{"id":230191,"date":"2018-01-07T10:40:31","date_gmt":"2018-01-07T13:40:31","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=230191"},"modified":"2018-01-07T10:40:31","modified_gmt":"2018-01-07T13:40:31","slug":"esta-estudante-de-direito-quer-implantar-primeira-prisao-humanizada-de-bh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/esta-estudante-de-direito-quer-implantar-primeira-prisao-humanizada-de-bh\/","title":{"rendered":"Esta estudante de direito quer implantar a primeira pris\u00e3o humanizada de BH"},"content":{"rendered":"<section class=\"bg-gray-extra\">\n<div class=\"container container-full-width\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-sm-10 col-sm-offset-1\">\n<h1 class=\"txt-serif\"><\/h1>\n<h4 class=\"txt-gray mb-0\"><em>Estudante de direito quer implantar na capital uma unidade da Associa\u00e7\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o e Assist\u00eancia a Condenados. Para ela, \u00e9 hora de parar de reclamar e partir para a a\u00e7\u00e3o<\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section>\n<div class=\"container container-full-width mt-20 mb-20\">\n<div class=\"row divider-wrapper\">\n<div id=\"esquerda_8_12_1\" class=\"col-sm-10 col-sm-offset-1 col-md-6 mb-35 js-tools-fixed-parent\">\n<article>\n<div class=\"author-row\"><a class=\"txt-gray author-wrapper text-nowrap d-inline-block mb-10\" title=\"Gustavo Werneck\" href=\"https:\/\/www.em.com.br\/busca?autor=Gustavo%20Werneck\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span class=\"ml-10\">Gustavo Werneck<\/span><\/a><\/div>\n<nav class=\"nav-fix hidden-print js-tools-fixed mb-xs-10 active\" data-id=\"call-action\"><i class=\"sprite-facebook-box d-block d-xs-inline-block\"><\/i><i class=\"sprite-twitter-box d-block d-xs-inline-block\"><\/i><\/p>\n<div class=\"bg-theme-1 nav-fix__highlight\"><\/div>\n<\/nav>\n<div><\/div>\n<div class=\"txt-serif js-article-box article-box article-box-capitalize mt-15\">\n<div class=\"img-mobile-full mb-20\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-230193 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/linda-estudante.jpg\" alt=\"\" width=\"820\" height=\"492\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/linda-estudante.jpg 820w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/linda-estudante-300x180.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/linda-estudante-768x461.jpg 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/linda-estudante-620x372.jpg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/linda-estudante-160x96.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/linda-estudante-640x384.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 820px) 100vw, 820px\" \/><figcaption class=\"mt-25 pl-40 lenged-with-icon photo\"><span class=\"h6 mt-0 d-block txt-no-serif txt-gray-base\">Maria Guilhermina acredita que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 ferramenta para mudar a si mesmo e a sociedade<\/span><small class=\"d-block txt-no-serif txt-gray-base\">(foto: Leandro Couri\/EM\/DA Press)<\/small><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O primeiro sinal de comunica\u00e7\u00e3o com os pais, na mais terna idade, foi apontar a barriga com a palma da m\u00e3o e, em movimentos r\u00e1pidos, mostrar que estava com fome. Hoje, aos 24 anos e no 9\u00ba per\u00edodo de direito, a belo-horizontina Maria Guilhermina Miranda Campos de Abreu se recorda do gesto com ternura e deixa claro que o apetite continua voraz: tem sede de justi\u00e7a, amor pelo ensino de qualidade, paix\u00e3o pelo empreendedorismo social e vontade cada vez maior de trabalhar pelo futuro, entre outros desejos e desafios. \u201cTemos que parar de reclamar e partir para a\u00e7\u00e3o, fazer algo\u201d, diz a jovem de pensamento claro e rapidez nas palavras, que est\u00e1 envolvida numa empreitada de f\u00f4lego: implantar na capital uma unidade da Associa\u00e7\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o e Assist\u00eancia a Condenados (Apac).