{"id":229799,"date":"2018-01-03T07:44:52","date_gmt":"2018-01-03T10:44:52","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=229799"},"modified":"2018-01-03T07:44:52","modified_gmt":"2018-01-03T10:44:52","slug":"pescadores-tradicionais-sufocados-por-deserto-verde-da-fibria-s-temem-pelo-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/pescadores-tradicionais-sufocados-por-deserto-verde-da-fibria-s-temem-pelo-futuro\/","title":{"rendered":"Pescadores tradicionais sufocados por deserto verde da Fibria S.A temem pelo futuro"},"content":{"rendered":"<header class=\"entry-header mh-clearfix\">\n<h1 class=\"entry-title\"><\/h1>\n<\/header>\n<div class=\"entry-content mh-clearfix\">\n<figure class=\"entry-thumbnail\"><img decoding=\"async\" title=\"capa\" src=\"http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/capa-600x381.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_7364\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/pescador_voltando_pelo_canal_do_Tomba_com_mangue_seco_e_degradado_no_fundo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-7364\" src=\"http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/pescador_voltando_pelo_canal_do_Tomba_com_mangue_seco_e_degradado_no_fundo-300x200.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/pescador_voltando_pelo_canal_do_Tomba_com_mangue_seco_e_degradado_no_fundo-300x200.jpg 300w, http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/pescador_voltando_pelo_canal_do_Tomba_com_mangue_seco_e_degradado_no_fundo-768x512.jpg 768w, http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/pescador_voltando_pelo_canal_do_Tomba_com_mangue_seco_e_degradado_no_fundo.jpg 952w\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">\u00a9Thomas Bauer<\/figcaption><\/figure>\n<p>Deserto Verde \u2013 os monocultivos de eucalipto \u2013 controlado pela Fibria S.A amea\u00e7a sobreviv\u00eancia de pescadores tradicionais da regi\u00e3o Sul da Bahia, que s\u00e3o criminalizados por defender seus direitos territoriais e a RESEX Cassurub\u00e1.<\/p>\n<p><i>Reportagem \/ imagens: Thomas Bauer \/ CPT Bahia<\/i><\/p>\n<p><i>Edi\u00e7\u00e3o: Elvis Marques \/ CPT Nacional<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os olhos dos pescadores tradicionais mais antigos chegam a brilhar quando falam da riqueza dos manguezais, que fazem parte do Banco dos Abrolhos, situado no litoral Sul da Bahia. De acordo com v\u00e1rios estudos, na regi\u00e3o dos Abrolhos localiza-se a maior biodiversidade marinha do Atl\u00e2ntico Sul. A regi\u00e3o de longas costas, encontro de diversos rios com o mar, chama aten\u00e7\u00e3o pela elevada produtividade de pescado e mariscos, devido \u00e0 grande quantidade de nutrientes dos rios, do mar e da pr\u00f3pria vegeta\u00e7\u00e3o que margeia o estu\u00e1rio [ambiente aqu\u00e1tico de transi\u00e7\u00e3o entre um rio e o mar].<\/p>\n<p>Os mais velhos dizem que aqui nunca faltava peixe, caranguejo, guaiamum, camar\u00e3o, siri, sururu, ostras, aratu, entre outros. A fartura era de encher os olhos e gerava um conforto muito grande para as fam\u00edlias, numa das \u00e1reas pioneiras de ocupa\u00e7\u00e3o e povoamento da Bahia e do Brasil. D\u00e9cadas atr\u00e1s, a regi\u00e3o contava com uma frondosa Mata Atl\u00e2ntica, rica biodiversidade e in\u00fameras esp\u00e9cies end\u00eamicas que, ao longo dos anos, principalmente com a abertura da BR-101 no ano de 1973, de Vit\u00f3ria (ES) para Salvador (BA), e chegada dos monocultivos [inicialmente mam\u00e3o papaia e, a partir dos anos 1980, eucalipto], sofreu grandes impactos. No Sul baiano, o munic\u00edpio de Caravelas tamb\u00e9m \u00e9 conhecido mundialmente pelo Arquip\u00e9lago de Abrolhos, onde podem ser avistadas as baleias que anualmente passam pela regi\u00e3o.