{"id":22822,"date":"2013-10-14T09:01:44","date_gmt":"2013-10-14T12:01:44","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=22822"},"modified":"2013-10-14T09:01:44","modified_gmt":"2013-10-14T12:01:44","slug":"tristeza-e-medo-ainda-acompanham-a-velha-exu-que-gonzagao-pacificou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/tristeza-e-medo-ainda-acompanham-a-velha-exu-que-gonzagao-pacificou\/","title":{"rendered":"Tristeza e medo ainda acompanham a velha Exu que Gonzag\u00e3o pacificou"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_22824\" aria-describedby=\"caption-attachment-22824\" style=\"width: 292px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-22824\" alt=\"A cozinheira Mundica preparou os jantares que Luiz Gonzaga organizou em Exu - Celso J\u00fanior\/Estad\u00e3o \" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Ima.jpg\" width=\"292\" height=\"280\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-22824\" class=\"wp-caption-text\">A cozinheira Mundica preparou os jantares que Luiz Gonzaga organizou em Exu &#8211; Celso J\u00fanior\/Estad\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cidade deveria ser alegre, viver no ritmo da sanfona branca de Luiz Gonzaga, o filho mais ilustre. Mas Exu \u00e9 uma tristeza s\u00f3. Os moradores se apressam em lembrar que a luta entre as fam\u00edlias Alencar e Sampaio ficou no passado. Em 1982, ano em que os brasileiros voltavam \u00e0s urnas para eleger governadores, 18 anos ap\u00f3s o golpe militar contra o presidente Jo\u00e3o Goulart, Gonzag\u00e3o ajudou a acabar com uma disputa do tempo do Brasil Col\u00f4nia, que se transformou no maior s\u00edmbolo das rixas de cl\u00e3s na pol\u00edtica nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A trag\u00e9dia pode ter ficado no passado, mas, aos poucos, quem \u00e9 de fora percebe que as marcas do conflito sangrento, que deixou cerca de 40 mortos apenas no per\u00edodo mais recente \u2013 da d\u00e9cada de 1940 ao in\u00edcio dos anos 1980 \u2013 ainda s\u00e3o fortes na cidade de 50 mil moradores, a 630 quil\u00f4metros do Recife.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Exu, o \u00f3dio moldou casas e h\u00e1bitos. As fachadas t\u00eam poucas janelas, as portas ficam fechadas em dias de intenso calor, as conversas e os cumprimentos nas ruas s\u00e3o r\u00e1pidos e dificilmente se v\u00ea, nas noites frescas do sert\u00e3o, mulheres e crian\u00e7as em cadeiras nas cal\u00e7adas. Nada de muita conversa. Tudo por causa do clima de medo que ainda paira no ar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A luta pol\u00edtica dos Alencar no sert\u00e3o teria come\u00e7ado em 1710, h\u00e1 exatos 303 anos, quando os irm\u00e3os portugueses Leonel, Alexandre, Jo\u00e3o Francisco e Marta, perseguidos pela Coroa portuguesa, se instalaram no p\u00e9 da Serra do Araripe, entre as capitanias do Cear\u00e1 e de Pernambuco. A chegada deles deu in\u00edcio a diverg\u00eancias com outras fam\u00edlias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma neta de Leonel, B\u00e1rbara de Alencar, que viria a ser av\u00f3 de Jos\u00e9 de Alencar, autor de O Guarani, se destacou com seus filhos na Revolu\u00e7\u00e3o de 1817, contra a Coroa. Foi presa e torturada. Viveu dois anos numa cela empesteada de pulgas e ratos. Liberta, veria sete anos depois, em 1824, o filho seminarista Jos\u00e9 Martiniano proclamar a Rep\u00fablica na pra\u00e7a do Crato, no Cear\u00e1. \u00c0 frente do governo da capitania estava um Sampaio. A tropa do governador In\u00e1cio Manuel Sampaio fuzilou dois filhos de B\u00e1rbara \u2013 Trist\u00e3o e Carlos Jos\u00e9 \u2013, um irm\u00e3o, Leonel, e um sobrinho, Raimundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A matriarca B\u00e1rbara era s\u00edmbolo de um mundo caboclo que resolvia as pend\u00eancias no punhal e, ao mesmo tempo, de ideias iluministas que conquistaram Fran\u00e7a e Estados Unidos. Essas ideias chegaram ao universo de B\u00e1rbara por meio de amigos padres que passaram pelo semin\u00e1rio de Olinda. Vista como leg\u00edtima representante do Brasil, sem trocadilhos, b\u00e1rbaro, ela \u00e9 apresentada ainda como a mulher que desafiou homens da fam\u00edlia Sampaio por se opor a persegui\u00e7\u00f5es de \u00edndios, padres e negros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bar\u00e3o