{"id":226772,"date":"2017-12-06T11:34:54","date_gmt":"2017-12-06T14:34:54","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=226772"},"modified":"2017-12-06T11:34:54","modified_gmt":"2017-12-06T14:34:54","slug":"me-senti-uma-carne-no-acougue-diz-acusada-de-fraude-em-cota","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/me-senti-uma-carne-no-acougue-diz-acusada-de-fraude-em-cota\/","title":{"rendered":"\u2018Me senti uma carne no a\u00e7ougue\u2019, diz acusada de fraude em cota"},"content":{"rendered":"<div class=\"featured-image\">\n<div class=\"image\"><\/div>\n<p class=\"caption\">Movimentos de estudantes negros denunciaram alunos \u00e0 reitoria da UFRGS por fraude nas cotas (Balanta\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<div class=\"teads-inread\">\n<div id=\"teads0\" class=\"teads-player\">Entre os\u00a0<a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/blog\/rio-grande-do-sul\/ufrgs-convoca-334-alunos-suspeitos-de-fraudar-cotas-raciais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">334 estudantes da UFRGS convocados<\/a>\u00a0para se apresentar diante de uma comiss\u00e3o por suspeita de\u00a0<strong>fraude<\/strong>\u00a0no ingresso por\u00a0<strong>cotas<\/strong>, uma aluna contou a VEJA que se sentiu como uma \u201c<strong>carne no a\u00e7ougue<\/strong>\u201d ao ter sua apar\u00eancia avaliada. Os alunos que forem considerados brancos podem ser\u00a0<strong>expulsos<\/strong>. H\u00e1 prazo para que os estudantes possam recorrer do primeiro parecer da universidade.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cFiquei com a cabe\u00e7a baixa a maior parte do tempo porque tive que assinar v\u00e1rios papeis. Durou mais ou menos um minuto e meio. Depois me disseram que a banca estava satisfeita. Me senti como uma carne em um a\u00e7ougue\u201d, contou a estudante \u00e0 reportagem. Ela, que preferiu n\u00e3o se identificar, se\u00a0<strong>autodeclarou parda<\/strong>\u00a0e diz que tem antepassados negros.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o dos alunos convocados ap\u00f3s\u00a0<a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/blog\/rio-grande-do-sul\/ufrgs-convoca-334-alunos-suspeitos-de-fraudar-cotas-raciais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">den\u00fancias de grupos de estudantes negros<\/a>\u00a0foi silenciosa, sem perguntas. Mesmo aqueles que se declararam\u00a0<strong>pardos precisam apresentar fen\u00f3tipos que os identifiquem como negros<\/strong>, como nariz achatado, l\u00e1bios grossos e cabelo crespo. S\u00e3o esses tra\u00e7os, al\u00e9m da cor da pele, que distinguem quem sofrer\u00e1 racismo ao longo da vida, defendem os movimentos negros.<\/p>\n<p>A advogada da estudante, Wanda Gomes Siqueira, diz que\u00a0<a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/blog\/rio-grande-do-sul\/defesa-de-acusados-de-fraudar-cotas-ve-tribunal-racial-na-ufrgs\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a convoca\u00e7\u00e3o \u00e9 um \u201ctribunal racial\u201d<\/a>. Por outro lado, o especialista em direito p\u00fablico Gleidison Renato Martins, da coordena\u00e7\u00e3o nacional do Movimento Negro Unificado, defende a comiss\u00e3o porque os alunos convocados s\u00e3o \u201c<a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/blog\/rio-grande-do-sul\/fraude-nas-cotas-sao-brancos-ocupando-vagas-indevidamente\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">brancos que ocupam indevidamente as vagas dos cotistas<\/a>\u201d.<\/p>\n<p>A UFRGS iniciou a entrega dos pareceres aos alunos avaliados na \u00faltima segunda-feira. \u201cPassaram pessoas rindo da gente como se fossemos criminosos. N\u00e3o estou conseguindo ter sossego, estou abatida. N\u00e3o me sinto branca. Tenho consci\u00eancia de que n\u00e3o sou negra nem branca. Minha pele \u00e9 parda. Tenho cabelo preto e liso, no mais tenho tra\u00e7os negroides\u201d, contou a aluna.<\/p>\n<p>Martins aponta pelo menos dois fatores que atrapalham a discuss\u00e3o sobre as cotas e as poss\u00edveis fraudes. Um deles \u00e9 a falta de compreens\u00e3o sobre o termo \u201cpardo\u201d. \u201c<strong>Pardo<\/strong>, para efeito de a\u00e7\u00f5es afirmativas em concurso p\u00fablico e vestibular,\u00a0<strong>\u00e9 a cor clara da pessoa negra<\/strong>. \u00c9 a possibilidade de um negro, por miscigena\u00e7\u00e3o, ter outros fen\u00f3tipos que n\u00e3o aquele negroide acentuado\u201d, explicou. Ou seja, pardos s\u00e3o negros com tra\u00e7os miscigenados e n\u00e3o pessoas brancas com a pele ou cabelo mais escuros.<\/p>\n<p>Outro fator que atrapalha a discuss\u00e3o \u00e9 a ideia de que h\u00e1 uma ra\u00e7a brasileira e essa ra\u00e7a \u00e9 miscigenada, como postulava o intelectual Gilberto Freyre, na obra \u201cCasa-grande e senzala\u201d. \u201cSe n\u00e3o existe nem negro nem branco, apenas miscigenados, n\u00e3o existe racismo. Se n\u00e3o existe racismo, n\u00e3o existe pol\u00edtica contra o racismo. S\u00f3 que a realidade n\u00e3o \u00e9 essa e n\u00e3o podemos fechar os olhos\u201d, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Movimentos de estudantes negros denunciaram alunos \u00e0 reitoria da UFRGS por fraude nas cotas (Balanta\/Divulga\u00e7\u00e3o) Entre os\u00a0334 estudantes da UFRGS convocados\u00a0para se apresentar diante de uma comiss\u00e3o por suspeita de\u00a0fraude\u00a0no ingresso por\u00a0cotas, uma aluna contou a VEJA que se sentiu como uma \u201ccarne no a\u00e7ougue\u201d ao ter sua apar\u00eancia avaliada. 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