{"id":22743,"date":"2013-10-14T08:35:02","date_gmt":"2013-10-14T11:35:02","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=22743"},"modified":"2013-10-14T08:35:02","modified_gmt":"2013-10-14T11:35:02","slug":"com-50-milhoes-de-beneficiados-bolsa-familia-completa-dez-anos-neste-mes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/com-50-milhoes-de-beneficiados-bolsa-familia-completa-dez-anos-neste-mes\/","title":{"rendered":"Com 50 milh\u00f5es de beneficiados, Bolsa Fam\u00edlia completa dez anos neste m\u00eas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-22744\" alt=\"ImageProxy (1)\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/ImageProxy-119-300x200.jpg\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<div id=\"ecxabanoticia\">\u201cO Bolsa-Fam\u00edlia \u00e9 uma coisa muito boa. Esse dinheirinho serve para as despesas da casa, para comprar uma roupinha para a crian\u00e7a, um leite, uma verdura. \u00c9 pouquinho, mas j\u00e1 remedia, \u00e9 melhor do que nada\u201d, comenta Helena Rosa Nascimento, de 58 anos. H\u00e1 21 anos, ela e o marido, o pedreiro C\u00e2ndido Ribeiro Antunes, de 69, migraram de Teresina para o Jardim C\u00e9u Azul, Bairro de Valpara\u00edso (GO), onde moram com a filha e a neta. O pedreiro diz que nunca viu pol\u00edtico falar a verdade, a n\u00e3o ser por uma exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO \u00fanico que vi falar algo e ajudar o povo foi o Lula. Ele se deu ao menos o trabalho.\u201d O reconhecimento ao ex-presidente \u00e9 feito pelas urnas. \u201cVoto nele h\u00e1 muito tempo e, se ele for candidato, voto nele de novo.\u201d Com a neta Rianna Paula nos bra\u00e7os, dona Helena brinca com a beb\u00ea, falando em um tom infantil: \u201cEu quero \u00e9 que a Dilma ganhe, n\u00e3o quero que ela saia\u201d.<\/p>\n<p>Distante 31 quil\u00f4metros da fam\u00edlia de Helena e C\u00e2ndido, a cabeleireira Ivone Bastos, de 30, trabalha tr\u00eas vezes por semana no sal\u00e3o de uma prima. Mudou-se h\u00e1 um m\u00eas com a fam\u00edlia para o condom\u00ednio Porto Rico, em Santa Maria, onde mora em uma casa de dois c\u00f4modos emprestada por um primo de William Alves, marido de Ivone. Ela diz que n\u00e3o sabe quem paga os R$ 134 que recebe todos os meses, mas responde, em tom de d\u00favida, sobre quem criou o Bolsa-Fam\u00edlia: \u201cO Lula?\u201d. Ivone n\u00e3o ajudou a eleger Dilma Rousseff. \u201cN\u00e3o gosto dela. Quando ela entrou, fez foi piorar. Votei no C\u00e9sar. \u00c9 C\u00e9sar? Serra!\u201d, relata. Quanto \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de 2014, ela confessa n\u00e3o saber quem s\u00e3o os candidatos. Na d\u00favida, diz que o melhor talvez seja votar \u201cnessa Dilma\u201d. \u201cN\u00e3o faz diferen\u00e7a para mim.\u201d<\/p>\n<p>As hist\u00f3rias de Helena\/C\u00e2ndido e Ivone\/William retratam a realidade do Bolsa-Fam\u00edlia, principal programa de transfer\u00eancia de renda do governo federal, que beneficia 50 milh\u00f5es de pessoas e 13 milh\u00f5es de fam\u00edlias. No m\u00eas em que completa 10 anos da edi\u00e7\u00e3o da medida provis\u00f3ria que instituiu o benef\u00edcio, o Estado de Minas ouviu especialistas, pol\u00edticos e benefici\u00e1rios para avaliar os ganhos, os erros e o peso pol\u00edtico eleitoral. A conclus\u00e3o \u00e9 clara: o Bolsa-Fam\u00edlia n\u00e3o pode e n\u00e3o ser\u00e1 extinto, mas a influ\u00eancia dele nos votos dados ao PT n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o grande como foi em 2006 e 2010.