<\/p>\n<p><b>RESEX em meio ao mar de eucalipto<\/b><\/p>\n<p>Analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) e atualmente chefe da Reserva Extrativista (RESEX) Cassurub\u00e1, localizada no munic\u00edpio de Caravelas, Marcelo Lopes destaca que a reserva foi criada em junho de 2009. Hoje, a \u00e1rea conta com 100.687 hectares, e incide sobre os munic\u00edpios de Alcoba\u00e7a, Caravelas e Nova Vi\u00e7osa.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Mapa_RESEX_Cassurub.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-7366 aligncenter\" src=\"http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Mapa_RESEX_Cassurub-300x212.png\" sizes=\"auto, (max-width: 528px) 100vw, 528px\" srcset=\"http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Mapa_RESEX_Cassurub-300x212.png 300w, http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Mapa_RESEX_Cassurub-768x543.png 768w, http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Mapa_RESEX_Cassurub-1024x724.png 1024w\" alt=\"\" width=\"528\" height=\"373\" \/><\/a><\/p>\n<p>A demanda da cria\u00e7\u00e3o da reserva foi apresentada pelos pr\u00f3prios pescadores e pela comunidade local a partir de um conflito instalado com uma empresa que pretendia implantar em terras da Uni\u00e3o uma fazenda de camar\u00e3o, o que amea\u00e7ava a sobreviv\u00eancia das fam\u00edlias pesqueiras e marisqueiras tradicionais. Diversas parcerias entre a comunidade, universidades, \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, ONG\u2019s, entre outras, contribu\u00edram para impedir a implanta\u00e7\u00e3o desse projeto e foram decisivas para a cria\u00e7\u00e3o da RESEX no territ\u00f3rio do estu\u00e1rio e parte dos corais do Arquip\u00e9lago.<\/p>\n<p>Criado h\u00e1 oito anos, o atual grupo respons\u00e1vel pela gest\u00e3o da RESEX, coordenado por Marcelo Lopes, prioriza em seu trabalho a organiza\u00e7\u00e3o social das comunidades \u2013 aproximadamente 1.600 fam\u00edlias de pescadores que vivem em Cassurub\u00e1. Mas os desafios n\u00e3o param nesta regi\u00e3o. Questionado sobre os monocultivos de eucalipto que chegam a sufocar os mangues e a zona de amortecimento da RESEX e a implanta\u00e7\u00e3o do terminal portu\u00e1rio em 2002 da empresa Fibria S.A, Marcelo tem uma posi\u00e7\u00e3o clara. Confira o v\u00eddeo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AVCQ221kgUc?feature=oembed\" width=\"678\" height=\"381\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>A Fibria S.A., fundada em 2009, foi constitu\u00edda a partir da fus\u00e3o da empresa Aracruz e Votorantim Celulose e Papel, e \u00e9 uma empresa brasileira de capital aberto e, hoje, l\u00edder mundial na produ\u00e7\u00e3o de celulose branqueada. A empresa exporta o produto para mais de 40 pa\u00edses. Os dois maiores acionistas s\u00e3o a Votorantim S.A., que possui 29,16% das a\u00e7\u00f5es e o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), com 29,02% das a\u00e7\u00f5es, ou seja, o pr\u00f3prio governo brasileiro. S\u00e3o estes dois grupos que definem todas as diretrizes, a pol\u00edtica e os diretores da pr\u00f3pria Fibria S.A, que ainda possui 43% das a\u00e7\u00f5es em circula\u00e7\u00e3o\u00a0<i>(free float)<\/i>\u00a0vendidas no mercado financeiro.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/entrada_do_terminal_portuario_da_FIBRIA_S_A_2__Copia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-7367 alignright\" src=\"http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/entrada_do_terminal_portuario_da_FIBRIA_S_A_2__Copia-300x200.