de Exu. A rixa entre os Alencar e os Sampaio voltou a recrudescer na manh\u00e3 do dia 10 de abril de 1949. Foi nesse dia que houve um tiroteio em Exu no qual morreram o coronel Rom\u00e3o Sampaio e Cincinato de Alencar. O filho de Cincinato, Francisco Aires de Alencar, saiu ferido. &#8220;Francisco, meu marido, ficou 30 anos e tr\u00eas meses paral\u00edtico&#8221;, conta Diva de Alencar Parente, 79 anos, em frente ao casar\u00e3o da fazenda Gameleira, que pertenceu a Gualter Martiniano de Alencar, bar\u00e3o de Exu. O diploma do bar\u00e3o est\u00e1 na parede de um metro de espessura da casa que fica no alto de uma colina, no come\u00e7o da Serra do Araripe. O bar\u00e3o era sobrinho de B\u00e1rbara de Alencar, av\u00f4 de Cincinato e bisav\u00f4 de Francisco, que morreu de diabetes em 1979.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Francisco Aires de Alencar Filho, trineto do bar\u00e3o, foi mandado para Recife pela m\u00e3e, Diva, com intuito de estudar e n\u00e3o se envolver na guerra com os Sampaio. Formado em engenharia, Francisco classifica a luta como &#8220;fruto da ignor\u00e2ncia&#8221;. &#8220;Quando o Estado est\u00e1 presente, a coisa muda&#8221;, afirma o representante da oitava gera\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Ar\u00eaz Alencar, filho adotivo de Diva, levou 11 tiros numa emboscada no Recife, mas sobreviveu. &#8220;Do nosso lado morreram 11. Do lado deles morreu menos gente&#8221;, calcula a matriarca dos Alencar. &#8220;Tinha de dar uma parada. Quando entendia que matava um do lado de c\u00e1, morria outro do lado de l\u00e1. N\u00e3o dava jeito&#8221;, lembra. Ela se recorda tamb\u00e9m de Santana, mo\u00e7a clara, pele bem parecida com as dos descendentes do bar\u00e3o. &#8220;Santana, a m\u00e3e do Luiz Gonzaga, n\u00e3o assinava como Alencar, mas dizem que era filha do bar\u00e3o&#8221;, conta Diva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ana Batista de Jesus, conhecida por Santana, era filha de Jos\u00e9 Moreira de Alencar, parente do bar\u00e3o, com uma cabocla cearense, Efig\u00eania. Em 1909, Santana casou-se com o m\u00fasico Janu\u00e1rio. O casal vivia numa casa de taipa nas terras do bar\u00e3o quando nasceu o filho Luiz Gonzaga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pacificador. O Rei do Bai\u00e3o entra nesta hist\u00f3ria porque, a partir dos anos 1970, tentou pacificar as fam\u00edlias de Exu. Era aceito como mediador gra\u00e7as ao seu sucesso como cantor no sul e porque n\u00e3o tinha sangue Sampaio nem era considerado um Alencar das duas primeiras castas \u2013 dos nobres e dos intermedi\u00e1rios. Gonzaga descendia dos Alencar &#8220;misturados&#8221;. &#8220;Era s\u00f3 cheio de gra\u00e7a&#8221;, lembra Diva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dura um dia a negocia\u00e7\u00e3o para o empres\u00e1rio Jusi\u00ea Sampaio dar sua vers\u00e3o da luta de fam\u00edlias. A filha dele, Jaciane, diz que o pai n\u00e3o concede entrevista por temer a volta do conflito. Uma emboscada deformou o rosto de Jusi\u00ea \u2013 ele ainda perdeu dois irm\u00e3os na guerra. Argumenta que falar do passado \u00e9 traz\u00ea-lo para o presente. Jusi\u00ea s\u00f3 aceitou conversar mais tarde, quando ficou claro que o objetivo da entrevista era apenas falar de sua media\u00e7\u00e3o, juntamente com o cardeal-arcebispo de Salvador, dom Avelar Brand\u00e3o Vilela, e Luiz Gonzaga, para pacificar a cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele conta que foi em 7 de agosto de 1978 que sofreu uma emboscada de quatro homens. Estava numa caminhonete com Jaciane quando os pistoleiros atiraram. &#8220;Nunca contei quem atirou em mim. O pessoal me aperreava. Decidi at\u00e9 hoje guardar segredo&#8221;, afirma. &#8220;Meu medo era ver um filho meu ir vingar a emboscada e ir matar. Preferi ser chamado de covarde a ser apontado como um homem que matou algu\u00e9m.