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise baseia-se tamb\u00e9m em n\u00fameros, especialmente no Nordeste, principal regi\u00e3o beneficiada pelo programa federal. Na Para\u00edba, por exemplo, entre 2006 e 2010, o n\u00famero de fam\u00edlias que recebem o Bolsa-Fam\u00edlia subiu de 36,2% para 39%, mas a vota\u00e7\u00e3o no PT caiu de 65,3% para 53,2%. Em Pernambuco, apesar do expressivo aumento de fam\u00edlias contempladas (de 33% para 50%), o n\u00famero de votos que Dilma recebeu em 2010 foi de 61,7%, ante os 70% de Lula quatro anos antes.<\/p>\n<p>A mesma realidade tende a se repetir nos estados mais ricos. O Rio de Janeiro, por exemplo, ampliou de 8% para 12% o n\u00famero de beneficiados pelo programa. Mas o PT, que teve 49,1% dos votos com Lula, recebeu apenas 31,5% com Dilma. Em Minas Gerais, os dois lados da balan\u00e7a diminu\u00edram. Em 2006, 20% das fam\u00edlias recebiam o Bolsa-Fam\u00edlia, enquanto em 2010 eram 17%. J\u00e1 os votos no PT ca\u00edram de 50% para 46,9%, respectivamente.<\/p>\n<p>RESULTADOS<\/p>\n<p>Para o professor do Instituto de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) Den\u00edlson Bandeira Coelho, n\u00e3o h\u00e1 como negar que a cria\u00e7\u00e3o do Bolsa-Fam\u00edlia mudou geograficamente o voto no PT e assegurou as vit\u00f3rias de Lula e Dilma no Nordeste, regi\u00e3o mais pobre do pa\u00eds. \u201cMas, hoje, o eleitor analisa outros programas do governo, como o Minha casa, minha vida, o Seguro Defeso (voltado para pescadores carentes) ou o Plano Safra da Agricultura Familiar\u201d, disse Den\u00edlson.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa que, a longo prazo, o programa poder\u00e1 ser extinto. \u201cQuase 80% dos munic\u00edpios brasileiros t\u00eam menos de 10 mil habitantes e s\u00e3o extremamente pobres. O dinheiro federal, incluindo o Bolsa-Fam\u00edlia, a aposentadoria urbana e a rural, \u00e9 fundamental para movimentar a economia local, estimular o associativismo e o empreeendedorismo\u201d, citou.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio-geral do PT, deputado Paulo Teixeira (SP), afirma que atualmente o eleitor est\u00e1 em busca de outros direitos. \u201cA popula\u00e7\u00e3o hoje quer educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, seguran\u00e7a e transporte urbano com mais qualidade\u201d, enumerou. J\u00e1 o presidente nacional do DEM, senador Jos\u00e9 Agripino Maia (RN), reconhece que o Bolsa-Fam\u00edlia cumpriu seu papel, mas acabou estagnado apenas na quest\u00e3o da renda. \u201cEle tem um ponto de partida e um ponto de chegada, mas n\u00e3o tem pontos de sa\u00edda. As pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es cobrar\u00e3o mais dos candidatos\u201d, acredita Agripino.<\/p>\n<p>Vice-presidente do PSB e um dos articuladores da pr\u00e9-campanha do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ao Planalto em 2014, Roberto Amaral avalia que a influ\u00eancia do Bolsa-Fam\u00edlia no voto do eleitorado \u00e9 algo que ainda n\u00e3o pode ser desconsiderado. \u201cTemos muitos munic\u00edpios cuja economia apoia-se apenas no programa. Pode ser que no passado a influ\u00eancia fosse maior. Mas desprezar esse componente pol\u00edtico na hora da elei\u00e7\u00e3o \u00e9 um erro\u201d, analisou Amaral.<\/p><\/div>\n<div id=\"ecxabanoticia\">Fonte: Correio Braziliense<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO Bolsa-Fam\u00edlia \u00e9 uma coisa muito boa. 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