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/entrada_do_terminal_portuario_da_FIBRIA_S_A_2__Copia-300x200.jpg 300w, http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/entrada_do_terminal_portuario_da_FIBRIA_S_A_2__Copia-768x512.jpg 768w, http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/entrada_do_terminal_portuario_da_FIBRIA_S_A_2__Copia.jpg 953w\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a><\/p>\n<p>A empresa conta atualmente com tr\u00eas f\u00e1bricas no estado do Esp\u00edrito Santo. Al\u00e9m destas, uma f\u00e1brica em constru\u00e7\u00e3o no estado do Mato Grosso e in\u00fameros monocultivos de eucalipto em v\u00e1rias regi\u00f5es do pa\u00eds, inclusive no extremo sul da Bahia, como \u00e9 o caso de Caravelas. 90% da \u00e1rea deste munic\u00edpio\u00a0\u00e9 ocupada pelo cultivo de eucalipto,\u00a0segundo den\u00fancia da vereadora\u00a0Julinda Moraes,\u00a0apresentada em Audi\u00eancia P\u00fablica realizada no ano de 2014 na cidade de Teixeira de Freitas, a cerca de 80 quil\u00f4metros de Caravelas, para discutir os impactos causados pela monocultura do eucalipto na regi\u00e3o.\u00a0Not\u00edcia sobre esse fato foi publicada pela Ag\u00eancia C\u00e2mara.<\/p>\n<p>A partir do eucalipto, a empresa produz uma pasta qu\u00edmica com base de celulose, material comumente utilizado, por exemplo, para a fabrica\u00e7\u00e3o de papel. Para se ter uma ideia, apenas na Alemanha o consumo de papel (papel toalha, copos de papel\u00e3o, papel para impressora, len\u00e7o de nariz, e etc) anualmente exige per capita de 235 quilos de papel. Em compara\u00e7\u00e3o, no Brasil o consumo per capita \u00e9 de 43 quilos de papel. Neste sentido, \u00e9 importante mencionar que os consumidores e investidores dos pa\u00edses importadores s\u00e3o correspons\u00e1veis diante desta expans\u00e3o que provoca s\u00e9rios danos socioambientais.<\/p>\n<p><b>Violento processo de desterritorializa\u00e7\u00e3o em andamento<\/b><\/p>\n<p>Impressiona, desde a aterrissagem no aeroporto de Teixeira de Freitas at\u00e9 a cidade de Caravelas, o profundo processo de desterritorializa\u00e7\u00e3o tanto na terra como daqueles que trabalham vinculados ao mar. A expans\u00e3o do eucalipto, que ocupa hoje antigas \u00e1reas rurais de perder de vista, tem provocado s\u00e9rios danos socioambientais e, em muitas situa\u00e7\u00f5es, graves conflitos territoriais, inclusive mortes, como a do quilombola Diogo Oliveira Flozina, de 27 anos, pai de dois filhos, que teve sua casa invadida por tr\u00eas policiais \u00e0 paisana, que, segundo testemunhas, mataram o jovem dentro de sua pr\u00f3pria resid\u00eancia.<\/p>\n<p>As fam\u00edlias do Quilombo Volta Mi\u00fada, situado no munic\u00edpio de Caravelas, local onde Diogo morava, conforme reportagem do portal Geled\u00e9s (Instituto da Mulher Negra), acreditam que o quilombola foi morto por incomodar os interesses de produtores de eucalipto. O caso ocorreu no ano de 2011. \u201cO quilombo de Volta Mi\u00fada \u00e9 certificado pela Palmares, tem 120 fam\u00edlias em estado de preocupante pobreza e sobrevivem com muito sacrif\u00edcio por conta da domina\u00e7\u00e3o das empresas de eucalipto. Na regi\u00e3o, vive em conflito com pol\u00edcia e empres\u00e1rios, al\u00e9m da Volta Mi\u00fada, cerca de mais 7 comunidades que se sentem isoladas, sem apoio e cobertura nenhuma dos poderes p\u00fablicos\u201d, contextualiza a reportagem do Geled\u00e9s.<\/p>\n<p>A esta den\u00fancia somam-se v\u00e1rias outras, como o ressecamento e a contamina\u00e7\u00e3o do solo da regi\u00e3o, o desaparecimento de centenas de cursos d\u2019\u00e1gua e nascentes, o desmatamento da Mata Atl\u00e2ntica, o decl\u00ednio da agricultura familiar e a expuls\u00e3o de dezenas de milhares de pessoas para as grandes cidades, como denunciado em recente\u00a0<a href=\"http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/carta-de-cassuruba\/\">Carta Aberta do I Semin\u00e1rio de Fortalecimento Comunit\u00e1rio da RESEX Cassurub\u00e1<\/a>, que ocorreu no final do m\u00eas novembro de 2017.