{"id":22851,"date":"2013-10-14T09:28:48","date_gmt":"2013-10-14T12:28:48","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=22851"},"modified":"2013-10-14T09:28:48","modified_gmt":"2013-10-14T12:28:48","slug":"raiz-historica-explica-violencia-em-pernambuco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/raiz-historica-explica-violencia-em-pernambuco\/","title":{"rendered":"Raiz hist\u00f3rica explica viol\u00eancia em Pernambuco"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-22852\" alt=\"PC3C038EB454C4288B469AF402136F74F\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/PC3C038EB454C4288B469AF402136F74F.jpg\" width=\"290\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/PC3C038EB454C4288B469AF402136F74F.jpg 290w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/PC3C038EB454C4288B469AF402136F74F-150x150.jpg 150w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/PC3C038EB454C4288B469AF402136F74F-50x50.jpg 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 290px) 100vw, 290px\" \/><\/p>\n<p>H\u00e1 algo de errado em Pernambuco, terra do frevo e do maracatu, com 8,8 milh\u00f5es de habitantes em 185 munic\u00edpios. O Estado que sempre se destacou no Nordeste por sua for\u00e7a econ\u00f4mica, tradi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, cultura de oradores e hist\u00f3ria de movimentos revolucion\u00e1rios lidera a lista nacional de homic\u00eddios motivados por disputa de poder &#8211; s\u00e3o 210 crimes pol\u00edticos no per\u00edodo democr\u00e1tico, quase o dobro de Alagoas, o segundo colocado.<\/p>\n<p>Parte da explica\u00e7\u00e3o para esse banho de sangue est\u00e1 na raiz hist\u00f3rica da viol\u00eancia pernambucana, ainda do per\u00edodo colonial. Ela ganhou impulso no come\u00e7o do s\u00e9culo 20, com a Pol\u00edtica dos Governadores &#8211; acordo fechado na Rep\u00fablica Velha pelo qual o governo federal assegurava apoio aos governos estaduais e, em troca, estes mobilizavam sua base local (no Nordeste, os coron\u00e9is) para garantir maioria nas Assembleias Legislativas.<\/p>\n<p>Em Pernambuco, esse jogo gerou a alian\u00e7a entre novas lideran\u00e7as do Recife e antigos cl\u00e3s violentos do interior. A impunidade inflou o n\u00famero de assassinatos pol\u00edticos no per\u00edodo recente.<\/p>\n<p>\u00c9 no Estado, especificamente no semi\u00e1rido, que est\u00e3o os dois munic\u00edpios com os maiores \u00edndices de crimes pol\u00edticos no Pa\u00eds &#8211; Bel\u00e9m do S\u00e3o Francisco (39 mortos) e Floresta (33). Neles, o tr\u00e1fico e o plantio de maconha realimentaram ou criaram rixas de fam\u00edlias, a pol\u00edcia n\u00e3o interferiu nas execu\u00e7\u00f5es decorrentes das disputas e os agentes pol\u00edticos nos planos nacional e estadual aceitaram fazer alian\u00e7as com oligarquias regionais sangrentas.<\/p>\n<p><strong>Depend\u00eancia.<\/strong>\u00a0Mesmo se o sert\u00e3o &#8211; palco das lutas de fam\u00edlias e disputas pelo tr\u00e1fico de drogas no Pol\u00edgono da Maconha &#8211; fosse exclu\u00eddo do levantamento, a viol\u00eancia no agreste e litoral pernambucanos manteria o Estado \u00e0 frente da Bahia (95 mortos) e de S\u00e3o Paulo (63). Nele, a \u00e1rea de Seguran\u00e7a P\u00fablica tem um grau de depend\u00eancia dos chefes pol\u00edticos locais como em nenhum outro Estado, com dificuldade de se distinguir jagun\u00e7os, mil\u00edcias particulares e destacamentos policiais.<\/p>\n<p>Autor de livros sobre o passado sangrento do Nordeste, como Guerreiros do Sol e A Guerra Total de Canudos, o historiador Frederico Pernambucano de Mello observa que o processo de coloniza\u00e7\u00e3o do Brasil, iniciado no litoral de Pernambuco, e que entrou pelo sert\u00e3o, marcou o in\u00edcio de uma \u00e9poca violenta. &#8220;Essa penetra\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o ao sert\u00e3o, pelo Vale do S\u00e3o Francisco, se resumiu a um grande conflito entre pecuaristas da Casa da Torre e da Casa da Ponte, dos Guedes de Brito, todas com sede em Salvador, e padres capuchinhos e jesu\u00edtas que atuavam em miss\u00f5es ind\u00edgenas.&#8221;<\/p>\n<p>Ele avalia que esse processo gerou uma galeria rica de agentes da viol\u00eancia, como o cabra, o capanga, o pistoleiro, o jagun\u00e7o e o cangaceiro. No caldo que fermentou essa viol\u00eancia h\u00e1 ainda a tradi\u00e7\u00e3o de dizimar focos de fanatismo religioso e o predom\u00ednio das grandes propriedades de cana, no litoral, e de cria\u00e7\u00e3o de bois, no sert\u00e3o. &#8220;Numa sociedade pastoril, o grande crime \u00e9 o roubo do gado. O homic\u00eddio pode ser um crime de honra&#8221;, diz Mello. &#8220;No sert\u00e3o que eu vi, o ladr\u00e3o de gado n\u00e3o era preso, era morto. O litoral n\u00e3o entende assim. Um grande autor, o cearense Gustavo Barroso, usava uma aposs\u00ednclise: \u2018No sert\u00e3o, quem se n\u00e3o vinga est\u00e1 moralmente morto\u2019.&#8221;<\/p>\n<p>Vem de Pernambuco um foco irradiador da viol\u00eancia, especialmente pol\u00edtica, no Norte-Nordeste. \u00c9 a regi\u00e3o dos vales do Rio Paje\u00fa e do Riacho do Navio, de onde saiu a figura do pistoleiro hoje presente nos conflitos agr\u00e1rios na Amaz\u00f4nia. &#8220;Foi ali que surgiram grupos de canga\u00e7o, como mero meio de vida ou instrumento de vingan\u00e7a&#8221;, afirma Mello.<\/p>\n<p>Fonte: Estado de S. Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 algo de errado em Pernambuco, terra do frevo e do maracatu, com 8,8 milh\u00f5es de habitantes em 185 munic\u00edpios. 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