<\/p><\/div>\n<div class=\"txt-serif js-article-box article-box article-box-capitalize mt-15\">\nNa sede da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Embaixadores da Escola, que fica no espa\u00e7o do Naa\u00e7\u00e3o, um clube de impacto social, no Bairro Barro Preto, na Regi\u00e3o Centro-Sul de BH, Guilhermina divide o tempo entre a gest\u00e3o do espa\u00e7o, discuss\u00f5es de projetos e desenvolvimento de programas dirigidos a estudantes. E \u00e9 com muito brilho nos olhos verdes que revela suas cr\u00edticas e contribui\u00e7\u00f5es: \u201cEduca\u00e7\u00e3o \u00e9 ferramenta, o meio para uma pessoa mudar a si mesma, a sociedade, enfim, o que ela quiser. O pr\u00f3prio ser humano \u00e9 a sa\u00edda\u201d.<\/p>\n<p>O sonho de implantar a Apac BH, nascido numa visita \u00e0 Apac de Nova Lima, na Grande BH, entusiasma Guilhermina, que considera \u201cde muito amor\u201d a rela\u00e7\u00e3o com o projeto, do qual esteve \u00e0 frente e que, devido a uma elei\u00e7\u00e3o, est\u00e1 com nova diretoria. \u201cParto do princ\u00edpio de que todos merecem uma segunda chance. Sempre falo que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma causa que escolhi, mas, no caso da Apac, foi ela que me escolheu.\u201d A iniciativa conta com a uni\u00e3o de esfor\u00e7os do grupo Minas pela Paz, em atua\u00e7\u00e3o desde 2013, e que tem entre as lideran\u00e7as o juiz da Vara de Execu\u00e7\u00f5es Criminais Luiz Carlos Rezende.<\/p>\n<p>Nas palestras que tem feito, a belo-horizontina filha de pais surdos, os professores Ant\u00f4nio Campos de Abreu e Rita de C\u00e1ssia, especializada no ensino de Libras (L\u00edngua Brasileira de Sinais) \u2013, faz uma compara\u00e7\u00e3o entre seus objetivos e a campanha do Clube Atl\u00e9tico Mineiro rumo \u00e0 Ta\u00e7a Libertadores da Am\u00e9rica, em 2013. \u201cTor\u00e7o para o Galo, mas n\u00e3o entendo nada de futebol. Mas aqueles jogos mexeram muito comigo, com minhas emo\u00e7\u00f5es, principalmente na for\u00e7a da torcida gritando \u2018eu acredito\u2019. Ent\u00e3o, mesmo neste momento brasileiro de desesperan\u00e7a, sinto-me motivada e pronta para dizer eu acredito.\u201d<\/p>\n<blockquote class=\"blockquote-widget col-sm-12\" cite=\"http:\/\/developer.mozilla.org\/\">\n<h3 class=\"txt-gray-base txt-italic text-right mt-0\">&#8220;Parto do princ\u00edpio de que todos merecem uma segunda chance. Sempre falo que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma causa que escolhi, mas, no caso da Apac, foi ela que me escolheu&#8221;<\/h3>\n<h4 class=\"text-right txt-italic txt-gray-base\">Maria Guilhermina Miranda Campos de Abreu, de 24 anos<\/h4>\n<ul class=\"blockquote-widget__social-list list-inline text-right hidden-print\">\n<li class=\"pr-0\"><i class=\"sprite-facebook-box d-block\"><\/i><\/li>\n<li class=\"pr-0\"><i class=\"sprite-twitter-box d-block\"><\/i><\/li>\n<\/ul>\n<\/blockquote>\n<p><strong>TRANSFORMA\u00c7\u00c3O<\/strong>\u00a0Imersa em v\u00e1rias atividades, Guilhermina ainda est\u00e1 se preparando para uma viagem, neste m\u00eas, aos Estados Unidos. No Babson College, em Boston, far\u00e1 um curso de uma semana, resultado de uma premia\u00e7\u00e3o para a melhor iniciativa do pa\u00eds no ensino de empreendedorismo. Satisfeita, ela recorda que, at\u00e9 chegar aqui, foi uma trajet\u00f3ria de muitos questionamentos. A escalada come\u00e7ou na adolesc\u00eancia, quando, estudante de escola p\u00fablica na capital, come\u00e7ou a criticar a qualidade do ensino e a falta de estrutura e de comprometimento dos professores, enfim, o sistema educativo como um todo e a educa\u00e7\u00e3o formal como \u00e9 hoje. \u201cSe em Belo Horizonte \u00e9 assim, como ser\u00e1 no Vale do Jequitinhonha?