<\/p>\n<figure id=\"attachment_7368\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/conflitofibriaThomas_bauer.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-7368\" src=\"http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/conflitofibriaThomas_bauer-300x200.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/conflitofibriaThomas_bauer-300x200.jpeg 300w, http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/conflitofibriaThomas_bauer-768x512.jpeg 768w, http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/conflitofibriaThomas_bauer.jpeg 952w\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Frequentemente, algumas toras caem no rio e no canal, o que tem provocado graves acidentes.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Al\u00e9m destes impactos, os pescadores alertam que o terminal portu\u00e1rio e a dragagem do canal do Tomba, ambos em de Caravelas, afetam negativamente os manguezais e todo ecossistema da RESEX Cassurub\u00e1. Com a dragagem, o canal \u2013 que antes servia apenas para a navega\u00e7\u00e3o de pequenas embarca\u00e7\u00f5es durante a mar\u00e9 alta \u2013 foi alargado e, em alguns pontos, chega a 20 metros de profundidade. Esta interven\u00e7\u00e3o da Fibria S\/A garante hoje a passagem de embarca\u00e7\u00f5es de grande porte, cada uma carregada com cargas equivalentes a 80 e\/ou 100 carretas de toras de eucalipto, dia e noite, independente do n\u00edvel da mar\u00e9. Muitas das embarca\u00e7\u00f5es deixam o porto sobrecarregado e, frequentemente, algumas toras caem no rio e no canal, o que tem provocado graves acidentes e preju\u00edzos para os pescadores tradicionais e seus barcos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_7369\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/embarcacao_da_FIBRIA_S_A_sendo_carregada2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-7369\" src=\"http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/embarcacao_da_FIBRIA_S_A_sendo_carregada2-300x200.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/embarcacao_da_FIBRIA_S_A_sendo_carregada2-300x200.jpg 300w, http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/embarcacao_da_FIBRIA_S_A_sendo_carregada2-768x512.jpg 768w, http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/embarcacao_da_FIBRIA_S_A_sendo_carregada2.jpg 953w\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">O terminal portu\u00e1rio no munic\u00edpio de Caravelas, no Sul da Bahia.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Diversos pescadores suspeitam que o alargamento do canal tamb\u00e9m tem afetado a cadeia alimentar na regi\u00e3o e, consequentemente, a baixa na produ\u00e7\u00e3o de pescados e mariscos na regi\u00e3o. Como o fluxo e a for\u00e7a da \u00e1gua aumentou consideravelmente a partir da dragagem, toda mar\u00e9 grande avan\u00e7a por cima das terras e derruba o que encontra pela frente, causando eros\u00f5es, como pode ser visto na praia da Barra. Al\u00e9m disso, a for\u00e7a da \u00e1gua retira dos manguezais muitos nutrientes que antigamente ficavam guardados no estu\u00e1rio e perto da costa; em seguida, o pouco que ainda resta perto da costa \u00e9 afetado novamente na hora da dragagem. Durante este processo, todo o material \u00e9 retirado do fundo do mar e suspenso pela draga. Em seguida, dispersado nas correntes que levam os nutrientes para longe. Tanto que, segundo os pescadores mais antigos, nunca antes foi poss\u00edvel encontrar o camar\u00e3o longe da costa, perto da Ilha Coroa Vermelha, o que pode ser um indicador de um processo de migra\u00e7\u00e3o dos animais para buscar alimentos em locais mais distantes, ou seja, a altera\u00e7\u00e3o de toda a cadeia alimentar.<\/p>\n<figure id=\"attachment_7370\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/pescador_com_camarao_12.