolsas de estudo. Neste \u00faltimo caso os cortes foram menores.<\/p>\n<p class=\"m-5063849377167134693gmail-p1\" style=\"text-align: justify;\">Quais s\u00e3o os efeitos dessas tesouradas? &#8220;Em primeiro lugar, n\u00e3o tem nenhum projeto de pesquisa novo. E se tem, n\u00e3o est\u00e1 recebendo dinheiro. J\u00e1 os projetos antigos est\u00e3o com atrasos. Al\u00e9m disso, houve uma redu\u00e7\u00e3o de bolsas e os programas v\u00e3o formar menos mestres e doutores&#8221;, explica Oliveira. Tanto ele como Moreira tamb\u00e9m citam a fuga de c\u00e9rebros. &#8220;Os laborat\u00f3rios come\u00e7am a parar, mestrados e doutorados ficam atrasados e os jovens e pesquisadores acabam atra\u00eddos pela carreira no exterior. Tem gente segurando, mas que certamente vai embora se esta situa\u00e7\u00e3o perdura&#8221;, explica o presidente da SBPC. A longo prazo, significa a interrup\u00e7\u00e3o de linhas de pesquisas que demoram anos para serem desenvolvidas e que trariam resultados pr\u00e1ticos no futuro.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/11\/27\/ciencia\/1511806311_065202_1512045054_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/11\/27\/ciencia\/1511806311_065202_1512045054_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/11\/27\/ciencia\/1511806311_065202_1512045054_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Gonzalo Talou.\" width=\"360\" height=\"348\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Gonzalo Talou.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o caso do argentino Gonzalo Talou, que em breve vai para a Nova Zel\u00e2ndia. Formado em Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o, ele chegou ao Brasil em 2011 para fazer um mestrado em Computa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e um doutorado em Modelagem Computacional. Hoje ele vem desenvolvendo modelos computacionais, em parceria com os hospitais Incor (USP), S\u00edrio-Liban\u00eas e Albert Einstein, que simulam decis\u00f5es m\u00e9dicas no tratamento de um paciente e mostram as consequ\u00eancias destas decis\u00f5es a m\u00e9dio e longo prazo. O objetivo \u00e9 avaliar os risco de infartos e AVCs. &#8220;Fazemos um estudo tomogr\u00e1fico de um paciente no qual vemos as art\u00e9rias do cora\u00e7\u00e3o e criamos uma representa\u00e7\u00e3o dessa pessoa no computador, utilizando m\u00e9todos que criamos&#8221;, explica o rapaz, de 32 anos. &#8220;Utilizando a informa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica do paciente, como sua press\u00e3o sangu\u00ednea, conseguimos simular como o sangue escoa dentro das art\u00e9rias, como interage com elas. Por exemplo, como se deformam durante o ciclo card\u00edaco&#8221;, acrescenta. E prossegue: &#8220;Assim, chegamos a informa\u00e7\u00f5es que indicam ao m\u00e9dico o qu\u00e3o doente est\u00e1 a art\u00e9ria. Ele ent\u00e3o as complementa com imagens m\u00e9dicas e toma a sua decis\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para desenvolver estas t\u00e9cnicas, Talou conta com 4.000 reais mensais de uma bolsa de p\u00f3s-doutorado do CNPQ. Mas sua esposa foi demitida e a bolsa, ele diz, acaba sendo insuficiente para sustentar sua fam\u00edlia. Para ganhar algo al\u00e9m de sua bolsa, Talou deveria ser concursado para se tornar pesquisador efetivo de seu centro, o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.lncc.br\/estrutura\/default.