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa sociedade regida pelas leis da honra, Jusi\u00ea enfrentou resist\u00eancia at\u00e9 mesmo dentro de casa ap\u00f3s escapar da emboscada. &#8220;Preferia ver meu filho morto&#8221;, disse sua m\u00e3e, Rosemira, ao ver seu rosto deformado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rosemira \u00e9 sobrinha do coronel Rom\u00e3o Sampaio, morto no tiroteio de 1949. Rom\u00e3o, por sua vez, era filho do coronel Rom\u00e3o Filgueira Sampaio, intendente de Salgueiro em 1867 e primeiro prefeito da cidade (1892-95), que esvaziou o poder do coronel Manuel de S\u00e1 \u2013 um ex-coletor de impostos da Coroa portuguesa no Semi\u00e1rido, descendente de dom Diniz, rei de Portugal, e da rainha Isabel, da Espanha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Planalto. Os descendentes de B\u00e1rbara de Alencar correram o mundo e atuaram em pap\u00e9is importantes na hist\u00f3ria do Brasil. Da matriarca descendem republicanos e monarquistas, getulistas leais e advers\u00e1rios ferrenhos de Vargas, intelectuais do Partido Comunista e generais do regime militar, aliados de Lula e tucanos, gente da esquerda e da direita. Raquel de Queiroz, autora de O Quinze, n\u00e3o esqueceu da matriarca ao idealizar Maria Moura, a protagonista do romance. Ela pr\u00f3pria, Raquel, como B\u00e1rbara, foi presa pol\u00edtica, na ditadura Vargas, em 1937.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi em outra ditadura, em 1964, que um descendente de B\u00e1rbara chegou \u00e0 Presid\u00eancia. Ao assumir o governo, o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco recebeu carta de Antoliano Alencar, de Exu, pedindo que intercedesse por outro parente: o ent\u00e3o governador de Pernambuco, Miguel Arraes de Alencar, advers\u00e1rio do novo regime. &#8220;Nunca tive, n\u00e3o tenho e Deus me livre de ter tend\u00eancias comunistas. Esp\u00edrito conservador, feliz heran\u00e7a de nossos ancestrais que guardo e conservo como joia de valor inestim\u00e1vel, aqui estou perante o cidad\u00e3o Humberto de Alencar Castelo Branco pedindo que interceda a favor de Miguel Arraes de Alencar, para que se conserve intacta a lealdade e a coragem com que sempre agiram os Alencar de uns para os outros&#8221;, escreveu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o pe\u00e7o a defesa de Miguel pol\u00edtico, homem de Estado, mas a defesa da ra\u00e7a Alencar no Brasil de que V. Exa. \u00e9 a express\u00e3o mais leg\u00edtima&#8221;, completou. &#8220;As For\u00e7as Armadas cumprem o seu dever com independ\u00eancia, bravura e altivez. No dia primeiro dep\u00f5em do cargo de governador de Pernambuco e prendem um Alencar, mas depois, por que p\u00f5em na Presid\u00eancia da Republica um Alencar? Porque os Alencar s\u00e3o leais e sinceros.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, os Alencar de Exu n\u00e3o veem com bons olhos a parceria do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, neto de Arraes, com Zilcl\u00e9cio Pinto Saraiva, chefe dos Sampaio-Saraiva. Na cidade, os partidos nacionais s\u00e3o ofuscados por dois grupos pol\u00edticos: o Boca Branca, da fam\u00edlia Alencar, e o Boca Preta, dos Sampaio e Saraiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formalidade. Em \u00e9poca de elei\u00e7\u00e3o, PT, PSDB, PSB, PMDB ou DEM s\u00e3o siglas que s\u00f3 cumprem uma formalidade no registro dos candidatos. Um Alencar ou Sampaio pode mudar do PT para o DEM sem traumas. Mas nunca passar de Boca Preta para Boca Branca, ou o contr\u00e1rio. Embora os Alencar gostem de divulgar a hist\u00f3ria de que o Bar\u00e3o de Exu libertou seus escravos bem antes da Lei \u00c1urea, foi a fam\u00edlia Sampaio que ficou associada ao eleitorado negro, pobre, de Exu. O coronel Rom\u00e3o, morto no tiroteio de 1949, \u00e9 considerado o pai do Boca Preta. Parentes do coronel dizem que, agora, a diverg\u00eancia com os Alencar s\u00f3 ocorre dentro das regras democr\u00e1ticas. O atual prefeito, Leo, do PTB, \u00e9 Saraiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o acordo de paz entre as fam\u00edlias n\u00e3o tivesse sido selado, a luta poderia se exaurir por decis\u00f5es tomadas no cart\u00f3rio de registro de civil da cidade. Pais de fam\u00edlia registravam os filhos com o sobrenome do cl\u00e3 rival ou evitavam colocar os seus pr\u00f3prios sobrenomes nos rec\u00e9m-nascidos para garantir a &#8220;neutralidade&#8221; das crian\u00e7as. Tr\u00eas irm\u00e3os de Jusi\u00ea Sampaio foram registrados como Alencar, orientados por um tabeli\u00e3o. A filha dele, Jaciane Queir\u00f3z Peixoto, hoje professora, n\u00e3o tem o sobrenome