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-7370\" src=\"http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/pescador_com_camarao_12-300x200.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/pescador_com_camarao_12-300x200.jpg 300w, http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/pescador_com_camarao_12-768x512.jpg 768w, http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/pescador_com_camarao_12.jpg 953w\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">\u00a9Thomas Bauer<\/figcaption><\/figure>\n<p>Outro impacto vis\u00edvel, principalmente na Ilha Pontal do Sul, que fica ao lado da boca do Canal do Tomba, \u00e9 a morte dos manguezais. O material da dragagem (sedimentos) \u00e9 despejado no final do Canal, em dire\u00e7\u00e3o ao mar. As correntes mar\u00edtimas, por sua vez, devolvem para o canal e \u00e0s praias esse material, o que tem sufocado os mangues, como \u00e9 poss\u00edvel notar na Ilha, que pode desaparecer num futuro breve.<\/p>\n<p>H\u00e1 oito anos foi produzido um estudo ambiental pela H.M Consultoria de Projetos e Engenharia Ltda e Aracruz Celulose S.A, intitulado \u201cDragagem do Acesso ao Canal do Tomba Caravelas\/BA\u201d (Relato\u0301rio Te\u0301cnico HM RT-007-08, 10 Volumes), o qual afirma que \u201cas atividades de dragagem no meio ambiente marinho da regi\u00e3o n\u00e3o impactam os recifes e corais, sendo detect\u00e1veis apenas impactos pontuais, de baixa magnitude e rapidamente revers\u00edveis, que n\u00e3o ocasionam efeitos delet\u00e9rios permanente ao meio ambiente\u201d. O que tem sido questionado atrav\u00e9s de um parecer independente da Coaliz\u00e3o SOS Abrolhos, que engloba diversas entidades, ONG\u00b4s e universidades.<\/p>\n<figure id=\"attachment_7371\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/embarcacao_da_FIBRA_S_A_entrando_pelo_canal_do_Tomba_com_mangue_seco.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-7371\" src=\"http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/embarcacao_da_FIBRA_S_A_entrando_pelo_canal_do_Tomba_com_mangue_seco-300x200.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/embarcacao_da_FIBRA_S_A_entrando_pelo_canal_do_Tomba_com_mangue_seco-300x200.jpg 300w, http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/embarcacao_da_FIBRA_S_A_entrando_pelo_canal_do_Tomba_com_mangue_seco-768x512.jpg 768w, http:\/\/cptba.org.br\/cptba_v2\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/embarcacao_da_FIBRA_S_A_entrando_pelo_canal_do_Tomba_com_mangue_seco.jpg 952w\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Embarca\u00e7\u00e3o da Fibria S.A ao entrar pelo canal do Tomba com mangue seco.<\/figcaption><\/figure>\n<p>O documento produzido por este grupo sobre o estudo ambiental da Aracruz Celulose do dia 23 de abril de 2009 chega a afirmar que \u201c\u00e9 imprescind\u00edvel que a Aracruz Celulose reconhe\u00e7a e assuma os impactos ambientais e socioecon\u00f4micos de suas opera\u00e7\u00f5es no munic\u00edpio de Caravelas, para que a partir da\u00ed, possamos ter uma discuss\u00e3o t\u00e9cnica fundamentada sobre as alternativas para mitiga\u00e7\u00e3o e compensa\u00e7\u00e3o destes impactos\u201d.<\/p>\n<p>Diante das graves den\u00fancias apresentadas pela comunidade local e por organiza\u00e7\u00f5es, a Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o da empresa Fibria S.A foi procurada para comentar sobre a problem\u00e1tica, entretanto, at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem, n\u00e3o obteve-se resposta.