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Laborat\u00f3rio Nacional de Computa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica (LNCC)<\/a>, sediado em Petr\u00f3polis (RJ). &#8220;Minha inten\u00e7\u00e3o era ficar no Brasil, porque aqui nos \u00faltimos anos a ci\u00eancia teve um impulso muito grande. Mas com esses recortes perdeu-se tudo isso. O atrativo estrangeiro n\u00e3o s\u00f3 se perdeu como h\u00e1 tamb\u00e9m dificuldades para o pesquisador estrangeiro que quer ficar, j\u00e1 que voc\u00ea n\u00e3o tem acesso a sal\u00e1rio&#8221;, argumenta. Na Nova Zel\u00e2ndia, onde trabalhar\u00e1 em um projeto financiado pelo Instituto Nacional de Sa\u00fade dos EUA, finalmente ter\u00e1 um emprego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00f3prio Laborat\u00f3rio de Computa\u00e7\u00e3o, que pertence ao MCTIC, vem passando por dificuldades. Ele\u00a0<a href=\"http:\/\/www.lncc.br\/lncc\/supercomputador.php?idt_noticia=988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">abriga o Santos Dumont<\/a>, o mais potente computador brasileiro e um dos mais velozes do mundo: sua capacidade de processamento \u00e9 de 1,1 petaflop\/s, ou seja, ele pode fazer at\u00e9 um quatrilh\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas por segundo. Algo essencial para pesquisas de todos os tipos, desde a evolu\u00e7\u00e3o da gal\u00e1xia at\u00e9 a busca de medicamentos e vacinas para v\u00e1rias doen\u00e7as tropicais e os modelos computacionais de Talou. S\u00e3o mais de 70 projetos em execu\u00e7\u00e3o. Montado a um custo de 60 milh\u00f5es de reais, pode ser usado por todos os cientistas Brasil \u2014 basta que submetam seus projetos. Havia d\u00favidas sobre o funcionamento da super m\u00e1quina, que consome at\u00e9 500.000 reais por m\u00eas de luz, at\u00e9 o fim do ano. O remanejamento e a libera\u00e7\u00e3o de recursos nos \u00faltimos meses por parte do MCTIC \u2014 cerca de 500 milh\u00f5es para pagar bolsas e institutos, segundo a pasta \u2014 evitou seu desligamento.<\/p>\n<p class=\"m-5063849377167134693gmail-p1\" style=\"text-align: justify;\">Assim como o LNCC, o MCTIC \u00e9 respons\u00e1vel por outras dezenas de centros cient\u00edficos de ponta no pa\u00eds. Institui\u00e7\u00f5es como o\u00a0<a href=\"http:\/\/portal.inpa.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia<\/a>\u00a0(INPA), que desde 1954 vem realizando estudos cient\u00edficos do meio f\u00edsico e das condi\u00e7\u00f5es de vida da regi\u00e3o amaz\u00f4nica para &#8220;promover o bem-estar humano e o desenvolvimento socioecon\u00f4mico regional&#8221;. Respons\u00e1vel por levantamentos e invent\u00e1rios de fauna e de flora e refer\u00eancia mundial em Biologia Tropical, seu objetivo hoje \u00e9 expandir de forma sustent\u00e1vel o uso dos recursos naturais da Amaz\u00f4nia. Entretanto, perdeu 62% de seu or\u00e7amento previsto em 2017. Outro exemplo \u00e9 o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.inpe.br\/institucional\/sobre_inpe\/missao.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instituto Nacional de Pesquisas Nacionais<\/a>\u00a0(INPE), respons\u00e1vel pelo monitoramento da Terra e por dar aos brasileiros a previs\u00e3o do tempo. Mas sofreu uma redu\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria de 40%.<\/p>\n<p class=\"m-5063849377167134693gmail-p1\" style=\"text-align: justify;\">Corte similar foi aplicado no\u00a0<a href=\"http:\/\/portal.cbpf.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Centro Brasileiro de Pesquisas F\u00edsicas<\/a>\u00a0(CBPF), sediado no Rio. Com quase 70 anos de exist\u00eancia, foi a primeira institui\u00e7\u00e3o voltada para a ci\u00eancia b\u00e1sica no pa\u00eds. Hoje faz pesquisa te\u00f3rica e experimental em \u00e1reas como altas energias, nanotecnologia, f\u00edsica aplicada \u00e0 biomedicina, informa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica, instrumenta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, entre outros. Os resultados das pesquisas, muitos deles obtidos em parcerias internacionais ou com ind\u00fastrias brasileiras, est\u00e3o &#8220;nos tratamentos mais eficazes para o c\u00e2ncer, nos meios de transporte mais seguros, nos celulares e TVs com fun\u00e7\u00f5es, numa internet mais r\u00e1pida&#8221;, segundo a institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"m-5063849377167134693gmail-p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Trabalhamos com ci\u00eancia b\u00e1sica, mas para que serve isso no cotidiano do cidad\u00e3o? Paradoxalmente as pessoas comuns, da rua, entendem isso melhor que as nossas elites econ\u00f4micas, as pessoas que tomam decis\u00f5es. E o crescimento econ\u00f4mico do Brasil depende disso&#8221;, explica Ronald Cintra Shellard, seu diretor. &#8220;Mas eu n\u00e3o consigo fazer planejamento de manuten\u00e7\u00e3o dos equipamentos, que valem cerca de 100 milh\u00f5es. A grande maioria est\u00e1 sem manuten\u00e7\u00e3o. Consigo empurrar com a barriga mais dois anos, mas na hora que quebrar o custo de recuperar \u00e9 muito maior. Estamos no modo de sobreviv\u00eancia&#8221;, lamenta. Ele diz estar dando prioridade em manter o pesquisador, que \u00e9 mais dif\u00edcil de treinar, mas que &#8220;com o pessoal de seguran\u00e7a e limpeza estamos no limite m\u00ednimo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda neste ano, a comunidade cient\u00edfica brasileira se mobilizou em torno da\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.conhecimentosemcortes.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Conhecimentos sem Cortes<\/a><\/em>. Articulada por Tatiana Roque, professora da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de Filosofia e da gradua\u00e7\u00e3o de Matem\u00e1tica da UFRJ, uma peti\u00e7\u00e3o assinada por mais de 82.000 pessoas foi entregue em outubro aos presidentes do Senado e da C\u00e2mara dos Deputados. O documento demandava a volta dos investimentos de pesquisa e a garantia de que a universidade p\u00fablica n\u00e3o fosse desmontada. O site da campanha conta com um\u00a0<em>tesour\u00f4metro<\/em>\u00a0que, na manh\u00e3 de 30 de novembro, mostrava um corte de mais de 13 bilh\u00f5es desde 2015 nos investimentos em ci\u00eancia e tecnologia e nas universidades p\u00fablicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Moreira, presidente do SBPC, &#8220;a pol\u00edtica geral n\u00e3o tem mostrado uma vis\u00e3o razo\u00e1vel da import\u00e2ncia da ci\u00eancia&#8221;. A palavra que ele usa para descrever o atual cen\u00e1rio \u00e9 &#8220;desmonte&#8221;. &#8220;\u00c9 um retrocesso muito grave quando voc\u00ea desmonta um centro de pesquisa que voc\u00ea demorou 20 ou 30 anos para montar&#8221;, argumenta. Em suma, trata-se principalmente de jogar todo o dinheiro que at\u00e9 agora foi investido em ci\u00eancia no lixo. O problema, diz Oliveira, vice-presidente da ABC, \u00e9 que &#8220;a capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o do setor de ci\u00eancia e tecnologia&#8221; \u00e9 pequeno. &#8220;A gente est\u00e1 falando de algo grave, mas que o p\u00fablico em geral n\u00e3o percebe o impacto. Primeiro porque ele n\u00e3o \u00e9 imediato e segundo porque n\u00e3o consegue competir com todo o resto que est\u00e1 na m\u00eddia&#8221;, conclui.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas apelam ao Congresso para evitar novo recorte de 25% para 2018<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":226076,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,12],"tags":[],"class_list":["post-226075","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-saude"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/laboratorio.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/226075","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=226075"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/226075\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/226076"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=226075"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=226075"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=226075"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}