{"id":23038,"date":"2013-10-15T14:00:05","date_gmt":"2013-10-15T17:00:05","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=23038"},"modified":"2013-10-15T08:45:37","modified_gmt":"2013-10-15T11:45:37","slug":"primeira-professora-com-down-do-brasil-mostra-importancia-da-inclusao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/primeira-professora-com-down-do-brasil-mostra-importancia-da-inclusao\/","title":{"rendered":"Primeira professora com Down do Brasil mostra import\u00e2ncia da inclus\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"ImageProxy (7)\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/ImageProxy-710-300x146.jpg\" width=\"300\" height=\"146\" \/><\/p>\n<p>Os olhos puxados de D\u00e9bora Ara\u00fajo Seabra de Moura, 32 anos, revelam muito do que podemos enxergar. A primeira portadora da s\u00edndrome de Down a se formar professora com magist\u00e9rio no Brasil venceu barreiras e preconceitos, provando que a inclus\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel em qualquer lugar. De personalidade tranquila e autoestima contagiante, a potiguar que mora em Natal (RN) \u00e9 ativa e desbravadora e a escola teve papel fundamental na sua caminhada. Neste 15 de outubro, quando se comemora o Dia do Professor, a hist\u00f3ria de D\u00e9bora vem nos trazer um exemplo de luta pela inclus\u00e3o de pessoas com defici\u00eancia intelectual na rede regular de ensino.<\/p>\n<p>Quando menina, D\u00e9bora Seabra sempre estudou em escolas regulares junto com outras crian\u00e7as sem a s\u00edndrome e driblou as adversidades. Seus pais acreditavam que ela precisava de desafios e a estimularam desde cedo a ser independente. E em casa sempre foi tratada como o irm\u00e3o mais velho, sem diferen\u00e7as. &#8220;A escola me fez se sentir inclu\u00edda, l\u00e1 fiz muitas amizades\u201d, conta D\u00e9bora.<\/p>\n<p>A educadora explica que a vontade de ingressar na profiss\u00e3o nasceu de uma experi\u00eancia que teve no ano 2000, quando foi estagi\u00e1ria numa turma do ensino infantil no Col\u00e9gio CIC, na capital potiguar. Na institui\u00e7\u00e3o, ela tamb\u00e9m era professora auxiliar e adorou tanto que decidiu fazer o magist\u00e9rio. \u201cEu adorei e muitas vezes me emocionei ao ser chamada de professora\u201d, disse. D\u00e9bora ent\u00e3o cursou por quatro anos o magist\u00e9rio na Escola Estadual Lu\u00eds Ant\u00f4nio, se formando em 2005.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/bay173.mail.live.com\/Handlers\/ImageProxy.mvc?bicild=&amp;canary=fa0aZFeD1IdYahJAkf2OuUMCDE9%2bDfLcNgStvHuIwEk%3d0&amp;url=http%3a%2f%2fwww2.uol.com.br%2fJC%2f_ne10%2ffoto%2fdebora_seabra_facebook.jpg\" width=\"470\" border=\"0\" \/><br \/>\nD\u00e9bora na \u00e9poca que cursava o magist\u00e9rio (Foto: Acervo Pessoal)<\/p>\n<p>Hoje, D\u00e9bora Seabra \u00e9 professora auxiliar de uma escola particular tradicional da cidade, onde trabalha h\u00e1 nove anos. Ela se dedica pela manh\u00e3 a uma turma de alunos da educa\u00e7\u00e3o infantil com faixa et\u00e1ria entre seis e sete anos. D\u00e9bora acompanha as crian\u00e7as em diversas atividades como leitura, aulas de inform\u00e1tica, nas brincadeiras e auxilia tamb\u00e9m nas tarefas em sala, sempre com a supervis\u00e3o da\u00a0 professora titular da turma.