{"id":230047,"date":"2018-01-05T11:19:08","date_gmt":"2018-01-05T14:19:08","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=230047"},"modified":"2018-01-05T11:19:08","modified_gmt":"2018-01-05T14:19:08","slug":"os-desafios-dos-professores-de-ciencias-para-implementar-abordagem-investigativa-no-ensino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/os-desafios-dos-professores-de-ciencias-para-implementar-abordagem-investigativa-no-ensino\/","title":{"rendered":"Os desafios dos professores de ci\u00eancias para implementar abordagem investigativa no ensino"},"content":{"rendered":"<header>\n<div class=\"meta-count\"><\/div>\n<div class=\"text-content\">\n<p>Forma\u00e7\u00e3o docente, infraestrutura e principalmente a dificuldade de quebrar paradigmas s\u00e3o alguns dos pontos destacados por profissionais ouvidos pela\u00a0<b>Educa\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"title-divider\"><\/div>\n<\/header>\n<div class=\"text-content\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"attachment_528240\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-528240\" src=\"http:\/\/www.revistaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/shutterstock_309239693.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" srcset=\"http:\/\/www.revistaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/shutterstock_309239693.jpg 1000w, http:\/\/www.revistaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/shutterstock_309239693-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.revistaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/shutterstock_309239693-768x512.jpg 768w, http:\/\/www.revistaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/shutterstock_309239693-231x153.jpg 231w, http:\/\/www.revistaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/shutterstock_309239693-850x567.jpg 850w, http:\/\/www.revistaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/shutterstock_309239693-300x200@2x.jpg 600w, http:\/\/www.revistaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/shutterstock_309239693-231x153@2x.jpg 462w\" alt=\"Os desafios dos professores de ci\u00eancias para implementar abordagem investigativa no ensino\" width=\"1000\" height=\"667\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Shutterstock<\/p>\n<\/div>\n<p>O aluno chega \u00e0 sala de aula, senta em sua carteira, coloca o material sobre a mesa. O professor fala, escreve no quadro e o estudante escuta e copia tudo em seu caderno. A cena \u00e9, possivelmente, a que vem \u00e0 cabe\u00e7a da maior parte dos brasileiros ao tentar lembrar das aulas vivenciadas no per\u00edodo escolar. Inclusive nas disciplinas da \u00e1rea de ci\u00eancias da natureza, em que h\u00e1 in\u00fameras possibilidades para que o aluno investigue, crie hip\u00f3teses e coloque a m\u00e3o na massa.<\/p>\n<p>O sistema em que o foco \u00e9 o professor\u00a0\u2013\u00a0e n\u00e3o o processo de aprendizagem\u00a0\u2013\u00a0\u00e9 antigo e vem sendo reproduzido h\u00e1 muito tempo. Os atuais docentes da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, em geral, tiveram a mesma experi\u00eancia ao longo de sua forma\u00e7\u00e3o, desde o ensino fundamental at\u00e9 a gradua\u00e7\u00e3o. O mesmo acontece com os pais, os gestores e os pr\u00f3prios alunos. Nesse cen\u00e1rio, sair da l\u00f3gica vigente no pa\u00eds e implementar um ensino com maior protagonismo do aluno torna-se uma tarefa \u00e1rdua.<\/p>\n<p>Liliane Miranda, professora de qu\u00edmica na rede p\u00fablica em Arcos, Minas Gerais, conta que s\u00f3 conseguiu enxergar outras possibilidades para al\u00e9m das aulas expositivas ap\u00f3s fazer uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em ensino de ci\u00eancias por investiga\u00e7\u00e3o. Desde ent\u00e3o, vem tentando implementar iniciativas que deem ao aluno a possibilidade de protagonizar seu pr\u00f3prio processo de aprendizagem, criar hip\u00f3teses e buscar solu\u00e7\u00f5es para problemas reais. Mudar a cultura dos pr\u00f3prios alunos, por\u00e9m, vem sendo um grande desafio. \u201cQuando o professor quer inovar, o aluno estranha. Pergunta se n\u00e3o tem nada pra copiar\u201d, conta.