{"id":231738,"date":"2018-01-22T09:24:04","date_gmt":"2018-01-22T12:24:04","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=231738"},"modified":"2018-01-22T09:24:04","modified_gmt":"2018-01-22T12:24:04","slug":"marcas-da-historia-seca-de-1932","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/marcas-da-historia-seca-de-1932\/","title":{"rendered":"Marcas da Hist\u00f3ria: A seca de 1932"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: justify;\"><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">No\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Brasil\">Brasil<\/a>, na\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Regi%C3%A3o_Nordeste\">regi\u00e3o Nordeste<\/a>, existe a\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/w\/index.php?title=Regi%C3%A3o_semi%C3%A1rida&amp;action=edit&amp;redlink=1\">regi\u00e3o semi\u00e1rida<\/a>\u00a0que \u00e9 delimitada pelo\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Pol%C3%ADgono_das_Secas\">Pol\u00edgono das Secas<\/a>. Uma zona na qual as precipita\u00e7\u00f5es pluviom\u00e9tricas s\u00e3o mais baixas, onde as secas ocorrem produzindo os seus efeitos negativos e nefastos sobre a economia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-231739 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/seca1.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"203\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/seca1.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/seca1-160x108.jpg 160w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fen\u00f4meno das secas nesta \u00e1rea se d\u00e1 por causas naturais, devido principalmente pela alta variabilidade clim\u00e1tica, ocorrendo quando a chamada\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Zona_de_converg%C3%AAncia_intertropical\">zona de converg\u00eancia intertropical<\/a>\u00a0(<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Zona_de_converg%C3%AAncia_intertropical\">ZCIT<\/a>) n\u00e3o consegue se deslocar at\u00e9 a regi\u00e3o Nordeste no per\u00edodo ver\u00e3o-outono no\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Hemisf%C3%A9rio_Sul\">Hemisf\u00e9rio Sul<\/a>, sobretudo nos per\u00edodos de\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/El_Ni%C3%B1o\">El Ni\u00f1o<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-231740 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/seca2.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"303\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/seca2.jpg 400w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/seca2-300x227.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/seca2-80x60.jpg 80w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/seca2-118x88.jpg 118w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/seca2-160x121.jpg 160w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As secas despertaram (e despertam) a aten\u00e7\u00e3o dos governantes desde a \u00e9poca do\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Imp%C3%A9rio_do_Brasil\">Imp\u00e9rio<\/a>\u00a0de\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/D._Pedro_II\">D. Pedro II<\/a>. E, por sua vez, estes reagiram com planos e projetos nas \u00e1reas de\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Engenharia\">engenharia<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Social\">social<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Pol%C3%ADtica\">pol\u00edtica<\/a>, tentando assim amenizar as conseq\u00fc\u00eancias das secas tanto para as popula\u00e7\u00f5es diretamente afetadas (os\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Flagela%C3%A7%C3%A3o\">flagelados<\/a>), bem como as classes pol\u00edticas locais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-231741 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/seca3.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"304\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/seca3.jpg 400w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/seca3-300x228.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/seca3-80x60.jpg 80w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/seca3-160x122.jpg 160w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As grandes secas ocorrerem ap\u00f3s v\u00e1rios anos de chuvas irregulares. A primeira grande seca historicamente documentada ocorreu no per\u00edodo de 1721 a 1727. Um historiador, Tom\u00e1s Pompeu de Assis Brasil, escreveu que &#8220;1722 foi o ano da grande seca, em que n\u00e3o s\u00f3 morreram numerosas tribos ind\u00edgenas, como o gado e at\u00e9 as feras e aves se encontravam mortas por toda a parte.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-231742 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/seca-pernambuco.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/seca-pernambuco.jpg 800w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/seca-pernambuco-300x200.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/seca-pernambuco-768x512.jpg 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/seca-pernambuco-620x413.jpg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/seca-pernambuco-160x106.