\u201d, perguntava-se a aluna do ensino m\u00e9dio.<\/p>\n<p>As respostas n\u00e3o vieram de imediato: foi preciso sofrer muito, pensar mais ainda e ir \u00e0 luta para entender que toda a engrenagem estava enferrujada, da\u00ed causar tanto atraso. \u201cN\u00e3o via sentido em nada, fiquei desinteressada aos 14 anos\u201d, recorda-se. O despertar veio em 2011, no programa Plug Minas, do governo estadual, para \u201cempoderamento juvenil\u201d, e depois na escola do Sebrae Minas. \u201cEnt\u00e3o, floresceu a paix\u00e3o pelo empreendedorismo\u201d, revela a estudante.<\/p>\n<p>No dia a dia, Guilhermina come\u00e7ou a refletir sobre a forma de retribuir as oportunidades que teve e o que poderia fazer para ajudar a mudar o mundo. Basicamente, o tema era parar de reclamar e trabalhar a pr\u00e1tica. Nesse embalo, nasceu com um grupo de ex-alunos de escolas p\u00fablicas o programa Embaixadores da Escola, dividido em m\u00f3dulos (fases) e dedicado a estudantes tamb\u00e9m de escolas p\u00fablicas. As metas s\u00e3o propor mudan\u00e7as, estimular a empatia \u2013 \u201cn\u00e3o damos li\u00e7\u00e3o de moral\u201d, avisa a futura advogada \u2013 e manter um \u201cpapo reto\u201d com os jovens. \u201c\u00c9 tudo espont\u00e2neo, org\u00e2nico\u201d, com baixo custo, aproveitamento de material reciclado. A dura\u00e7\u00e3o \u00e9 de tr\u00eas meses em cada escola, em sistema de parceria, e as \u00faltimas foram na Pedreira Prado Lopes, na Regi\u00e3o Noroeste, \u00e1rea de vulnerabilidade social e viol\u00eancia, e no Barreiro.<\/p>\n<p>\u201cAntes, gast\u00e1vamos dinheiro do nosso bolso, agora formamos parcerias e agentes multiplicadores na faixa et\u00e1ria de 18 a 24 anos. E nas atividades, estimulamos os jovens a recolher o lixo, limpar o ch\u00e3o, enfim, colaborar com a comunidade\u201d, diz a estudante de direito. Olhando o jeito determinado de Guilhermina, v\u00ea-se claramente que ela \u00e9 uma pessoa do futuro. E de futuro: tem interesse social, conhecimento do que fala, humildade para aprender, lida bem com as novas tecnologias e vai diretamente ao assunto. \u201cQueremos levar uma mensagem, conviver com as diferen\u00e7as. Uma vez, uma menina muito inteligente, e que sofria bullying na escola, falou com uma pessoa de nossa equipe que n\u00e3o gostava de gente. Ent\u00e3o, nos dedicamos muito a ela, que, com o tempo e muita conversa, desabrochou\u201d, recorda-se Guilhermina.<\/p>\n<p>Novamente, a irm\u00e3 de Ant\u00f4nio, de 25, e Helena, de 23, se lembra do primeiro sinal aprendido na inf\u00e2ncia e destaca a import\u00e2ncia da fam\u00edlia. \u201cAprendi a l\u00edngua materna em Libras. Ser filha de surdos foi normal, eles tiveram uma boa educa\u00e7\u00e3o, puderam estudar. A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a ferramenta, mas \u00e9 preciso saber us\u00e1-la da melhor forma\u201d, afirma Guilhermina.<\/p>\n<h3><strong>Pris\u00e3o com dignidade<\/strong><\/h3>\n<div>A Associa\u00e7\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o e Assist\u00eancia a Condenados (Apac) \u00e9 uma metodologia criada para dar dignidade no cumprimento da pena privativade liberdade, sem que essa perca o car\u00e1ter punitivo. Trata-se de uma iniciativa da sociedade civil<\/div>\n<div>conduzida em v\u00e1rios estados brasileiros e que,em Minas Gerais, tem apoio do Tribunal de Justi\u00e7a (TJMG), via programa Novos Rumos, que visa fortalecer a humaniza\u00e7\u00e3o no cumprimento das penas privativas de liberdade e das medidas de interna\u00e7\u00e3o. Em Minas, h\u00e1 39 unidades da Apac implantadas e outras em andamento.<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O primeiro sinal de comunica\u00e7\u00e3o com os pais, na mais terna idade, foi apontar a barriga com a palma da m\u00e3o e, em movimentos r\u00e1pidos, mostrar que estava com fome. 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