{"id":230028,"date":"2018-01-05T09:39:02","date_gmt":"2018-01-05T12:39:02","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=230028"},"modified":"2018-01-05T09:39:02","modified_gmt":"2018-01-05T12:39:02","slug":"morre-o-escritor-albert-camus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/morre-o-escritor-albert-camus\/","title":{"rendered":"Morre o escritor Albert Camus"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"bigtitle\" style=\"text-align: justify;\" data-section=\"MEM\u00d3RIA\"><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\"><time class=\"time d-b\" datetime=\"2018-01-05BRST10:01\">Max Altman\u00a0<\/time><\/p>\n<div class=\"subtitle\" style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Autor franco-argelino perdeu a vida em um acidente de carro, no qual tamb\u00e9m estava seu editor, o franc\u00eas Michel Gallimard<\/strong><\/em><\/div>\n<div class=\"social pc\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"print\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"descript\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Em 4 de janeiro de 1960, o mundo das letras toma conhecimento, consternado, da morte brutal em acidente de estrada do escritor Albert Camus, 46 anos.<\/p>\n<p>Morte prematura e absurda de um homem cordial que teorizara sobre a condi\u00e7\u00e3o humana e combatera tamb\u00e9m o absurdo de um conflito cruel que varreu sua terra natal, a Arg\u00e9lia.<\/p>\n<p>Albert Camus nasceu em 7 de novembro de 1913 em Mondovi. Seu pai descendia de uma fam\u00edlia de alsacianos instalados na Arg\u00e9lia ap\u00f3s a derrota francesa na Guerra Franco-Prussiana. Empregado taberneiro, morreu na Primeira Guerra Mundial aos 29 anos. Em seu escrito p\u00f3stumo \u201cO Primeiro Homem\u201d, Camus descreve com ternura o retrato desse homem sem instru\u00e7\u00e3o mas bastante forte de car\u00e1ter para saber que n\u00e3o se deve transigir com os princ\u00edpios de humanidade. Esta li\u00e7\u00e3o guiaria toda a trajet\u00f3ria de seu filho.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia, sob os cuidados da av\u00f3 paterna, se instala em Argel, no bairro popular de Belcourt. O destino do jovem Albert, a exemplo de seu irm\u00e3o mais velho, era de deixar a escola para trabalhar e levar algum dinheiro para o sustento da casa. Ocorre que seu professor, Louis Germain, percebendo o talento excepcional do menino, convence sua m\u00e3e e av\u00f3 a inscrev\u00ea-lo em um concurso a fim de conseguir uma bolsa e, com isso, prosseguir nos estudos. Desse modo, Camus p\u00f4de ingressar no Liceu Bugeaud.<\/p>\n<p>Wikicommons<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/AlbertCamus880.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nAlbert Camus ficou conhecido pela sua forma de abordar a &#8220;absurda condi\u00e7\u00e3o humana&#8221;<\/p>\n<section class=\"noticias-relevantes cf\">\n<h4 class=\"subtitle\"><\/h4>\n<\/section>\n<div><\/div>\n<p>Do colegial ingressa na Faculdade de Filosofia, por\u00e9m a tuberculose, contra\u00edda em 1930, a impede de complet\u00e1-la. Todavia, em seu encontro com o fil\u00f3sofo Jean Grenier, recebeu o est\u00edmulo necess\u00e1rio para dar in\u00edcio \u00e0 carreira liter\u00e1ria.<\/p>\n<p>Aos 21 anos filia-se ao Partido Comunista e se casa com uma mo\u00e7a de boa fam\u00edlia, por\u00e9m amalucada e toxic\u00f4mana, Simone Hi\u00e9. O casamento logo fracassa e resulta em div\u00f3rcio. O mesmo ocorre com seu engajamento no Partido Comunista, ao ver seus \u201ccamaradas\u201d persistirem na sustenta\u00e7\u00e3o do colonialismo \u2013 o partido viraria casaca ap\u00f3s a guerra.