{"id":227932,"date":"2017-12-16T11:10:43","date_gmt":"2017-12-16T14:10:43","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=227932"},"modified":"2017-12-16T11:10:43","modified_gmt":"2017-12-16T14:10:43","slug":"art-spiegelman-meus-quadrinhos-nascem-de-minhas-raivas-e-meus-medos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/art-spiegelman-meus-quadrinhos-nascem-de-minhas-raivas-e-meus-medos\/","title":{"rendered":"Art Spiegelman: \u201cMeus quadrinhos nascem de minhas raivas e meus medos\u201d"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Art Spiegelman, criador de \u2018Maus\u2019, analisa sua rela\u00e7\u00e3o com os \u2018comics\u2019, que, para ele, em vez de experi\u00eancia feliz, \u2018sempre foram uma luta\u2019<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div class=\"compartir-varios\"><\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2017\/12\/14\/actualidad\/1513274572_771444_1513275090_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2017\/12\/14\/actualidad\/1513274572_771444_1513275090_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2017\/12\/14\/actualidad\/1513274572_771444_1513275090_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2017\/12\/14\/actualidad\/1513274572_771444_1513275090_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Art Spiegelman\" width=\"980\" height=\"672\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">&#8216;Lead Pipe Sunday. The Bastard Offspring&#8217;, de Art Spiegelman.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Tommaso Koch\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/tommaso_koch\/a\/\">TOMMASO KOCH<\/a><\/span><\/p>\n<div class=\"autor-perfiles\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p><strong><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/art_spiegelman\/a\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Art Spiegelman<\/a><\/strong>\u00a0queria ser caub\u00f3i. Plan\u00edcies, cavalgadas, um rancho no meio do nada. Pena que vivia em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/nueva_york\/a\">Nova York<\/a>. Tinha nove anos quando se mudou com sua fam\u00edlia. E seu sonho de inf\u00e2ncia se chocou contra os arranha-c\u00e9us. \u201cDesisti\u201d, conta, rindo. Mas n\u00e3o totalmente. \u201cEu me tornei um dos \u00faltimos ferreiros das publica\u00e7\u00f5es impressas\u201d, acrescenta. Ou seja, autor de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/comic\/a\">hist\u00f3rias em quadrinhos<\/a>. \u201cElas me marcaram desde que era pequeno. Achava que era o manual de instru\u00e7\u00f5es para o que eu precisava entender como ser humano. O que eu precisava saber sobre os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/estados_unidos\/a\">EUA<\/a>, n\u00e3o podia aprender com meus pais, e sim com\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Mad_(revista)\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Mad<\/em><\/a>\u00a0e seu autodenominado \u2018bando de idiotas\u2019\u201d, destaca. Essa revista em quadrinhos seduziu Spiegelman e milhares de leitores a partir dos anos cinquenta. E a\u00ed o menino passou para o segundo sonho: \u201cQueria ser um dos que faziam aquelas coisas\u201d.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CNv2j7bajtgCFY0tHwod7ngBcw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Foi muito mais longe. Escreveu e desenhou a \u00fanica hist\u00f3ria em quadrinhos a ganhar um\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/premios_pulitzer\/a\">Pulitzer<\/a>, em 1992:\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Maus\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Maus<\/em><\/a>, uma recorda\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias vividas por seu pai no\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/holocausto\/a\">Holocausto<\/a>, na qual os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/judios\/a\">judeus<\/a>\u00a0s\u00e3o representados como ratos e os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/nazismo\/a\">nazistas<\/a>, como gatos. Spiegelman j\u00e1 editou uma revista de quadrinhos\u00a0<em>underground<\/em>\u00a0(<em>Raw<\/em>), desenhou para a\u00a0<em>New Yorker<\/em>, refletiu em quadrinhos sobre os momentos posteriores aos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA e escreveu ensaios sobre seu meio art\u00edstico. \u00c9 considerado um pai dos\u00a0<em>comics<\/em>\u00a0contempor\u00e2neos. \u201cVou pedir um teste de DNA\u201d, brinca.<\/p>\n<p>Em entrevista ao EL PA\u00cdS, ele fala sobre a dif\u00edcil trajet\u00f3ria dos quadrinhos at\u00e9 se tornar uma arte respeitada. \u201cPoucos meios podem se orgulhar de ter passado por tantas batalhas: entre adultos e crian\u00e7as, fantasia e realidade, imagens e palavras, arte e neg\u00f3cio, pensamentos autorit\u00e1rios e rebeldes. O fogo cruzado continua, mas agora os quadrinhos s\u00e3o apreciados e n\u00e3o menosprezados como uma estupidez para crian\u00e7as\u201d, resume. Outra guerra foi necess\u00e1ria, talvez mais longa: Spiegelman tem dedicado seus quase 70 anos (Estocolmo, 1948) a defender os quadrinhos: \u201cDeixaram de ser o meio que poucos levavam a s\u00e9rio, mas todos liam. A partir da\u00ed, podia se tornar arte ou desaparecer. Tenho orgulho de dizer que meu time venceu\u201d.