Sampaio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Exu, a gera\u00e7\u00e3o anos 1980, hoje na faixa dos 30 anos, vive entre a mem\u00f3ria de sangue dos mais velhos e a expectativa de um desenvolvimento que s\u00f3 \u00e9 realidade em cidades m\u00e9dias como Salgueiro e Petrolina. Foi para l\u00e1 que muitos jovens das fam\u00edlias Alencar e Sampaio foram em busca de trabalho no com\u00e9rcio formado em volta dos grandes projetos do governo federal. Neto de Rom\u00e3o, Alexandre Saraiva Sampaio, 35 anos, observa que em Exu n\u00e3o h\u00e1 agricultura forte nem ind\u00fastria. O com\u00e9rcio vive dos recursos do Bolsa-Fam\u00edlia e a prefeitura, do Fundo de Participa\u00e7\u00e3o dos Munic\u00edpios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na avalia\u00e7\u00e3o de Alexandre, a m\u00fasica de Lu\u00eds Gonzaga, que no passado ajudou a pacificar as duas fam\u00edlias, agora poderia garantir dias melhores para os moradores. &#8220;Dever\u00edamos explorar o \u00edcone Luiz Gonzaga&#8221;, afirma. &#8220;O ber\u00e7o do forr\u00f3 \u00e9 aqui&#8221;, ressalta. Alexandre diz que o museu dedicado ao Rei do Bai\u00e3o est\u00e1 nas m\u00e3os da fam\u00edlia de um empres\u00e1rio do cantor. Reclama que o ax\u00e9 e outros ritmos &#8220;estrangeiros&#8221; tomaram o espa\u00e7o da sanfona do Rei do Bai\u00e3o. Alega que s\u00f3 a m\u00fasica de Luiz Gonzaga \u00e9 capaz de &#8220;agregar valor&#8221; e acabar com o clima de ang\u00fastia do p\u00f3s-guerra. &#8220;\u00c9 como se agente vivesse perto de um vulc\u00e3o adormecido. Aqui, uma palavra pode causar um impacto muito grande.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mesa onde Luiz Gonzaga tentava resolver o conflito secular est\u00e1 na antiga casa do sanfoneiro, em Exu. &#8220;Ele sempre foi uma pessoa de barriga cheia, de luxo. O luxo dele era a comida&#8221;, lembra Raimunda de Sale, 68 anos, a Mundica, sua fiel cozinheira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela conta que Gonzag\u00e3o convidava em separado representantes dos dois cl\u00e3s. &#8220;S\u00f3 na hora do jantar os Sampaio sabiam da presen\u00e7a dos Alencar e os Alencar, dos Sampaio&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria do lento processo de paz, que teve Mundica como uma das principais narradoras, envolveu at\u00e9 o presidente em exerc\u00edcio Aureliano Chaves. Em 1981, Gonzag\u00e3o surpreendeu Aureliano no sagu\u00e3o de um hotel em Belo Horizonte, ao tocar a m\u00fasica Boiadeiro. Chaves \u2013 que tinha fazenda em Minas Gerais \u2013 foi cumpriment\u00e1-lo e o sanfoneiro pediu apoio para acabar com a luta de fam\u00edlias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Mundica, terminada a guerra de cl\u00e3s, Gonzag\u00e3o comp\u00f4s Prece por Exu Novo. Essa foi uma das \u00faltimas entrevistas de Mundica. A cozinheira de Gonzag\u00e3o morreu em fevereiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Estado de S. Paulo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cidade deveria ser alegre, viver no ritmo da sanfona branca de Luiz Gonzaga, o filho mais ilustre. Mas Exu \u00e9 uma tristeza s\u00f3. Os moradores se apressam em lembrar que a luta entre as fam\u00edlias Alencar e Sampaio ficou no passado. Em 1982, ano em que os brasileiros voltavam \u00e0s urnas para eleger governadores, 18 anos ap\u00f3s o golpe militar contra o presidente Jo\u00e3o Goulart, Gonzag\u00e3o ajudou a acabar com uma disputa do tempo do Brasil Col\u00f4nia, que se transformou no maior s\u00edmbolo das rixas de cl\u00e3s na pol\u00edtica nacional.<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":22824,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[11],"tags":[5582],"class_list":["post-22822","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-regional","tag-gonzaga"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Ima.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22822","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22822"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22822\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22824"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22822"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22822"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22822"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}