<\/p>\n<p>\u201cEu fa\u00e7o como toda professora auxiliar faz. Eu levo eles para a roda, ajudo nas aulas de inform\u00e1tica, de m\u00fasica e de ingl\u00eas. Tamb\u00e9m na leitura dos livros, nas atividades e brincadeiras. Tudo de acordo com o planejamento pedag\u00f3gico\u201d, disse. &#8220;Adoro trabalhar com as crian\u00e7as&#8221;, destaca. E revela que se sente bem no seu local de trabalho, onde foi muito bem recebida pelos funcion\u00e1rios, professores e alunos. \u201cL\u00e1 nunca sofri nenhum tipo de preconceito. Eu sou respeitada, nunca surgiu isso\u201d, diz.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/bay173.mail.live.com\/Handlers\/ImageProxy.mvc?bicild=&amp;canary=fa0aZFeD1IdYahJAkf2OuUMCDE9%2bDfLcNgStvHuIwEk%3d0&amp;url=http%3a%2f%2fwww2.uol.com.br%2fJC%2f_ne10%2ffoto%2fdebora_seabra_arquivopessoal.jpg\" width=\"470\" border=\"0\" \/><br \/>\nA professora potiguar diz que \u00e9 muito feliz com sua profiss\u00e3o (Foto: Acervo Pessoal)<\/p>\n<p>Apesar de todo o respeito que adquiriu, D\u00e9bora, assim como outras pessoas com Down, tamb\u00e9m j\u00e1 passou por alguma situa\u00e7\u00e3o constrangedora. \u201cNa rua j\u00e1 aconteceu. E tamb\u00e9m quando fazia magist\u00e9rio, j\u00e1 passei por isso. Na turma algumas colegas de classe me exclu\u00edam e me deixavam de lado nos trabalhos. Foi uma luta muito grande, mas consegui\u201d, acrescenta. Durante os estudos foi dif\u00edcil para a jovem, pois n\u00e3o eram todas as pessoas que compreendiam o processo de inclus\u00e3o.<\/p>\n<p>LAZER &#8211;\u00a0Quando n\u00e3o est\u00e1 trabalhando, D\u00e9bora n\u00e3o gosta muito de ficar parada. Al\u00e9m dos compromissos como educadora e das reuni\u00f5es pedag\u00f3gicas sempre nas tardes de ter\u00e7a-feira, ela se ocupa com outras atividades. Praticante ass\u00eddua das aulas de spinning e muscula\u00e7\u00e3o, vai \u00e0 academia tr\u00eas vezes por semana.<\/p>\n<p>Sobre seu hobby, falou que gosta de sair para um shopping da cidade e jogar conversa fora numa das cafeterias do lugar com os amigos que conheceu no teatro, outra paix\u00e3o. \u201cEles n\u00e3o t\u00eam Down. Sou a inclu\u00edda (risos). Conheci eles nas oficinas do Centro Experimental de Teatro, o Vitor, a Gra\u00e7a e o Raniere. Nos divertimos muito\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Das artes, foi pelo teatro que D\u00e9bora se encantou e fez curso de atriz, o que tamb\u00e9m ajudou a melhorar sua desenvoltura. Inclusive, j\u00e1 encenou algumas pe\u00e7as teatrais na capital potiguar. \u201cDesde 2008, eu j\u00e1 fiz a com\u00e9dia o Mo\u00e7o que Casou com Mulher Braba, e tamb\u00e9m teve em dezembro no mesmo ano, o Auto de Natal, uma esp\u00e9cie de pres\u00e9pio onde fui uma das Marias do espet\u00e1culo. Outra pe\u00e7a foi em 2009, quando j\u00e1 estava no segundo m\u00f3dulo do curso de teatro fiz o drama-com\u00e9dia As Casadas Solteiras\u201d, lembra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/bay173.mail.live.com\/Handlers\/ImageProxy.mvc?bicild=&amp;canary=fa0aZFeD1IdYahJAkf2OuUMCDE9%2bDfLcNgStvHuIwEk%3d0&amp;url=http%3a%2f%2fwww2.uol.com.br%2fJC%2f_ne10%2ffoto%2fdebora_seabra_livro.jpg\" width=\"470\" border=\"0\" \/><br \/>\nD\u00e9bora lan\u00e7ou recentemente um livro com&#8221;f\u00e1bulas inclusivas&#8221;, que ganhou pref\u00e1cio de Jo\u00e3o Ubaldo Ribeiro (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>EXPERI\u00caNCIA COMPARTILHADA &#8211;\u00a0Devido \u00e0 experi\u00eancia como professora, D\u00e9bora j\u00e1 foi convidada para participar de v\u00e1rios eventos dentro e fora do Pa\u00eds, como em Portugal e na Argentina. Recentemente, a potiguar realizou um sonho, lan\u00e7ou seu primeiro livro: \u201cD\u00e9bora Conta Hist\u00f3rias\u201d, que segundo a autora foi um presente para seus pais, Rob\u00e9rio e Margarida, e uma homenagem para a professora Sandra Nicolussi.<\/p>\n<p>O livro re\u00fane pequenas f\u00e1bulas que giram em torno da tem\u00e1tica da inclus\u00e3o, tratando sempre sobre a conviv\u00eancia afetuosa com as diferen\u00e7as. \u201cO sapo que n\u00e3o nadava\u201d, \u201cA galinha surda\u201d, \u201cO pato que n\u00e3o queria namorar com a pata\u201d e \u201cCachorro e papagaio podem ser amigos\u201d s\u00e3o algumas das hist\u00f3rias contadas por D\u00e9bora.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/bay173.mail.live.com\/Handlers\/ImageProxy.mvc?bicild=&amp;canary=fa0aZFeD1IdYahJAkf2OuUMCDE9%2bDfLcNgStvHuIwEk%3d0&amp;url=http%3a%2f%2fwww2.uol.com.br%2fJC%2f_ne10%2ffoto%2fdebora_seabra_livro_2.jpg\" width=\"470\" border=\"0\" \/><br \/>\nTrecho de uma das hist\u00f3rias contadas por D\u00e9bora (Foto: K\u00edvia Soares\/NE10 RN)<\/p>\n<p>A D\u00e9bora escritora se inspirou em uma amiga querida e fundamental em sua vida: sua antiga professora Sandra Nicolussi. Por meio da personagem \u2013 tamb\u00e9m chamada Sandra \u2013 e tudo o que a menina vive em uma fazenda, ela mostra o carinho pela amiga e conta hist\u00f3rias sobre inclus\u00e3o e supera\u00e7\u00e3o das dificuldades e do preconceito, al\u00e9m da import\u00e2ncia da amizade.<\/p>\n<p>\u201cPara quem for ler meu livro, adulto ou crian\u00e7a, quero mostrar para eles que o que importa \u00e9 n\u00e3o ser discriminado pelas diferen\u00e7as\u201d, disse.\u00a0 O livro ganhou um pref\u00e1cio elogioso de Jo\u00e3o Ubaldo Ribeiro, em que ele destaca \u201cS\u00e3o contos que ensinam docemente \u2013 e n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s crian\u00e7as, porque os adultos tamb\u00e9m t\u00eam muito o que aprender com gente da grandeza de D\u00e9bora\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/bay173.mail.live.com\/Handlers\/ImageProxy.mvc?bicild=&amp;canary=fa0aZFeD1IdYahJAkf2OuUMCDE9%2bDfLcNgStvHuIwEk%3d0&amp;url=http%3a%2f%2fwww2.uol.com.br%2fJC%2f_ne10%2ffoto%2fdebora_seabra_kiviasoares.jpg\" width=\"470\" border=\"0\" \/><br \/>\nD\u00e9bora exibe seu livro, que foi um presente para os pais (Foto: K\u00edvia Soares\/NE10 RN)<\/p>\n<p>Fonte: NE10<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os olhos puxados de D\u00e9bora Ara\u00fajo Seabra de Moura, 32 anos, revelam muito do que podemos enxergar. 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