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><a class=\"enlace\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2017\/12\/14\/actualidad\/1513274572_771444_1513275404_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2017\/12\/14\/actualidad\/1513274572_771444_1513275404_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2017\/12\/14\/actualidad\/1513274572_771444_1513275404_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2017\/12\/14\/actualidad\/1513274572_771444_1513275404_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Autorretrato de Art Spiegelman.\" width=\"980\" height=\"1362\" \/><span class=\"boton_ampliar\">ampliar foto<\/span><\/a><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Autorretrato de Art Spiegelman.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Foi dif\u00edcil, talvez mais para ele do que para qualquer outro. \u201cGeralmente se considera que voc\u00ea come\u00e7a rabiscando alguns desenhos em um caderno e descobre uma experi\u00eancia feliz. Para mim, os quadrinhos sempre foram uma luta. Fica cada vez mais dif\u00edcil avan\u00e7ar e mais claro o quanto este meio considerado simples \u00e9 complexo\u201d, explica. Spiegelman considera que seus desenhos sempre parecem poder ser bastante melhorados. Uma s\u00f3 p\u00e1gina pode lhe custar um m\u00eas de trabalho. E ele quase agradece a seu olhar pregui\u00e7oso, que o obriga a ver s\u00f3 em duas dimens\u00f5es, mas tamb\u00e9m a ficar \u201ccom o que \u00e9 importante\u201d. \u201cIsso me levou \u00e0 parte estrutural dos\u00a0<em>comics<\/em>\u201d, explica. Justamente o que ele mais aprecia. \u201cEu me interesso pela ess\u00eancia de quando palavras e imagens se juntam. Quando tinha 18 anos, era f\u00e1cil conhecer mais ou menos tudo que sa\u00eda, mas agora me chegam tantos quadrinhos que n\u00e3o consigo dar conta. Alguns trabalhos me deixam admirado, e outros me recordam tristemente uma frase que disse anos atr\u00e1s: \u2018Estamos lutando para que os quadrinhos alcancem um n\u00edvel maior de mediocridade\u2019\u201d.<\/p>\n<p>As hist\u00f3rias em quadrinhos tamb\u00e9m servem para ajud\u00e1-lo a se sentir melhor. \u201cO desastre \u00e9 minha musa. Meus\u00a0<em>comics<\/em>\u00a0nascem de meu descontentamento, minhas raivas, meus medos. Se me sinto bem, n\u00e3o tendo a desenhar ou escrever. S\u00e3o uma forma de encontrar equil\u00edbrio.\u201d Em seus quadrinhos, ele se representa como uma pessoa insegura e ansiosa. A morte de seu irm\u00e3o, a crise nervosa de 1968 e o suic\u00eddio de sua m\u00e3e complicaram sua juventude.\u00a0<em>Maus<\/em>\u00a0ajudou em parte: deu-lhe fama e estabilidade econ\u00f4mica, mas tamb\u00e9m frustra\u00e7\u00e3o, pelas interpreta\u00e7\u00f5es erradas e por amarrar sua carreira a uma obra.<\/p>\n<p>Porque Spiegelman sempre quis olhar para a frente, experimentar. Nos \u00faltimos tempos, experimenta fazer\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Romance_gr%C3%A1fico\"><em>graphic novels<\/em><\/a>\u00a0de uma p\u00e1gina. Passar\u00e1 o Natal trabalhando com um\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Litografia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">lit\u00f3grafo<\/a>\u00a0em outro projeto. E h\u00e1 dois anos trabalha em uma ideia que \u201cdeveria se transformar em um novo programa de televis\u00e3o\u201d. Ainda est\u00e3o sendo discutidos os \u00faltimos detalhes. Mas ele est\u00e1 confiante: leva uma vida inteira na luta.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|despiece\" class=\"sumario_despiece centro\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<header class=\"sumario-encabezado\">\n<h4><\/h4>\n<h4 class=\"sumario-titulo\"><span class=\"sin_enlace\">UM RATO ADOR\u00c1VEL E ODIOSO<\/span><\/h4>\n<\/header>\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p>O criador daquela que \u00e9 considerada a melhor hist\u00f3ria em quadrinhos de todos os tempos tem uma rela\u00e7\u00e3o ambivalente com ela. \u201cEstou agradecido a ela, por aterrissar na cultura de uma forma que a manter\u00e1 viva, por me dar seguran\u00e7a econ\u00f4mica para experimentar projetos financeiramente invi\u00e1veis, e porque parece um marcador \u00fatil para as pessoas\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo,\u00a0<em>Maus<\/em>\u00a0o irrita: \u201cAcho um pouco insultante dizerem que serve para ensinar \u00e0s crian\u00e7as de 12 anos o que \u00e9 o Holocausto, n\u00e3o foi concebida para isso\u201d. Spiegelman ficou indignado quando descobriu que Roberto Benigni se inspirou em sua hist\u00f3ria em quadrinhos para\u00a0<em>A Vida \u00c9 Bela<\/em>, filme que considera \u201cobsceno\u201d.<\/p>\n<p>Garante que nunca escreveu\u00a0<em>Maus<\/em>\u00a0para \u201ctornar o mundo um lugar melhor ou oferecer algum tipo de li\u00e7\u00e3o\u201d. Sabia que o tema era pesado, mas estava interessado principalmente em ver como estruturar um relato misturando palavras e imagens. O que sempre quis foi \u201cuma hist\u00f3ria em quadrinhos ambiciosa, no formato de livro, que precisasse ser relida\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi muito mais longe. 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