{"id":231650,"date":"2018-01-21T16:07:16","date_gmt":"2018-01-21T19:07:16","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=231650"},"modified":"2018-01-21T16:07:16","modified_gmt":"2018-01-21T19:07:16","slug":"cientistas-descobrem-o-que-dizimou-astecas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/cientistas-descobrem-o-que-dizimou-astecas\/","title":{"rendered":"Cientistas descobrem o que dizimou astecas"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"bigtitle\" data-section=\"HIST\u00d3RIA\"><\/h1>\n<div class=\"logo-dw\"><a href=\"http:\/\/www.dw.com\/brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" title=\"Deutsche Welle\" src=\"http:\/\/operamundi.uol.com.br\/imagens\/deutsche-welle.png?1516561517\" alt=\"Deutsche Welle\" \/><\/a><\/div>\n<p><time class=\"time d-b\" datetime=\"2018-01-21BRST17:01\">Deutsche Welle\u00a0<\/time><\/p>\n<div class=\"subtitle\">Ap\u00f3s cinco s\u00e9culos de mist\u00e9rio, equipe internacional de pesquisadores detecta bact\u00e9ria, levada por europeus, que teria sido respons\u00e1vel pela morte de 15 milh\u00f5es de pessoas em apenas cinco anos<\/div>\n<div class=\"social pc\">\n<\/div>\n<div class=\"descript\">\n<p>Em 1545, os astecas do M\u00e9xico foram atingidos por uma trag\u00e9dia quando a popula\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a adoecer com febres e dores de cabe\u00e7a e sangramentos nos olhos, boca e nariz. Geralmente, os doentes morriam em tr\u00eas ou quatro dias ap\u00f3s o cont\u00e1gio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em cinco anos, 15 milh\u00f5es de pessoas, cerca de 80% da popula\u00e7\u00e3o, foram dizimadas numa epidemia que os locais chamaram de &#8220;cocoliztli&#8221;. A palavra significa &#8220;peste&#8221; na l\u00edngua asteca nahuatl. A causa do flagelo, por\u00e9m, ficou desconhecida por cinco s\u00e9culos.<\/p>\n<p>O mist\u00e9rio, agora, parece ter sido resolvido por cientistas do Instituto Max Planck para a Ci\u00eancia da Hist\u00f3ria Humana (Alemanha), da Universidade de Harvard (EUA) e do Instituto Nacional de Antropologia e Hist\u00f3ria do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Em estudo publicado nesta segunda-feira (15\/01) na revista\u00a0<em>Nature, Ecology &amp; Evolution<\/em>, os pesquisadores apontaram como prov\u00e1vel causa a febre ent\u00e9rica, gerada por uma variedade da bact\u00e9ria salmonela, trazida pelos europeus.<\/p>\n<p>&#8220;A &#8216;cocoliztli&#8217; de 1545-50 foi uma das muitas epidemias que atingiu o M\u00e9xico ap\u00f3s a chegada dos europeus, mas foi especificamente a segunda das tr\u00eas epidemias mais devastadoras e que levou ao maior n\u00famero de mortes de seres humanos&#8221;, explica Ashild Vagene, do Instituto Max Planck e da Universidade de T\u00fcbingen, tamb\u00e9m na Alemanha.<\/p>\n<p>A pesquisadora, coautora de um estudo divulgado na publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica\u00a0<em>Nature, Ecology &amp; Evolution<\/em>, diz que cientistas puderam fornecer as provas diretas da causa da epidemia \u2013 debatida por mais de um s\u00e9culo \u2013 usando DNA antigo.<\/p>\n<p>&#8220;Pela introdu\u00e7\u00e3o de uma nova ferramenta de an\u00e1lise metagen\u00f4mica chamada Malt, aplicada aqui para buscar tra\u00e7os de DNA patog\u00eanico antigo, fomos capazes de identificar [a bact\u00e9ria]\u00a0<em>Salmonella enterica<\/em>\u00a0em indiv\u00edduos enterrados num cemit\u00e9rio (&#8230;) em Teposcolula-Yucundaa, Oaxaca, no sul do M\u00e9xico&#8221;, diz a introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 pesquisa. &#8220;Com base em evid\u00eancias hist\u00f3ricas e arqueol\u00f3gicas, esse cemit\u00e9rio [\u00e9 o \u00fanico que] tem liga\u00e7\u00e3o com a epidemia de 1545-1550, que afetou amplas \u00e1reas do M\u00e9xico.&#8221;<\/p>\n<p>Com o novo programa de processamento de dados, a equipe analisou DNA de 29 esqueletos enterrados no local. Dez deles apresentaram tra\u00e7os da variedade\u00a0<em>Paratyphi C<\/em>\u00a0da bact\u00e9ria, que causa febre ent\u00e9rica, da qual a febre tifoide \u00e9 um exemplo. O subtipo mexicano raramente causa infec\u00e7\u00f5es em humanos hoje em dia.