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/seca-pernambuco-450x300.jpg 450w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/seca-pernambuco-640x426.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No munic\u00edpio de Campo Formoso a seca mais comentada pelos mais idosos \u00e9 a de 1932. Eles contam que perderam quase tudo. O governo do Estado da Bahia, Juracy Montenegro Magalh\u00e3es, mandava alimentos para o munic\u00edpio de Campo Formoso, no entanto, poucos recebiam a cesta de alimentos, a situa\u00e7\u00e3o era mais cr\u00edtica no interior do munic\u00edpio, onde muitos padeciam de fome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para n\u00e3o morrer de fome comiam \u201cbr\u00f3\u201d, uma esp\u00e9cie de massa que era extra\u00edda do caule dos licurizeiros. Mesmo assim muitos morriam de fome. Naquela \u00e9poca os pais deixavam os filhos em casa e ima a procura do \u201cbr\u00f3\u201d. Cortavam a casca grossa do caule do licuri, levavam esse caule para uma laje de pedra, batiam-no at\u00e9 extra\u00edrem uma massa, peneiravam-na e assavam no forno da casa de farinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Senhor Cant\u00eddio, um morador da comunidade de Po\u00e7os que conviveu com a seca de 1932 exp\u00f5e sua experi\u00eancia:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cA \u00c1gua era escassa. Dia de feira poucos compravam alimentos. Naquela \u00e9poca era tudo aberto n\u00e3o havia tantas cercas, hoje os bichos s\u00e3o presos em pequenas ro\u00e7as, comem o pouco que elas oferecem e depois acabam morrendo.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Agente comia o br\u00f3 tirado do licurizeiro. Era preciso escolher a planta certa. Derrubava, desgarrava, cortava, la\u00e7ava em quatro partes, batia numa lage. Levava para ser secada, ia ao pil\u00e3o e depois era peneirada. Era uma farinha vermelha, depois fazia um cuscuz vermelho que s\u00f3. Era comida ruim, menino chorava pra n\u00e3o comer, era s\u00f3 para encher a barriga.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Uma comida muito braba e saborosa era produzida com a mucun\u00e3. A semente era assada no fogo feito com palhas, era quebrada, tirava um bago bem branco, como castanha de caju. O bago era levado ao pil\u00e3o, fazia uma massa, peneirava, depois era lavada em nove \u00e1guas para tirar o veneno, era como tapioca. Depois se fazia o beiju.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Agente comia o inhame de mato, ele tem folha larga, \u00e9 uma batata. Para comer \u00e9 descascada e cozinhada como o aipim. Tinha o palmito do licuri, uma comida para encher a barriga, logo agente tava com fome\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o jornalista pernambucano Carlos Garcia, &#8220;A grande seca de 1932 come\u00e7ou realmente em 1926, quando as chuvas foram irregulares, irregularidade que se acentuou a cada ano seguinte. Em 1932, ca\u00edram chuvas finas em janeiro, mas cessaram totalmente em mar\u00e7o. A estiagem de 1958 tamb\u00e9m foi uma grande seca, o que indica a ocorr\u00eancia de um ciclo de anos secos a cada 26 anos, aproximadamente. Essa periodicidade \u00e9 que leva os sertanejos a afirmar que cada homem tem de enfrentar uma grande seca em sua vida.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na seca de\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/1932\">1932<\/a>\u00a0o nordeste brasileiro sofria com as conseq\u00fc\u00eancias da estiagem, mas tamb\u00e9m vivia um momento hist\u00f3rico pr\u00f3prio dentro da era de\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Get%C3%BAlio_Vargas\">Get\u00falio Vargas<\/a>;\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Virgulino_Ferreira_da_Silva\">Lampi\u00e3o<\/a>\u00a0e seu bando centralizavam as aten\u00e7\u00f5es dos pol\u00edticos. Moradores do Povoado de Po\u00e7os, em Campo Formoso, afirmam que era comum a passagem de Revoltosos. Eram bandidos e cangaceiros que aterrorizavam a popula\u00e7\u00e3o local e de todo sert\u00e3o nordestino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os escritores Edith Alves e Jos\u00e9 Freitas afirmam que em 1929, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampi\u00e3o, passa no munic\u00edpio de Campo Formoso. O grupo foi para o Povoado de Brej\u00e3o da Caatinga a 70 km da sede do munic\u00edpio, onde assassinaram cinco militares, os quais partiram de Senhor do Bonfim numa diligencia policial \u00e0 procura de criminosos que haviam fugido da cadeia p\u00fablica de Senhor do Bonfim. Ap\u00f3s a chacina, os militares foram enterrados numa vala comum a um quil\u00f4metro do povoado, dois dias ap\u00f3s um comando volante desenterrou os corpos transladando os mesmos para o cemit\u00e9rio de Campo Formoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande seca de 1932 foi um verdadeiro cataclisma s\u00f3cio-econ\u00f4mico na regi\u00e3o, cuja calamidade fez com que o flagelo, tantas vezes repetido, assumisse propor\u00e7\u00f5es devastadoras, principalmente para a popula\u00e7\u00e3o carente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa \u00e9poca, a fim de que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o morresse de fome, o Governo Federal abriu frentes de trabalho.