<\/p>\n<p><b>Protesto dos pescadores<\/b><\/p>\n<p>Diante destes impactos e das reivindica\u00e7\u00f5es n\u00e3o atendidas pela empresa Fibria S\/A, n\u00e3o restou outra alternativa aos pescadores tradicionais, que organizaram um protesto nos dias 22 e 23 de \u00a0julho de 2017 para chamar a aten\u00e7\u00e3o das autoridades. Essa foi a segunda manifesta\u00e7\u00e3o dos pescadores que ocorreu neste ano \u2013 a primeira foi realizada no dia 1\u00ba de julho. O pescador Chanto fala sobre a \u00faltima mobiliza\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dEwfUbumhTs?feature=oembed\" width=\"678\" height=\"381\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>O protesto pac\u00edfico durou quase dois dias, mas foi interrompido por uma ordem judicial concedida pelo juiz da cidade de Teixeira de Freitas, que acusou quatro pescadores e o movimento aut\u00f4nomo de violar o direito da empresa e ir e vir, bem como perda de lucros cessantes, tanto no local do embarque como na f\u00e1brica em Aracruz. Como o foco do protesto foi a empresa Fibria S.A., os participantes do ato garantem que outra acusa\u00e7\u00e3o feita pelo juiz, de ter obstru\u00eddo o canal e impedido o tr\u00e1fego e entrada de outros barcos, n\u00e3o \u00e9 verdade.<\/p>\n<p>A pescadora Maria Braz, filha do munic\u00edpio de Alcoba\u00e7a, que h\u00e1 40 anos reside em Caravelas e conhece a regi\u00e3o como a palma da m\u00e3o, lembra-se dos tempos de fartura. Segundo a mulher, com a instala\u00e7\u00e3o da Fibria S.A. na regi\u00e3o muitas coisas mudaram. \u201cN\u00f3s n\u00e3o somos errados, protestar diante desse desastre que est\u00e1 acontecendo. \u00c9 um direito nosso. Cada dia a gente passa mais dificuldades\u201d, ressalta ela.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oI6XHn79mkA?feature=oembed\" width=\"678\" height=\"381\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>Na verdade, os pescadores n\u00e3o esperavam e nem queriam que a tens\u00e3o entre a Fibria S\/A e os mesmos chegasse a este extremo. Os pescadores veem essa criminaliza\u00e7\u00e3o como uma forma de intimida\u00e7\u00e3o. Entretanto, ciente de seus direitos, os pescadores garantem que mesmo sofrendo esse processo de criminaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o v\u00e3o desistir de lutar por seu territ\u00f3rio e a comunidade tem despertado diante da perda de seu espa\u00e7o. Para os pescadores, a empresa mostrou mais uma vez como desrespeita as fam\u00edlias de pescadores tradicionais dentro de seu territ\u00f3rio. Juntos, os pescadores est\u00e3o conscientes de que perder o seu territ\u00f3rio tradicional significaria a extin\u00e7\u00e3o do pescador artesanal local e do seu modo de vida, bem como a destrui\u00e7\u00e3o dos manguezais com sua infinita biodiversidade, poss\u00edvel de acontecer diante dos danos socioambientais j\u00e1 causados dentro da RESEX Cassurub\u00e1 e da sua zona de amortecimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u00a9Thomas Bauer Deserto Verde \u2013 os monocultivos de eucalipto \u2013 controlado pela Fibria S.A amea\u00e7a sobreviv\u00eancia de pescadores tradicionais da regi\u00e3o Sul da Bahia, que s\u00e3o criminalizados por defender seus direitos territoriais e a RESEX Cassurub\u00e1. Reportagem \/ imagens: Thomas Bauer \/ CPT Bahia Edi\u00e7\u00e3o: Elvis Marques \/ CPT Nacional &nbsp; Os olhos dos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":229800,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,8],"tags":[],"class_list":["post-229799","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-noalvo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/pes-de-eucalipto.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/229799","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=229799"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/229799\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/229800"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=229799"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=229799"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=229799"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}