<\/p>\n<p>Quando chega a guerra em 1939, Camus, reformado devido \u00e0 doen\u00e7a, regressa \u00e0 casa da m\u00e3e onde conclui uma pe\u00e7a de teatro, Caligula. Com 27 anos mantinha-se isolado, mas com uma vis\u00e3o muito precisa de seu futuro. Tinha em mente um projeto de romance \u201cO Estrangeiro\u201d, que seria publicado durante a ocupa\u00e7\u00e3o, em 1942, e um ensaio filos\u00f3fico sobre o absurdo da condi\u00e7\u00e3o humana: \u201cO Mito de S\u00edsifo\u201d, publicado simultaneamente.<\/p>\n<p>Residindo na metr\u00f3pole em 1940, Camus casa-se outra vez com uma amiga de Or\u00e3, Francine Faure, com quem teria dois filhos e a ela permaneceria sempre unido, se bem que infiel. Entre suas numerosas amantes, uma se destacou: a comediante Maria Casar\u00e8s.<\/p>\n<p>Trava tamb\u00e9m amizades \u00fateis nos meios liter\u00e1rios com o poeta Louis Aragon, mas tamb\u00e9m com Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre. Entra na resist\u00eancia em 1943, participa da dire\u00e7\u00e3o do jornal\u00a0<em>Combat\u00a0<\/em>e se faz conhecido do grande p\u00fablico. \u201cA Peste\u201d, um romance aleg\u00f3rico sobre a opress\u00e3o, consagra sua reputa\u00e7\u00e3o como autor em 1947.<\/p>\n<p>Contudo, a partir da Liberta\u00e7\u00e3o, toma dist\u00e2ncia com os \u201ccompanheiros de viagem\u201d do comunismo stalinista, intelectuais de origem geralmente burguesa, que, segundo ele, pregavam a luta a todo o transe contra o capitalismo e a democracia, maneira de se arrepender de terem estado inativos quando o nazismo parecia triunfar por todos os lados.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito dos processos sum\u00e1rios dos colaboracionistas, como o do poeta ultranacionalista Charles Maurras, depois aquele do primeiro-ministro do governo de Vichy, Camus ousou escrever em 15 de mar\u00e7o de 1945: \u201cAo \u00f3dio dos carrascos correspondeu o \u00f3dio das v\u00edtimas\u201d. Outro motivo de contrariedade: o massacre de \u00a0Setif, na Arg\u00e9lia, em maio de 1945. O jovem escritor argelino come\u00e7a ent\u00e3o a se inquietar com o futuro de sua terra natal e a defender uma solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica para o conflito.<\/p>\n<p>A ruptura definitiva com os c\u00edrculos intelectuais ocorre com a publica\u00e7\u00e3o em 1951 de \u201cO Homem Revoltado\u201d. Ela \u00e9 provocada por Sartre que recrimina seu velho amigo por se recusar a admitir a l\u00f3gica dos blocos ideol\u00f3gicos ent\u00e3o em disputa. O abismo se aprofunda quando Camus recebe o Pr\u00eamio Nobel de Literatura pelo conjunto de sua obra. Estava-se em plena Guerra da Arg\u00e9lia.<\/p>\n<p>Em Estocolmo, pressionado pelos jornalistas, o escritor declara: \u201cNeste momento, bombas est\u00e3o sendo lan\u00e7adas contra os bondes de Argel. Minha m\u00e3e pode estar em um desses bondes. Se isso \u00e9 justo, prefiro a minha m\u00e3e\u201d.<\/p>\n<p>O acidente que levou Camus e seu editor Michel Gallimard \u00e0 morte numa estrada de Yonne, em 1960, deixou \u00f3rf\u00e3os todos os esp\u00edritos que esperavam de Camus a oposi\u00e7\u00e3o ao pensamento progressista da \u00e9poca. Entre os escombros da viatura foi recuperada uma maleta contendo as primeiras provas de um romance autobiogr\u00e1fico ambicioso intitulado \u201cO Primeiro Homem\u201d, que come\u00e7ara a escrever em Lourmarin, em uma casa que havia adquirido com o dinheiro do Nobel e onde reencontrou o sol da Arg\u00e9lia que tanto amava.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 21 anos filia-se ao Partido Comunista e se casa com uma mo\u00e7a de boa fam\u00edlia, por\u00e9m amalucada e toxic\u00f4mana, Simone Hi\u00e9. O casamento logo fracassa e resulta em div\u00f3rcio. 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