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, atualmente, a febre ent\u00e9rica tamb\u00e9m \u00e9 considerada uma amea\u00e7a grave para a sa\u00fade no mundo todo. Estima-se que tenha feito adoecer 27 milh\u00f5es de pessoas em todo o planeta apenas no ano 2000. A variedade tifoide provoca febres elevadas, desidrata\u00e7\u00e3o e complica\u00e7\u00f5es gastrointestinais.<\/p>\n<section class=\"noticias-relevantes cf\">\n<h4 class=\"subtitle\"><\/h4>\n<\/section>\n<p><strong>Avan\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p>Kirsten Bos, investigadora do Instituto Max Planck, destaca que a descoberta \u00e9 um &#8220;avan\u00e7o essencial&#8221; porque apresenta um novo m\u00e9todo para o estudo das enfermidades do passado. Os pesquisadores afirmaram que, at\u00e9 agora, era dif\u00edcil determinar as causas de doen\u00e7as\u00a0<em>a posteriori<\/em>\u00a0na maioria dos casos de epidemias hist\u00f3ricas estudadas.<\/p>\n<p>&#8220;Em alguns casos, por exemplo, os sintomas causados por infec\u00e7\u00f5es de distintas bact\u00e9rias ou v\u00edrus podem ser muito parecidos, ou os sintomas apresentados por certas doen\u00e7as podem ter mudado nos \u00faltimos 500 anos&#8221;, explicam.<\/p>\n<p>dapd<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/fb_astecas.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nEquipe internacional encontrou tra\u00e7os de bact\u00e9ria causadora da febre ent\u00e9rica em esqueletos astecas<\/p>\n<p>O time de pesquisadores lembrou que diversas variedades da salmonela s\u00e3o propagadas por \u00e1gua ou comida contaminadas, e podem ter viajado ao M\u00e9xico com animais dom\u00e9sticos levados pelos espanh\u00f3is. Sabe-se que a\u00a0<em>Salmonella enterica\u00a0<\/em>existia na Europa na Idade M\u00e9dia.<\/p>\n<p>Alexander Herbig, tamb\u00e9m da Universidade de T\u00fcbingen, explica que foram conduzidos testes com todos os materiais patog\u00eanicos bacterianos e com v\u00edrus de DNA conhecidos hoje em dia. A\u00a0<em>Salmonella enterica\u00a0<\/em>foi o \u00fanico germe detectado, mas \u00e9 poss\u00edvel que haja causadores de doen\u00e7as ainda desconhecidos ou que n\u00e3o puderam ser detectados com o m\u00e9todo utilizado, que possam ter contribu\u00eddo para dizimar os astecas.<\/p>\n<p>A epidemia &#8220;cocoliztli&#8221; \u00e9 considerada uma das mais letais da Hist\u00f3ria humana, aproximando-se da peste bub\u00f4nica (&#8220;peste negra&#8221;), que matou 25 milh\u00f5es de pessoas na Europa ocidental, cerca de metade da popula\u00e7\u00e3o regional, no s\u00e9culo 14.<\/p>\n<p>Colonizadores europeus espalharam doen\u00e7as quando se aventuraram no Novo Mundo, levando germes com os quais as popula\u00e7\u00f5es locais nunca tinham tido contato, e contra os quais, portanto, n\u00e3o tinham imunidade.<\/p>\n<p>O flagelo &#8220;cocoliztli&#8221; atingiu o que hoje s\u00e3o M\u00e9xico e \u00e1reas da Guatemala duas d\u00e9cadas depois de uma epidemia de var\u00edola ter matado entre 5 e 8 milh\u00f5es de pessoas, logo ap\u00f3s a chegada dos espanh\u00f3is. Uma segunda epidemia &#8220;cocoliztli&#8221; matou metade da popula\u00e7\u00e3o restante entre 1576 e 1578.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Colonizadores europeus espalharam doen\u00e7as quando se aventuraram no Novo Mundo, levando germes com os quais as popula\u00e7\u00f5es locais nunca tinham tido contato, e contra os quais, portanto, n\u00e3o tinham imunidade.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":231651,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1175,6],"tags":[],"class_list":["post-231650","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/caveira.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/231650","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=231650"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/231650\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/231651"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=231650"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=231650"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=231650"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}