<\/p>\n<p>Neste ano, a professora realizou um projeto sobre lixo com os alunos do ensino m\u00e9dio. A proposta era analisar como a comunidade em que vivem lida com o que descarta. \u201cOs alunos aplicaram question\u00e1rios nas casas, para investigar qual o perfil da comunidade em rela\u00e7\u00e3o a lixo, a atitude referente a lixo e patrim\u00f4nio. O que observei \u00e9 que a atitude pr\u00e1tica, para eles, parece que n\u00e3o \u00e9 fazer cient\u00edfico\u201d, diz a educadora.<\/p>\n<p>Para driblar a desconfian\u00e7a inicial e a falta de familiaridade dos alunos com a proposta, Liliane fez um longo trabalho de explica\u00e7\u00e3o de todas as etapas do processo de pesquisa. \u201cNo final das contas, achei que foi bastante proveitoso. Mas n\u00e3o foi f\u00e1cil\u201d, analisa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o inicial nas licenciaturas apresentar problemas, fazendo com que os professores s\u00f3 tenham contato com modelos diferentes de ensino nas especializa\u00e7\u00f5es, a forma\u00e7\u00e3o em servi\u00e7o pouco tem contribu\u00eddo com a melhora do quadro do ensino de ci\u00eancias. \u201cO que mais se aborda na forma\u00e7\u00e3o continuada \u00e9 a quest\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o, esquecendo que avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 o resultado. \u00c9 preciso pensar no processo em si\u201d, avalia Jenifer Xavier, professora de ci\u00eancias e biologia na rede p\u00fablica estadual de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A educadora, que estudou o ensino por investiga\u00e7\u00e3o em seu mestrado, afirma que h\u00e1 diversos entraves para aplicar esse modelo de aula no dia a dia. No caso das aulas pr\u00e1ticas, o problema \u00e9 a falta de infraestrutura: a escola em que trabalha, por exemplo, n\u00e3o possui laborat\u00f3rio. No caso das aulas calcadas na realiza\u00e7\u00e3o de leituras de textos, elabora\u00e7\u00e3o de hip\u00f3teses e discuss\u00f5es\u00a0\u2013\u00a0foco de suas pesquisas\u00a0\u2013\u00a0o maior desafio \u00e9 a cultura escolar.<\/p>\n<p>\u201cAulas em que voc\u00ea instiga o aluno a falar s\u00e3o aulas que geram um pouco mais de barulho. Isso incomoda o gestor. H\u00e1 a tradi\u00e7\u00e3o de que o aluno s\u00f3 aprende em sil\u00eancio, mas, na verdade, ele aprende quando h\u00e1 troca\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Segundo Jenifer, o primeiro passo para colocar em pr\u00e1tica o ensino por investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 justamente estabelecer um canal de comunica\u00e7\u00e3o com o estudante. \u201c\u00c0s vezes, voc\u00ea v\u00ea que o aluno n\u00e3o escreve, mas, oralmente, tem racioc\u00ednio maravilhoso\u201d, explica. Por isso, \u00e9 importante instigar a turma a elaborar hip\u00f3teses em voz alta, passando por cima do medo de errar ou de ser julgado pelo professor.<\/p>\n<p>Mas os desafios n\u00e3o se restringem \u00e0 rede p\u00fablica. Nas escolas particulares, apesar da infraestrutura n\u00e3o ser um problema, h\u00e1 a press\u00e3o do vestibular, e, em alguns casos, a ideia de que para ser aprovado \u00e9 preciso ter abordagem conteudista. \u201cEstudantes, pais, gestores e o pr\u00f3prio professor precisam enxergar que, ao desenvolver projetos, adquirem habilidades que n\u00e3o adquirem decorando conceitos\u201d, diz Aline Geraldi, professora de biologia e f\u00edsica do ensino fundamental e m\u00e9dio na rede particular em Jundia\u00ed (SP).<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ser professora, Aline tamb\u00e9m orienta projetos de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica dos alunos na escola onde trabalha, inclusive buscando parcerias com universidades. Na sala de aula, diz procurar instituir aulas com metodologias ativas, instigando os alunos a criar hip\u00f3teses. Mas analisa que nem sempre o docente tem essa liberdade. \u201c\u00c9 complicado para todos os educadores porque temos material did\u00e1tico para cumprir, um curr\u00edculo extenso. Quando a escola d\u00e1 autonomia para o professor, fica mais f\u00e1cil.\u201d<\/p>\n<h4><\/h4>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O aluno chega \u00e0 sala de aula, senta em sua carteira, coloca o material sobre a mesa. O professor fala, escreve no quadro e o estudante escuta e copia tudo em seu caderno. A cena \u00e9, possivelmente, a que vem \u00e0 cabe\u00e7a da maior parte dos brasileiros ao tentar lembrar das aulas vivenciadas no per\u00edodo escolar. 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