\u00a0Os trabalhadores, chamados pejorativamente de \u201ccassacos\u201d, trabalhavam de sol a sol, sempre sob o olhar repressor de feitores.\u00a0O sal\u00e1rio obtido pelo trabalho realizado pelos trabalhadores era um vale-compras. Com o vale podia-se comprar farinha, carne do sol ou do sert\u00e3o e um pouco de feij\u00e3o. Dessa maneira\u00a0a remunera\u00e7\u00e3o n\u00e3o era em moeda, mas em g\u00eaneros aliment\u00edcios, os quais na maioria das vezes eram desviados pelos encarregados da distribui\u00e7\u00e3o, ou tinham valores superfaturados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante da pen\u00faria, in\u00fameros homens, mulheres e crian\u00e7as se sujeitavam a migrar, a p\u00e9, ou em trens, em busca de auxilio e de outras cidades que lhes permitissem melhores condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquele per\u00edodo milhares de pessoas pereceram de fome, sede e doen\u00e7as. O ent\u00e3o presidente Get\u00falio Vargas (1930-1945) buscou combater a seca como uma quest\u00e3o nacional, ou seja, as medidas adotadas seriam tomadas diretamente pelo governo federal.\u00a0\u00a0Liberou verbas para socorro aos flagelados, controlou o mercado para garantir um abastecimento m\u00ednimo e pre\u00e7os razo\u00e1veis e instruiu a Inspetoria Federal de Obras contra as Secas (IFOCS), a alistar sertanejos para trabalhar na constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7udes, estradas, cal\u00e7amentos, etc.\u00a0Mas nem todos os sertanejos conseguiam se engajar nas obras de emerg\u00eancia, pois n\u00e3o havia muitas vagas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 dessa forma que Juracy Magalh\u00e3es, em carta a Get\u00falio Vargas, define a situa\u00e7\u00e3o da Bahia:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c(&#8230;) Ele [Oscar Bormann, funcion\u00e1rio contratado para tratar das finan\u00e7as do estado] lhe dir\u00e1, de viva voz, da angustiosa situa\u00e7\u00e3o financeira que atravessa a Bahia, cuja situa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 agravada por m\u00faltiplos e variados fatores de ordem econ\u00f4mica, pol\u00edtica e social. Sobrel\u00e9va, por\u00e9m, a todas as desgra\u00e7as que incidem sobre esta terra, a desorganiza\u00e7\u00e3o absoluta do Nordeste Bahiano, onde a seca e o banditismo dizimam as popula\u00e7\u00f5es, de tal sorte, que n\u00e3o havia cidad\u00e3o que ousasse ser autoridade no meio de tanta desola\u00e7\u00e3o. Foi, assim, que encontrei munic\u00edpios, onde nem siquer havia um prefeito\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flagelados da grande seca foram aproveitados nas obras que o Minist\u00e9rio de Via\u00e7\u00e3o e Obras P\u00fablicas implementava nos Estados Nordestinos. Multid\u00f5es se formaram nos canteiros de obras, a grande maioria sem a m\u00ednima no\u00e7\u00e3o de higiene, sendo respons\u00e1veis pelo ac\u00famulo de lixo e dejetos humanos em escala gigantesca. O regime alimentar, composto basicamente por farinha e carne seca, agravou o quadro de desnutri\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica da popula\u00e7\u00e3o flagelada, aumentando ainda mais a possibilidade de acontecer um surto epid\u00eamico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final de dezembro de 1932, quando as chuvas finalmente come\u00e7aram a cair no Nordeste, o inevit\u00e1vel aconteceu atrav\u00e9s de um impressionante combinado de infec\u00e7\u00f5es que Orris Barbosa, em c\u00e9lebre e cl\u00e1ssico livro intitulado \u201cSecca de 32 \u2013 Impress\u00f5es sobre a crise nordestina\u201d, distinguiu como sendo do grupo coli-t\u00edfico-desint\u00e9rico. Em janeiro, fevereiro e mar\u00e7o de 1933 as cifras da mortandade entre os \u201ccassacos\u201d alcan\u00e7avam n\u00fameros impressionantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Prolifera\u00e7\u00e3o de moscas em verdadeiros enxames contribuiu acentuadamente para disseminar os germes causadores de doen\u00e7as gastro-intestinais. Em pouco tempo os campos de trabalho estavam atulhados de cad\u00e1veres da desdita da seca do s\u00e9culo XX.\u00a0 Crian\u00e7as, portadoras de um quadro lastim\u00e1vel de desnutri\u00e7\u00e3o, foram as mais penalizadas, registrando a maioria dos \u00f3bitos da grande epidemia que assolou o nordeste brasileiro na d\u00e9cada de 30.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste novo contexto pol\u00edtico do p\u00f3s-30, de centraliza\u00e7\u00e3o do Estado, a seca de 1932 foi entendida, desde o in\u00edcio, como uma \u201cquest\u00e3o nacional\u201d, ligada \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica, a ser enfrentada atrav\u00e9s da conjuga\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os oficiais ligados \u00e0 assist\u00eancia social e p\u00fablica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As secas despertaram (e despertam) a aten\u00e7\u00e3o dos governantes desde a \u00e9poca do\u00a0Imp\u00e9rio\u00a0de\u00a0D. Pedro II. 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