{"id":230757,"date":"2018-01-12T10:14:35","date_gmt":"2018-01-12T13:14:35","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=230757"},"modified":"2018-01-12T10:14:35","modified_gmt":"2018-01-12T13:14:35","slug":"autor-recompoe-historia-de-seus-antepassados-partir-da-descoberta-de-documentos-de-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/autor-recompoe-historia-de-seus-antepassados-partir-da-descoberta-de-documentos-de-familia\/","title":{"rendered":"Autor recomp\u00f5e hist\u00f3ria de seus antepassados a partir da descoberta de documentos de fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<header>\n<h1 class=\"entry-title\"><\/h1>\n<\/header>\n<div><\/div>\n<div>Rubem Barros<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div class=\"text-content\">\n<div id=\"attachment_528268\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-528268\" src=\"http:\/\/www.revistaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/remanescente.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" srcset=\"http:\/\/www.revistaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/remanescente.jpg 1200w, http:\/\/www.revistaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/remanescente-300x211.jpg 300w, http:\/\/www.revistaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/remanescente-768x540.jpg 768w, http:\/\/www.revistaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/remanescente-1024x719.jpg 1024w, http:\/\/www.revistaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/remanescente-850x597.jpg 850w, http:\/\/www.revistaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/remanescente-300x211@2x.jpg 600w\" alt=\"Autor recomp\u00f5e hist\u00f3ria de seus antepassados a partir da descoberta de documentos de fam\u00edlia\" width=\"1200\" height=\"843\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<p>Numa suntuosa mans\u00e3o berlinense, os elegantes convidados desfilam sorrisos, fama e sobrenomes. O ano \u00e9 1930, e estamos em plena Rep\u00fablica de Weimar. Os donos da requintada casa atendem pelos nomes de Hugo e Gertrud Simon. Ele \u00e9 banqueiro, ministro das Finan\u00e7as da Pr\u00fassia, ent\u00e3o o estado que correspondia a 60% do territ\u00f3rio nacional. \u00c9, tamb\u00e9m, um conhecido colecionador de arte.<\/p>\n<p>Entre os convidados est\u00e3o o escultor Aristide Maillol, homenageado do dia, aproveitando sua passagem por Berlim; o f\u00edsico Albert Einstein, em torno de quem se avolumam curiosidades relativas \u00e0 sua ideia de religiosidade; o conde Harry Kessler, diplomata, editor, incentivador de diversas artes e um dos primeiros a vislumbrar a ideia de uma Europa unificada.<\/p>\n<p>A cena desse almo\u00e7o, composta quase como se fosse a sequ\u00eancia de abertura de um longa-metragem, comp\u00f5e o primeiro cap\u00edtulo de\u00a0<em>O remanescente \u2013 O tempo no ex\u00edlio<\/em>, volume um do romance de estreia do historiador da arte Rafael Cardoso. Na descri\u00e7\u00e3o da cena, parece que as palavras evocam o clima e suas variantes, da tens\u00e3o da anfitri\u00e3 para que tudo d\u00ea certo, passando pelo arranjo da mesa (como n\u00e3o lembrar de\u00a0<em>O leopardo<\/em>, de Luchino Visconti?), ao sil\u00eancio nervoso ap\u00f3s os questionamentos a Einstein.<\/p>\n<p>Como Maillol e Einstein, Simon foi um personagem ver\u00eddico, bisav\u00f4 do autor. Ao revirar antigos documentos de fam\u00edlia, Cardoso foi puxando os fios da hist\u00f3ria dos seus, que come\u00e7ou a mudar pouco tempo depois desse fat\u00eddico almo\u00e7o. Nos anos seguintes, a tens\u00e3o foi crescente, explodiu com a ascens\u00e3o de Hitler, o que obrigou Simon, a mulher, as duas filhas e o genro a fugirem, primeiro para a Fran\u00e7a, depois para o Brasil, n\u00e3o sem viver as incertezas do embarque e uma rota de desencontros.<\/p>\n<p>Para tr\u00e1s, havia ficado a fortuna da fam\u00edlia, n\u00e3o s\u00f3 em dinheiro mas tamb\u00e9m em obras de arte. Assim como Cardoso, muitos outros membros de fam\u00edlias escorra\u00e7adas da Alemanha e de outros pa\u00edses europeus durante a guerra, ent\u00e3o donos leg\u00edtimos de obras de arte tungadas pelo nazismo e por oportunistas de plant\u00e3o, v\u00e3o surgindo e contando suas hist\u00f3rias, como Simon Goodman (<em>Degas<\/em>,\u00a0<em>Renoir<\/em>\u00a0<em>e o Rel\u00f3gio de Orfeu<\/em>, ver ao fim do texto) ou Maria Altmann, vivida por Helen Mirren em\u00a0<em>A dama dourada<\/em>\u00a0(2015, de Simon Curtis).<\/p>\n<p>Mais de 70 anos depois do final da Segunda Guerra, s\u00e3o hist\u00f3rias que continuam a sair dos escombros reais e simb\u00f3licos que marcaram a vida de tanta gente. Ainda que hoje em dia pare\u00e7am n\u00e3o ter for\u00e7a suficiente para evitar que se produzam novas cat\u00e1strofes, permitem, como em\u00a0<em>O remanescente<\/em>, que se conte boa parte da hist\u00f3ria do s\u00e9culo 20. No livro de Cardoso, temos ainda muito da luta contra o nazismo na Am\u00e9rica do Sul. Nem sempre com a mesma for\u00e7a da sequ\u00eancia inicial, mas sempre mantendo o interesse vivo na hist\u00f3ria. Ou melhor, nas hist\u00f3rias: a pessoal e a coletiva.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cena desse almo\u00e7o, composta quase como se fosse a sequ\u00eancia de abertura de um longa-metragem, comp\u00f5e o primeiro cap\u00edtulo de\u00a0O remanescente \u2013 O tempo no ex\u00edlio, volume um do romance de estreia do historiador da arte Rafael Cardoso. 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